Ontem fui a um espectáculo diferente na Casa da Música com o meu ex- e a minha filha. Prometia: coros, orquestra e bailados do exército de S. Petersburgo. Muito esplendoroso, com pedacinhos de tonalidade eslava, cantados por homens, sussurrados como os barqueiros costumam fazer, assobios, ritmo alucinante, elasticidade dos movimentos, cores garridas e solistas de voz potente. A Casa da Música aqueceu - é uma das salas mais frias que conheço, apesar de linda - e as tantas já todos batiam palmas ao ritmo da balalaika. Uma experiência única e bastante excitante. Talvez não tão fulgurante como esperava, mas mesmo assim interessante e agradável.
Como diz a publicidade ao evento:
Cem artistas, deslumbrantes vestuários, impressionantes coreografias, um coro imponente de vozes masculinas, fazem do "Exército Russo" uma apaixonante viagem à Rússia Ancestral. A origem dos conjuntos de Coros e Danças do Exército Russo remonta às guerras mundiais, quando estas formações levavam canções de amor e esperança aos soldados do fronte e aos hospitais. Após a chegada da paz, aquelas vozes e muitas outras converteram-se num dos espetáculos russos mais aplaudidos do mundo.
O Coro, Ballet e Orquestra do Exército Russo de São Petersburgo, integra uma centena de artistas, e constitui uma das melhores representações do folclore e da arte vocal e coreográfica da Rússia.O Ballet, com deslumbrantes vestuários e originais coreografias, apresenta danças que falam da vida
agrícola, de amor e de batalhas enquanto a Orquestra, que é composta por 30 músicos, nos traz a música das populares balalaikas e acordeões.
Fica aqui a melodia mais conhecida: KALINKA.
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
PINA - Maravilha em 3D

Fui ver "Pina" , o filme de Wim Wenders sobre o trabalho de Pina Bausch, coreógrafa alemã, que faleceu em 2009.
Tinha algumas reticências, pois não gosto muito de ver bailado no cinema ou na TV, já tinha ouvido dizer mal de alguns espectáculos que a coreógrafa realizou cá em Portugal, sentia algum receio de que o filme fosse um mero documentário pra-frentex, sem substância, esotérico ou para mentes intelectualoides.
Nada disso. Adorei. E pela primeira vez dei o devido valor as 3D. Não há dúvida que sem elas, este filme perderia 50% do impacto.

Ao ver este filme, diria que no princípio era a música. e o corpo...não o verbo. No dizer de Wenders, Pina não gostava de palavras e falava muito pouco com os seus alunos, pelo meio surgem frases que ela proferiu em dada altura a cada um dos bailarinos ou bailarinas durante anos. Mas, segundo eles, Pina exprimia-se pelo olhar, os seus olhos pareciam dizer tudo.

Transcrevo aqui as próprias palavras do realizador acerca da arte transmitida pela coreógrafa e sobre o significado do movimento:
MOVEMENT
Until now movement as such has never touched me.
I always regarded it as a given.
One just moves. Everything moves.
Only through Pina's Tanztheater have I learned to value
movements, gestures, attitudes, behaviour, body language,
and through her work learned to respect them.
And anew every time when, over the years I saw Pina's pieces, many times and again,
did I relearn, often like being struck by thunder,
that the simplest and most obvious is the most moving at all:
What treasure lies within our bodies, to be able to express itself without words,
and how many stories can be told without saying a single sentence.
Ao contemplar cenas coreografadas, no filme, senti uma leveza, uma sensação de liberdade total, a imagem do corpo como algo táctil, maleável , completamente desprovido de peso, capaz de se mover em todos os sentidos, gesticular, abraçar, empurrar, aguentar, suster, atirar, chapinhar e tudo o mais que com ele se queira fazer. Esta arte é um hino ao corpo, embora os bailarinos não sejam especialmente bonitos, nem escolhidos pela sua beleza física, talvez mais pela sua expressividade.
Mas para mim, ainda o melhor de tudo, é o soundtrack do filme. A música é absolutamente divinal do princípio ao fim, variando de estilos e terminando com uma balada de Coimbra, pela voz de Adriano Correia de Oliveira, que me fez estremecer de emoção.
Fica aqui o trailer:
domingo, 4 de outubro de 2009
Domingo de Outono

Um belo Domingo, com sol - embora um pouco envergonhado - temperatura quente quase tropical, Foz cheia de poovo nacional e estrangeiro ( será por causa da Ryanair que há muitos mais alemães no Porto?), o "meu" café dos Ingleses com a mesa do canto junto à praia livre e as deck-chairs vazias para a sesta depois do "prandium" ( almoço). O que é que se pode querer mais?

O mar está bravio, maré cheia, a embater contra aquele rochedo que tem mais histórias para contar que a minha Avó ( teria), ali em frente à varanda, pronto a deixar-se chicotear pelas ondas e a permitir que a rebentação brilhe em repuxo contra-luz. Um espectáculo, a 15m de autocarro da minha porta. Não esperámos - eu e a Luisa - mais do que 2 minutos pelo dito cujo e lá fomos pelas 13horas, juntamente com idosos que aproveitam o domingo para passear de transportes públicos, já que não têm carro nem saúde para andar a pé. Conhecem-se todos, falam uns com os outros ( de doenças, claro), não há discussões, nem pressas...é domingo.

Na praia uma dúzia de malucos alemães tomam banho de mar em cuecas - boxers talvez - radiantes com a proeza e com os mirones que os olham com espanto da varanda do café. O sol escalda por entre as nuvens e a água deve estar gelada, mas os efeitos energéticos devem ser elevados, pois dão direito a grandes canecas de cerveja no rescaldo da festa. Falam alto, gesticulam e pensam: Isto é que é vida e esta gentinha sempre a protestar contra tudo e todos....têm um clima que é uma dádiva de Deus!"
Oiço alguma música no meu Ipod para calar a "salsa" que vem pelos altifalantes: Agnus Dei de Bach, Chaconne da partita para violino de Bach-Buisoni, tocada pelo grande-pequeno Eygen Kissin. Evasão total...e o estrondo das ondas em pano de fundo.

Para terminar um chá de canela e maçã com scones, tudo muito bem feito e barato. O café tem mudado de mãos , mas continua acessível e oferece uma localização privilegiada. Como podem ver pelas fotos, parece que se está na amurada dum navio e a boca fica cheia de sal...
Após mais um passeio de autocarro para casa, ainda passo sozinha pelo Jardim Botânico, que vai fechar dentro de meia hora, para visitar os nenúfares e as rosas, abertas e oferecidas aos poucos que por lá passeiam.


Ofereço estas flores aos leitores deste blogue, que fielmente têm acompanhado a minha vida quotidiana. Bem hajam!
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