segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonho ou realidade?


Há 37 anos casei-me. Era Novembro e o meu marido estava na tropa, não podendo deslocar-se ao estrangeiro em lua de mel. Também não tínhamos dinheiro para ir muito longe. O casamento foi modesto, só família chegada, porque resolvi não casar pela Igreja para grande desgosto do meu Pai, que não compreendeu a minha decisão, influenciada pelo meu futuro esposo. Depois de uma fase de censura, o meu Pai disse-me que me ofereceria a lua de mel e foi assim que fomos parar a um dos locais mais românticos e bonitos da ilha da Madeira: a Quinta da Penha de França. Nunca mais esquecerei o cheiro a cera dos soalhos, os sofás forrados de cretone rosa velho e verde à inglesa, o quarto amplo a dar para o jardim. E as rosas e o champagne na mesa do quarto à nossa chegada. E não só...


Faz agora dez anos, o meu filho resolveu casar, antes de voltar para a Alemanha para continuar os seus trabalhos de doutoramento e aconselhou-se com uma amiga alemã sobre locais onde poderia ir passar a lua de mel. A pessoa em questão disse-lhe que tinha estado num hotel de charme maravilhoso e ele apressou-se a reservar quarto. Quando falou ao Pai no hotel que tinha escolhido, o meu marido disse-lhe espantado: Foi aí que nós passámos a nossa lua de mel. É muito especial. Muito bom, mesmo. Coincidência extraordinária, pois nós nunca lhe tínhamos falado nisso.

Ontem deu-me uma curta depressão depois de passar o serão com os meus netos; puz-me a pensar que vou ficar um mês com o oceano Atlântico a separar-nos...não conseguia dormir e resolvi fazer uma pesquisa sobre hoteis na Madeira. Pelo menos estarei no meio do Oceano e mais perto. Sem querer, fui dar ao site da Quinta, onde nunca mais voltara.
Nem hesitei. Vi qual a disponibilidade de quartos em Agosto, que era mesmo exígua, dado que não havia nada em muitos dias desse mês; depois duma hora a pesquisar e a comparar preços, consegui reservar cinco dias seguidos eram umas sete da manhã. Seguiu-se a tarefa de marcar os vôos. TAP - Take Another Plane , na gíria britanica -, sempre ela, a única com monopólio quase exclusivo dos voos para as ilhas , a par da SATA, que é ainda mais cara. Os vôos ficam mais caros que a estadia neste hotel de quatro estrelas....incrível! Lá se vai o subsídio de férias:))

Mas o sonho tornar-se-á realidade...dentro de tres semanas estarei com os meus filhos de novo neste local paradisíaco....vão ser umas férias curtinhas, mas passadas num sítio muito especial. Viva a família!

DIA MUNDIAL DOS AVÓS



Hoje, 26, celebra a Igreja o dia de S. Ana e S. Joaquim, avós de Jesus, pelas Escrituras. Não preciso de dias especiais para comemorar o facto de ser Avó. Nem todos os dias são dedicados aos netos, muitos deles não são e nem sequer os vejo. Estão porém sempre no meu pensamento. E esse pensamento é afectuoso e doce, quente e saboroso.

Ontem fui passar parte do serão com eles e houve concerto. Pai e filhos tocaram para mim, senti-me bem e eles estavam felizes. O mais velho já toca violino com bastante precisão e sobretudo com expressão, o que me comove. O mais novo toca violoncelo ainda incipiente, mas acima de tudo adora shows, não pára de dançar, cantar, saltar, tudo ao ritmo da música, que lhe está na massa do sangue. O meu filho está a tocar piano cada vez melhor desde que compraram um instrumento novo para substituir o alemão muito antigo que viera de casa da minha Mãe em Lisboa e estava a desfazer-se.Para minha alegria tocou uma sonata de Beethoven, Bach e o Arabesque nº1 de Debussy que já a minha mãe tocava, em dias de calmaria.

A tarde estava a findar, a Lua Cheia a erguer-se avermelhada e o meu neto mais novo exclamou: "A Lua até parece a Terra! Mas não é, pois não? Nós estamos aqui em cima da Terra, não podemos vê-la assim redonda, tem de ser a Lua!" Depois acrescentou: "O Sol é uma estrela de fogo e tem tanta luz que ilumina tudo. A Lua não!"

Mas felizmente, há luar...como diria Stau Monteiro...

Fica aqui um poema aos avós modernos ( brasileiro)

Vovó século XXI

Como é bom ter uma avó!
Companheira que ela só,
Conta histórias de encantar
Branca de Neve - Cinderela...
Canta canções de ninar
Não me imagino sem ela

Conta que o lobo mau é bom
Que não comeu a avozinha
Foi tudo brincadeirinha
Pois quando o encontrou
No caminho da floresta
Deu-lhe tanto carinho
Que o lobo virou bonzinho
Mais parecia um cachorrinho
E pra ele tudo era festa

Ela inventa, e diz então
Que a vida é uma comprida linha
que a ponta final é a dela
E que a do início é a minha
Tenho que correr pra pegá-la
Soltando a imaginação
Um dia vou alcançá-la

Sabem que a minha avó,
Leva-me a passear
Acompanha-me à natação
E ensina-me a nadar?

Quando ela está por perto
Não tenho medo nenhum,
A minha avó é decerto
Vovó século vinte e um!


Isabel Correia da Silva e Sousa

E um vídeo lindo com a música e imagens a condizer:

domingo, 25 de julho de 2010

Calçada à Portuguesa

No site de fotografias WOOPHY ,que já recomendei muitas vezes e cujos membros são aos milhares, que todos os dias fazem upload de fotos a um ritmo alucinante, vi hoje um foto impressionante tirada por um fotógrafo português talentoso chamado Abílio Silveira em Lisboa. A foto diz tudo.




Por favor cliquem nela para verem com mais detalhe.

Às vezes tenho saudades da minha terra!

sábado, 24 de julho de 2010

Babá ao rum e outros acepipes

Hoje dediquei-me à cozinha e não me saí mal, embora fizesse outras coisas pelo meio, como é meu costume.
Gosto de cozinhar, mas às vezes, também sinto necessidade de sair para comer, faço-o regularmente com os meus dois filhos para socializar e comer bem. Ontem fomos a um restaurante que muito aprecio, na Foz, onde servem fondue. Já há mais de dez anos que lá vou, conhecem-nos bem e sinto-me em casa. A decoração é excelente, o ambiente também e pelo facto de estar junto à praia, pode-se sempre ver o pôr do sol no mar.

Hoje fiz um rosbife à inglesa para o jantar com arroz e salada. Comi tanta salada que até estou enfartada de verdes! Para a sobremesa, acedi ao pedido do meu filho e fiz um Babá ao rum, à maneira francesa. Lembro-me com saudade dos bábás de Lisboa, acho que eram os meus bolos preferidos de sempre. Não usei rum, pois não o tenho, mas vinho da Madeira que faz o mesmo efeito.
Agora vou ver o futebol - Benfica, byekk - só para fazer a digestão de tanto pitéu.:))

Exposição PICASSO no METROPOLITAN MUSEUM OF ART - NY


Sei que NY não fica ao virar da esquina....mas vale a pena lá ir quase só para ver esta exposição da obra de Picasso. A fundação de Serralves organiza uma viagem a NY e Chicago que inclui uma visita ao MET.




This landmark exhibition is the first to focus exclusively on works by Pablo Picasso (Spanish, 1881–1973) in the Museum's collection. It features three hundred works, including the Museum's complete holdings of paintings, drawings, sculptures, and ceramics by Picasso—never before seen in their entirety—as well as a selection of the artist's prints. The Museum's collection reflects the full breadth of the artist's multi-sided genius as it asserted itself over the course of his long and influential career.



Estes quadros e desenhos são uma amostra minúscula do que se pode ver na exposição.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Catedral



Quando comecei a pintar este quadro, que há muito estava na Utopia em standby com umas cores horrendas que tapei completamente com impasto, veio-me a mente as cores azuladas e alaranjadas de Monet; o meu professor tb disse que a pintura lhe lembrava as cores da catedral de Rouen e foi buscar um livro enorme para me inspirar,

É claro que este quadro nada tem a ver com os dele, nada mesmo. A harmonia e a impressão da catedral não existe. No entanto, quando olho para ele, sugere-me algo de religioso ....
Não sei se os apreciadores de abstractos verão outra coisa ou sequer se gostarão deste exemplar.
È muito diferente daquilo que habitualmente faço. Mas tenho de ir tentando outros estilos...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

36000 visitas

Que a fonte continue a jorrar com a vossa ajuda e comentários. Obrigada!




Fonte de Sheffield ( Abril 2010)

The Ghost Writer



Polanski sempre deu que falar.
Lembro-me do seu nome desde que me lembro de ir ao cinema. Por sinal o primeiro filme dele, que o meu ex- insistiu em ver - éramos intelectuais (!!!) nos nossos vinte anos - depois de uma breve discussão sobre se deveríamos ir ao "O Jardineiro" ou ao "O Beco" e fomos a este último de Polanski, decepcionou-me muitissimo, era " uma seca" como diríamos agora.
Monótono, sem enredo quase.

O filme que fui ver ontem com os meus tres filhos é o contrário.Um thriller com a técnica e atmosfera inglesas e um realizador europeu. Excelentes actores Ewan McGregor em destaque, muito low profile, uma paisagem lindíssima numa ilha, que é suposto ser Martha Vineyard, perto de Boston - onde estive no ano passado - mas que fica na costa alemã, na realidade. Um puzzle que só se deslinda no fim e sobre o qual não conto nada, pois iria ser uma spoiler e estragaria o prazer de quem não viu o filme.
O romance foi escrito por Robert Harris, que também auxiliou no argumento

Não estamos aqui perante nenhuma obra-prima, nem filme de culto, mas são duas horas muito bem passadas - não fossem as pipocas e os risinhos de pessoas que não sabem o que é cinema, nem silêncio. Custa-me verificar que hoje em dia, muitas pessoas não conseguem estar às escuras numa sala, sem conversar, dizer disparates ou comer. Mal empregadas sessões de cinema com tanto conforto e ambiente. Ainda por cima os meus cartões ZON e o Visa deram-me dois dos quatro bilhetes!!!

Uma soirée bem passada, que aconselho a todos os que gostam de bom cinema.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O mar à soleira da porta

Ontem passei a tarde junto ao mar.

Não vou escrever nada sobre essa experiência. Foi excepcional. Vão aqui fotos que me fazem sentir privilegiada, como milhões de portugueses que sabem como a nossa costa é magnífica, uma dádiva de Deus, prémio que não merecemos se calhar...



Uma Após Uma as Ondas Apressadas

Uma Após Uma
Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva 'spuma
No moreno das praias.

Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o 'spaço
Do ar entre as nuvens 'scassas.

Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco ao meu senso
De se esvair o tempo.

Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada.


Ricardo Reis, in "Odes"

domingo, 18 de julho de 2010

Abstractos: quentes ou frios



Ontem fiz dois quadros em MDF com impasto e acrílico bastante diluído. São completamente abstractos. Um é caloroso, quente, em tons outonais, diria. Outro é em tons de azul e mais frio.

As cores é que ditam a temperatura...segundo o meu professor. É verdade. Se sentirem calor olhem para o azul e sentirão frescura, a do mar, dos rios, do céu, das safiras.
Se sentirem frio, aqueçam-se com os laranjas, os cobres, os vermelhos das rosas, do fogo, do tijolo. Acreditem, as cores transmitem sensações e provocam reacções em nós.

Para acabar, um poema sobre as cores e o amor. Encontrei-o aqui por acaso. Vai substituir, por hoje, a minha falta de inspiração para grandes prosas...:)


DÉGRADÉ

Há múltiplos tons na aquarela do amor:
Quem é que é capaz de tentar expressar?
Uns dizem que é espinho, uns dizem que é flor;
Uns dizem sorrir, uns dizem chorar...

E a tinta incansável tenta compor
Tal quadro maior que o céu e que o mar:
Prazer e martírio, paz e rancor,
Ceder e exigir, partir e ficar...

E embora ninguém consiga pintar
Ao certo o matiz da face do amor,
Ninguém desistiu jamais de o tentar;

Porque sua atração consiste em surgir
Não simples que ao olho possa-se expor,
Mas simples que a alma o possa sentir.

Ederson Peka