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sábado, 1 de outubro de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MUSICA

Que dizer. Sem ela não existiria....pelo menos, espiritualmente. Ela é a  alegria, o impulso,a comoção, a expressão mais pura e mais  universal de todos os sentimentos e sensações humanas. Ela é a expressão da Natureza, dos seus sons inimagináveis, a tradução desses sons em forma acessível a qualquer pessoa de qualquer idade.

Ontem o meu filho esteve aqui a fazer-me uma instalação sonora. Comprei esta aparelhagem há uns dois anos e nunca a usei, por maravilhosa que fosse. Não conseguia ligar tanto fio, nem entender-me com os comandos. Comprei uns cabos que ligam directamente o meu MAC a aparelhagem e ao plasma e consigo ver séries, filmes, música downloaded com dolby surrounding, o efeito é mesmo o de um home cinema, impressionante.

É assim que vou festejar este dia da música, ouvindo o Mezzo em estereo.....

Aqui fica um dos excertos mais belos de Bach, que ouvi recentemente em Londres. Aqui o interprete é o controverso Nigel Kennedy, com uma das mais lindas versões que conheço deste concerto para violino.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Beethoven e o meu Avô



Em geral, quando se fala dos concertos de Beethoven, cingimo-nos aos de piano, do 1º ao 5º todos são muito populares, sobretudo os 3,4 e 5. Já gostei mais duns que outros, mas ouvi-los faz-me sempre go down memory lane, ou seja, voltar ao bau de memórias, à casa dos meus Avós , na Rua Vale do Pereiro em Lisboa.

O escritório do meu Avô era um pequeno mundo de coisas insólitas para mim, em criança. Tinha estantes escuras a toda a volta, estantes essas que ainda estão em casa da minha irmã, já bastante carcomidas.No meio dos livros havia de tudo, caveiras dos mais variados materiais e feitios, mas sempre com os dentes de fora e olhos metidos para dentro, assustadoras q.b., Mefistófeles com expressões maléficas e corninhos, um dos quais foi oferecido ao meu ex- pela minha Avó, esculturas de compositores clássicos trazidos religiosamente das suas viagens, recordações, postais e fotografias. Era um manancial dele, só dele. A secretária era uma delícia para o olhar, com lápis dos mais diversos tamanhos, muitos pequeninos, que ele aparava com uma faquinha especial, tinteiros e penas, com as quais escreveu alguns dos seus livros sobre História de Portugal, mata-borrões cor de rosa com pega de prata, facas de cortar papel, gavetas e gavetinhas, moedas, recortes dos jornais, etc. As lombadas dos livros eram muitas vezes feitas por ele e gravadas com tinta dourada. As fotografias a preto e branco eram pintadas a cores e as nossas carinhas levavam make-up que ele carinhosamente aplicava para que parecêssemos mais saudáveis:). Tinha também esculturas de crianças,por todo o lado; uma com a pauta do-re-mi-fa-sol que nós adorávamos.
E porquê falar de Beethoven neste contexto? Porque oiço o concerto de violino opus 61 interpretado maravilhosamente no Mezzo por um violinista que desconheço e percorro o caminho até aos meus dez anos, em 1956, quando os meus pais me levaram a um concerto pela primeira vez. Tocava o David Oistrack, um monstro do violino, russo, gordinho, com os dedos ágeis dum jovem. Sempre adorei este concerto que se inicia com o suave batuque do tambor.
O meu avô costumava deitar-se numa chaise longue forrada de veludo e cujos braços acabavam em forma de mãos. Escolhia a Emissora 2 e ouvia todos os concertos que transmitiam durante o dia - os que ele gostava e não considerava "palha".
Ouvi este e muitos outros concertos sentada ao colo dele ou então já na minha caminha, com a porta aberta, não muito longe do escritório. Beethoven era o seu compositor de eleição, a par de Verdi.

O violino é um instrumento lindíssimo. Estou a ver o meu neto a tocar daqui a uns anos um concerto destes. Deus queira.

É assim a evolução das gerações, o milagre das famílias e o que nos anima a viver o nosso dia-dia, com os anos a correr cada vez mais depressa.

E do concerto de violino - interceptado por uma chamada no skype do meu filho que está em San Francisco - passámos para a 5ª Sinfonia de Beethoven. E agora relembro as tardes em que eu tentava tocar o Andante no piano, simplificado, com o meu Avô a dirigi-lo com o braço, dando enfase aos FF - fortíssimos - para que a peça fosse tocada com expressão. Eu obedecia e vibrava.

E com esta oferta musical da TV....como aguentar os debates políticos e pensar em eleições? Não se pode votar em Beethoven, infelizmente.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A paz da Chaconne de Bach

Encontrei o texto abaixo num blogue chamado Mus 303 Form and analysis, que vem ao encontro da minha experiência de hoje.

Fui ao ginásio como de costume. Estive lá duas horas e meia, estava sol, a piscina inundada de luz, com reflexos azuis e prateados lá no fundo...onde estão as "pérolas", que em tempos o meu querido neto ia buscar para dar à Avó. Ainda tenho um "colar" oferecido por ele e guardado no coração!:).
Não encontrei vivalma, a não ser as meninas simpáticas da recepção que me perguntaram se não trazia o meu neto. Ainda se lembram de conversas com ele há dois ou tres anos.
Andar na passadeira e na bicicleta durante 30+30 minutos não me custou minimamente, pois levei o Ipod e ouvi música variada do princípio ao fim. Depois de comer uma sopa de grelos na "chafarica" da esquina e de comprar uma flor chamada brótea, que é linda, e duas telas pequeninas no chinês, subi o Campo Alegre a ouvir a Chaconne de Bach, uma das peças mais místicas que jamais ouvi. Houve tempos em que a ouvia todos os dias, numa espécie de catarse espiritual. Tenho-a gravada em violino, piano ( duas) e em guitarra. Foi o meu filho que mas ofereceu. Todas as versões são maravilhosas.

Chaconne

If NASA had asked me what music to send with Voyager II, I would have chosen the Chaconne from Bach's D-Minor Partita for solo violin. Here's why. First, the chaconne represents economy of means out of which humans have an incredible capacity for elaboration and variation. If, after four years of college, you can speak on a topic for fifteen minutes without running out of ideas, you will have succeeded in your education. Bach's chaconne also succeeds. Its "topic" is a chord progression roughly equivalent to: i viio6 i VI iv V. He expounds upon this for nearly fifteen minutes without repeating himself and without losing our attention! Second, this chaconne is a technical piece illustrating not only the ingenuity and perfection of tools (violin), but the capacity of the human body to use them in skillful ways. This work is the most difficult piece of music of all time and on any instrument...it requires incredible musicianship as well as technical mastery of the violin. Third, and most important, the chaconne is a feelingful work that explores the full range of human emotions. It is as if, in spite of economical means and technical wizardry, Bach still gets under our skins and into our hearts.

Peço muita desculpa de não traduzir o texto, mas ele é belo em inglês. Traduzo apenas um pedacinho:

Se a Nasa me tivesse pedido para escolher o trecho musical para levar no Voyager II, eu teria escolhido a Chaconne da Partita para violino solo de Bach(...) em terceiro lugar, e mais importante, a chaconne é uma obra cheia de sentimento que explora toda a paleta de emoções humanas...Bach ainda nos faz vibrar ao máximo na pele e no coração.

Aqui fica uma das versões, tocada pelo violinista que me encantou no Coliseu de Lisboa, quando ainda era uma jovem adolescente, Nathan Milstein. Deleitem-se pois isto é... divino.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sem a pintura e a música....

a minha vida não teria colorido...



Há cerca dum mês fiz estes quadrinhos. Tencionava oferecê-los, mas enamorei-me deles, coloquei-os numa parede estreitinha junto ao meu quarto, em coluna, e gosto de olhar para eles todos os dias, várias vezes.
Cada um deles me conduz a um lugar diferente, mas todos lá para o fundo do mar, locais misteriosos, onde habitam seres coloridos e atraentes, mais belos do que os que vemos à superfície, nas nossas cidades taõ betonizadas e torturadas pelos asfaltos, passeios sujos e grafitti.
A pintura faz-me sonhar e, mesmo quando não me sai nada de jeito e destruo o que fiz, sinto que valeu a pena estar ali aquelas horas com os pinceis na mão.
A música - oiço neste momento um concerto de música de Câmara de Schubert no Mezzo com um violino plangente tocado magistralmente - e a pintura enlevam-me a ajudam-me a viver melhor os momentos de relativa solidão que me inflijo a mim própria com teimosia.
Os dedos sobre as teclas ou sobre as cordas, os pinceis sobre a tela, a harmonia dos sons, a variedade dos tons, tudo isto é mais belo que a realidade do dia a dia.
Deixo-vos aqui a Fantasy for Violin and Piano in C Major D. 934 de Schubert

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Música na TV

Ouvi dizer que hoje é o dia Mundial da TV. Não confirmei, nem estou especialmente interessada. o Dia da TV é sempre que eu quero....e posso...e mando.


Neste momento, através da TV - Mezzo - estou a regressar aos meus dez anos, ao primeiro concerto a que fui na minha vida, no Coliseu de Lisboa. Tocava violino o célebre David Oistrack e o concerto era precisamente este: Beethoven, o seu único concerto para violino, opus 67, lindíssimo, tocado agora por Anne-Sophie Mutter, a menina prendada e protégée de Karajan. Merecidamente, visti que é um portento de força e virtuosidade.

Em tempos quando dava aulas de Alemão, encontrei numa revista especial para o ensino da língua,um artigo sobre esta rapariguinha alemã, que tinha, na altura 15 anos e se deslocava todos os dias vários kms para ter aulas na Suiça. Levei a história verídica para a aula e os alunos ficaram muito interessados na menina da sua idade, tão promissora e corajosa.

Hoje vejo-a na TV com muitos mais anos, mas ainda uma figurinha linda, feições muito perfeitas e um sonho a tocar.
A Orquestra Sinfónica de Israel, conduzida por Zubin Mehta parece rezar uma prece à volta desta Madona. Os músicos até fecham os olhos durante os seus solos para melhor se empregnarem do som do violino.

Há momentos belos em cada dia....hoje parecia um dia cinzento, anónimo, ida ao supermercado, arrumar a casa, tratar da roupa, limpar o pó que teima em pegar-se aos móveis, dar um jeito à lareira, fazer o jantar... e eis que do nada, a música irradia pela minha sala e convida a uma pausa para contemplar e vibrar.

Obrigada Beethoven! Obrigada Anne Sophie! Obrigada Zubin! Obrigada MEZZO!



O jantar.....virá dentro de horas quando estiver capaz de o fazer:))

segunda-feira, 26 de julho de 2010

DIA MUNDIAL DOS AVÓS



Hoje, 26, celebra a Igreja o dia de S. Ana e S. Joaquim, avós de Jesus, pelas Escrituras. Não preciso de dias especiais para comemorar o facto de ser Avó. Nem todos os dias são dedicados aos netos, muitos deles não são e nem sequer os vejo. Estão porém sempre no meu pensamento. E esse pensamento é afectuoso e doce, quente e saboroso.

Ontem fui passar parte do serão com eles e houve concerto. Pai e filhos tocaram para mim, senti-me bem e eles estavam felizes. O mais velho já toca violino com bastante precisão e sobretudo com expressão, o que me comove. O mais novo toca violoncelo ainda incipiente, mas acima de tudo adora shows, não pára de dançar, cantar, saltar, tudo ao ritmo da música, que lhe está na massa do sangue. O meu filho está a tocar piano cada vez melhor desde que compraram um instrumento novo para substituir o alemão muito antigo que viera de casa da minha Mãe em Lisboa e estava a desfazer-se.Para minha alegria tocou uma sonata de Beethoven, Bach e o Arabesque nº1 de Debussy que já a minha mãe tocava, em dias de calmaria.

A tarde estava a findar, a Lua Cheia a erguer-se avermelhada e o meu neto mais novo exclamou: "A Lua até parece a Terra! Mas não é, pois não? Nós estamos aqui em cima da Terra, não podemos vê-la assim redonda, tem de ser a Lua!" Depois acrescentou: "O Sol é uma estrela de fogo e tem tanta luz que ilumina tudo. A Lua não!"

Mas felizmente, há luar...como diria Stau Monteiro...

Fica aqui um poema aos avós modernos ( brasileiro)

Vovó século XXI

Como é bom ter uma avó!
Companheira que ela só,
Conta histórias de encantar
Branca de Neve - Cinderela...
Canta canções de ninar
Não me imagino sem ela

Conta que o lobo mau é bom
Que não comeu a avozinha
Foi tudo brincadeirinha
Pois quando o encontrou
No caminho da floresta
Deu-lhe tanto carinho
Que o lobo virou bonzinho
Mais parecia um cachorrinho
E pra ele tudo era festa

Ela inventa, e diz então
Que a vida é uma comprida linha
que a ponta final é a dela
E que a do início é a minha
Tenho que correr pra pegá-la
Soltando a imaginação
Um dia vou alcançá-la

Sabem que a minha avó,
Leva-me a passear
Acompanha-me à natação
E ensina-me a nadar?

Quando ela está por perto
Não tenho medo nenhum,
A minha avó é decerto
Vovó século vinte e um!


Isabel Correia da Silva e Sousa

E um vídeo lindo com a música e imagens a condizer:

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CONCERTO DA ACADEMIA "A PAUTA" - CASA DA MÚSICA - SALA SUGGIA


Imagem digitalizada do Programa

Foi e é a única Escola de Música que ensina segundo o método SUZUKI, do músico e pedagogo japonês Shinichi SUZUKI que considerava toda e qualquer criança capaz de aprender a tocar um instrumento, desde os 2 1/5 de idade, como se aprendesse a língua materna, sem necessidade de saber ler pelo papel, "cantando" as notas no seu cérebro e movimentando os dedos e as mãos segundo essas notas mentais.

Há vários vídeos no Youtube sobre este musico inovador, cujas teorias se expandiram por todo o mundo, havendo hoje milhões de crianças a tocar desde a mais tenra idade.


O concerto a que assisti ontem foi brilhante. Na 1ª parte tocaram os mais velhos, obras de Weber, Telemann, Beethoven, Monti, Vivaldi, etc. Na 2ª, os alunos iam entrando em grupos dos mais velhos até aos mais pequeninos, que entraram no fim. Os grupos tocaram em separado : o de violoncelos e violas de arco, recentes na Escola, de que faz parte o meu neto André com 4 anos; o dos violinos com mais de cem alunos, dos 3 até aos 16 anos. Tocaram melodias e peças conhecidas que fizeram as audiências aplaudir em delírio.
O momento mais carismático foi OVER THE RAINBOW, cantado por uma aluna, que compôs a letra com a Mãe e Avó. O meu neto Daniel tocou 15 peças em conjunto, entre as quais O Balão do João, que me faz sempre lembrar o meu filho, pai deles, na mesma idade.

O concerto durou duas horas e meia e ninguém arredou pé, tal era o entusiasmo dos familiares e amigos que enchiam por completo a Sala Suggia: mil e trezentas pessoas no total.
Infelizmente não era permitido tirar fotos, de modo que coloco aqui algumas tiradas do site ainda em construção da Academia.

Obrigada a todos os que contribuiram para este maravilhoso concerto: professores, pais que acompanham os filhos e os treinam em casa todos os dias, alunos concentrados e responsáveis, mesmo na mais tenra idade. É bom assistir a algo assim em Portugal.

PARABÉNS À PAUTA e, em especial à sua fundadora JOANA SEYBERT JESUS.

Na falta do video de ontem, consolem-se com este vídeo de ver, ouvir e chorar por mais...inacreditável.