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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

La Belle Époque

Tenho andado longe do blogue....sem grande inspiração para escrever, talvez incerta quanto ao interesse que as minhas cogitações diárias possam ter para os leitores fiéis deste espaço... e, se não tivesse recebido hoje um mail dum Amigo a perguntar o que se passava comigo, talvez não estivesse a escrever esta entrada.
Há alturas em que sinto uma certa angústia quanto ao futuro, não o material, graças a Deus, mas às condições deste país e futuro de jovens e crianças de agora. E também quanto ao envelhecimento.
Gostava de contribuir mais para a Educação, pois deixei a Escola em 2008 e nunca lá mais voltei.

Hoje, Dia Mundial do Professor, desejo que todos o façam por amor. Não apenas como modo de vida.

Sei, no entanto que não seria capaz de dar aulas de apoio ou comprometer-me com workshops ou outras coisas no género. Vou deixando o tempo passar , mas, de vez em quando, sinto-me um pouco frívola ou inútil. Nada demais...

Nestes últimos dias tenho andado a ver séries inglesas e americanas, as últimas que foram produzidas pela HBO , pela ITV ou pela  BBC. Apaixonam-me, como me apaixonou uma outra série americana - Damages - uma obra prima que já vai na 4ª série e que vi de fio a pavio com o meu filho mais novo no fim de semana e ontem à noite. Vejo-as em ecran grande, luzes fechadas,  som surround, o que é um privilégio...

Ontem vi uma série que ganhou 4 emmys este ano. Chama-se Mildred Pierce, é a história duma self-made woman nos anos 20, interpretada magnificamente por Kate Winslet ( a jovem do Titanic), em cinco partes. A reconstituição é magistral, assim como a de Downton Abbey, uma série inglesa que já vai na 2ª temporada, e que me faz lembrar o Upstairs, Downstairs ( A Família Bellamy).

Até me esqueço de que há telenovelas portuguesas e recuso-me a vê-las, chocam-me a brejeirice, a estupidez dos diálogos, a péssima interpretação de alguns actores, música pirosa,  histórias macabras, pérfidas e exemplos terríveis para os jovens que vêem a TVI ou a SIC.

Ainda me lembro, quando a RTP 2 dava séries inglesas da BBC, algumas comprei-as depois em vídeo para mostrar nas aulas, como o Prime Suspect com a memorável Helen Mirren ou o Yes, Minister e Blackadder. Eram tempos gloriosos da RTP, que nunca mais voltam...
Ainda bem que consigo compreender o inglês tão bem como o Português....isso evita-me ter de contactar com as produções nacionais e não digo isto com vaidade, mas com gratidão aos meus Pais que tudo fizeram para que me aprendêssemos duas linguas na primária, tal como fiz com os meus filhos e agora acontece com os netos.

Ficam aqui os trailers de três destas séries:




quarta-feira, 29 de junho de 2011

Morangos amargos


Quando dava aulas - já há uns sete anos ou ainda antes - comecei a ver a série juvenil para acompanhar os interesses dos meus alunos, que eram fãs incondicionais deste programa. Os primeiros eram engraçados e havia na novela alguns jovens prometedores, quer como actores, quer como pessoas.
As histórias continham uma certa ética ou moral nos comportamentos expressos, os professores eram credíveis, embora a escola fosse muito virtual e diferente da maioria das escolas que eu conhecia. Os jovens eram muito activos e indisciplinados, um pouco como na série Fame que foi um sucesso mundial e levou muitos jovens a querer seguir ou praticar as artes, a dança, a música, o teatro, etc. Deve ter sido uma das séries que mais artistas potenciais criou nos países onde a série passou.
Os meus filhos adoravam ver aquelas personagens do Fame, a música era entusiasmante, as pessoas eram palpáveis e existiam a sério. Lembro-me da morte dum dos actores mais brilhante, de seu nome Leroy, alegadamente com Sida. Fiquei triste na altura.
O mesmo aconteceu com Morangos com Açucar, muitos dos actores de telenovelas hoje começaram os seus passos nessas histórias fantasistas, retrato pouco fiel da sociedade de hoje, mundo retocado de modo a agradar cada vez mais aos adolescentes cada vez mais novos.
Há já uns cinco anos que não vejo essa série, deixou de me interessar e parece-me muito fútil, inverosímil e até pouco educativa.
A morte de Angélico Vieira, porém, não me deixou indiferente. Penso que era melhor actor do que cantor, o que oiço dele não me entusiasma, nem sequer acho que tivesse grande voz. Era porém um jovem de 28 anos, bonito e sorridente, com a vida toda pela frente. Todos os acidentes são estúpidos. Este foi mais um. Será lembrado como Kurt Cobain, Carlos Paião, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, James Dean....apenas porque morreu na flor da idade.
O que não lembra ao diabo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Downton Abbey

Seguindo o conselho do meu filho mais velho, que não tem TV em casa por princípio, mas gosta cada vez mais de ver séries inglesas e americanas, daquelas que víamos dantes na RTP 2, Brideshead Revisited, Upstairs, Downstairs ( A Família Bellamy), Pride and Prejudice, americanas como Parenthood, Desperate Housewives ou Damages, resolvi fazer o download duma série de 2010,chamada Downton Abbey.
A princípio, pareceu-me um pouco datada - como poderia não sê-lo se se passa em 1912? - mas a pouco e pouco, seduziu-me completamente, a tal ponto, que hoje vi três episódios numa tranquila tarde passada em casa, com o sol a entrar pela janela da varanda e lendo O Livro do Desassossego num intervalo lá fora ao sol.
Sou feliz - porque não confessá-lo?

A série é daquelas em que tudo parece ter congelado num tempo, o das grandes mansões vitorianas, em que desde o nobre master of the house até à mais humilde criada todos têm um papel na história, que começa com o naufrágio do Titanic. O decor, a reconstrução da época, os modos, as falas, o espaço rural e urbano é tudo uma esmero do princípio ao fim. Os sentimentos são expressos dum modo indirecto, pelos olhares, gestos, música, luzes, movimentos da câmara. Perfeito.

As nossas telenovelas têm muito a aprender com estas produções inglesas e americanas. Já estão melhor, tenho visto de quando em vez uma ou outra novela, mas os actores continuam a arrastar as falas, sempre à espera do teleponto, não há ritmo, as cenas repetem-se até à exaustão e a música, salvo raras excepções, é detestável.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os Dales

Ontem comecei a fazer um quadrinho inspirado por uma foto dos Dales, região no norte da Inglaterra, onde se desenrolava a célebre série da ITV "Veterinário de Província" baseada nos livros de James Herriot, sendo ele próprio o retratado.
Quando fui a York pela primeira vez em 1993, fiquei encantada com as lojas de artigos típicos da região, casacos de lã feitos à mão, camisolas de tweed, casacos castanhos de fazenda grossa, chapéus, cachecois, tudo a lembrar a série. Trouxe para o meu ex- um casaco que ele usou durante anos e que morreu de velho, depois de levar cotoveleiras e ser cosido várias vezes.
Toda aquela região dos Dales é verde, dum verde amarelado mais ou menos discreto conforme lhe dá o sol ou passam nuvens. Salpicados na paisagem vêem-se rebanhos minúsculos que quase parecem malmequeres brancos de tão pequeninos na imensidão verde. É uma região lindíssima, que inspira paz e serenidade, cheia de pubs, quintas com cercas baixinhas com portões, por onde se pode passar livremente. A minha filha mora a uma hora deste paraíso, só é pena nenhuma de nós conduzir, temos de ir de comboio ou de camioneta para ver os locais.
Hoje acabei o quadrinho há pouco. Está a secar...faz-me bem olhar para ele.

domingo, 24 de outubro de 2010

PARENTHOOD- relações familiares

Comecei a ver esta série da FOX LIFE há duas semanas e gostei bastante do primeiro episódio. Gostei tanto que resolvi fazer o download da primeira temporada toda, que consta de 13 episódios.
Já vou no 6º e continuo a gostar, embora possa parecer um pouco cliché por vezes e retrate o típico american way of life, cheio de problemas que se solucionam ao fim de dois episódios e que pode cansar depois de algum tempo. Alguns actores são excelentes e conhecidos de outras séries como Peter Krause - o Nate de Six Feet Under ( Sete palmos de Terra), uma das melhores séries sobre a família que vi na minha vida, Monika Potter, a mãe de Mãe e Filha, que faz um papel totalmente diferente e bastante real.
O conflito de gerações, a solidariedade entre irmãos, os problemas pessoais, os namoros, a deficiência ( autismo) duma criança, a paternidade vs maternidade, a escola, o basebol. são temas actuais e quanto a mim, tratados com delicadeza, ainda que sempre adocicados à americana. Vale a pena ver.

Segundo o meu filho mais velho que começou a ver a série e não gostou, ela tem um defeito: é demasiado real e por isso inquieta quem tem filhos !

Um aparte: ontem resolvi ver parte do último episódio da telenovela Meu Amor na TVI só por curiosidade e fiquei embasbacada com a pobreza geral da série. São os actores que exageram até mais não, ultradramáticos e sem qualquer naturalidade, a história que é uma pepineira a imitar as telenovelas brasileiras, sem pinga de humor, diálogos chatos, lentos, rastejantes, mesmo. Pensar que grande parte da população vê três destas novelas todas as noites é mau de mais! Não admira que o grau de exigência seja cada vez mais baixo e as crianças fiquem estupidificadas desde que começam a ver os Morangos Com Açucar, um atestado à inteligência dos nossos adolescentes.