Hoje sentei-me à mesa no atelier diante da tela branca de neve e cobri-a toda dum tom verde clarinho que gosto muito. Dele já não resta nada ...cobri-a aos poucos de roxos laranjas, amarelos em tons fortes e quentes - devia estar com frio - uma floresta abstracta mirando-se num lago meio fantasmagórico...foi o que saiu.
Se gosto dela? Está um pouco expressionista para meu gosto, mas é pequenina e vou guardá-la assim...
Sujeito-me às críticas. Gosto delas.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Tarde de lazer
Felizmente, chegaram as férias e os telejornais em vez de falarem apenas de números catastróficos, também fazem reportagens sobre modos alternativos de se passarem férias. Ainda há quem faça glamping - camping de luxo - em locais lindíssimos, rurais, com espaço para descanso e meditação.
Enquanto não vou até lá abaixo, aproveito os bocadinhos de sol por aqui. Cada vez aprecio mais os espaços verdes que me rodeiam.

Os meus netos sempre gostaram de ir brincar para o jardim à volta da Faculdade de Ciências, a que eles chamam o "departamento", pois era lá que o Pai trabalhava antes de ir para a Feup.

Um dos meus netos até tem um local privativo, a que chama escritório, por baixo de árvores, onde colecciona pedrinhas, folhinhas e outros troféus.

O jardim é lindo e se estivesse mais cuidado, poderia ser um dos locais alternativos ao Botânico que fecha as 6 todos os dias. Ouvi música enquanto passeava por ali, desta feita, um cantor irlandês de baladas que me fazem sonhar com paisagens verdes e bucólicas.
Aqui ficam algumas fotos do passeio, que hoje me deu um prazer inusitado e cheio de paz.
Também podem ouvir uma balada de Alasdair Roberts:
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Azuis e verdes

São cores frias, aparentemente, mas talvez aquelas com que gosto mais de trabalhar. Já tinha feito este quadro há tempos, mas hoje retoquei-o, envernizei-o e ficou pronto. É em MDF grosso, pode-se pôr assim na parede sem necessidade de moldura. Esta existe apenas na foto. É um abstracto, sem nome.
E como há muito não coloco aqui nenhum poema, desta vez vai este:
HORIZONTE
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mysterio,
Abria em flor o Longe, e o Sul siderio
'Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se approxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe, a abstracta linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distancia imprecisa, e, com sensiveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte-
Os beijos merecidos da Verdade.
FERNANDO PESSOA
terça-feira, 12 de abril de 2011
Nostalgia

Fiz este quadro na última semana. É em madeira bem grossa e quase que se aguenta em pé sem moldura. Cobri-o de gesso , marcando algumas formas, não muito salientes; pintei-o de azul prussiano, que é uma boa base para outros tons tão belos quanto variados. Depois usei verde mar - comprado no chinês, onde têm tons diferentes dos tradicionais - e misturei com branco e água, muita água. Deixei que os azuis e verdes se misturassem livremente, sem grande interferência minha. Hoje apliquei um pouco de branco que deixei escorrer por cima do azul mais escuro, formado uns desenhos.
A madeira é interessante pois as cores ficam mais firmes e a textura magnífica.
Gosto dele assim, ainda sem verniz. Tem um não sei quê de onírico, transporta-me para o tal sonho que é tela , cor e pincel, de que falava a Regina na minha expo, citando Gedeão. Chamei-lhe Nostalgia porque tem sido o meu estado de alma nos últimos dias.
Fica aqui um excerto de Bach a acompanhar. Toca o famoso Glenn Gould com uma leveza que encanta.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Ainda a Primavera em tons de verde

Enche-me de alegria ver as folhas das árvores a brotar dos ramos, lentamente, cada uma a seu ritmo, sem pressas, gozando da plenitude deste sol quase tórrido e pedindo uma chuva mansa, que volta e meia vem cair neste jardim.

Da janela do meu quarto vejo tudo isto em transformação, as várias estações que se sucedem rapidamente e que nos lembram que a nossa vida também corre vertiginosamente e que as nossas estações têm, elas também, os seus encantos.
Há duas tílias grande no jardim aqui vizinho. Uma já está frondosa, linda, espessa, impedindo-me de espiolhar o que se passa na casa, outra, mais novinha que só agora começa a deitar os seus rebentos e que parece nua, no meio de tanto verde.
Nos jardins mais à frente, é um bálsamo olhar os cambiantes de cor nas plantas que se erguem para este céu tão azul.
Ontem passei pela Rotunda. Estava gorgeous,
como diriam os ingleses...árvores e sombras, numa dança que do autocarro consegui descortinar e fotografar. Amo a natureza....amo esta estação do ano...amo as tardes grandes e longas....amo a Vida.

Para terminar, dois poemas de Sophia alusivos à quadra, num vídeo maravilhoso com música de Chopin.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Dia da Árvore
Hoje celebra-se o Dia da Árvore.
Não concebo a vida sem elas, rodeada que estou de áceres, castanheiros, choupos , ciprestes, cameleiras, pinheiros....tantos e tantos seres vivos que nos enchem de paz, de beleza, oxigénio e verde repousante. Sempre vivi com árvores, fui feliz nisso. Gosto mais de plantas do que de animais e isso pode parecer sacrilégio, mas é o que sinto.
Fiz esta pintura há mais de dois anos, ofereci-a ao meu irmão que a pôs junto à passadeira, onde a minha cunhada faz exercício todos os dias. Ela gosta de olhar para os campos na Primavera...ainda bem, porque eu também.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Hyde Park - Leeds
Toda a gente conhece o Hyde Park de Londres, o grande parque da cidade, chamado o pulmão, com kms de comprido se unido aos Kensington Gardens. Fi-lo de fio a pavio várias vezes, sempre que ia a Londres, fizesse chuva ou sol. E vi a Serpentine, o grande lago completamente gelado em Janeiro de 1971 com os patinhos abrigados debaixo das pontes e a neve a cair. A minha irmã e eu corríamos que ne malucas, apesar de já termos vinte anos.
Este Hyde Park que aqui vos apresento é outro, muito mais pequeno, mas lindíssimo na sua simplicidade britânica.
Sempre adorei os lawns dos campus universitários e este parque, dada a sua proximidade com a Uni de Leeds, é um prolongamento dos jardins da mesma.Muitas horas tenho aqui passado com a minha filha. Ela adora este local...
Tem um rinque de skates , um parque infantil
As fotos foram todas tiradas por mim em várias épocas do ano...cliquem nelas que vale a pena!
Foto artística tirada em pleno inverno
sábado, 31 de julho de 2010
As tílias
Sempre estiveram presentes no meu imaginário, desde a infância até agora.
No jardim da minha casa havia duas tílias grandes, uma delas mesmo em frente da varanda. Cresceu tanto que a minha Mãe começou a queixar-se de que as árvores a atabafavam e ainda tiravam a vista do rio. O meu Pai, que adorava tudo o que é Natureza, mas plantas em especial, e que, apesar da sua vida de médico, destinava umas horas da sua vida ocupadissima ao jardim, mandou cortar a tília...foi um dó, ficou ali um espaço enorme donde se avistavam os navios todos que entravam no Tejo. Felizmente havia muitas outras árvores, como os choupos prateados fustigados pelo vento da tarde, um eucalipto gigante que parecia nunca mais acabar de crescer, mimosas e árvores de fruto.
Há tempos citei Sophia Mello Breyner, a propósito das tílias. Ela descreve a casa dos seus parentes, que avisto aqui da janela, num dos seus contos para crianças:
Era uma vez uma casa pintada de amarelo com um jardim à volta.
No jardim havia tílias, bétulas, um cedro muito antigo, uma cerejeira e dois plátanos. Era debaixo do cedro que Joana brincava. Com musgo e ervas e paus fazia muitas casas pequenas encostadas ao grande tronco escuro. Depois imaginava os anõezinhos que, se existissem, poderiam morar naquelas casas. E fazia uma casa maior e mais complicada para o rei dos anões.
A Floresta

Infelizmente este ano cortaram a grande tília depois dum dia de trovoada que deitou abaixo o gradeamento. Para mim, é como se me tivessem decepado uma amiga. Adorava vê-la daqui da minha varanda, tão redonda que parecia ter sido penteada por um cabeleireiro de renome, simétrica, nem uma folha a mais dum lado do que do outro. Eis o que resta dela, ainda anteontem os meus netos pularam em cima do toco.

Do meu quarto avisto uma tília linda. No inverno vejo tudo o que se passa dentro da casa, no verão acabam-se os voyeurismos, um manto verde claro na primavera e bem escuro no Verão cai sobre as janelas dos vizinhos e enche-me de prazer e privacidade.
Adoro abrir a janela à noite e contemplar a majestosa tília, mesmo junto ao pátio da minha casa no jardim vizinho. Silenciosa, ela abriga pássaros de todo o tamanho e espécie, espalha a sua sombra pelo jardim todo e ainda sofre humilhações com os caezitos minúsculos que guardam a casa e brincam à sua volta, não a deixando em paz.
Bem hajam as tílias...acalmam-me , mesmo quando é só a vista...e o coração.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Verde e azul

São cores extremamente expressivas. Há quem lhes chame cores frias por oposição ao vermelho, amarelo ou laranja, cores quentes. Associo estas duas cores a cenários maravilhosos como os campos verdejantes da Irlanda ou dos Açores, ao mar revolto da Foz, ao céu em dias cálidos de verão ou ao conceito e sentimento de esperança. Gosto de azul, é a minha cor preferida em termos de roupa, Também é a cor do meu clube, mas isso não é muito importante..:)
Resolvi fazer quatro quadrinhos em tons de azul e verde. são muitos tons diferentes e branco suave aqui e ali.
Ao fotografá-los, lembrei-me de que há anos assisti a um concerto memorável duma banda celta em Londres. Chamava-se Battlefield Band, era escocesa, cantaram, tocaram e encantaram. Uma das canções que me ficou na memória foi esta " The Green and the Blue", que curiosamente encontrei no youtube e aqui fica.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Underwater
Apesar de ontem ser o primeiro dia de Primavera e de estar um dia glorioso, quente e sem nuvens, deu-me para ficar em casa toda a tarde. Tinha vontade de fazer bolos - fiz uma tarte de leite condensado que os meus filhos adoram - de estar sossegada a ler as cartas de Van Gogh a seu irmão, olhar para as suas telas todas tão apelativas e sensuais. Estive sozinha umas três horas.
Subitamente deu-me vontade de pintar. Fui buscar uma tela grande, pu-la em cima da mesa da cozinha e cobri-a de verde misturado com azul, em degradés mais escuros , mais claros. Foi assim que começou. Depois usei vermelho vivo misturado com amarelo e rosa, de modo a obter uma cor viva salmão e derramei por cima do verde que já tinha secado, com uma palhinha expeli tinta para mais longe de modo a formar desenhos exoticos e com dois pinceis fiz umas algas fininhas e transparentes que se atravessavam pelo mar adentro. Mais tarde acrescentei mais uma mistura, desta feita com amarelo e ocre, de modo a ficar espesso e derramei no canto, formando pingas que salpiquei pelo quadro todo, como tinha feito com o vermelho. Com os pinceis, desenhei formas leves e dansantes, que se espalharam pela tela até cima. Usando tinta esbranquiçada, ainda fiz umas penugens leves, daquelas que se vêem nas fotos do fundo do mar.
O resultado foi este.

Sempre sonhei em mergulhar com garrafas na Praia da Luz e nunca consegui fazê-lo. Limito-me a nadar com óculos e tubinho não muito longe da costa. Nunca vi o fundo do mar como queria. Esta pintura não passa de "wishful thinking".
Subitamente deu-me vontade de pintar. Fui buscar uma tela grande, pu-la em cima da mesa da cozinha e cobri-a de verde misturado com azul, em degradés mais escuros , mais claros. Foi assim que começou. Depois usei vermelho vivo misturado com amarelo e rosa, de modo a obter uma cor viva salmão e derramei por cima do verde que já tinha secado, com uma palhinha expeli tinta para mais longe de modo a formar desenhos exoticos e com dois pinceis fiz umas algas fininhas e transparentes que se atravessavam pelo mar adentro. Mais tarde acrescentei mais uma mistura, desta feita com amarelo e ocre, de modo a ficar espesso e derramei no canto, formando pingas que salpiquei pelo quadro todo, como tinha feito com o vermelho. Com os pinceis, desenhei formas leves e dansantes, que se espalharam pela tela até cima. Usando tinta esbranquiçada, ainda fiz umas penugens leves, daquelas que se vêem nas fotos do fundo do mar.
O resultado foi este.
Sempre sonhei em mergulhar com garrafas na Praia da Luz e nunca consegui fazê-lo. Limito-me a nadar com óculos e tubinho não muito longe da costa. Nunca vi o fundo do mar como queria. Esta pintura não passa de "wishful thinking".
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Tons de verde
Hoje passei parte do dia a pintar....misturei técnicas, usei pasteis e tintas e impastos, pintei umas tres vezes por cima de outras pinturas e por fim gostei do resultado, sobretudo o original, pois que aqui é uma foto, não se pode ver a textura e as cores ficam sempre um pouco baças. Divertiu-me andar a ocultar um quadro com outro quadro de cores diversas, há um infinidade de "obras de arte" que se sobrepôem e que nunca chegamos a ver :)))
Estes são quadrinhos pequenos. Podem ficar juntos ou separados. Fi-los ao mesmo tempo.

Encontrei este poema na net, que rima na perfeição com estes quadrinhos:
Poema Todo Verde
O verde de todas as chuvas
escorrendo em chão de infância
amado nas flores ideais.
O verso de todos os ventos
brincando na várzea intensa
amanho de eterna paz.
O verde de todos os pássaros
cantando na irmandade dos ares
aragem de rações iguais.
O verde de todos os sóis
iluminando geografias impossíveis,
armadura de colheitas matinais.
Carregado de verde nas nuvens
molhar o mundo fero e solitário
pelos quatro cantos cardeais.
Cyro de Mattos
Estes são quadrinhos pequenos. Podem ficar juntos ou separados. Fi-los ao mesmo tempo.

Encontrei este poema na net, que rima na perfeição com estes quadrinhos:
Poema Todo Verde
O verde de todas as chuvas
escorrendo em chão de infância
amado nas flores ideais.
O verso de todos os ventos
brincando na várzea intensa
amanho de eterna paz.
O verde de todos os pássaros
cantando na irmandade dos ares
aragem de rações iguais.
O verde de todos os sóis
iluminando geografias impossíveis,
armadura de colheitas matinais.
Carregado de verde nas nuvens
molhar o mundo fero e solitário
pelos quatro cantos cardeais.
Cyro de Mattos
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Tempo de criação
Não há dúvida que a chuva inspira. Por isso o Gene Kelly dançava e cantava: I'm singin' in the rain, I'm singin' in the rain...how happy I am.
Hoje não fui dançar para a chuva, nem sequer à rua, limitei-me a vê-la cair da janela sobre as plantas que já estão verdinhas como nunca estiveram. É um bálsamo ver a terra a fazer nascer tantas ervinhas, tanto cogumelo, tantas folhas novas. Nem parece inverno.
Sempre adorei a Inglaterra e uma das coisas que mais apreciava lá era o cheiro a musgo por todo o lado, como aqui acontece junto às camélias floridas do Jardim Botânico. Quando chove vem-nos aquele odor a fungos e terra molhada que me inebria. Gosto mais do ar no inverno do que no Verão, apesar do frio.
Pois passei todo o dia em casa, excepto uma hora em que dei uma saltada aos meus netos. O meu neto perguntava-me noutro dia quando usei a palavra saltada , se eu vinha "aos saltinhos":))). Gostei da ideia.
Hoje pintei. Mais um quadro de dimensões tão grandes que, mesmo que queira, não posso levar para o atelier e mostrá-lo. Não conduzo, ando sempre pendurada:(. Vou ter de levar a fotografia e o professor vai ter de acreditar que fui eu que o fiz :))
Gosto dele. Tem um não sei quê de loucura...chamei-lhe "Madness".
Hoje não fui dançar para a chuva, nem sequer à rua, limitei-me a vê-la cair da janela sobre as plantas que já estão verdinhas como nunca estiveram. É um bálsamo ver a terra a fazer nascer tantas ervinhas, tanto cogumelo, tantas folhas novas. Nem parece inverno.
Sempre adorei a Inglaterra e uma das coisas que mais apreciava lá era o cheiro a musgo por todo o lado, como aqui acontece junto às camélias floridas do Jardim Botânico. Quando chove vem-nos aquele odor a fungos e terra molhada que me inebria. Gosto mais do ar no inverno do que no Verão, apesar do frio.
Pois passei todo o dia em casa, excepto uma hora em que dei uma saltada aos meus netos. O meu neto perguntava-me noutro dia quando usei a palavra saltada , se eu vinha "aos saltinhos":))). Gostei da ideia.
Hoje pintei. Mais um quadro de dimensões tão grandes que, mesmo que queira, não posso levar para o atelier e mostrá-lo. Não conduzo, ando sempre pendurada:(. Vou ter de levar a fotografia e o professor vai ter de acreditar que fui eu que o fiz :))
Gosto dele. Tem um não sei quê de loucura...chamei-lhe "Madness".
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