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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E as aguarelas....continuam

Ontem o pôr do sol estava de tal modo irreal que fui buscar a Leica acabada de arranjar e tirei fotos daqui da varanda. Tirei com o modo noite e ficaram tal qual, talvez um pouco mais escuras do que a realidade.

Hoje estive a tentar uma outra tela tipo aguarela....embora use acrílico em vez de papel e godés de aguarelas. O segredo está na água e na quantidade de tinta,que tem de ser muito pouca. O pincel tem de ser fino nalgumas situações. A tela não faz o mesmo efeito do papel, não se pode deixar branco à vista, mas por outro lado absorve melhor a tinta e fica baça como as aguarelas verdadeiras.
Para variar é uma paisagem anónima, daquelas que gostaríamos de contemplar todos os dias num intervalo da nossa vida citadina . Amiúde gostaríamos de sair do filme de acção para um costum drama, como lhes chamam os ingleses.

Na ausência de viagens reais, perdemo-nos no labirinto do imaginário...já não é mau.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O inverno

Hoje chegou para mim o inverno.

Os meus meninos chegaram e quiseram logo ir para o Botânico com a Avó. Tinha estado a pintar e a ouvir música barroca com um novo aparelhometro que o meu filho me ofereceu e que possibilita ouvir-se o IPOD alto e bom som. É excelente para quando estou a pintar e soube-me bem ter música no atelier.


resolvi usar o acrílico como se fosse aguarela e resultou ( na minha opinião, claro). A tela estava um pouco húmida , de modo que o efeito é muito semelhante. Pintei as árvores que vejo da janela do atelier e que estão parcialmente despidas agora.

Não ficou muito mal. Vai aqui com a música que ouvi.


domingo, 1 de janeiro de 2012

Caixinhas de surpresas - 2012

Continuo a usar o laptop da minha filha e já estou a habituar-me de novo ao Windows, que em certos aspectos, é mais prático que o Apple, embora o último seja muito mais belo e as fotos apareçam muito mais nítidas e atraentes.

Amanhã vou levá-lo a arranjar, só espero que tenha conserto e que essa seja paga pela garantia, Faz agora precisamente dois anos que o comprei...

Nestes dias, tendo passado por várias lojas de chineses - as que todos condenam,mas a maioria frequenta, por razões económicas, e não só - encontrei lá no meio da confusão, umas caixinhas de madeira clarinha dos mais variados tamanhos e feitios, que fizeram os meus encantos.
Já no ano passado tinha pintado algumas simples para oferecer, mas este ano sofistiquei ainda mais o aproveitamento dos objectos, dando-lhes um cunho especial.
Eis aqui algumas das que já fiz este ano, penso que ficaram mimosas...e o custo é quase nulo...:)

Algumas têm vidro para meter fotografia, outras têm divisórias por dentro para colocar bijuteria ou outras coisas, não têm brilho, a madeira é linda e lisa, adapta-se a qualquer estilo e podem-se sofisticar ainda mais...

Gosto muito da palavra BOX que significa caixa em inglês ( ou outras coisas, como TV, por exemplo). BOX é para mim uma palavra mágica, nunca se sabe qual o conteúdo duma caixa. Espero que estas agradem a quem as vou oferecer.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

the moors 2

A paisagem do Yorkshire varia muito conforme as estações, os castanhos transformam-se em verdes claros ou amarelos dourados, as florinhas campestres cobrem os vales em tons de lilaz, rosa, branco ou amarelo, até as pedras se vestem de novo, adquirindo tonalidades diferentes conforme a luz do céu. Não digo do sol, porque ele só brilha de longe em longe, chove bastante e mesmo quando não chove, o céu é ameaçador, as nuvens baixas, arroxeadas e em movimento constante.É uma paisagem lindíssima, em que o olhar se perde e nos faz sentir mais perto do céu. Sei que seria feliz se pudesse voar para lá de vez em quando, as imagens que tenho na minha retina são um bálsamo para quem só vê paisagem citadina.


Fica aqui mais um quadrinho inspirado por essa região.E uma música a condizer, cantada por uma das vozes mais puras que conheço e que a minha filha adora. O poema vem em inglês, do que peço desculpa.



When in the springtime of the year
When the trees are crowned with leaves
When the ash and oak, and the birch and yew
Are dressed in ribbons fair

When owls call the breathless moon
In the blue veil of the night
The shadows of the trees appear
Amidst the lantern light

We've been rambling all the night
And some time of this day
Now returning back again
We bring a garland gay

Who will go down to those shady groves
And summon the shadows there
And tie a ribbon on those sheltering arms
In the springtime of the year

The songs of birds seem to fill the wood
That when the fiddler plays
All their voices can be heard
Long past their woodland days

And so they linked their hands and danced
Round in circles and in rows
And so the journey of the night descends
When all the shades are gone

"A garland gay we bring you here
And at your door we stand
It is a sprout well budded out
The work of Our Lord's hand"

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A magia de Serralves

Passei umas tres horas por ali...com o tempo acizentado,
sabe bem andar por entre as árvores despidas - nem todas - e respirar aquele ar puro. Serralves é tão grande e majestoso que, ao pé dele, o meu botânico parece mignon, um backyard ( quintal) da minha casa. As árvores são enormes , estendem-se a perder de vista, quase a tocar no céu.
O Museu é uma obra prima, já lá tirei muitas fotos e todos os dias encontro outros ângulos, facetas ou jogos de sombras originais. Tudo ali é Arte, a Natureza à volta e a Arte feita pelo Homem, nem sempre muito interessante, mas quase sempre impressionante.
As exposições são duma dimensão enorme, salas e salas,
espaços gigantescos, pinturas que encheriam uma parede do meu atelier, se lá coubessem. Tudo é duma outra dimensão e por isso nos fascina. A disposição dos quadros é excelente, nada se sobrepôe ou interfere, cada quadro ou escultura ou obra tem onde respirar e as pessoas não se acotovelam para as ver. O chão de madeira aumenta esta sensação de conforto e espaço. E depois há as janelas que se abrem sobre o parque e deixam entrever troncos, ramos, figuras esguias e acizentadas, elas também obras de arte.

Gostei das duas exposições. A de Eduardo Batarda é mais previsível,
já o conheço há quarenta anos de Lisboa, embora nunca o tivesse visto pessoalmente.
Não aprecio assim muito as suas ilustrações do tipo BD e grafitti, mas
gosto dos quadros grandes, quase monocolores, com muitos riscos e rabiscos e
efeitos surpreendentes.
A expo de Thomas Struth, que não me deixaram fotografar, é colossal.
Está dividida por temas e se as de fotografias urbanas não me encantaram, os retratos de famílias, as de museus a serem visitados e fotografados no local e as da Natureza paradisíaca,
são no mínimo extraordinárias. Um painel que enche uma anorme parede com 4 fotografias de uma sala de museu cheia de gente quase em tamanho natural,
é quase irreal, parece aqueles filmes IMAX. Tenho pena de que não haja mais sofás espalhados pelas salas para nos podermos sentar e admirar a arte com tempo e sem tanto cansaço das pernas.

Ainda passei pelo Bazar de Natal que me chocou ,
como sempre, pela inutilidade de objectos que expôem, bibelots supostamente com design original, tudo a preços infames em época de crise. Nisso sou proletária ou sumítica. detesto gastar dinheiro só para dizer que é peça comprada em Serralves. Porque não há-de ser um quadrinho meu mais valioso que um objecto igual a tantos outros, mesmo com assinatura do autor? Mas há gente para tudo e o bazar estava animado. Já a livraria, em contrapartida, não tinha quase ninguém.Os livros de arte são excessivamente caros, mas é bom folheá-los de vez em quando.

Entretanto o Mezzo transmite um recital: Bertrand Chamayou joue les Années de pèlerinage de Liszt . Vale a pena ouvir e fotografar a vista da minha janela com o reflexo do piano. Como diriam os jovens de hoje: Tasse bem!

sábado, 26 de novembro de 2011

Folhas de outono

Hoje já se podiam apanhar folhas de outono com sol. Há dias quis apanhar algumas, mas estavam demasiado húmidas e mesmo quebradas da água que impiedosamente caiu. Dois dias de sol é quanto basta para as folhas cairem e se quedarem ilesas no pavimento até que um transeunte ou animal as espezinhe, amachuque e destrua para sempre...beleza tão efémera que não dispenso.
Lembro-me de a minha Mãe se queixar de Lisboa, dizendo que havia demasiadas árvores de folha perene à volta e quase não se dava pelas mudanças de estações. Era uma queixa um pouco infundada, porque sempre vivemos rodeados de tílias, choupos, árvores de fruto no meio de pinheiros, eucaliptos e cedros, esses sim, de folha verde permanente.Mas é verdade que, quanto mais norte, mais caem as folhas e mais bonito é o outono...

Aqui não me posso queixar...aliás, a maior parte destas árvores à volta já estão despidas e entrevejo alguns prédios que preferiria não ver. A Casa Andresen tambem já voltou ao vermelhão, que considero um erro, pesado e triste, sobretudo no inverno.

Mas, como ia dizendo, hoje já se podiam apanhar folhas do chão e fi-lo ao vir do café. Pu-las debaixo duns livros pesados durante uma hora, foi suficiente para ficarem prensadas, sem perder as cores lindas do ácer, que ainda parece florido da minha varanda.

Resolvi colá-las em papel próprio para pintar em acrílico, usando o gel de impasto. Durante algumas horas assim estiveram presas ao papel, como borboletas que já não podem voar..
Depois pintei-as num fundo a condizer, mistura de azul prussiano ( sempre ele), amarelo de Nápoles e ocre. A colagem ficou praticamente pronta, só falta aplicar-lhe algum verniz.


E para acompanhar música eterna numa interpretação transcendente do ADAGIO TRIO:

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os choupos

Havia vários no jardim da minha casa de infância. Tinha um especial carinho por eles, adorava ouvi-los a restolhar com o vento quase constante nas tardes primaveris de Lisboa, via-os despirem-se
das suas folhas leves, lançarem tufos de algodão, amarelecerem ou esverdearem... eles estavam presentes nas imagens que me ficaram na retina.

Hoje passei por uma avenida onde há uma fileira de choupos, pouco habitual nesta cidade. Puxei do meu I'Touch, que tira fotos e disparei...

Ficam aqui as fotos...e umas pinturas maravilhosas do Mestre do impressionsimo, o meu preferido,


Monet.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Once upon a time

Antes de ter o blogue, dedicava-me muito a pintura em pastel de óleo, tendo até adquirido os melhores pasteis que conheço - os Sennelier - que me trouxeram de Paris e depois de Boston. Fiz muitas e muitas pinturas, algumas foram emolduradas para a exposição em Lisboa e depois na Utopia, outras foram guardadas numa pasta, que hoje voltei a ver.




É curioso como estas obras me falam duma época diferente, uma fase que ultrapassei e que é em tudo diferente do tipo de quadros que hoje faço. Não tenho muita paciência para o pastel de óleo e comecei a pintar quase só em acrílico. Também faço pintura abstracta, mais espontânea, com MDF, que é a minha base favorita, nunca mais pintei em papel...




Fotografei algumas das pinturas que considero mais originais.

Uma foi inspirada num quadro que a minha mãe tinha duma árvore e de que eu gostava muito.
Também pintei o departamento do MIT ( Massachussets Institute of Technology), o célebre Stata Center, onde o meu filho trabalhou durante meses.
A outra pretende retratar casas de Cotswold, região lindíssima perto de Londres.



São pinturas um pouco rudimentares, mas que deram bastante trabalho, muito mais do que as que faço hoje em dia. Gosto delas....como se se tratassem de fotos antigas...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ciência, poesia, música e pintura


Fui hoje a um workshop no Espaço Vivacidade, dinamizado pela minha amiga Regina Gouveia, pessoa polivalente ( como as gaivotas), que consegue estar bem em todas a vertentes. No local onde se realizou o workshop, estava patente ao público uma exposição da própria que foi inaugurada no início do mês: Estados de Alma.

Gostei de estar ali uma hora e meia a ouvir e a ver sobre o tema : A Ciência ao alcance de todos. Nada sei sobre Ciência , a não ser aquilo que vou lendo nos jornais ou que oiço o meu filho falar. Tendo cientistas na família, sobretudo na área da medicina, enveredei pelas letras, embora sinta um certo fascínio pelas descobertas do Homem, principalmente, no campo da astronomia e da medicina. Gostaria de ter estudado melhor a Física, que é de todas as ciências a mais difícil de compreender, na minha opinião. A Regina torna as coisas simples e a música acompanha muito bem a explicação.
Assim sendo, umas sessões sobre Ciência acessíveis a qualquer um e adornadas com poemas e música relacionadas com os temas, tornam-se muito convidativas. Após a sessão ainda estive bastante tempo à conversa com o Pedro Freire, o meu Amigo do blogue Imago Mundi. Trocámos impressões sobre fotografia a ali ficaríamos se não se fizesse tarde.

Tirei algumas fotografias com o meu I Touch, pois não levei a máquina fotográfica, aos quadros expostos. A colecção é bem maior, mas não pude fotografar as aguarelas devido às luzes que se reflectem nos vidros. Aqui constam apenas os de acrílico sobre tela. Entretanto comprei um quadro cujo montante a Regina ofereceu a uma associação que ajuda pessoas com deficiências.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Hoje pintei



(clicar)


Inspirada pelas paisagens maravilhosas que vi do comboio em Inglaterra, apeteceu-me pintar mais uma paisagem. Fi-lo ao som de Bach, que tocava em alto som na minha sala, ao lado da cozinha, onde pinto. Deixo-vos com essa maravilhosa peça.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O efeito hipnótico da água



Há tempos referi-me a um grande pintor inglês, nascido perto de Leeds, em Bradford: David Hockney. Comprei recentemente um livro escrito por alguém que o entrevistou longamente sobre os sortilégios da Arte.
David Hockney especializou-se em colagens , a partir de fotografias,mas também se dedicou à pintura, celebrizando-se pelos seus quadros com piscinas, procurando exprimir os reflexos da água em repouso.
Hoje , tendo passado horas junto às piscinas e ao mar, achei graça, comparar os efeitos conseguidos pela minha máquina e as pinturas de Hockney. Aqui ficam...


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Xacobeo 2010 - Credencial do Peregrino




Já falei deste evento religioso e místico há uns meses, quando nos propuseram integrar uma exposição itinerante num intercâmbio entre o centro cultural de o Grove e a Escola Utopia. Na altura não me parecia talhada para fazer um quadro desse tipo,mas alinhei com outros colegas e a verdade é que os nossos quadros têm sido apreciados por esse Minho fora, tendo sido expostos em Ponte de Lima, Arcos de Valdevez e Valença, donde se deslocarão agora para Tuy.
Todas as vezes que os quadros são mudados de cidade, alguns alunos da Escola, os seus dirigentes e o Professor Domingos Loureiro vão acompanhá-los de camioneta ou de carro, aproveitando-se a ocasião para confraternizar, almoçar, ver a nova exposição e a paisagem maravilhosa do Minho primaveril.
Tendo a exposição de Valença que terminar a 15 de Maio, os promotores locais pediram à Utopia que substituíssem esses quadros por outros relacionados com o mesmo tema, de modo que o local não ficasse tão despido. O professor propôs-nos fazer novos quadros, sobretudo àqueles alunos que não tinham participado na primeira mostra; eu não alinhei, dado que não me sentia inspirada para trabalhar em algo figurativo e estava mais numa maré de abstractos.
Ontem ao ver tantos colegas entusiasmados, mesmo no fim da aula, perguntei ao professor se ainda havia hipóteses de entrar. A resposta foi positiva. Escolhi uma fotocópia sobre o tema que a minha colega Eugénia tinha levado para a escola e vim para casa com vontade de experimentar um novo estilo.

Fui buscar mais informação à net - essa fonte inesgotável - e descobri que esta fotocópia reproduz a capa da Credencial do Peregrino, obrigatória para todos os que querem participar a pé, a cavalo ou de bicicleta na Peregrinação a Santiago de Compostela, partam eles donde quer que seja. A Credencial é um livrinho em forma de acordeão, com directivas, mapas, percursos, moradas de albergues, centros de saúde, etc. e onde se vai registando e carimbando todos os paradeiros onde o Peregrino se acolhe. É obrigatório possuir a credencial, que se obtém em Portugal apenas através da Universidade Católica de Braga.


Eis o quadro feito por mim ontem e hoje, ainda sem aval do profesor e com algumas letras escritas no Picasa, mas que serão pintadas na Escola amanhã.
Gosto muito das cores escolhidas sobre o impasto que foi todo trabalhado ontem ao fim da tarde, de modo a dar relevo aos simbolos principais: a cabaça, que srve para transportar a água, a concha por onde se bebe a água das fontes, o cajado ou bordão e a chave que ainda não compreendi para que serve, mas que amanhã já saberei. Posto isto, gostaria de confessar, que se fosse mais nova e não tivesse tantos problemas de artrose num joelho, seria tentada a fazer uma caminhada por esses montes e vales, meditando e encontrando pasto espiritual, tão necessário nos nosso dias.

domingo, 25 de abril de 2010

Liberdade artística

1. Hoje de manhã resolvi pintar...ou seja, cobrir um quadro que já tinha feito e de que não gostava com outro mais apelativo.
Talvez devesse ter pintado a vermelho, dado que hoje é o dia que é, mas a minha tendência foi para os azuis, cores do mar , do céu, dos olhos das princesas dos contos de Grimm, das violetas e do meu clube do coração.



(clicar- esta versão saiu melhor do que a foto de ontem)

Blue whales


2. Estive grande parte da tarde com os dois netos mais velhos, fomos ao Jardim Botânico, que estava resplandecente e tinha ainda uma exposição de répteis feitos de tampinhas de frascos de toda a espécie, tudo em plástico de várias cores. Muito criativo.
Aqui ficam alguns exemplares muito originais.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Glow senses - nova revista



Há tempos a Vivacidade recebeu um e-mail desta revista que estaria interessada em publicar um artigo sobre a minha pintura - tinham visto anunciada a Exposição Cor em Movimento. Fiquei surpreendida com tal ideia, mas é claro disse que sim e que arranjaria um texto para acompanhar as fotos dos quadros. Entretanto falei com o meu professor, Domingos Loureiro e ele ofereceu-se para escrever um artigo sobre a minha pintura tal qual ele a /me vê. Num dia, apenas, redigiu o texto que podem ler a seguir.

Ontem sairam as revistas de Abril - GLOW - são uma colecção de cinco que se podem ler online como se tivéssemos a versão em papel, mas com as fotos em grande e com a possibilidade de aumentar e diminuir consoante se quiser. Procuram-se as páginas no índice e é fácil encontrar o sítio.Os pedaços das pinturas foram seleccionados a gosto dos editores.



Acho a ideia de uma revista online muito interessante e estou bastante orgulhosa por poder estar lá representada!!

É este o site:http://www.calameo.com/read/000246474379dfaa85972?authid=8Y9Qvf07TYex
Basta procurar as páginas 88-94 e ler.


E este o texto, que está anexo.


‘Momentos de (sens)acção’
Virgínia Barros é antes de qualquer outro desenvolvimento um ser emotivo!

Começo deste modo porque é demasiado importante que merece ser destacado antes de dizer qualquer outra coisa.

Esta introdução poderia ser atribuída a qualquer ser humano, principalmente aqueles que decidem explorar o seu lado mais criativo, mas será de certeza compreendido por quem lê este texto depois de observar os seus trabalhos, já que perceberá o quanto o lado cognitivo é importante na obra da autora e, arrisco dizer, na sua própria vida.

A sua pintura vive tanto deste lado emocional e sentimental (este pleonasmo procura o ênfase da ideia) que não poderemos ter qualquer tipo de observação racional ou objectiva. Não que o sentimento não possa ser objectivo, mas porque ele exige sempre que a regra seja quebrada e que o esforço seja no sentido da procura e não no sentido da chegada. As metas não são locais que a artista (atrevo-me a designá-la como artista) procure, mas sim a procura e a caminhada. A sua obra é uma espécie de conflito entre a ideia/sentimento e a necessidade da expressão, como se dependesse dela para sobreviver, respirar, olhar, andar. A sua pintura é então esta busca incessante pela expressão, a busca do eu.

A pintura de Virgínia Barros é mais um modo de pulsar do que um modo de representar.

Se imaginarmos os caminhos que esta luta envolve talvez tenhamos dificuldade em encontrar uma definição ou uma gaveta onde colocar a sua obra, porque ela é sem duvida uma forma de sair desse mesmo mundo de definições objectivas. Ela é no seu sentido mais básico, simplesmente pintura, simplesmente respirar, simplesmente sentir. Nunca nos interrogámos porque inspiramos e expiramos, nem porque amamos e (também) odiamos. Sabemos apenas que dependemos disso para continuarmos vivos, para nos sentirmos vivos.

A pintura é, na artista, esse lado, esse inspirar e expirar, onde pintar é simplesmente estar vivo. Talvez não seja somente na pintura, mas em várias artes, tal como no modo de encarar a vida, onde a criação e a expressão são as faces da moeda que Virgínia ostenta. Ao seu lado emotivo, contrapõe-se o seu lado cognitivo. O seu eu racional é apenas a base para se integrar e se inteirar das realidades circundantes, politicas, ideológicas, sociais… A sua obra o seu estado espiritual, o seu lado emotivo que cresce a cada dia que passa e que nos surpreende a cada obra que realiza, a cada suspiro que liberta.

Assim volto ao princípio e pergunto se haverá outra expressão para descrever esta artista que não seja simplesmente ‘um ser emotivo’?

Finalmente espero que ao olharem as suas pinturas compreendam este modo como descrevo a artista e como considero ser o modo ideal para descrever as suas obras. Ao ‘olhar’ qualquer um dos seus quadros ninguém ficará indiferente a estes aspectos e a pintura será com certeza muito mais reveladora da artista e principalmente de nós mesmos, que, talvez, também sejamos ‘seres emotivos’.
È um prazer poder incentivar a sua emoção/acção.



Domingos Loureiro

Porto Março 2010

Muito obrigada, Professor! Muito obrigada Vivacidade! E obrigada à GLOW SENSES.