sábado, 8 de outubro de 2011

A Foz , espaço de solidão e liberdade

Hoje o meu neto dormiu cá. Levantou-se pelas 9 e sem fazer barulho, foi para a sala e pôs-se a ler. Entretanto acordei , arranjei-lhe um pequeno almoço de maçã, flocos e um croissant pequenino, e voltei para a cama, pois tinha-me deitado pelas 2 horas e estava cheia de sono. As 10.30 acordou-me, dizendo que a Mãe o vinha buscar para ir a escola de violino. Fiquei com remorsos de ter dormido tanto.

Ontem tínhamos estado os dois a ver o empolgante Portugal- Islândia ( 5-3) e ele tinha-se abraçado a mim com uma ternura que me fez virem lágrimas aos olhos. Adoro este menino e ele retribui, embora não seja de grandes manifestações com outras pessoas. Não consigo dizer-lhe "Não", dou-lhe tudo o que pede ( é bem pouco), ofereceu-se para me ajudar a pendurar a roupa, é prestável, ternurento, aquilo que se pode chamar a criança ideal. Oxalá não se estrague, mas tenho tanto receio do futuro!

Hoje fui almoçar à Foz. Estava um pouco mais de vento, mas o sol era forte, de modo que estive sempre na varanda e até me bronzeei. As gaivotas andavam alvoroçadas, não sei porquê. Não levei a máquina, tirei as fotos com o Ipod .





O mar sempre belo e sempre bravo fazia um barulho embalador. Mesmo assim ouvi musica, desta vez árias de ópera escolhidas que tenho aqui no meu Ipod. Foi uma tarde linda.

Fica aqui uma das árias mais comoventes que conheço da ópera O Pescador de Pérolas de Bizet e de homenagem a Salvador Dali:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

HOWL - UIVO

Ontem fui ver este filme, que já  andava a namorar...

Li muito sobre a Beat Generation, como foi apelidada esta geração de jovens americanos, nos anos 50-60 s. Era o pós-guerra, uma época de boom industrial e também de revolta contra o materialismo, que se tinha instalado nas famílias dos G.I.s, formatadas e financiadas pelo Estado, vivendo nas suas casas iguais, em bairros todos iguais, com as suas grades brancas, a dividir os pequenos jardins, ilustrada num poema notável de Malvina Reynolds, que se segue:


Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky tacky,
Little boxes on the hillside,
Little boxes all the same.
There's a green one and a pink one 
And a blue one and a yellow one,
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.


And the people in the houses
All went to the university,
Where they were put in boxes
And they came out all the same,
And there's doctors and lawyers,
And business executives,
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.


And they all play on the golf course
And drink their martinis dry,
And they all have pretty children
And the children go to school,
And the children go to summer camp
And then to the university,
Where they are put in boxes
And they come out all the same.


And the boys go into business
And marry and raise a family
In boxes made of ticky tacky 
And they all look just the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one,
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.





A geração beat identificava-se com um fenómeno cultural que aliava a revolta, a experimentação com drogas, formas alternativas de sexualidade,  interesse pelas religiões orientais,  rejeição do materialismo,  idealização de meios de expressão exuberantes, coloquiais e vivenciais. Viviam com pouco conforto e são considerados precursores dos hippies, embora muito cultos e até com educação superior. Morreram jovens, à excepção de Ginsberg.


As suas obras, HOWL de Ginsberg, Naked Lunch, de Neal Cassady e On the Road  de Jack Kerouac conheceram um sucesso estrondoso, uma vez publicados, e simultaneamente, desencadearam protestos das alas mais conservadoras da sociedade americana ameaçadas pelas ideias boémias, hedonistas, não conformistas e pela criatividade espontânea destes novos vultos literários.

O filme retrata o processo a que foi submetido Allen Ginsberg, acusado de ter utilizado linguagem obscena na sua obra poética. O filme


apresenta excertos duma entrevista imaginária ao escritor e a leitura em voz alta do poema pelo próprio, traço relevante na estrutura do filme por ser apresentado a preto e branco. Aliados ao poema surgem pedaços de banda desenhada, com cores muito sugestivas e figuras plásticas, que, na opinião de alguns críticos estragam a sequência do filme, mas quanto a mim o tornam mais criativo e menos linear.
Gostei, embora reconheça que não é filme para todos os gostos, assim como PINA, um dos melhores filmes que vi este ano. Ainda bem que há realizadores a sair do mainstream e a tentar outras vias.

Só resta acrescentar que vi o filme completamente sozinha na sala e que a princípio apareceram trailers sem imagem, pelo que tive de ir à entrada queixar-me da falha técnica. Nunca tal me tinha acontecido! Como só pague bilhete senior, devem ter achado que só merecia som!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

STEVE JOBS - 1955-2011



Nem sei o que dizer.

Um Homem, um Criador, um Visionário e a sua equipa transformaram as Tecnologias em algo de Belo, para lá de úteis, indispensáveis e rentáveis.

Transcrevo um artigo da CNN:



Steve Jobs, 1955-2011: Technology's greatest visionary

By Miguel Helft, senior writer October 6, 2011: 7:17 AM ET



Steve Jobs, who by the force of his charisma, intuition and personality reshaped industries and turned Apple into America¹s most valued company, died at the age of 56.


FORTUNE -- On Wednesday, America lost its most successful chief executive, the technology industry lost its greatest visionary, and Silicon Valley lost a giant whose influence will be felt for years to come.


Steve Jobs, who by the force of his charisma, intuition and personality reshaped industries and turned Apple into America¹s most valued company, died at the age of 56.


"Steve's brilliance, passion and energy were the source of countless innovations that enrich and improve all of our lives, the Apple board said
in a statement. "The world is immeasurably better because of Steve.




Escrevo no meu Macbook da Apple.
Não o substituiria por mais nenhum, mesmo que me oferecessem. Sinto uma afeição quase física por este objecto, que comprei há dois anos a conselho do meu filho. Nele, tudo se torna mais nítido, mais belo, mais aliciante.... Sigo os conselhos do provérbio inglês: An APPLE  a day keeps the doctor away. :) ( uma maçã por dia, mantém o médico à distância)

Obrigada, Steve!

Este foi o seu último discurso em Stanford , em Fevereiro deste ano.
O discurso está legendado em Português e vale a pena lê-lo. É uma lição exemplar. Só uma pessoa muito especial poderia expressar-se assim.




quarta-feira, 5 de outubro de 2011

La Belle Époque

Tenho andado longe do blogue....sem grande inspiração para escrever, talvez incerta quanto ao interesse que as minhas cogitações diárias possam ter para os leitores fiéis deste espaço... e, se não tivesse recebido hoje um mail dum Amigo a perguntar o que se passava comigo, talvez não estivesse a escrever esta entrada.
Há alturas em que sinto uma certa angústia quanto ao futuro, não o material, graças a Deus, mas às condições deste país e futuro de jovens e crianças de agora. E também quanto ao envelhecimento.
Gostava de contribuir mais para a Educação, pois deixei a Escola em 2008 e nunca lá mais voltei.

Hoje, Dia Mundial do Professor, desejo que todos o façam por amor. Não apenas como modo de vida.

Sei, no entanto que não seria capaz de dar aulas de apoio ou comprometer-me com workshops ou outras coisas no género. Vou deixando o tempo passar , mas, de vez em quando, sinto-me um pouco frívola ou inútil. Nada demais...

Nestes últimos dias tenho andado a ver séries inglesas e americanas, as últimas que foram produzidas pela HBO , pela ITV ou pela  BBC. Apaixonam-me, como me apaixonou uma outra série americana - Damages - uma obra prima que já vai na 4ª série e que vi de fio a pavio com o meu filho mais novo no fim de semana e ontem à noite. Vejo-as em ecran grande, luzes fechadas,  som surround, o que é um privilégio...

Ontem vi uma série que ganhou 4 emmys este ano. Chama-se Mildred Pierce, é a história duma self-made woman nos anos 20, interpretada magnificamente por Kate Winslet ( a jovem do Titanic), em cinco partes. A reconstituição é magistral, assim como a de Downton Abbey, uma série inglesa que já vai na 2ª temporada, e que me faz lembrar o Upstairs, Downstairs ( A Família Bellamy).

Até me esqueço de que há telenovelas portuguesas e recuso-me a vê-las, chocam-me a brejeirice, a estupidez dos diálogos, a péssima interpretação de alguns actores, música pirosa,  histórias macabras, pérfidas e exemplos terríveis para os jovens que vêem a TVI ou a SIC.

Ainda me lembro, quando a RTP 2 dava séries inglesas da BBC, algumas comprei-as depois em vídeo para mostrar nas aulas, como o Prime Suspect com a memorável Helen Mirren ou o Yes, Minister e Blackadder. Eram tempos gloriosos da RTP, que nunca mais voltam...
Ainda bem que consigo compreender o inglês tão bem como o Português....isso evita-me ter de contactar com as produções nacionais e não digo isto com vaidade, mas com gratidão aos meus Pais que tudo fizeram para que me aprendêssemos duas linguas na primária, tal como fiz com os meus filhos e agora acontece com os netos.

Ficam aqui os trailers de três destas séries:




domingo, 2 de outubro de 2011

Domingo cultural



Estando sozinha, hoje, Domingo,  resolvi ir ver a exposição de Armanda Passos, "Reservas", que abriu no passado dia 23.


O sítio já me é familiar, mas aproveitei para ver melhor a casa Andresen depois de renovada e sem aquele aparato da exposição Darwin. O edifício é lindo, Art Nouveau puro, com as cores muito pálidas e a luz a entrar a jorros pelas grandes janelas de portadas. O pé alto da sala principal é indescritível, no cimo tem a claraboia, que não consegui fotografar, tal era  a luz do sol que por ela entrava.

Estava quase vazia e os quadros são poucos, ainda que interessantes. Não é bem o meu estilo de pintura, uma mistura entre fauvismo e naif, figuras um pouco grotescas e com significado simbólico que me escapou. Poderia ter esperado um pouco por uma visita guiada, mas não me apeteceu.

Preferi ir comer um croissant no café esplanada e apanhar sol, passeando pelos recantos bem conhecidos do Jardim , que agora no Outono, parece triste e abandonado....sinto este local como meu, já lá fui tantas vezes e sempre me surpreende.

A estatueta, que serviu de inspiração ao conto O Rapaz de Bronze de Sophia foi limpo e perdeu aquele tom verde que rimava na perfeição com as plantas e lodo do lago que o circunda. Passei umas horas agradáveis e espiritualmente fortificantes. Logo, terei a companhia do meu filho - e netos? - para verem o futebol na TV:))


sábado, 1 de outubro de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MUSICA

Que dizer. Sem ela não existiria....pelo menos, espiritualmente. Ela é a  alegria, o impulso,a comoção, a expressão mais pura e mais  universal de todos os sentimentos e sensações humanas. Ela é a expressão da Natureza, dos seus sons inimagináveis, a tradução desses sons em forma acessível a qualquer pessoa de qualquer idade.

Ontem o meu filho esteve aqui a fazer-me uma instalação sonora. Comprei esta aparelhagem há uns dois anos e nunca a usei, por maravilhosa que fosse. Não conseguia ligar tanto fio, nem entender-me com os comandos. Comprei uns cabos que ligam directamente o meu MAC a aparelhagem e ao plasma e consigo ver séries, filmes, música downloaded com dolby surrounding, o efeito é mesmo o de um home cinema, impressionante.

É assim que vou festejar este dia da música, ouvindo o Mezzo em estereo.....

Aqui fica um dos excertos mais belos de Bach, que ouvi recentemente em Londres. Aqui o interprete é o controverso Nigel Kennedy, com uma das mais lindas versões que conheço deste concerto para violino.

DIA INTERNACIONAL DA MUSICA

Que dizer. Sem ela não existiria....pelo menos, espiritualmente. Ela é a  alegria, o impulso,a comoção, a expressão mais pura e mais  universal de todos os sentimentos e sensações humanas. Ela é a expressão da Natureza, dos seus sons inimagináveis, a tradução desses sons em forma acessível a qualquer pessoa de qualquer idade.

Ontem o meu filho esteve aqui a fazer-me uma instalação sonora. Comprei esta aparelhagem há uns dois anos e nunca a usei, por maravilhosa que fosse. Não conseguia ligar tanto fio, nem entender-me com os comandos. Comprei uns cabos que ligam directamente o meu MAC a aparelhagem e ao plasma e consigo ver séries, filmes, música downloaded com dolby surrounding, o efeito é mesmo o de um home cinema, impressionante.

É assim que vou festejar este dia da música, ouvindo o Mezzo em estereo.....

Aqui fica um dos excertos mais belos de Bach, que ouvi recentemente em Londres. Aqui o interprete é o controverso Nigel Kennedy, com uma das mais lindas versões que conheço deste concerto para violino.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Midnight in Paris

Na generalidade, os filmes de Woody Allen apelam à inteligência, à cultura, ao sentido de humor às vezes um pouco sarcástico, mas fino e extremamente típico de Allen. São filmes intelectualmente superiores e fica mal dizer que não se aprecia este tipo de filmes.

Há uns anos que o realizador não actua nos seus filmes, o que diminue, na minha opinião, a criatividade, peculariedade e até a empatia com os actores. Embora fosse fã de muitos dos seus filmes anteriores,não tenho apreciado muito os seus últimos filmes, não os vi todos, sequer. Acho-os chatos e vazios.

Ontem resolvi ir ver o último no Arrábida Shopping. Só paguei 3 euros, pois já tenho bilhete senior e a sala estava toda a minha disposição. Silêncio absoluto. Gostei.

O filme não me impressionou muito, fora as vistas de Paris by night and by day....Paris é sempre Paris, mesmo com chuva. A história é bem apanhada, mas deja vu - máquinas do tempo são velhas como o cinema - embora a reconstituição das épocas seja bem feita e as personagens tenham conteúdo. A ideia é patusca, mas não chega a captar o interesse dos espectadores, pois essas personagens entram e saem como as suas referências biográficas num abrir e fechar de olhos.
A concepção de que  outras épocas seriam hipoteticamente mais glamorosas do que o presente é muito duvidosa,
pois  sabemos que todas as épocas tiveram e têm pontos positivos e negativos. No fundo a personagem principal está apenas a fugir do seu futuro, que se afigura fútil, desinteressante e pouco produtivo profissionalmente. Foge da futura mulher e da sua família, não do presente em Paris.
Ao criar um alter-ego, por meio do actor Owen Wilson, Allen pretende devolver aos seu filme um elo essencial, que tem faltado nos anteriores, mas não consegue aquela densidade e credibilidade que a sua pessoa impôe quando actor.

Gostei de ver....mas não fiquei maravilhada.....

terça-feira, 27 de setembro de 2011

De novo o outono...e as bétulas

Quando frequentava a Paleta, o primeiro atelier, aprendi a trabalhar com pastel de óleo e fiz mais de trinta quadros, alguns de flores e árvores, pois a Natureza é o tema mais inspirador para quem está a começar.
Ao arrumar esses quadros, fiquei com uma certa nostalgia, houve quadros que ofereci no Natal de há três anos e que estão nas casas dos meus irmãos e sobrinhos e dos quais não ouvi falar nunca mais....infelizmente nunca me mandaram uma foto deles colocados na parede. Gostava de saber onde param....a culpa também é minha que raras vezes me desloco a Lisboa ou a Coimbra. Cada vez gosto mais de estar aqui nesta cidade e a sair, é para fora do país.


Um dos temas que mais aperfeiçoei foi o das bétulas, árvore que existe aqui no Jardim Botânico e que tem o tronco quase branco com sulcos negros, ao longe até parecem prateadas. Pintei uns seis quadros, que estiveram patentes ao público na expo do Vivacidade. São todos pintados a pastel.
Ontem resolvi voltar ao tema e fiz um quadrinho pequeno de que gosto, inspirado numa fotografia do outono. É mesmo figurativo e deu-me muito gosto a pintar. Não o fiz em pastel de óleo , mas em acrílico sobre tela.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Once upon a time

Antes de ter o blogue, dedicava-me muito a pintura em pastel de óleo, tendo até adquirido os melhores pasteis que conheço - os Sennelier - que me trouxeram de Paris e depois de Boston. Fiz muitas e muitas pinturas, algumas foram emolduradas para a exposição em Lisboa e depois na Utopia, outras foram guardadas numa pasta, que hoje voltei a ver.




É curioso como estas obras me falam duma época diferente, uma fase que ultrapassei e que é em tudo diferente do tipo de quadros que hoje faço. Não tenho muita paciência para o pastel de óleo e comecei a pintar quase só em acrílico. Também faço pintura abstracta, mais espontânea, com MDF, que é a minha base favorita, nunca mais pintei em papel...




Fotografei algumas das pinturas que considero mais originais.

Uma foi inspirada num quadro que a minha mãe tinha duma árvore e de que eu gostava muito.
Também pintei o departamento do MIT ( Massachussets Institute of Technology), o célebre Stata Center, onde o meu filho trabalhou durante meses.
A outra pretende retratar casas de Cotswold, região lindíssima perto de Londres.



São pinturas um pouco rudimentares, mas que deram bastante trabalho, muito mais do que as que faço hoje em dia. Gosto delas....como se se tratassem de fotos antigas...