quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A importância da Visão



Não , não estou a falar da revista semanal, nem de nenhuma profecia, estou simplesmente a referir-me aos nossos olhos e à sua capacidade de abarcar o mar dum lado ao outro, o céu de baixo até cima, o desdobrar das ondas a cintilar ao sol, as pessoas - sobre as quais nada sabemos ou viremos a saber - que neste dia a esta hora se cruzaram connosco diante de todo este esplendor.

Fui a uma consulta de oftalmoogia na Clinica que fica mesma em frente ao mar, quase no Castelo do Queijo, um palacete restaurado, onde os exames à vista custam literalmente "os olhos da cara"! Já lá vou há mais de 20 anos, no início era no Bom Sucesso há uns anos mudou-se para a Foz.

Como cheguei um pouco cedo ao local - o autocarro levou 15m da minha casa lá - andei por ali a passear e e respirar a brisa marítima. Felizmente que tenho olhos. Ainda bem que vejo tudo, com mais ou menos nitidez- sofro de miopia ligeira - e oxalá nunca deixe de ver. Assustei-me porque andava a ter umas perturbações - flashes de luz num dos olhos - o que já me aconteceu há 4 anos e depois passou. Tive de fazer um exame demorado à retina, com gotas que alargam a pupila. Ainda vejo tudo um pouco turvo neste momento, mas já não ardem. Terei de tomar uns comprimidos todos os dias em jejum para que a doença não evolua...:). Nada de muito grave...

Aqui ficam as fotos que tirei hoje.

Os olhos vêem muito mais. Há que os proteger!



POEMA DOS OLHOS DA AMADA

Oh, minha amada

Que os olhos teus


São cais noturnos

Cheios de adeus

São docas mansas

Trilhando luzes

Que brilham longe

Longe nos breus


Oh, minha amada

Que olhos os teus


Quanto mistério

Nos olhos teus

Quantos saveiros

Quantos navios

Quantos naufrágios

Nos olhos teus


Oh, minha amada

Que olhos os teus


Se Deus houvera

Fizera-os Deus

Pois não os fizera

Quem não soubera

Que há muitas eras

Nos olhos teus


Ah, minha amada

De olhos ateus


Cria a esperança

Nos olhos meus

De verem um dia

O olhar mendigo

Da poesia

Nos olhos teus



VINICIUS DE MORAIS

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Depois da tempestade


É bem verdade....vem a bonança....hoje está uma tarde límpida, com nuvens lindas a ameaçar - só ameaçam - chuva e embelezam o céu e tornam tudo mais nítido, mais transparente e mais belo.
Tinha de sair numa tarde assim...até me apetecia ir no autocarro e ver os pinhais da Foz ( que não tem pinheiros, mas áceres, castanheiros e carvalhos) todos doirados e acobreados como acontece nesta altura do ano. Esperei algum tempo e constatei com pena que o muro do Botânico está cheio de grafitti, desfeia-o totalmente e é uma ofensa ao património de todos nós.
Na Foz estava pouca gente, talvez porque se fazia sentir uma brisa fresca marítima, mas o sol quando descobriu, era quente e forte, aquecendo a sério os que ousaram sentar-se nas cadeiras maravilhosas do bar dos Ingleses.


Ali estive a ver o bailado das gaivotas - muitas - que saltitavam e voavam na areia e por cima dos rochedos negros da praia. As ondas eram de borrasca, mas amainaram com o avançar das horas. Ouvi o Fantasma da ópera enquanto a bateria durou. É bom estar só ( espero que as minhas amigas não se entristeçam por preferir a solidão, por vezes), ouvir a voz da minha filha e companheira destas lides dizer lá do norte onde se encontra..."que bom, Mãe estar na Foz" - ou do meu filho mais velho "Que sorte, eu estou a trabalhar". É mesmo uma sorte poder usufruir destes prazeres simples.

À vinda fui ao Pingo Doce, comprar fruta e outras coisas que precisava. Trouxe-as num saco carro de compras do Chinês. Ali há tudo!

sábado, 30 de outubro de 2010

Blue trees


Quando somos crianças aprendemos a pintar a paisagem das cores mais tradicionais, os campos são verdes, os montes castanhos, o céu azul com nuvens brancas, o sol amarelo, a lua branca ou azulada, o mar azul-verde, a areia amarela, as flores vermelhas, laranjas ou rosas, os caules verde claro, as casas brancas com telhados vermelhos e portas castanhas.

É assim que muitos professores e adultos conduzem os miudos a um mundo policromático, mas limitado e formal.

Quando era professora de inglês divertia-me a usar fotocópias de quadros modernos, em que as cores eram arbitrárias - David Hockney, por exemplo, tem quadros com cores "inventadas" e Matisse usa muitas cores diferentes para pintar pessoas. Os alunos tinham de sugerir as cores dos elementos do quadro e no fim viam o verdadeiro em transparência. O efeito e a motivação, para além do interesse cultural da actividade são óbvios. Falavam em inglês durante a aula toda.

Hoje fiz um quadro que nada tem de tradicional nas cores que escolhi. Mais uma vez escolhi o tema árvores...

Joyce Meyers - Flowers


Joyce Meyers é uma artista que expôe frequentemente no Reino Unido.
Após uma experiência de trabalho como ilustradora de moda em Londres, enveredou pelo restauro de pintura , trabalhando nesse metier na Meyers Gallery e para clientes privados. Os seus locais preferidos para pintura de paisagens são a Toscânia, Maiorca e sul de Espanha.

As sua obras estão à venda na web, mas não são o que se pode apelidar de comerciais. São leves e belas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Bach - Concertos Brandeburgueses



Hoje o Mezzo dedicou parte da tarde à transmissão dos seis Concertos Brandeburgueses tocados por vários ensembles de música barroca com instrumentos da época. Um esplendor do barroco. O ritmo, a melodia, a harmonia e o gosto com que tocam encantaram-me. Gosto em especial dos Concertos 2 e 4, que têm mais intervenções dos sopros- flautas barrocas e de bisel. O ambiente da sala é simples, verde clara e beige, o que transmite verdadeira paz.
Hoje não fui ao atelier, não me sentia inspirada nem para pintar, nem para conviver; tenho tido fisioterapia todos os dias e ando com imensas dores nos braços e costas devido ao tratamento em si e tb à artrose que me aflige. Estar aqui a ouvir esta música tocada só para mim é um privilégio.

Vai aqui um dos meus andamentos preferidos do Concerto nº 4:

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Viajando pela nossa terra


Hoje tive de me deslocar a Lisboa. Fui e vim no espaço de 7 horas, o que é quase incrível.
Mas deu para contemplar e ouvir música, momentos inegualáveis de prazer que não dispenso.



As fotos falam por si....e a música que escolhi também.

Esta é uma das peças que ouvi no comboio e que me levou ao passado, aos dias em que o meu filho tocava esta peça na sua flauta, em concertos, acompanhado duma amiga de longa data...a Dança dos Espíritos de Gluck.. É uma música duma tristeza infinita mas de uma beleza ímpar. As duas meninas prometem.

domingo, 24 de outubro de 2010

PARENTHOOD- relações familiares

Comecei a ver esta série da FOX LIFE há duas semanas e gostei bastante do primeiro episódio. Gostei tanto que resolvi fazer o download da primeira temporada toda, que consta de 13 episódios.
Já vou no 6º e continuo a gostar, embora possa parecer um pouco cliché por vezes e retrate o típico american way of life, cheio de problemas que se solucionam ao fim de dois episódios e que pode cansar depois de algum tempo. Alguns actores são excelentes e conhecidos de outras séries como Peter Krause - o Nate de Six Feet Under ( Sete palmos de Terra), uma das melhores séries sobre a família que vi na minha vida, Monika Potter, a mãe de Mãe e Filha, que faz um papel totalmente diferente e bastante real.
O conflito de gerações, a solidariedade entre irmãos, os problemas pessoais, os namoros, a deficiência ( autismo) duma criança, a paternidade vs maternidade, a escola, o basebol. são temas actuais e quanto a mim, tratados com delicadeza, ainda que sempre adocicados à americana. Vale a pena ver.

Segundo o meu filho mais velho que começou a ver a série e não gostou, ela tem um defeito: é demasiado real e por isso inquieta quem tem filhos !

Um aparte: ontem resolvi ver parte do último episódio da telenovela Meu Amor na TVI só por curiosidade e fiquei embasbacada com a pobreza geral da série. São os actores que exageram até mais não, ultradramáticos e sem qualquer naturalidade, a história que é uma pepineira a imitar as telenovelas brasileiras, sem pinga de humor, diálogos chatos, lentos, rastejantes, mesmo. Pensar que grande parte da população vê três destas novelas todas as noites é mau de mais! Não admira que o grau de exigência seja cada vez mais baixo e as crianças fiquem estupidificadas desde que começam a ver os Morangos Com Açucar, um atestado à inteligência dos nossos adolescentes.

sábado, 23 de outubro de 2010

Tempo de geleias...e castanhas


Já fiz a minha geleia de marmelo da saison, em duas sessões, uma com marmelos oferecidos pela mãe da minha nora, muito saborosos, mas com alguns problemas ( bichinhos) à mistura, ficou linda, mas escassa. Outra com marmelos comprados no Froiz, excelentes marmelos, grandes , sãos, mas menos saborosos do que os da aldeia.
Os boiões estão cheios a reluzir ao sol, com aquela cor da geleia , que não é vermelha , nem laranja, uma cor indefinível que sabe e encanta mais do que parece.
Na minha casa comiam-se castanhas assadas ou cozidas com geleia nesta altura do ano. A minha Mãe fazia geleia muito bem e orgulhava-se disso. Já a marmelada era um pouco desprezada, não gostávamos muito dela e o meu Pai preferia a goiabada que lhe mandavam da Índia.
Os meus filhos adoram geleia com castanhas, mesmo no meio do ano ( castanhas congeladas, que basta meter no forno ou na panela). Não faço marmelada, leva muito açúcar e fica para aí sem que ninguém a coma...
Estas fotos não são minhas, mas retratam bem o que este manjar representa para mim ( nós).
Também gosto de castanhas com carne de porco assada e hoje estou a faze-la para o meu filho que veio de Lisboa. É um prazer passar camisas a ferro, cozinhar e vê-lo feliz. É para isto que uma Mãe cria um filho :))

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Edith Cohen Gewerc



Quando comecei a ir ao atelier Utopia, a minha amiga Regina falou-me numa pintora que a tinha influenciado um pouco e que ela admirava muitíssimo. Logo nesse dia fiz uma pesquisa e fiquei entusiasmada com a obra desta artista, para mim desconhecida, que apresenta uma colecção de óleos e gravuras extremamente originais e atraentes.
Fica aqui a sua biografia em inglês, pois não existe em português e penso que muitos dos leitores deste blogue compreendem esta língua. Também figuram algumas das suas obras.
Edith Cohen-Gewerc was born in Paris. She spent her youth in Rio de Janeiro where she studied painting at the "Escola de Bellas Artes". She came to Israel with her family in the early sixties, and since then has dedicated herself to her art and now, she lives and works in the city of Kfar Saba.
The impressions of her new country, together with her solid conception of painting, have led to a main motif: light, expressed via a vast palette of delicate colors.
We can follow the evolution of her vision and unique techniques through several exhibitions… Invited to participate in the famous "Salon des Indépendants" in Paris (1972), she also had two important personal exhibitions of her works (1973) in Paris and Biarritz. She has had one-woman shows in Rio de Janeiro (1971), in Wiesbaden (1994), in Geneva (2000, 2003), in Tel Aviv (1979, 1989, 1990, 1996) at Engel's and Tiroche Galleries, in Jerusalem (1992), and so forth…
At present, she is working on a large exhibition of her painting and etchings in Rio de Janeiro.
Together with the voices of art, concentrated in denunciation of our "collapsing world", Edith chooses to focus her creation on a march into her inner landscapes, and invites us to accompany her.
We begin our journey by moving through dense layers, then head into lighter spaces until we reach a harmonic encounter with a new environment, which can be either physical or spiritual, where we discover the light coming from within.
Sometimes we wish to return to the depths of the painting, experiencing the infinite penetration into uncertainty, however this is a search free from fear or anxiety.
Sometimes we look for a path leading out of the crude soil in order to reach, step by step, the ethereal level. Upon contemplating matters once again, we then understand that we always stand before a new discovery.
What is said is barely hinted; like life itself, the essence lies in its folds.
Edith is inspired by the process of conscious evolution, the main axis of the theory called Logosophy and its method.
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http://www.edithcg.com/ . The Art of Edith Cohen Gewerc

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Outono tarda a chegar



Fui ao Jardim Botânico durante uma hora para apanhar umas pinhas para a lareira, antes que comece a chover e elas fiquem encharcadas. Havia-as aos montes, cheias de resina e envoltas em caruma, com aquele cheirinho tão especial que me faz lembrar a minha infância na quintarola de Albarraque, onde passávamos parte das férias até aos meus dez anos. Os meus netos gostam muito de fazer essa actividade , mas o jardim agora fecha aos fins de semana e nos dias normais as 4 horas, de modo que era impossivel ir com eles.
Está um dia lindo, daqueles a que os ingleses chamam "Glorious"...eles não têm muitos destes lá na sua terra. Não há uma única nuvem no céu e por entre as árvores densas, vêem-se pedacinhos de azul luminoso. Tiro sempre fotos diferentes neste local e adoro ouvir os passarinhos, anda que entrecortados pelos automoveis e pesados da VCI.


Andam a restaurar a casa dos Andersen, que está envolta num manto branco, como aquelas peças de mobiliário nas casas antigas, quando a família partia para férias. Dizem que vai haver lá uma exposição. Grande ideia, pois a casa estava mesmo a precisar de obras.
A secura torna as flores quase inexistentes e as que há, rosas, malmequeres, repúblicas, estão sequiosas e muito abandonadas. O jardim de nenufares tb parece outro de tão degradado. Não haverá uma associação de voluntários que queira vir para aqui restaurar o jardim?
Mesmo assim...vale sempre a pena ir em busca do Outono. As primeiras plantas a vestir-se de cores multivariegadas são os áceres e as vinhas virgens, lindas nas suas roupagens de carmim e ouro. Em breve todas as outras estarão prontas para o baile outonal.