sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Edith Cohen Gewerc



Quando comecei a ir ao atelier Utopia, a minha amiga Regina falou-me numa pintora que a tinha influenciado um pouco e que ela admirava muitíssimo. Logo nesse dia fiz uma pesquisa e fiquei entusiasmada com a obra desta artista, para mim desconhecida, que apresenta uma colecção de óleos e gravuras extremamente originais e atraentes.
Fica aqui a sua biografia em inglês, pois não existe em português e penso que muitos dos leitores deste blogue compreendem esta língua. Também figuram algumas das suas obras.
Edith Cohen-Gewerc was born in Paris. She spent her youth in Rio de Janeiro where she studied painting at the "Escola de Bellas Artes". She came to Israel with her family in the early sixties, and since then has dedicated herself to her art and now, she lives and works in the city of Kfar Saba.
The impressions of her new country, together with her solid conception of painting, have led to a main motif: light, expressed via a vast palette of delicate colors.
We can follow the evolution of her vision and unique techniques through several exhibitions… Invited to participate in the famous "Salon des Indépendants" in Paris (1972), she also had two important personal exhibitions of her works (1973) in Paris and Biarritz. She has had one-woman shows in Rio de Janeiro (1971), in Wiesbaden (1994), in Geneva (2000, 2003), in Tel Aviv (1979, 1989, 1990, 1996) at Engel's and Tiroche Galleries, in Jerusalem (1992), and so forth…
At present, she is working on a large exhibition of her painting and etchings in Rio de Janeiro.
Together with the voices of art, concentrated in denunciation of our "collapsing world", Edith chooses to focus her creation on a march into her inner landscapes, and invites us to accompany her.
We begin our journey by moving through dense layers, then head into lighter spaces until we reach a harmonic encounter with a new environment, which can be either physical or spiritual, where we discover the light coming from within.
Sometimes we wish to return to the depths of the painting, experiencing the infinite penetration into uncertainty, however this is a search free from fear or anxiety.
Sometimes we look for a path leading out of the crude soil in order to reach, step by step, the ethereal level. Upon contemplating matters once again, we then understand that we always stand before a new discovery.
What is said is barely hinted; like life itself, the essence lies in its folds.
Edith is inspired by the process of conscious evolution, the main axis of the theory called Logosophy and its method.
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http://www.edithcg.com/ . The Art of Edith Cohen Gewerc

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Outono tarda a chegar



Fui ao Jardim Botânico durante uma hora para apanhar umas pinhas para a lareira, antes que comece a chover e elas fiquem encharcadas. Havia-as aos montes, cheias de resina e envoltas em caruma, com aquele cheirinho tão especial que me faz lembrar a minha infância na quintarola de Albarraque, onde passávamos parte das férias até aos meus dez anos. Os meus netos gostam muito de fazer essa actividade , mas o jardim agora fecha aos fins de semana e nos dias normais as 4 horas, de modo que era impossivel ir com eles.
Está um dia lindo, daqueles a que os ingleses chamam "Glorious"...eles não têm muitos destes lá na sua terra. Não há uma única nuvem no céu e por entre as árvores densas, vêem-se pedacinhos de azul luminoso. Tiro sempre fotos diferentes neste local e adoro ouvir os passarinhos, anda que entrecortados pelos automoveis e pesados da VCI.


Andam a restaurar a casa dos Andersen, que está envolta num manto branco, como aquelas peças de mobiliário nas casas antigas, quando a família partia para férias. Dizem que vai haver lá uma exposição. Grande ideia, pois a casa estava mesmo a precisar de obras.
A secura torna as flores quase inexistentes e as que há, rosas, malmequeres, repúblicas, estão sequiosas e muito abandonadas. O jardim de nenufares tb parece outro de tão degradado. Não haverá uma associação de voluntários que queira vir para aqui restaurar o jardim?
Mesmo assim...vale sempre a pena ir em busca do Outono. As primeiras plantas a vestir-se de cores multivariegadas são os áceres e as vinhas virgens, lindas nas suas roupagens de carmim e ouro. Em breve todas as outras estarão prontas para o baile outonal.

sábado, 16 de outubro de 2010

Beethoven e futebol II

Já uma vez aqui escrevi que gosto de ver futebol acompanhado de música clássica.

Gosto de ver a bola quando não saio. O hábito ficou dos inúmeros sábados que aqui passei com o meu filho mais novo que adorava futebol e via sempre a Premier League - Liga Inglesa. Hoje em dia já nem isso. O trabalho do CEJ é tão intensivo que não lhe deixa tempo para respirar e a vida dele resume-se em ir para o CEJ, biblioteca e casa para estudar e dormir. Nem vem aos fins de semana, pois as aulas à 6ª feira a tarde só lhe permitem gozar o sabado e parte do domingo....os bilhetes de comboio são caros para quem só ganha 900 euros e a viagem cansativa. Assim, há tres semanas que não o vejo, e embora fale com ele todos os dias, tenho a sensação de que está muito mais longe do que a minha filha em Leeds.
A vida é assim....é uma fase muito dura e só quem por lá passa, é que sabe...valham-nos as memórias de anos muito ricos e vividos em total harmonia.

Hoje estou a ouvir ""de rajada" os concertos para piano de Beethoven -3, 4, 5 e já há muito que não constatava assim esta extraordinária simbiose entre a harmonia e a força, os leitmotive já tão conhecidos mas sempre tão impressionantes, o constante jogo da orquestra com o piano, as esperas, o retomar, as cadências, o delírio das teclas, a exuberância das passagens instrumentais, a ansiedade pelas notas seguintes, a emoção, a solidariedade dos instrumentos.... este Beethoven é suspense, é suavidade, é sussurro, é toca e foge, é reencontro, é gozo, é Vida! Bem aventurados os que podem ouvir.

Deixo-vos aqui extractos dos meus andamentos preferidos desses concertos.
Bom fim de semana com ou sem futebol, mas com muita música.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E a Foz aqui tão perto



Hoje fui comer qualquer coisa ao café, como de costume. O café não é nada de especial, um local bastante feioso, mas com esplanada em frente do Jardim Botânico, o que é, em si mesmo, um privilégio.
Estava ali sentada e pensei: Porque não ir à Foz, nada tenho de compromissos ( que bom estar reformada) está um tempo maravilhoso, sem vento. E calor a sério.

Meu dito, meu feito. Meto-me no autocarro acompanhada do meu IPOD novo ( Touch) e na minha Leica e lá vou eu no autocarro 200 que vai bem cheio de meninos das escolas.

No bar dos Ingleses, não há ninguém dessa nacionalidade, que eu repare, só portugueses. Mas na praia andam alguns turistas a passear e a ...namorar. Tudo muito calmo, uma leve névoa, onde pairam as gaivotas, mar chão com poucas ondas e petroleiros lá muito longe, mais sombras que navios.

É bom ouvir a música de Wim Mertens que o meu professor de pintura me emprestou e que gravei no Ipod e olhar para o mar. Ao sol. Enche-me de prazer quase físico...é uma pausa neste "concerto da crise" mais que desafinado e lamentoso.
Enquanto se puder ir à Foz ver o mar pela módica quantia de 1.60 euros, ainda não estamos mal. Mas se tomarmos um café e comermos um queque já pagamos dois euros, o que não é muito, pois podemos sentar-nos em deck chairs durante horas. Leio o Y do Publico, a única parte que me interessa hoje em dia...há concertos e teatro em todas as cidades, será que há dinheiro para os bilhetes? É impressionante a quantidade de espectáculos anunciados por esse país fora, com destaque para a minha cidade natal, como era de esperar. Já tenho saudades dum concerto da Gulbenkian ou na Aula Magna. Já foi há 35 anos que saí de lá!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

E nem de propósito

Ao serão, buscando alternativas à maldita TV e suas notícias aterradoras, encontrei uma pérola no YouTube. Sem palavras.



Vejam, oiçam e acreditem que ainda há coisas lindas neste mundo!

Um óptimo fim do dia.

The Real Van Gogh



Há tempos falei-vos de uma exposição que esteve patente ao publico em Londres no aniversário da morte do pintor. Transcrevo aqui o que escrevi:

Este ano, a Royal Academy of Arts, em Londres, organizou uma expo em que procurou revelar O Verdadeiro Van Gogh com 65 pinturas, 30 desenhos e 35 cartas raramente vistas. Uma vasta exposição baseada no trabalho sobre a correspondência do artista feito por um trio do Museu Van Gogh de Amesterdão, Leo Jansen, Hans Luijten e Nienke Bakker.
Durante 15 anos, estes peritos prepararam uma monumental edição anotada, incluindo reproduções das cartas originais, muitas delas com desenhos, que já se pode adquirir nas livrarias e pelos sites online.


Da exposição foi produzido um livro único. Em Leeds estive já por duas vezes com a obra nas mãos, folheei-a calmamente e não fora o peso e tamanho da mesma tinha-a comprado, tal é a categoria da publicação. Custa 40 libras.

Há dias recebi um email da Amazon UK de que sou sócia há anos, informando-me de que não pagaria os portes em obras encomendadas, acima de x euros ou libras. Fiquei muito interessada nessa oferta pois, em geral, paga-se muito pelos portes e quase anula o desconto dos livos.
Fui à procura do "meu" Van Gogh" na Amazon e qual não é o meu espanto quando vejo que o mesmíssimo livro - The Real Van Gogh - está a metade do preço - era 40 libras e está a 21 - online. É uma verdadeira pechincha por um volume com tanta riqueza de conteudo, excelencia de edição , encadernado e único!

Vou encomendá-lo já hoje e aqui fica o recado para os amantes de compras online! Não é publicidade....é só informação cultural!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mar

A minha paixão pelo mar é ilimitada, como ilimitado é o próprio mar, que, diante de nós, só acaba na linha do horizonte. Nunca tive paixão pelo campo, embora goste de sentir o cheiro e a liberdade dos verdes sem fim. Estive muitas vezes nas montanhas, nos Alpes da Baviera, que me atraem e repelem simultaneamente, a brancura encanta-me mas a proximidade do céu assusta-me. Sinto claustrofobia num espaço imenso, o que é um paradoxo.
Nunca pintei montanhas. Já pintei o mar e os campos ou florestas. Desta vez optei pelo primeiro e gosto da imagem do mar neste quadro em acrílico.



E um poema que exalta o mar como eu nunca saberia descrevê-lo.

Carta ao Mar

Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lyrico, choroso,
E terno visionario, meu amigo!

Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vae ter comtigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e humido jazigo!

Nada é mais triste, tragico e profundo!
Ninguem te vence ou te venceu no mundo!...
Mas tambem, quem te poude consollar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia! -
E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia;
- A Musica é mais triste inda que o Mar!


António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Think of Me ( The Phantom of the Opera)


Poderia ser o título dum artigo actual sobre a jovem portuguesa que foi escolhida para cantar a parte de Christine, o personagem mais importante de O Fantasma da Ópera, que está no teatro Her Majesty's no West End em Londres e na Broadway em NY há mais de vinte anos. Ouvi a notícia no telejornal, seguida de uma entrevista com a jovem, bonita, desinibida e simples Sofia Escobar, de Guimarães.


( http://www.caras.pt)


Fiz uma pesquisa e encontrei o artigo e a entrevista no site da revista Caras, onde não esperava tal. Fica aqui o endereço da revista.
Parabéns, Sofia! Talvez ainda te vá lá ver e ouvir. Mas enquanto não o faço, ficam aqui fotos e um vídeo duma interpretação tua em audição do fantástico musical, que vi com os meus filhos há mais de dez anos e continuo a achar fabuloso.

Downtown





Como vos contei andei uma manhã a visitar uma parte da Baixa de Leeds que conhecia pior. Há casas lindas do tipo vitoriano e georgiano, que fazem lembrar Londres, South Kensington e Knightsbridge, em tijolo com janelas lindissimas. Leeds tem construído muito, torres e arranha céus muito arquitectonicos e arrojados, a universidade tem alguns departamentos mesmo interessantes. No entanto as ruas sem carros, como a Briggate, onde ficava a saudosa Borders, agora substituída por uma loja de roupas tipo outlet sem graça nenhuma, a Headrow, onde fica o Museu, o Instituto Henry Moore e o Town Hall continuam a ser os locais mais populosos sobretudo ao fim de semana em que meio mundo sai à rua.

Ir a Baixa aqui no Porto é ver ou ouvir os velhos a falar das suas doenças e sacrifícios, pedintes e ceguinhos, uma tristeza.

Lá sinto alegria, vida, mesmo solidariedade no meio dos imigrantes, mulheres com saris ou véus na cara, chauffeurs de taxi paquistaneses, indianos, kashmerianos, jamaicanos, mães com carrinhos de bébés nos autocarros, e jovens, muitos jovens, com roupas estapafurdias, minis a deixar ver tudo, decotes ousados a tiritar com os 10º de temperatura. Lá é a alegria de estar vivo, aqui é o medo de morrer....

Ficam aqui algumas fotos do Corn Exchange, local onde se faziam trocas comerciais, um edificio lindo com uma abobada alucinante.

Por favor, cliquem nas imagens porque vale a pena:)

domingo, 10 de outubro de 2010

From Gatwick with love

Ja em Londres, neste aeroporto meio caotico que é Gatwick vou ter de fazer horas para o aviao da TAP. Mais ou menos tres horas, sem nada de interessante para ver, mas com um livro bom para ler ou a possibilidade de dormitar num destes maravilhosos sofas do Cafe Nero; tambem tem uma capela, talvez va la rezar pelos meus filhos....
A Luisa ficou feliz, ontem o concerto encheu-nos as medidas, a sala estava cheia e num ecran gigante vimos todas a s imagens tiradas pelos telescopios Magellan ( o nosso Magalhaes) nos planetas todos, a comecar em Marte e a acabar em Neptuno, A musica e involvente e poderosa, ainda deram dois encores. Viemos embora pelas 10, deixei a minha filha na residencia e fui para p hotel....
Hoje ja vou para casa. Vou estranhar.
Cinco dias parecem imensos fora de casa.
E adoro a Inglaterra.

Fica aqui uma excerto de Os Planetas de Holst, compositor britânico, citado detalhadamente no blogue da minha amiga Regina, precisamente num destes dias por mera coincidência ou telepatia.