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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FADO, PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Não sou apaixonada pelo FADO, apesar de ter nascido em Lisboa.

Lá, em adolescente, cantávamos muito em festas de jovens e havia quem se arvorasse em fadista, mesmo na minha família. A guitarra era um must nas reuniões da Capela do Rato e ali também se cantava fado do mais castiço.
Nunca fui a uma casa de fados na minha vida ( devo ser a única lisboeta que de tal se orgulha), embora houvesse cantores que me comoviam e ainda me comovem. Penso que o Fado tal como Fátima e o futebol são alienações da nossa Pátria, que não avança nunca mais e prefere o choradinho do passado, o mito das aparições e as glórias de Eusébio nos anos 60.

Posto isto, fico contente de que o Fado seja reconhecido internacionalmente, embora preferisse que fosse outro o alvo de tal honra.

Fui procurar nos arquivos do Youtube, um fadista que sempre adorei. A sua voz é única e incomparável: João Braga. Aqui canta em honra duma cantora portuguesa, que essa é, sem dúvida, a MAIOR de todas.

Fica aqui a minha homenagem à canção da minha terra.

sábado, 2 de outubro de 2010

MEZZO


Hoje usufruí de uns momentos únicos, que antes da partida dos meus filhos aqui de casa teriam sido difíceis de conseguir.
Estive a ouvir o canal MEZZO durante grande parte do serão e confirmei a ideia de que sem música, entraria facilmente em depressão.

Na minha sala está-se bem. Ontem comprei um candeeiro que dá um tom doce à parte da sala onde me sento e chega para ler, não sendo necessário usar os focos do tecto que dão uma luz mais agressiva.

Estive a ouvir uma ópera inteira, La Bohéme de Puccini, algo que não me acontecia há anos, talvez há mais de dez anos...a última que ouvi na TV foi o Rigoletto com a minha filha Luisa, há séculos...momentos divinais, música emocionante, intérpretes excelentes e cenários lindíssimos. Até me esqueci de jantar.

Durante anos fui à ópera no Coliseu de Lisboa, o meu Pai tinha bilhetes de graça e por vezes obrigava-nos a ir mesmo a óperas estranhas e longas....em adolescente, ouvi tudo o que se pode imaginar, desde o Werther até ao Boris Goudunov, Puccinis ( as minhas preferidas) e Verdis.
Sempre adorei ouvir um programa da Emissora Nacional, que incluía só árias, O Canto e os seus Intérpretes, que penso ainda existir na Antena 2.

Depois tive momentos em que achava a música de ópera demasiado dramática e não conseguia ouvi-la, sem sentir umas saudades imensas dos meus pais e família em geral. Os meus filhos gostavam, mas raramente íamos aqui no Porto. O meu filho com apenas dez anos até entrou na Carmen e nos Carmina Burana fazendo parte do Coro Infantil do Colégio Alemão; isso foi para ele uma experiência inolvidável.

É bom aproveitar a TV quando ela nos oferece programas destes. Temos a tendência de ouvir as notícias vezes sem conta, esquecendo estes canais culturais, que acabam por ser uma oferta maravilhosa e gratuita.

Deixo-vos com um extracto de La Bohéme. E não chorem ao ouvi-lo, como eu.