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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E as aguarelas....continuam

Ontem o pôr do sol estava de tal modo irreal que fui buscar a Leica acabada de arranjar e tirei fotos daqui da varanda. Tirei com o modo noite e ficaram tal qual, talvez um pouco mais escuras do que a realidade.

Hoje estive a tentar uma outra tela tipo aguarela....embora use acrílico em vez de papel e godés de aguarelas. O segredo está na água e na quantidade de tinta,que tem de ser muito pouca. O pincel tem de ser fino nalgumas situações. A tela não faz o mesmo efeito do papel, não se pode deixar branco à vista, mas por outro lado absorve melhor a tinta e fica baça como as aguarelas verdadeiras.
Para variar é uma paisagem anónima, daquelas que gostaríamos de contemplar todos os dias num intervalo da nossa vida citadina . Amiúde gostaríamos de sair do filme de acção para um costum drama, como lhes chamam os ingleses.

Na ausência de viagens reais, perdemo-nos no labirinto do imaginário...já não é mau.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sem a pintura e a música....

a minha vida não teria colorido...



Há cerca dum mês fiz estes quadrinhos. Tencionava oferecê-los, mas enamorei-me deles, coloquei-os numa parede estreitinha junto ao meu quarto, em coluna, e gosto de olhar para eles todos os dias, várias vezes.
Cada um deles me conduz a um lugar diferente, mas todos lá para o fundo do mar, locais misteriosos, onde habitam seres coloridos e atraentes, mais belos do que os que vemos à superfície, nas nossas cidades taõ betonizadas e torturadas pelos asfaltos, passeios sujos e grafitti.
A pintura faz-me sonhar e, mesmo quando não me sai nada de jeito e destruo o que fiz, sinto que valeu a pena estar ali aquelas horas com os pinceis na mão.
A música - oiço neste momento um concerto de música de Câmara de Schubert no Mezzo com um violino plangente tocado magistralmente - e a pintura enlevam-me a ajudam-me a viver melhor os momentos de relativa solidão que me inflijo a mim própria com teimosia.
Os dedos sobre as teclas ou sobre as cordas, os pinceis sobre a tela, a harmonia dos sons, a variedade dos tons, tudo isto é mais belo que a realidade do dia a dia.
Deixo-vos aqui a Fantasy for Violin and Piano in C Major D. 934 de Schubert

sábado, 30 de outubro de 2010

Blue trees


Quando somos crianças aprendemos a pintar a paisagem das cores mais tradicionais, os campos são verdes, os montes castanhos, o céu azul com nuvens brancas, o sol amarelo, a lua branca ou azulada, o mar azul-verde, a areia amarela, as flores vermelhas, laranjas ou rosas, os caules verde claro, as casas brancas com telhados vermelhos e portas castanhas.

É assim que muitos professores e adultos conduzem os miudos a um mundo policromático, mas limitado e formal.

Quando era professora de inglês divertia-me a usar fotocópias de quadros modernos, em que as cores eram arbitrárias - David Hockney, por exemplo, tem quadros com cores "inventadas" e Matisse usa muitas cores diferentes para pintar pessoas. Os alunos tinham de sugerir as cores dos elementos do quadro e no fim viam o verdadeiro em transparência. O efeito e a motivação, para além do interesse cultural da actividade são óbvios. Falavam em inglês durante a aula toda.

Hoje fiz um quadro que nada tem de tradicional nas cores que escolhi. Mais uma vez escolhi o tema árvores...

terça-feira, 23 de março de 2010

ALICE IN WONDERLAND



Não foi para imitar o meu irmão que resolvi escrever esta entrada no blogue, mas apenas porque me deu na telha de ir ver o filme hoje às 14h e pela primeira vez na minha vida, estive sozinha numa sala de cinema, de óculos 3D, com a música, as cores em movimento, as personagens extravagantes, as legendas salientes, os coelhos apressados, rainhas tresloucadas, gatos de olhos faiscantes, lagartas azuis e chapéus malucos ...tudo só para MIM.
EU fui naquelas duas horas uma verdadeira Alice, sozinha no mundo de extravagância e loucura e capaz de acreditar no impossível.

Sempre gostei da menina Alice, candida e forte simultaneamente, dos seus amigos perspicazes, doces e enigmáticos. Li o livro no Colégio Inglês - simplificado, com certeza - e fiquei durante anos com a impressão de que Lewis Carroll era uma mulher. Compreende-se. Nesta história só as mulheres vencem ou são derrotadas, os homens só existem para as servir. Carroll era um feminista avant la lettre!

O filme não me maravilhou, ainda que tenha alguns ingredientes extraordinários, como Johnny Depp, num dos seus melhores papeis, fazendo de Mad Hatter, o chapeleiro maluco, a frágil Mia interpretando a adolescente Alice, que foge do mundo real e dum casamento forjado, Helen Bonham Carter, no papel da Rainha de copas - ia jurar que a cabeça dela era mesmo um coração repleto de cabeleira ruiva! - e last but not least, o gato de olhos verdes sedutores, que se esboroa em thin air falando com a sua voz grave.
Dispensavam-se as aves gigantescas, os cães dinossáuricos e o ambiente surreal que invade as cenas finais do filme.

Reli agora rapidamente o livro online. Não há nada de efeitos especiais na história. Nem no filme de Walt Disney, que é encantador. O julgamento no final do livro é um manual de fantasia e ironia, de nonsense e candura, que desapareceu neste filme, não existe pura e simplesmente. Bem sei que isto não é um remake, mas uma adaptação de dois romances, mas o melhor foi cortado pelo realizador e substituido por uma luta violenta com efeitos visuais que nos entram pelos olhos adentro.

Finalmente, não consigo habituar-me às 3 dimensões. Acho os filmes escuros, leio com dificuldade as legendas, perde-se muito em beleza....dispensava tudo isso e já vi uns quatro filmes nesse formato. Só gostei verdadeiramente dum: A Idade do Gelo, que é fabuloso.

Quando saí do cinema, senti-me fora do buraco, a tarde estava radiosa e os passarinhos cantavam. As árvores cheias de flores, a erva de campainhas e malmequeres minúsculos. Há tardes felizes.

Aqui ficam o princípio e o fim do livro de Lewis Carroll. Desculpem ser a versão original. O meu neto de 4 anos compreenderia Alice muito bem e apoiaria tudo o que ela faz.

Uma maravilha. Wonderful.
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I
ALICE was beginning to get very tired of sitting by her sister on the bank and of having nothing to do: once or twice she had peeped into the book her sister was reading, but it had no pictures or conversations in it, "and what is the use of a book," thought Alice, "without pictures or conversations?'

So she was considering, in her own mind (as well as she could, for the hot day made her feel very sleepy and stupid), whether the pleasure of making a daisy-chain would be worth the trouble of getting up and picking the daisies, when suddenly a White Rabbit with pink eyes ran close by her.
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II

Lastly, she pictured to herself how this same little sister of hers would, in the after-time, be herself a grown woman; and how she would keep, through all her riper years, the simple and loving heart of her childhood: and how she would gather about her other little children, and make their eyes bright and eager with many a strange tale, perhaps even with the dream of Wonderland of long ago: and how she would feel with all their simple sorrows, and find a pleasure in all their simple joys, remembering her own child-life, and the happy summer days.

Lewis Carroll - Alice in Wonderland

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

UTOPIA - Poema que me dedicou o meu irmão

Ontem disse-lhe que tinha estado a falar com o nosso professor Domingos Loureiro sobre o significado de UTOPIA e como tinha sido bom falar de sonhos que todos temos.

Hoje o meu irmão dedicou-me este poema no seu blogue.

UTOPIA

Utopia
Não-lugar
Da sapiência,
Pilar
Da existência
Sem limites.
Utopia
Lugar
De ousados sonhos,
Lugar
Onde o medonho
É apetite.
Utopia
Lugar
Das harmonias
Onde até
Os deuses
Têm coração.
Utopia
Lugar
Das fantasias
Onde a humana condição
Existe
Livre.


De pé para a mão assim se fez um poema, que diz mais ou menos tudo. E isto é sinal de que sofremos os dois do mesmo mal: somos utópicos!

Vai aqui uma canção que se chama precisamente UTOPIA dos Goldfrapp. É lindíssima e muito alternativa, cantada ao vivo. Dedico-a ao autor do poema.

domingo, 22 de novembro de 2009

Domingo com Mozart

Escrevo-vos ao bater das 2 da manhã. Não sei como vai estar o Domingo, se fará sol, se será de chuva.
Seja ele como for, quero aqui deixar-vos uma peça lindíssima e talvez menos conhecida de Mozart, tocada pelo celebérrimo Gillels.



A pintura é minha, pastel seco sobre papel e tem a ver com esta música inspiradora.É leve como Mozart.