quinta-feira, 15 de julho de 2010

UTOPIA transformada em REALIDADE



Está-se a aproximar o fim do ano. E com ele vem uma certa nostalgia que o verão sempre tráz consigo. Algumas pessoas já partiram para férias, outras já voltaram, outras partirão...de qualquer modo, em Agosto, o atelier estará fechado e não poderemos encontrar-nos tão amiúde. Só damos por isso quando de repente, ficamos livres à 3ª e à 5ª, sem ninguém que nos ature :), sem podermos trocar frases dispersas com colegas de ofício, sem haver motivos para rir, nem usar o sentido de humor para fazer rir. Bem sei que só iremos por um mês, mas esse tempo que é de defeso, como se diz no futebol custa um bocado.


Hoje resolvi levar a minha máquina para a Escola e tirei algumas fotos enquanto trabalhávamos , assim como à exposição colectiva que está neste momento a decorrer.
Como vos disse, não gosto muito de ver os quadros todos juntos, assim sem grande nexo, mas às vezes não há outra hipótese de os ver. Convém clicar para aumentarem de tamanho.




Quase todos são figurativos, há um ou outro abstracto. E há alguns que são mesmo excelentes na minha opinião. Não figuram os nomes dos pintores porque não os sei todos, peço desculpa. Há tres turmas diferentes.



A última foto é do Professor Domingos Loureiro , que está a preparar a exposição " Malhas da minha Vida" ( Clube Literário, 16 de Julho- 21 h) com a nossa colega Ana Maria.

Hoje estivémos a ouvir música de Wim Mertens, compositor, vocalista contratenor, pianista belga que tem uma obra impar no género de música minimalista. O atelier não nos enriquece só visualmente. O professor tb nos ensina Musica :)
Gostei tanto que fica aqui um vídeo dele para os apreciadores.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tardes serenas

Hoje passei quase todo o dia com os meus dois netos mais velhos. Não levei máquina fotográfica para não atrapalhar, dado que tomar conta de dois mafarricos de 4 e 6 anos parece fácil, mas não é. Ainda levei a minha filha para me ajudar na piscina, dado que o mais novo ainda não sabe nadar e a piscina do Ipanema Park Hotel ( maravilhosa, aqui fica a publicidade)não tem pé , a altura minima é 1,50. Em princípio é para adultos, hóspedes do hotel, mas podem-se comprar cadernetas e por 8 euros ir lá quando se quer, mesmo ao fim de semana. Além de ter sol durante todo o dia, a água é quentinha e não há aulas, nada-se à vontade, sem ninguém quase.
Os meus netos não pagam nada, o que é ainda uma vantagem suplementar. Estar na água com crianças rejuvenesce-nos extraordinariamente. Nunca levamos bola, mas jogamos com uma chinela que não vai ao fundo, os mergulhos, as danças em círculo, as brincadeiras são infinitas. Lembro-me que o meu neto, quando era mais novinho, dizia que ia ao fundo do mar apanhar pérolas para mim...e eu quase acreditava nessa história.
Depois da piscina, pelas 2 fomos almoçar ao self-service do Palácio de Cristal. Muito acessível e agradável, pode-se levar o tabuleiro para fora junto ao lago, onde passeiam pavões arrastando as suas caudas imponentes e grasnando desalmadamente. Porque é que Deus que criou uma ave tão bela, lhe deu voz de vuvuzela?? Nenhum se dignou abrir o seu leque, embora o meu neto tentasse tudo, só faltou pôr-se de joelhos para ele fazer o favor.
O parque de diversões está muito desmazelado, alguns escorregas desmantelados e é pena pois era um dos parques melhores da cidade, com aparelhos muito originais e desafiadores. Mesmo assim, é um local magnífico para se estar sentado, olhando pelos meninos e conversando com outros avós ou pais. Falta-nos a alegria dos parques americanos - que oferecem esguichos de água nos grandes dias de calor - mas tem arvoredo lindissimo e uma vista para o rio ímpar.
Finda a aventura dos baloiços, começou a aventura na biblioteca. Até a exposição vimos, o meu neto gosta muito de exposições, sobretudo de pintura. Esta era de fotografia, muito boa. Não viémos embora sem experimentar um jogo do Harry Potter, que o meu neto descobriu. Era complicado. O mais pequeno quase adormecia em frente ao DVD do Tom &Jerry, mas ia dizendo: o ratinho é muito esperto, Avó!

Foi uma tarde em beleza...assim fossem todos os dias da minha vida...apesar da artrose que me aflige e da ansiedade que por vezes me assola.

( As fotos são do "Google Images" e do "Olhares")

terça-feira, 13 de julho de 2010

EXPOSIÇÂO : CLAUDE MONET ET l'ABSTRACTION- Paris





Uma exposição diferente sobre Monet, que me faria ir a Paris, se pudesse. Trata-se de 47 telas em que a influência de Monet noutros pintores célebres é notória, mormente na pintura abstracta. Deve ser fabulosa.

Transcrevo a apresentação em francês porque penso ser acessívela muitos leitores deste blogue.


L'exposition présente 47 toiles qui montre l'influence de
Monet sur l'évolution de la peinture abstraite de la seconde moitié du XXe siècle. Toutes
sont révélatrices du rôle capital qu'a exercé le peintre, en particulier sur la jeune
génération de l'abstraction américaine et européenne. Des chefs-d'oeuvre de Pollock,
Rothko, Sam Francis, Richter, de Staël, Kandinsky ou encore Zao Wou-Ki sont exposés.



Musée Marmottan Claude Monet


2, rue Louis-Boilly 75016 Paris


FIGARO 13/07/2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DIA mundial contra o TRABALHO INFANTIL


Quando dava aulas de Inglês no 11º Ano, nas décadas após o 25 de Abril, os programas eram muito virados para os problemas sociais e extremamente limitados em termos culturais. Basta dizer que os 4 temas principais a tratar nesse ano eram: a Revolução Industrial na GB; condições de trabalho; desemprego; imigração. No fundo tudo se resumia ao mesmo tema : trabalho; trabalho; trabalho.
Fiz muitas pesquisas nesse campo, comprei livros e livros sobre os temas principais - romances como os de Alan Sillitoe, que faleceu recentemente, vi filmes que pudessem interessar aos meus alunos, como o Brassed Off ( não me lembro do nome em português, desculpem), um filme muito interessante sobre as minas do Yorkshire e uma banda de mineiros que toca na penúria até ficarem desempregados por ordem de Margaret Thatcher. Também lia a TIME, que trazia artigos actuais sobre as crianças dos países asiáticos e africanos que trabalhavam de sol a sol. Lembro-me de levar para as aulas fotos de crianças das fábricas de tecelagem, limpa-chaminés de seis e sete anos, meninos que acartavam tijolos debaixo de sol tórrido, umas carinhas lindas e olhos expressivos...
Os meus alunos eram jovens bem nutridos, despreocupados e felizes, com os problemas fúteis da adolescência, o desgosto de não terem jeans de marca ou ténis NIKE ou arrufos de namorados.
Devo acrescentar a este meu texto de hoje que sempre achei que os jovens de 14 a 16 anos deviam trabalhar nos tempos livres, mesmo que não ganhassem nada, pois o trabalho é uma experiência e às vezes torna-se mais útil do que muito estudo e leitura. No Reino Unido e nos EUA, todos os alunos têm part-time jobs, holiday jobs, weekend jobs e isso entra no seu currículo.Eu própria monitorizei um grupo de alunos num Work Experience em Northampton e eles gostaram muito. Aqui em Portugal, grande parte dos jovens acha-se com direito a tudo, bolsas do Estado, livros de graça, universidade à borla, tudo pago pelos Pais. Nunca sentiram na pele a necessidade de custear as suas despesas de educação.Não são todos, graças a Deus.
Para essas aulas a minha filha gravou em tempos um poema lindíssimo de William Blake: The chimney sweeper. Fê-lo para uma cassete e não em CD, de modo que não o posso colocar aqui. Em fundo pôs música de Ennio Morricone. Cada vez que os meus alunos ouviam aquela gravação, ficavam petrificados e comovidos. Eu também.

Oiçam esta versão maravilhosa que encontrei no You Tube:


When my mother died I was very young,
And my father sold me while yet my tongue
Could scarcely cry 'weep! 'weep! 'weep! 'weep!
So your chimneys I sweep, and in soot I sleep.

There's little Tom Dacre, who cried when his head,
That curled like a lamb's back, was shaved: so I said,
"Hush, Tom! never mind it, for when your head's bare,
You know that the soot cannot spoil your white hair."

And so he was quiet; and that very night,
As Tom was a-sleeping, he had such a sight, -
That thousands of sweepers, Dick, Joe, Ned, and Jack,
Were all of them locked up in coffins of black.

And by came an angel who had a bright key,
And he opened the coffins and set them all free;
Then down a green plain leaping, laughing, they run,
And wash in a river, and shine in the sun.

Then naked and white, all their bags left behind,
They rise upon clouds and sport in the wind;
And the angel told Tom, if he'd be a good boy,
He'd have God for his father, and never want joy.

And so Tom awoke; and we rose in the dark,
And got with our bags and our brushes to work.
Though the morning was cold, Tom was happy and warm;
So if all do their duty they need not fear harm.



William Blake » Songs of Innocence-The Chimney Sweeper

Tradução:

O LIMPADOR DE CHAMINÉS

Tradução ( brasileira) de Renatta Suttana



Eu era bem novo, e minha mãe morria; e meu pai vendeu-me quando eu mal sabia balbuciar, chorando: “’dor! ‘dor! ‘dor! ‘dor! ‘dor!” Assim, sujo e escuro, sou o limpador.
Aquele é Tom Dracre, que chorou na vez em que lhe rasparam a cabeça: “Vês – consolei-o – Tom, que é bom não ter cabelo, pois assim fuligem não te suja o pêlo.”
Assim se acalmou, e numa noite escura Tom, dormindo, teve esta visão futura: que mil limpadores – josés e joões – foram confinados em negros caixões.
E então veio um Anjo, com uma chave branca, e os tirou do escuro, destravando a tranca; e então, entre risos, ao campo saíram, no rio lavaram-se, e ao sol reluziram.
Sem sacos às costas, despida a camisa, voaram nas nuvens, brincaram na brisa; disse o Anjo a Tom que, se fosse bonzinho, Deus feliz tomava-o como seu filhinho.
E, após, despertando, foi na escuridão apanhar seu saco mais seu esfregão, e saiu alegre na manhã gelada. Quem seu dever cumpre não receia nada.


Não gosto de ser demagógica, mas tinha de fazer sentir o problema aos meus alunos, embora a minha missão fosse ensinar-lhes inglês, afinal....e somente.

domingo, 11 de julho de 2010

Novo quadro



Ontem terminei uma pintura que já tinha iniciado no atelier. É parecido com outro recente, mas para mim está muito mais bonito, com cambiantes de cor quentes que me agradam profundamente. A minha sala tem pouca luz no Verão por causa da varanda - o sol passa alto - e de noite é que os quadros adquirem luminosidade nas paredes onde estão colocados.
Tirei ontem umas fotos para guardar no meu folder, que contém todas as pinturas que fiz até hoje , mesmo as que ofereci ou vendi.É engraçado rever algumas que já quase esqueci feitas em guache, aguarela ou pastel. Ultimamente só tenho feito acrílico, embora haja uma promessa remota no atelier de iniciarmos o óleo em Setembro. Espero que sim, não quero estagnar.
O impasto deu a este quadro um relevo que aqui não se nota, mas que é vital, pois provoca cambiantes de cor muito belos.

Lembra-me o fundo do mar....mas também a terra...

Coaduna-se bem com esta valsa trágica de Berlioz ( Sinfonia Fantástica, 2ºandamento), uma das minhas peças favoritas.


Bom Domingo!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O verão na minha rua


Sentada no sofá da minha sala, contemplo as árvores - mais de dez espécies diferentes - que se vêem daqui da janela e que me envolvem no seu manto verde quase amazónico. Ontem chuviscou um pouquinho à noite e foi o bastante para toda esta verdura resplandecer, livre dos pós e poluição do Campo Alegre, povoado de carros, autocarros e motociclos de manhã à noite.A esta hora o folhedo agita-se levemente com a nortada fresca e os cambiantes de cor vão mudando, mostrando as várias realidades que cada planta é em si mesma ( ver artigo sobre Física Quântica da minha amiga Regina no seu blogue). O sol inunda-as de luz, luz essa que virá a diminuir à medida que o dia for morrendo. No verão, quase não vejo a casa dos Andresen, apenas a torre de vigia, donde se avistava o mar no tempo em que não havia torres junto ao rio. Ouvem-se risos de crianças, mães que vêm do trabalho e trazem bébés pela mão. Alguns choros revelam o cansaço das crianças ao fim de mais um dia.Também as gaivotas embarcam neste desvario cruzando os ares em voo apressado.

É a chamada hora de ponta, a que os ingleses chamam rush hour, excitante para quem a observa da varanda, mas não para quem se enreda em filas intermináveis de veículos, ansiando por chegar a casa.


Não trocava esta localização por outra aqui perto. Gosto de sentir o pulsar da cidade.
Gosto desta sensação de que há vida para lá do meu pequeno círculo e mergulho em conjecturas sobre quem serão estas pessoas, donde vêm , para onde irão.Nunca saberei.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Algo que nunca se esquece



Recebi agora mesmo um e-mail e estou lavada em lágrimas. Por isso quero escrever esta Entrada, exprimindo a minha surpresa=comoção neste momento único, que me transportou sete anos atrás para recordar uma das melhores turmas que tive na Escola Carolina Michaelis e um dos melhores e mais criativos alunos que aí encontrei.
Nunca me tinha ocorrido que o meu blogue pudesse ser lido pelos meus alunos - e tive-os às centenas, aqui e em Lisboa, na Beira Baixa e Chaves - e também nunca imaginei que um deles tivesse vontade ou coragem de me escrever aqui. O blogue foi sempre uma coisa de adultos.
O aluno que me escreveu já é adulto. Deve ter uns 23 anos agora. Era o Diogo, que fazia gato-sapato de alguns professores, muito brincalhão, com uma inteligência espontânea acima da média e uma fluência de Inglês extraordinária. Fazia-me rir, o que não acontecia com muitos alunos de 16 anos.Só falava em inglês, até me esquecia que ele era português. Ainda me lembro do lugar dele, na 2ª fila em frente ao quadro, com o cabelo encaracolado e a tez morena. Tinha a paixão da Moda e nessa altura, daria toda a sua mesada por uns jeans cheios de rasgões, muito "baggy" (largueirões) que chegavam quase ao chão. Uma vez em que o chamei ao quadro, virou-se em pose e perguntou : "Do you like my pants?"( Gosta das minhas calças?) Fez aquilo tão espontaneamente que dei uma gargalhada e tive que dizer que sim, que as adorava...a partir daí, conversávamos de moda muitas vezes, embora fosse tema que eu não dominava de modo nenhum. Por acaso , agora, até vejo os Project Runway, na Sic Mulher, que são apaixonantes e que ele deve adorar.
Esta turma foi uma das maiores que tive- penso que seriam 29 alunos - e que mais recordações me deixou naqueles dois anos em que lhes ensinei inglês. Um outro aluno, chamado José Carlos fez uma apresentação das eleições americanas - do Bush - em transparências que nem um professor da Faculdade o faria tão bem. E havia lá uma rapariga, cujo nome agora me escapa, que era louca pelo Harry Potter, e que ansiava pela saída do novo livro em inglês para o ler...e também uma outra rapariga que era fan fiel do Boavista, contrastando com os restantes, quase todos portistas.

Que saudades...de repente desejei ser outra vez professora, poder inspirar alguém desta maneira.

O email está escrito em inglês, mas não hesito em colocá-lo aqui. Espero que não interpretem isto como um sinal de vaidade ou show off, mas como homenagem sentida aos meus alunos - que porventura andarem por aqui - e a uma das profissões mais belas que existe no mundo.

E se leres isto, Diogo, acredita que os alunos dão muito mais aos professores do que vice-versa. A sua espontaneidade, generosidade e juventude faz-nos rejuvenescer também...e, amiúde, sobreviver para lá dos problemas e imbróglios da Educação em Portugal.

Dear Teacher Virgínia

I do not know whether you remember me, but I was a pupil of yours a few years ago (in 2003, I think) at Carolina. I have accidentally found your blog and could not help but contact you to let you know that I absolutely loved having you as my teacher. Sometimes I still dream back to our classes in those crowded classrooms, with an overcast sky outside partly shielded by the dusty green curtains that made us all suffer from rhinitis; and no matter how despondent I feel it never fails to make me smile.
I have always had a passion for English, both the language and the culture, so it is not remarkable that an English teacher during my adolescence should have made a lasting impression on me. However, you are not remembered as just yet another teacher, but as a person whose inspirational teaching not only helped me improve my fluency but also grow up as a human being.
I hope I am not disturbing you with these ramblings of mine. I also apologize for writing in English. But I wanted to get back to the past, even if just for the span of an email…

Thank you for everything,

Diogo de Melo Lourenço

terça-feira, 6 de julho de 2010

Voltei à Escola

Hoje voltei ao atelier...e foi uma festa. Fiquei feliz com a recepção de pessoas que só me conhecem muitas delas há meses...é mesmo uma família, onde se cria e pinta, mas onde se trocam impressões, contam-se histórias, recordam-se episódios das nossas juventudes ou infâncias - tão diversas - e sobretudo, onde se sente uma camaradagem que não dá lugar a invejas, a competição ou a mesquinhez. É tudo são e bonito.

Estava lá uma exposição que tinha sido inaugurada no dia 19 quando fizeram a churrascada de S. João, à qual não estive presente. Lá estava o meu quadro que destoava um tanto dos outros em estilo. Não gosto muito de expos colectivas porque acho que a maioria dos quadros ficaria melhor isolada numa parede. Havia lá quadros lindos, mas no meio de todos, nem se notam. São gostos....

Encontrei dois quadros meus por acabar, já nem me lembrava bem deles. Acabei-os ou pelo menos considero um deles terminado.
Comecei-o há uns três meses quando me iniciei no impasto pela primeira vez. Neste usei técnicas em acrílico que nunca tinha usado, misturas muito líquidas - aguadas - que se vão sobrepondo sobre os relevos do impasto e deixados a secar de forma a diluirem-se e a tomarem formas de cores diferentes.
O quadro está mesmo bonito, graças ao meu professor que foi sugerindo as mudanças. Deste gosto ( ainda bem porque já estava a ficar deprimida com a minha falta de motivação).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lavender


A minha Avó gostava muito de alfazema, assim como a minha sogra, que a cultivava no seu quintal. Desde miúda habituei-me a ver fotos de campos de alfazema, nos livros ingleses e em calendários, em pinturas impressionistas, em embalagens de sabonetes ou anúncios de colónias. É um cheiro intenso, mas agradável, que nos fica na memória, mesmo quando já nada temos em casa com esse odor.

Há anos comprei em Leeds um calendário, cujas páginas eram todas elas campos de alfazemas. Separei as folhas, cortei-as e colei-as com blu tack no meu quarto de banho. Ficou lindo...agora como tenho paredes em mármore rosa ( de que não gosto muito), já não posso fazer isso, ficaria piroso e destoaria muito em estilo.

Hoje resolvi pintar e encontrei uma foto linda no site one.exposure de que já falei aqui. Não ficou nada parecido, fi-la com pasteis de óleo, de que já está estou destreinada, ultimamente não tenho gostado de nada do que faço.

Este ficou razoável, embora, provavelmente, vá para a capa dos muitos que já fiz e não ficaram para a história :))

domingo, 4 de julho de 2010

A praia dos "pobres"



A Foz é zona de ricos, de gente abastada, que se orgulha de ter nascido no Porto, na zona mais "queque" da cidade, onde o mar e o rio se abraçam e as vistas se alargam até ao horizonte quase até às Américas, tivéramos nós olhos telescópicos. A Foz sempre foi a zona mais cara por metro quadrado, está hoje repleta de condomínios fechados, que se amontoam sem grande beleza de modo a proporcionar aos habitantes mais mar das suas varandas. E continua cara, apesar de haver outras zonas chiques como Matosinhos sul.

Simultaneamente,a Foz continua a ser e será sempre o local de veraneio dos mais pobres,os velhotes da 3ª idade, aqueles que vão no autocarro 200 ou no 204 ( como eu) para ver o mar e apanhar sol aos Domingos.
Gosto de me misturar com esta gente do povo, fico feliz de os ver ter uns momentos de lazer entre dias difíceis de trabalho árduo fora e em casa, saúde precária e falta de dinheiro para o essencial. Falam das suas vidas, dos hospitais, dos medicamentos cada vez mais caros, dos patrões ( que os não ouvem, pois não andam de autocarro), das rendas, enfim, de temas banais do seu dia a dia.
Rui Rio disse ontem que em 2011 todas as praias da Foz teriam bandeiras azuis. E Acrescentou que a Praia dos Ingleses ( a minha :))) tinha poluição zero neste ano.Que isto era bom para que as pessoas mais pobres da cidade pudessem usufruir de férias junto às suas casas. Diria mesmo, quase à soleira da porta.

Fui lá confirmar. A bandeira azul, como o algodão, não engana...estava hasteada com orgulho junto ao muro de betão. Este ano, vêem-se mais pessoas a gozar da areia, do sol e do mar. Acolhem-se do vento - que hoje quase não soprava, deitando-se junto às rochas protectoras. A água está fria, mas límpida e a vista continua soberba com o novo molhe a servir de barra. Não enxameiam as praias como na Costa da Caparica ou em Cascais, são em número muito sustentável e não fazem barulho.
O Café do Ingleses pôs uma nova veste para o Mundial, vermelha e verde a cobrir uma parte da sala onde ficam os pufs e a TV. Cá fora está-se bem e ainda melhor na areia junto ao mar.


À vinda vou para a paragem, onde já umas sete pessoas aguardam o autocarro, que já lá está postado, sai pontualmente de vinte em vinte minutos e passa em frente da minha casa. Irmano-me com os mais pobres, sem qualquer preconceito, não tenho carro, também gosto de mar e de sol e não me importo nada de conviver com gente anónima para mais um "evento" estival.Que a sorte e a saúde me permitam ter muitas tardes assim. Gente rica e gente pobre reunidas no local mais democrático que conheço: a praia.