vos envio a todos um grande abraco e nao da para nada. Os minutos voam e as libras tb.
No Domingo ja volto, por aqui esta tudo OK.
Good old England
Beijinhos
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
PORTO CARTOON WORLD FESTIVAL - 2010

Por me parecer de grande interesse este certame que já dura há doze anos na cidade do PORTO, transcrevo aqui o artigo do site "Lazer"
PortoCartoon-World Festival espalhado pela cidade
Jul 30, 2010
O PortoCartoon-World Festival está espalhado por vários locais públicos da cidade do Porto, numa iniciativa do Museu Nacional da Imprensa que alarga um projecto iniciado em 2008.
Cerca de mil desenhos de humor, que assinalam os doze anos de um dos três principais certames de desenho humorístico do mundo, são mostrados em vários locais emblemáticos da cidade invicta.
A Livraria Leitura (Shopping Cidade do Porto), Café Velasquez (Antas), Café Célia (Cedofeita), Café Progresso (Largo Moinho de Vento), Fnac-Sta. Catarina e Edifício Transparente (final do Parque da Cidade) são os locais escolhidos.

Além destas extensões, o XII PortoCartoon está patente na sede do MNI, com mais de 400 cartoons expostos. Destaque especial merecem a "Rua do PortoCartoon" (R. Galerias de Paris) e a mostra que figura no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, com quatro dezenas de trabalhos, exclusivamente alusivos ao tema "Aviões e Máquinas Voadoras".
Ainda integrada no PortoCartoon pode ser apreciada, no Centro Comercial Dolce Vita Porto, a exposição antológica do cartunista polaco Zygmunt Zaradkiewicz (vencedor do Prémio do Publico do PortoCartoon de 2009). São cerca de 100 desenhos de um humor incisivo sobre o comportamento humano.
Na estação do Metro dos Aliados também foi montada a já habitual extensão da mostra original do XII PortoCartoon, cujo mecenas é a Caixa Geral de Depósitos.
O Museu está instalado na cidade do Porto, a montante da Ponte do Freixo e a cinco minutos da Estação CP/Metro de Campanhã. Pode ser visitado todos os dias, entre as 15h00 e as 20h00.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Passeio das Virtudes
Hoje resolvi passear pelo Porto e visitar a exposição de pintura da ÁRVORE, várias obras produzidas pelos sócios da Cooperativa.
O dia estava ameno, o sol quente, mas uma brisa fresquinha fazia-nos sentir bem lá fora. As cores pareciam reavivadas e o rio Douro mais azul que nunca.
meia hora mais cedo, de modo que andei mesmo a gozar a vista do Mirante das Virtudes, que, curiosamente, aparece num site de vistas do Porto em 360º.
Passeio das Virtudes
O paredão das Virtudes foi construido no séc. XVIII e o local tornou-se num dos jardins publicos da cidade. A alameda permite uma excelente perspectiva sobre o rio, até a barra. Em primeiro plano pode ver-se a Fonte das Virtudes e, logo, os socalcos que descem até São Pedro de Miragaia. Junto ao rio, vé-se o imponente edificio da Alfândega.
( in 360º Portugal.com)
Acrescentaria que é um local privilegiado, sossegado; apenas vi um homem, que passeava um bébé num carrinho, quatro amigalhaços que falavam bem alto, umas mulheres a lavar a rua de baixo com mangueiras,
Ás duas e meia não havia vivalma na Cooperativa Arvore, mas daí a dez minutos apareceram umas raparigas que desconheciam porque é que o "engenheiro" ainda não tinha vindo abrir a porta. Os engenheiros são os culpados de tudo neste país!! Finalmente apareceu o senhor com a chave na mão e pude visitar a expo.
Não me entusiasmou por aí além, vi alguns quadros interessantes, que aqui reproduzo.




No fim ofereceram-me um catálogo, mas a simpatia das pessoas não é grande. estão ali a vender na livraria, como se estivessem a fazer um frete, não perguntam se precisamos de ajuda, se gostámos da expo, se vamos voltar. Os artistas bem podem expor, não há quem atraia pessoas para estes locais com funcionários assim.Não consigo deixar de comparar a situação com outras em Boston, NY ou em Leeds, onde os sorrisos abundam, o desejo de agradar é notório, a simplicidade e a simpatia fazem parte do ADN dos funcionários que querem vender.
Por fim ainda fotografei os grafitti comemorativos do 20º aniversário da Árvore, em 2009. São muito atraentes, fantásticos, mesmo para mim, que não aprecio esse género de street art.
domingo, 1 de agosto de 2010
Por do sol na Foz
Sempre gostei de jantar ao pé do mar no Verão.
As esplanadas estão um pouco vazias, dado que as tardes nem sempre são muito quentes e o ventinho sopra...
Em contrapartida, dentro dos restaurantes com as grandes vidraças abertas sobre a areia, está-se bem. Não é barato, mas a vista compensa.
Hoje fui jantar com a minha filha ao Bar da Praia da Luz na Foz. Tirei algumas fotos. É um local muito bem cuidado, tem sofás e pufs por todo o lado, uma sala de jantar confortável no inverno com lareira, no verão com uma decoração bonita e fresca. É um pouco caro e demorado...mas enfim.
É bom fazer férias numa cidade como o Porto...nem nos faz falta sair do país. As temperaturas são amenas, as praias são bonitas, há menos carros, está-se bem.
Tríptico Cor em Movimento
Para festejar o 1º aniversário do blogue, fiz este tríptico em tres tonalidades diferentes que se multiplicam por tantas outras conforme a luz,a posição,as sombras, o local e até o nosso estado de espírito.
Gosto de todos, embora o violeta me pareça o mais original. Ao vivo despertam mais as nossas sensações. Têm um tamanho razoável, 60x30, e foram pintadas em acrílico com gel e areia misturados de forma a criarem toda a espécie de rugosidades e desenhos para as tintas escorrerem e fundirem-se dum modo artístico.Cliquem neles para ver ao perto.
Deram-me imenso prazer, foram duas noites e três dias a inventar...será abstracto, será gestual? O meu amigo Paulo o dirá:))
Para festejar o dia ofereço-vos uma performance extraordinária dum dos mais ( o mais?)
aclamados pianistas da actualidade,Grigory Sokolov num dos concertos mais carismáticos do Romantismo, Rachmaninoff - Concerto nº 3 ( 1º andamento incompleto).
Faz hoje um ano nasceu este blogue

Claude Monet - Nympheas
Na altura escrevi estas palavras:
Quero que este blogue seja um espaço de reflexão sobre ARTE - música, pintura e fotografia, em especial. Quero que através dele se descubram trilhos e caminhos novos, recordando os já conhecidos e amados. Espero que haja leitores conhecedores e interessados, penso que os temas são ilimitados e eu "só sei que nada sei".
O meu lema foi sempre " HAPPINESS IS LOOKING FORWARD TO" - ou seja, a felicidade reside no anseio por alguma coisa.
Este blogue é, ainda, apenas o anseio, a expectativa. E o gosto pela Arte.
De anseio e expectativa, este blogue passou a realidade. De utopia a palavras e actos palpáveis. De sonhos a concretizações. No plano humano e no plano virtual. Este blogue aproximou pessoas, fê-las interagir, deu-lhes "food for thought" ( alimento para a alma)e tem razão para continuar. Posso afirmá-lo sem ponta de vaidade porque não fui eu que produzi este blogue, mas todos os quase 38.000 visitantes que aqui passaram ou por aqui ficaram. A eles devo um agradecimento caloroso.
Ninguém pode imaginar a felicidade que este blogue me proporcionou neste 12 meses, todos os dias, estes bocadinhos passados aqui são uma luz na minha vida...
Falaremos sobre isto daqui a um ano. OBRIGADA!
sábado, 31 de julho de 2010
As tílias
Sempre estiveram presentes no meu imaginário, desde a infância até agora.
No jardim da minha casa havia duas tílias grandes, uma delas mesmo em frente da varanda. Cresceu tanto que a minha Mãe começou a queixar-se de que as árvores a atabafavam e ainda tiravam a vista do rio. O meu Pai, que adorava tudo o que é Natureza, mas plantas em especial, e que, apesar da sua vida de médico, destinava umas horas da sua vida ocupadissima ao jardim, mandou cortar a tília...foi um dó, ficou ali um espaço enorme donde se avistavam os navios todos que entravam no Tejo. Felizmente havia muitas outras árvores, como os choupos prateados fustigados pelo vento da tarde, um eucalipto gigante que parecia nunca mais acabar de crescer, mimosas e árvores de fruto.
Há tempos citei Sophia Mello Breyner, a propósito das tílias. Ela descreve a casa dos seus parentes, que avisto aqui da janela, num dos seus contos para crianças:
Era uma vez uma casa pintada de amarelo com um jardim à volta.
No jardim havia tílias, bétulas, um cedro muito antigo, uma cerejeira e dois plátanos. Era debaixo do cedro que Joana brincava. Com musgo e ervas e paus fazia muitas casas pequenas encostadas ao grande tronco escuro. Depois imaginava os anõezinhos que, se existissem, poderiam morar naquelas casas. E fazia uma casa maior e mais complicada para o rei dos anões.
A Floresta

Infelizmente este ano cortaram a grande tília depois dum dia de trovoada que deitou abaixo o gradeamento. Para mim, é como se me tivessem decepado uma amiga. Adorava vê-la daqui da minha varanda, tão redonda que parecia ter sido penteada por um cabeleireiro de renome, simétrica, nem uma folha a mais dum lado do que do outro. Eis o que resta dela, ainda anteontem os meus netos pularam em cima do toco.

Do meu quarto avisto uma tília linda. No inverno vejo tudo o que se passa dentro da casa, no verão acabam-se os voyeurismos, um manto verde claro na primavera e bem escuro no Verão cai sobre as janelas dos vizinhos e enche-me de prazer e privacidade.
Adoro abrir a janela à noite e contemplar a majestosa tília, mesmo junto ao pátio da minha casa no jardim vizinho. Silenciosa, ela abriga pássaros de todo o tamanho e espécie, espalha a sua sombra pelo jardim todo e ainda sofre humilhações com os caezitos minúsculos que guardam a casa e brincam à sua volta, não a deixando em paz.
Bem hajam as tílias...acalmam-me , mesmo quando é só a vista...e o coração.
Mais uma morte na estrada da Arte

Há tempos anunciei aqui o nascimento da revista Bombart, criada pelos artistas do círculo da R.Miguel Bombarda e outros aqui do Porto. Era uma revista bonita, interessante, informativa, estéticamente quase perfeita. Comprei os numeros todos - cada exemplar custava 5 euros - e de repente deixei de a ver na Livraria Leitura, onde era lançada de dois em dois meses.
Ontem perguntei lá o que se passava, disseram-me que tinha desaparecido. Como tudo em Portugal. Dura o espaço dum minuto....em contrapartida, revistas americanas ou francesas de arte, a 10 euros cada, continuam a vender-se e a colorir as bancas, sem nada de muito novo e sobretudo sem info de espécie alguma que nos possa interessar em termos de arte nacional.
É pena.
Este deve ter sido o ultimo numero. RIP!
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Em tons de violeta

Ontem fiz este quadro pela noite dentro...tapei outro de que não gostava, usei muitas técnicas, fui observando as misturas dos tons - apenas roxo e branco com gel impasto. O efeito foi imediato, belo, misterioso, com laivos de poesia. O versão final - sem verniz - é esta.
Vai aqui um poema em inglês ( desculpem) que encontrei no blogue : Frogyfish, É uma adaptação dum poema muito conhecido, mas não tão belo, de Jenny Joseph sobre o qual segue uma nota:
The original 'Warning, When I Am an Old Woman, I Shall Wear Purple' poem was written by Ms. Joseph in 1961 when she was thirty years old, a stunning treatise of aging expressed with intense feelings and description, and her poetically stated intentions that were quite exquisitely out of the ordinary!
'My Purple Poem'
When I am an old woman, I will wear purple!
Yes, and hot pink with roses that smell
(if you scratch them) so wonderfully well!
I shall wear my purple and pink in the fall
and not worry should 'looks' follow, wherever I stall.
On the sidewalk or street bench I'll sit in the sun,
and never get up until I am done.
Yes, wearing purple I'll feel such a queen,
and won't mind a bit when some watch me preen.
In fact, I'll enjoy a sneak peak now and then
just to see if they wonder, and smile once again.
I'll wear my bright purple and feed squirrels and birds,
enjoying their friendship without any words.
Yes, sharing these songs of the feathered and furry,
I'll hear all the sounds of this world without worry.
Green leaves rustle tunes for each season they last,
till winter has come and their sound is all past.
Those greyed branches that tremble and lift to the sky
are rooted in earth that holds spring's bright sigh!
So, aging and newness walk life altogether,
and holding each other they face any weather.
For spring comes again, and then summer's bloom,
before autumn's cooling portrays winter's loom...
Ah! And I have worn purple, and looked in the eye
of each day and each storm that has come and passed by!
Sure, wearing my roses and bright purple hue,
I'll smile at the world and...perhaps at you too!
(While you may be thinking 'You'll wear purple too!)
In: frogyfish blogspot
quinta-feira, 29 de julho de 2010
As férias
Era o nome dum dos livros que mais vezes li na minha infância. Da Condessa de Ségur - colecção Azul. Li-os todos de fio a pavio, várias vezes, começando pelos Desastres de Sofia,
um dos meus preferidos, tal era a minha proximidade com a heroína. Asneiras atrás de asneiras, era um pedacinho da minha vida de todos os dias.
No dia dos meus cinco anos, numa festa em que os meus Pais celebravam a ida para a casa nova e o meu aniversário simultaneamente, toda vestidinha bordado inglês branco, resolvi saltar dum canto para o outro do lago pequeno que havia no meio do relvado. Caí na água pardacenta, com peixes e cágados!!
Fiquei castanha. Nada bonito para uma menina que se preza. E fui chacota dos meus irmãos, o que ainda era pior.
Aos seis anos, já era uma peste. Um dia uma das minhas irmãs estava dentro do nosso quarto de brincadeiras que dava para o jardim e não me deixou entrar. Bati à janela e nada. Disse com ar doutoral de irmã mais velha que não se podia entrar porque tinham encerado o chão e eu, vinda do jardim, sujaria tudo. Fiquei louca de fúria, pus-me aos murros à janela e ela vingou-se. Fiz um corte no meio do braço, que por pouco não me apanhava a veia e levei sete pontos, tendo estado privada de banhos de mar durante quase todo o verão. Castigo demasiado cruel para quem era maluca pelo mar. E que deixou uma cicatriz enorme.
As férias duravam tempo demais. E passavam-se quase sempre em casa, embora tivéssemos um jardim grande e fôssemos quase todos os dias à praia
num ceremonial que começava às 9 da manhã e acabava à 1. De chapeuzinhos e bibes iguais parecíamos um colégio como aquele que dão às vezes na TV Panda e que os meus netos adoram,uma menina muito boazinha, que faz sempre tudo o que as freiras querem. Só que não havia freiras e eu era tudo menos boazinha na praia. Ficava na água até as unhas arroxearem e a minha Mãe se arreliar.
Quando cheguei aos treze anos, ajuizei. Pudera, depois de tanta perrice e asneirada, tinha de me equilibrar e de me fazer à vida. As leituras mudaram. Da Condessa e da Enyd Blyton, passei para as Berthe Bernage e transformei-me numa seráfica adolescente, sonhadora e idealista, crente num mundo encantado que estaria escondido no meio das árvores. As férias em Sintra em 1959 numa quinta que emprestaram ao meu Pai, com uma mata imensa na Correnteza, donde se via o electrico para a Praia das Maçãs,
foi o local ideal para pôr a meditação em prática e chegar ao céu. Foram férias felizes, os meus Avós ficaram connosco enquanto os meus pais faziam uma viagem aos EU e com eles, nós tínhamos plena liberdade e carinho especial.Não me lembro duma única asneira, lembro-me de escrever histórias num caderninho comprado na papelaria da Correnteza.E de ser feliz.
Porque me puz a recordar tudo isto hoje? Porque estou triste...e detesto férias! Explico porquê.
Hoje começaram as férias dos meus netos. Fui buscá-los pelas 10, fomos tomar o pequeno almoço (?) à Botânica - gelados e torradas - e depois dar um passeio pelo Botânico, conversando à sombra das árvores, lendo o nome delas, saudando os peixinhos do lago de nenúfares
que estava repleto de folhas, mas exíguo de flores. A dada altura vimos uma árvore linda,chamada Arvore Candelabro. Tinha flores vermelhas, que o mais novo se apressou a classificar: São flores, não são frutos, pois não, Vóvó?...Momentos maravilhosos, apesar do calor. Depois, em minha casa, estiveram a ver bonecos até à hora de almoço em casa onde iam dormir uma curta sesta.
Assim se acabaram as minhas férias com eles.
Partiram pelas 3 para Boston, onde os Pais vão continuar a sua investigação no MIT. Irão todos os dias para uma summer school! Estavam felizes, apesar de saberem que iriam voar durante horas. Levavam livro, o violino e o violoncelo :). Sentiam-se bem com os pais em férias e a excitação do momento. E eu triste.
Fiquei com uma lágrima ao canto do olho, mas compreendi que férias é mudança. E devem ser passadas com os Pais. Eles merecem-no.

um dos meus preferidos, tal era a minha proximidade com a heroína. Asneiras atrás de asneiras, era um pedacinho da minha vida de todos os dias.
No dia dos meus cinco anos, numa festa em que os meus Pais celebravam a ida para a casa nova e o meu aniversário simultaneamente, toda vestidinha bordado inglês branco, resolvi saltar dum canto para o outro do lago pequeno que havia no meio do relvado. Caí na água pardacenta, com peixes e cágados!!
Fiquei castanha. Nada bonito para uma menina que se preza. E fui chacota dos meus irmãos, o que ainda era pior.Aos seis anos, já era uma peste. Um dia uma das minhas irmãs estava dentro do nosso quarto de brincadeiras que dava para o jardim e não me deixou entrar. Bati à janela e nada. Disse com ar doutoral de irmã mais velha que não se podia entrar porque tinham encerado o chão e eu, vinda do jardim, sujaria tudo. Fiquei louca de fúria, pus-me aos murros à janela e ela vingou-se. Fiz um corte no meio do braço, que por pouco não me apanhava a veia e levei sete pontos, tendo estado privada de banhos de mar durante quase todo o verão. Castigo demasiado cruel para quem era maluca pelo mar. E que deixou uma cicatriz enorme.
As férias duravam tempo demais. E passavam-se quase sempre em casa, embora tivéssemos um jardim grande e fôssemos quase todos os dias à praia
num ceremonial que começava às 9 da manhã e acabava à 1. De chapeuzinhos e bibes iguais parecíamos um colégio como aquele que dão às vezes na TV Panda e que os meus netos adoram,uma menina muito boazinha, que faz sempre tudo o que as freiras querem. Só que não havia freiras e eu era tudo menos boazinha na praia. Ficava na água até as unhas arroxearem e a minha Mãe se arreliar.Quando cheguei aos treze anos, ajuizei. Pudera, depois de tanta perrice e asneirada, tinha de me equilibrar e de me fazer à vida. As leituras mudaram. Da Condessa e da Enyd Blyton, passei para as Berthe Bernage e transformei-me numa seráfica adolescente, sonhadora e idealista, crente num mundo encantado que estaria escondido no meio das árvores. As férias em Sintra em 1959 numa quinta que emprestaram ao meu Pai, com uma mata imensa na Correnteza, donde se via o electrico para a Praia das Maçãs,
Porque me puz a recordar tudo isto hoje? Porque estou triste...e detesto férias! Explico porquê.
Hoje começaram as férias dos meus netos. Fui buscá-los pelas 10, fomos tomar o pequeno almoço (?) à Botânica - gelados e torradas - e depois dar um passeio pelo Botânico, conversando à sombra das árvores, lendo o nome delas, saudando os peixinhos do lago de nenúfares

que estava repleto de folhas, mas exíguo de flores. A dada altura vimos uma árvore linda,chamada Arvore Candelabro. Tinha flores vermelhas, que o mais novo se apressou a classificar: São flores, não são frutos, pois não, Vóvó?...Momentos maravilhosos, apesar do calor. Depois, em minha casa, estiveram a ver bonecos até à hora de almoço em casa onde iam dormir uma curta sesta.
Assim se acabaram as minhas férias com eles.
Partiram pelas 3 para Boston, onde os Pais vão continuar a sua investigação no MIT. Irão todos os dias para uma summer school! Estavam felizes, apesar de saberem que iriam voar durante horas. Levavam livro, o violino e o violoncelo :). Sentiam-se bem com os pais em férias e a excitação do momento. E eu triste.

Fiquei com uma lágrima ao canto do olho, mas compreendi que férias é mudança. E devem ser passadas com os Pais. Eles merecem-no.
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