terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Musica da velha Rússia

Ontem fui a um espectáculo diferente na Casa da Música com o meu ex- e a minha filha. Prometia: coros, orquestra e bailados do exército de S. Petersburgo. Muito esplendoroso, com pedacinhos de tonalidade eslava, cantados por homens, sussurrados como os barqueiros costumam fazer, assobios, ritmo alucinante, elasticidade dos movimentos, cores garridas e solistas de voz potente. A Casa da Música aqueceu - é uma das salas mais frias que conheço, apesar de linda - e as tantas já todos batiam palmas ao ritmo da balalaika. Uma experiência única e bastante excitante. Talvez não tão fulgurante como esperava, mas mesmo assim interessante e agradável.

Como diz a publicidade ao evento:

Cem artistas, deslumbrantes vestuários, impressionantes coreografias, um coro imponente de vozes masculinas, fazem do "Exército Russo" uma apaixonante viagem à Rússia Ancestral. A origem dos conjuntos de Coros e Danças do Exército Russo remonta às guerras mundiais, quando estas formações levavam canções de amor e esperança aos soldados do fronte e aos hospitais. Após a chegada da paz, aquelas vozes e muitas outras converteram-se num dos espetáculos russos mais aplaudidos do mundo.
O Coro, Ballet e Orquestra do Exército Russo de São Petersburgo,
integra uma centena de artistas, e constitui uma das melhores representações do folclore e da arte vocal e coreográfica da Rússia.O Ballet, com deslumbrantes vestuários e originais coreografias, apresenta danças que falam da vida
agrícola, de amor e de batalhas enquanto a Orquestra, que é composta por 30 músicos, nos traz a música das populares balalaikas e acordeões.


Fica aqui a melodia mais conhecida: KALINKA.

O exército russo

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dia de Natal

Há uns anos que o meu dia 25 é assim: calmo, sereno, passado em casa com o cheiro do cozido e das rabanadas da véspera, música já menos natalícia e mas sempre calma, filhos solteiros por aqui, lareira acesa, pinhas vermelhas e a crepitar...
Penso com nostalgia , mas também com alívio, nos dias de Natal de antigamente, quando depois da consoada com bacalhau na minha casa, saíamos de manhã pelas 11 do Porto, parávamos na Mealhada para almoçar - o leitãzinho era sagrado e o meu marido adorava aquela cerimónia - chegávamos a Lisboa pelas 4, dirigíamo-nos a casa da minha Mãe, onde ainda só estavam algumas pessoas da família. A minha Mãe e a minha Avó, que viveu até aos 94 anos, gostavam das minhas rabanadas e eu fazia uma calda para deitar por cima, pois já estavam um pouco secas. Bebíamos uma chazada. O chá do grande bule beige parecia diferente dos chás que se bebem por aí...ou então era a minha saudade da Índia, latente nos meus genes, que me fazia bebê-lo com mais prazer.
Aos poucos, a casa ia-se enchendo de gente, manos e manas, sobrinhos, namorados por vezes, bébés pequeninos que eram arrancados ao sossego de repente e confrontados com os seus parentes barulhentos e a algazarra inerente, as prendas que enchiam metade da sala à volta do pinheiro enfeitado pelo meu irmão mais novo, os beijinhos, as conversas de ocasião, as roupas bonitas, os risos e os choros...
O jantar era lauto com iguarias trazidas por todos, nunca faltando a sopa de peixe da minha irmã e o caril de porco, assim como a tarte da Anke ( espécie de mars em bolo), que fazia as delícias dos primeiros que a conseguiam comer.

Depois tínhamos a cerimónia das prendas, que levava quase duas horas pois todos gostávamos de ver o que cada um recebia ou dava. Tornava-se uma pasmaceira um pouco ridícula e a pouco e pouco, fomos encurtando e simplificando a logística da troca.
Por vezes havia discursos, a minha Mãe fez o último em 2002, falecendo em Maio de 2003. Insistira para que a festa ainda fosse em sua casa e nós fizémos-lhe a vontade, talvez já com um pressentimento de que seria o último.
Não apreciava muito estar com a família toda reunida e havia sempre picardias, choros ou desentendimentos - como nos filmes de Woody Allen , nada do que parece é - sentia sempre grande desilusão, pois fora criando uma imagem da família diferente na minha imaginação... e a realidade e, sobretudo o meu afastamento, tinham-me marcado indelevelmente.
Depois de dois dias em Lisboa, estava ansiosa por voltar ao Porto, ao meu lar, ao sossego da minha família pequenina...a viagem de regresso era diabólica...mas
ainda tinha uns dias de férias e o Natal, felizmente, já era...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Christmas cards

Já lá vai o tempo em que as pessoas comunicavam no Natal através dos correios tradicionais e de forma mais cuidada.Ainda me lembro das horas que os meus pais passavam sentados na mes da sala de jantar a escrever a todos os seus amigos estrangeiros e de irmos ao correio na véspera de Natal.
Hoje contam-se pelos dedos os cartões de BF que recebo todos os anos e muitos deles são de bancos, lojas ou editoras, sem grande significado, nem texto, muitas vezes quase só publicidade.


Hoje recebi um que me comoveu especialmente porque veio da Alemanha duma amiga que foi professora dos meus três filhos no Colégio Alemão e com quem trabalhei em projectos Comenius mais tarde, e que ainda se dá ao trabalho de comprar um cartão bonito, escrevê-lo em Português que ela não domina, pois só viveu cá cinco anos, e trazer-me um sorriso que os anos não a fazem perder. Fiquei comovida e puz o cartão em lugar de destaque, num passepartout que trouxe de Leeds e que coloco sempre em cima da lareira, como podem ver.

Entretanto tenho recebido múltiplos emails a responder ao convite que enviei para a expo de fotografia, receio que o Vivacidade não tenha espaço para tantos amigos meus...alguns são umas sumidades do Woophy, que tiram fotos espectaculares, muito melhores que eu alguma vez ousarei tirar.

É bom sentir o calor dos outros nesta época de Natal.

Christmas cards

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O presépio

Fiz ontem o meu presépio, antes de a minha filha chegar de Leeds. Queria ter tudo lindo para ela ter uma surpresa ao entrar na sala ( de olhos fechados). Os meus filhos ainda gostam destas coisas e enquanto eu puder, sei que vale mais do que as prendas que eventualmente lhes dou.

Há quase 40 anos que é assim, sou sempre eu que enfeito a casa e se não a tinha enfeitava a dos outros, como aconteceu quando andei pela província. Muito me custa estar numa casa vazia de natal...nisso sou completamente infantil, adoro o ambiente, o cheiro das velas, a caruma e as pinhas que ainda hoje fui apanhar ao botânico e que estão cheias de resina. Dantes até tinha sempre um pinheiro a sério, mas ja há dois anos que faço a árvore com um artificial e o efeito não é menos bonito. Nunca gasto dinheiro em enfeites, apanho folhas, pedrinhas, ramos de pinheiro aqui da rua e com algumas folhas de cameleira, armo o local onde vou pousar o estábulo e as figurinhas antigas, que comprei quando vim para o Porto há 32 anos. Sóo musgo é que é comprado e vem bem fresquinho ainda verde a cheirar a montes.

Também gosto de pequenos bibelots, anjinhos, pais natais, bonequinhos comprados nos bazares do Colégio Alemão ou do Clube inglês, feitos à mão.

Visto-me de vermelho, oiço Christmas Carols e sinto o Natal a sério. Boas Festas!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Expo: Jogos de Luz

Hoje fui buscar as 30 fotografias que mandei imprimir e encaixilhar para a minha primeira exposição de fotografia.
Tinha duvidas em aceitar esta proposta do Vivacidade. Mas depois de as ver, penso que não me envergonham:)

Comecei a tirar fotografias com uma máquina que podem ver aqui. O meu Pai ofereceu-ma e durante anos tirei fotos 6x6
a cores e a preto e branco, colocando as fotos em albuns. Os meus filhos adoram folheá-los e verem as suas poses desde que nasceram até à adolescência. É claro que, a certa altura, comprei uma máquina mais prática, uma Olympus, que já tirava rolos maiores e fotos 10x15. Usei-a muitos anos porque não tinha dinheiro para comprar uma melhor.
Nos anos 90, um fotógrafo da Porto editora propôs-me a compra duma Canon EOS-50. Foi a minha coqueluche. Adorava esta máquina e como viajava bastante, as melhores fotos que tenho foram tiradas nos Alpes, em Munique, em Veneza,
onde passei dois dias maravilhosos, em NY.
Também viajei para terras exóticas como a Tunísia, Egipto, Israel, Petra, etc., e fiz albuns que me fazem recordar esses locais como nenhum outro documentário. Nem todas essas fotos estão digitalizadas. Para melhorar ainda mais a minha performance, comprei uma teleobjectiva que alcançava uma distância excelente e podia tirar fotos de muito longe.
Já nos anos 2000 comprei então uma Canon digital, pequena, com a qual tirei fotos excelentes, muitas delas estão ainda no portfolio do Woophy e é facil para mim ir á buscá-las. Tenho mais de 1500 fotos nesse maravilhoso site.
Há dois anos, enamorei-me pela Leica digital, que é um pouco melhor do que a Canon. Considero-a um dos meus bens mais preciosos e faço experiências múltiplas com ela. Tem uma definição extraordinária. Esta exposição é um exemplo disso. A colagem
acima consta do convite.
Estou feliz. Mas mais estarei no dia 5 de Janeiro quando vir as minhas fotografias. expostas e os meus filhos e netos a fazer música para mim.