sábado, 3 de dezembro de 2011

O FOGO

Hoje acendi a lareira pela primeira vez este ano. Já me tinha esquecido da beleza que é ver as pinhas entrar lentamente em combustão, brilhantes, vermelhas, passando depois o seu calor aos tarolos de lenha, que se resguardam, receosos de iniciar o seu processo de destruição.
Durante minutos sem fim, ouve-se como que uma música em surdina, um sopro de vento e os
estalos da madeira renitente à chama. Subitamente, um bailado initerrupto, enorme, espantoso, tremeluzente irrompe no meio do nada e uma sensação de bem estar

invade o ar.

Pouco faço...se não ouvir música de Bach baixinho...e olhar as chamas como que hipnotizada por tamanho milagre natural.

O fogo


Hoje acendi a lareira pela primeira vez este ano. Já me tinha esquecido da beleza que é ver as pinhas lentamente em combustão, brilhantes, vermelhas, passando depois o seu calor aos tarolos de lenha, que se resguardam, receosos de iniciar o seu processo de destruição.
Durante minutos sem fim, há como que uma música em surdina, um sopro de vento e os
estalos da madeira renitente à chama. Subitamente é um bailado initerrupto, enorme, espantoso, tremeluzente e uma sensação de bem estar que invade o ar.

Pouco faço...se não ouvir música de Bach baixinho...e olhar as chamas como que hipnotizada por tamanho milagre natural.

Tarde de sábado



É raro passar as tardes de sábado com os meus netos, pois são raros os momentos que eles têm para estar com os Pais e sempre achei que deveriam fazer algo em conjunto. Muitas vezes os mais velhos têm festinhas de anos ou outros eventos, vão ao cinema ou ao Palácio, recebem amigos e primos.
Hoje felizmente, tive-os só para mim até agora foi,
segundo o meu neto mais velho, maravilhoso. "Adorei Vóvó" diz tudo.
Este meu neto sabe-a toda e conquista-me facilmente. O segundo também estava entusiasmado com a ideia de irmos até ao "apartamento" ( departamento de Ciencias), onde ele tem a sua "oficina", com pedrinhas, paus, trevos em tufos e agora até cogumelos. Estava intrigado como é que em poucos dias os trevos tinham inundado o chão. Mostrei-lhe a raíz e expliquei-lhe que com a chuva tudo medra.
O jardim é lindo e costumávamos ir lá apanhar pinhas para a minha lareira. Agora já não há quase pinhas nenhumas, de modo que depois duma voltinha, fomos para o Botânico,
que fica ali ao lado. Estivémos lá uma hora a apanhar pinhas, a andar sobre troncos cortados e deixados como esculturas, a subir bem alto às árvores, a jogar jogos tradicionais, a lanchar, etc.

O tempo foi passando como se estivéramos no campo.
O mais pequenino delira com os paus, as pedrinhas, as árvores, é um miúdo virado para a Natureza e sente-se feliz nos espaços grandes.
O mais velho de vez em quando suspirava, mas alinhava em todas as brincadeiras que organizei: correr no labirinto, jogo de lenço ( que se passou a chamar jogo do ramo), escondidinhas, apanhada, etc. Voltei aos meus tempo de criança, muitos jogos fazem parte da minha infância e, como éramos muitos, nunca havia momentos de solidão.
Tirei algumas fotos diferentes do Botânico, que sempre me encanta.

Finalmente descobri o novo busto de Sophia Mello Breyner,
inaugurado a 6 de Novembro dia do seu aniversário, num dos jardins, um pouco escondido e sem grande beleza. Mas, pronto está ali, a lembrar que ela existiu e por ali deixou a sua pégada de criança feliz.

Em sua homenagem, aqui fica um poema

Quality time

É raro passar as tardes de sábado com os meus netos, pois são raros os momentos que eles têm para estar com os Pais e sempre achei que deveriam fazer algo em conjunto. Muitas vezes os mais velhos têm festinhas de anos ou outros eventos, vão ao cinema ou ao Palácio, recebem amigos e primos.
Hoje felizmente, tive-os só para mim até agora e foi, segundo o meu neto mais velho, maravilhoso. "Adorei Vóvó" diz tudo. Este meu neto sabe-a toda e conquista-me facilmente. O segundo também estava entusiasmado com a ideia de irmos até ao "apartamento" ( departamento de Ciencias), onde ele tem a sua "oficina", com pedrinhas, paus, trevos em tufos e agora até cogumelos. Estava intrigado como é que em poucos dias os trevos tinham inundado o chão. Mostrei-lhe a raíz e expliquei-lhe que com a chuva tudo medra.
O jardim é lindo e costumávamos ir lá apanhar pinhas para a minha lareira. Agora já não há quase pinhas nenhumas, de modo que depois duma voltinha, fomos para o Botânico, que fica ali ao lado. Estivémos lá uma hora a apanhar pinhas, a andar sobre troncos cortados e deixados como esculturas, a apnhar folhas, a subir bem alto às árvores, a lanchar, etc.

O tempo foi passando como se estivéramos no campo. O mais pequenino delira com os paus, as pedrinhas, as árvores, é um miúdo virado para a Natureza e sente-se feliz nos espaços grandes.
O mais velho de vez em quando suspirava, mas alinhava em todas as brincadeiras que organizei: correr no labirinto, jogo de lenço ( que se passou a chamar jogo do ramo), escondidinhas, apanhada, etc. Voltei aos meus tempo de criança, muitos jogos fazem parte da minha infância e, como éramos muitos, nunca havia momentos de solidão.

Tirei algumas fotos diferentes do Botânico, que sempre me encanta.

Finalmente descobri o novo busto de Sophia,
inaugurado a 6 de Novembro dia do seu aniversário, num dos jardins, um pouco escondido e sem grande beleza. Mas, pronto está ali, a lembrar que ela existiu e por ali deixou a sua pégada de criança feliz.

Em sua homenagem, aqui fica um poema

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FADO, PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Não sou apaixonada pelo FADO, apesar de ter nascido em Lisboa.

Lá, em adolescente, cantávamos muito em festas de jovens e havia quem se arvorasse em fadista, mesmo na minha família. A guitarra era um must nas reuniões da Capela do Rato e ali também se cantava fado do mais castiço.
Nunca fui a uma casa de fados na minha vida ( devo ser a única lisboeta que de tal se orgulha), embora houvesse cantores que me comoviam e ainda me comovem. Penso que o Fado tal como Fátima e o futebol são alienações da nossa Pátria, que não avança nunca mais e prefere o choradinho do passado, o mito das aparições e as glórias de Eusébio nos anos 60.

Posto isto, fico contente de que o Fado seja reconhecido internacionalmente, embora preferisse que fosse outro o alvo de tal honra.

Fui procurar nos arquivos do Youtube, um fadista que sempre adorei. A sua voz é única e incomparável: João Braga. Aqui canta em honra duma cantora portuguesa, que essa é, sem dúvida, a MAIOR de todas.

Fica aqui a minha homenagem à canção da minha terra.

No reino dos castanhos

Nestes dias pintei dois quadrinhos - do tipo decorativo como lhes chama o meu amigo Paulo - mas ficaram artísticos e gosto dos tons, para variar dos azuis. Fazem-me lembrar uns maples que havia na minha casa de criança, com tons parecidos em cretone, tipo inglês. Vi-as bem numa daquelas casas vitorianas do Yorkshire....:)). São puro abstracto.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Freud vs Jung

Sempre gostei de Filosofia e ainda estudei alguma coisa na FLUP para lá do que nos debitavam no secundário, filosofia de pacotilha, tudo baralhado, sem grande conexão. Na Flup tive uma cadeira de Introdução à Psicologia, bastante útil para a via que acabei por escolher.
Acredito na Psicanálise, nas conversas no divã, no papel dum bom psiquiatra ou psicólogo. Nunca fui a nenhum por minha conta, mas já contactei com pessoas maravilhosas nesse ramo e sei de resultados surpreendentes conseguidos apenas através do diálogo e medicação.


O filme que fui ver contrapôe as teorias de Freud e de Jung, colegas na investigação, mas nem sempre de acordo quanto aos meios a usar para libertar os pacientes através da quebra de tabús e da expressão dos seus instintos e repressões.
Não vou contar o filme pois tiraria todo o interesse aos proximos espectadores. Gostei do "approach" de Cronenberg, um realizador de que não gosto especialmente. O filme é um pouco teatral e não muito rebuscado em termos de recontituição da época, achei-o bem mais interessante a nível do diálogo e da interpretação das personagens principais,
entre as quais a linda Keira Knightley, que é uma das minhas actrizes inglesas favoritas. A intelectualidade do tema deve escapar a algumas pessoas incautas, que esperem outro tipo de filme.

Fica aqui o trailer:

domingo, 27 de novembro de 2011

Há horas felizes

Hoje voltei à Foz, ao meu poiso, onde as gaivotas já me conhecem :) e onde passo alguns dos momentos mais belos da minha vida, agora que já nada me impede de sair sozinha ao Domingo à tarde, de fazer o que me apetece, sem planos, apenas com os objectos que me fazem falta: máquina fotografica, Ipod e telemóvel ( este não me é indispensável....mas convém tê-lo à mão).
Estava uma daquelas tardes de sonho, em que tudo parece belo, até as pessoas que se acotovelam na
estrada a olhar para o mar, sem ousar descer até à areia, que é onde se sente verdadeiramente a frescura, o cheiro e o pulsar das ondas e da espuma.

Levei para ler "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro. Genial. Perfeito para o dia de hoje. Um livro que nos ensina a não pensar quando nos quedamos em frente às coisas belas da Natureza. Devemos deixar-nos impregnar por elas por osmose, sem usar o cérebro, apenas os sentidos...
Estive ali duas horas a olhar para um surfista no meio do mar,
para
as gaivotas meias-loucas que tanto invejo, e para a "minha" rocha vitimizada por uma crueldade salgada quotidiana, que a deixa muda, lisa, cada vez mais pequena e à mercê da fúria do mar.

Há horas felizes...e há momentos em que sinto que que poderia morrer devagarinho, acabar em beleza, se não fora a minha incapacidade de fazer o que Caeiro aconselha: deixar de pensar.

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…

Há horas felizes

Dantes era o pregão dos vendedores de lotaria, pelas ruas de Lisboa...

Mas é que as há mesmo, e devemos aproveitá-las ao máximo.

Hoje voltei à Foz, ao meu poiso, onde as gaivotas já me conhecem :) e onde passo alguns dos momentos mais belos da minha vida, agora que já nada me impede de sair sozinha ao Domingo à tarde, de fazer o que me apetece, sem planos, apenas com os objectos que me fazem falta: máquina fotografica, Ipod e telemóvel ( este não me é indispensável....mas convém tê-lo à mão).

Estava uma daquelas tardes de sonho, em que tudo parece belo, até as pessoas que se acotovelam na estrada a olhar para o mar, sem ousar descer até à areia, que é onde se sente verdadeiramente a frescura, o cheiro e o pulsar das ondas e da espuma.

Levei para ler "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro. Genial. Perfeito para o dia de hoje. Um livro para nos ensinar a não pensar quando nos quedamos em frente às coisas belas da Natureza. Devemos deixar-nos impregnar por elas por osmose, sem usar o cérebro, apenas os sentidos...

Estive ali duas horas a olhar para um surfista no meio do mar, as gaivotas meias-loucas que tanto invejo, a rocha vitimizada por uma crueldade quotidiana, que a deixa muda, lisa, cada vez mais pequena...

Há horas felizes...e há momentos em que sinto que que poderia morrer, acabar em beleza, se não fosse a minha incapacidade de fazer o que Caeiro aconselha: deixar de pensar.

sábado, 26 de novembro de 2011

Folhas de outono

Hoje já se podiam apanhar folhas de outono com sol. Há dias quis apanhar algumas, mas estavam demasiado húmidas e mesmo quebradas da água que impiedosamente caiu. Dois dias de sol é quanto basta para as folhas cairem e se quedarem ilesas no pavimento até que um transeunte ou animal as espezinhe, amachuque e destrua para sempre...beleza tão efémera que não dispenso.
Lembro-me de a minha Mãe se queixar de Lisboa, dizendo que havia demasiadas árvores de folha perene à volta e quase não se dava pelas mudanças de estações. Era uma queixa um pouco infundada, porque sempre vivemos rodeados de tílias, choupos, árvores de fruto no meio de pinheiros, eucaliptos e cedros, esses sim, de folha verde permanente.Mas é verdade que, quanto mais norte, mais caem as folhas e mais bonito é o outono...

Aqui não me posso queixar...aliás, a maior parte destas árvores à volta já estão despidas e entrevejo alguns prédios que preferiria não ver. A Casa Andresen tambem já voltou ao vermelhão, que considero um erro, pesado e triste, sobretudo no inverno.

Mas, como ia dizendo, hoje já se podiam apanhar folhas do chão e fi-lo ao vir do café. Pu-las debaixo duns livros pesados durante uma hora, foi suficiente para ficarem prensadas, sem perder as cores lindas do ácer, que ainda parece florido da minha varanda.

Resolvi colá-las em papel próprio para pintar em acrílico, usando o gel de impasto. Durante algumas horas assim estiveram presas ao papel, como borboletas que já não podem voar..
Depois pintei-as num fundo a condizer, mistura de azul prussiano ( sempre ele), amarelo de Nápoles e ocre. A colagem ficou praticamente pronta, só falta aplicar-lhe algum verniz.


E para acompanhar música eterna numa interpretação transcendente do ADAGIO TRIO: