quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Gustav Leonhardt

Faleceu há dias o maestro, musicólogo e intérprete holandês Gustav Leonhardt.
Encontrei na Wikipedia esta informação, que é muito mais completa na versão inglesa.


Gustav Leonhardt - 30 de maio de 1928-Amesterdão, 16 de janeiro de 2012 - foi um consagrado tecladista, maestro, musicólogo, professor e editor holandês.
Leonhardt foi um dos líderes do movimento que prega a execução da música clássica em instrumentos de época.
Entre os instrumento de teclado nos quais ele se celebrizou estão o cravo, o órgão, o claviorganum, o clavicórdio e o fortepiano.
Em Portugal, era uma presença regular, da Casa Mateus, em Vila Real, à Gulbenkian, em Lisboa, passando pelo Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim.


Infelizmente nunca tive ocasião de o ouvir, mas a discografia que deixou é imensa. Vai aqui uma listagem só para exemplo:

The art of fugue, Bach's last harpsichord work (Nijhoff, 1952)
In Praise of Flemish Virginals (in Keyboard instruments, par Edwin Ripin and all., Edinburgh University Press, 1971)
Amsterdams Onvoltooid Verleden [Amsterdam's unachieved past], Architectura & Natura, Amsterdam, November 1996
« Glanz des alten Klavierklanges » (sleeve text for « Gustav Leonhardt an historischen Cembali », BMG)
About l'The art of fugue (sleeve text for recording Deutsche Harmonia Mundi, 1969)
« Introduction », in Early Music, vol. 7, No. 4, Keyboard Issue 1 (oct. 1979)
« Points d’interrogation dans Froberger », in Hommage à F.L. Tagliavini (Patrone Editore, Bologna, 1995
Het huis Bartolotti en zijn bewoners [Bartolotti's house and its inhabitants], (Amsterdam, Meulenhoff, 1979)


Vale a pena comprar CDs destes, pois são verdadeiras obras de arte! Fica aqui uma das peças mais lindas que conheço e que existe para todos os instrumentos: Chaconne BWV1004 , tocada no címbalo por este portentoso artista.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Art Nouveau ao som de Elgar

Há tempos fiz um quadro em tons de lilás e azul, que ficou muito especial. Tinha um misto de futurista e de gótico e o efeito com a moldura era lindo. Ofereci-o no Natal a uma pessoa que me é muito querida e ela, segundo me disse, pintou uma parte da parede da sala a combinar com o quadro, tal foi a alegria de o receber.

Hoje encontrei, por acaso, a fotografia do mesmo aqui nos arquivos e tive vontade de usar as mesmas cores num quadro diferente.

Usei impasto para dar a textura que desejava e ainda os tais vidrinhos minúsculos que dão à tela um efeito magnético.

Antes de ir para a fisioterapia, dediquei-me a lançar a tinta muito líquida sobre a tela, em cores muito enigmáticas e frias: branco, azul, violeta, que misturados criaram outros tantos tons maravilhosos.

Quando vim da fisioterapia, olhei para o quadro e gostei, mas precisava de mais branco, estava um pouco escuro demais, apliquei branco diluído e mais violeta. Deixei secar e só agora duas horas mais tarde o fotografei ainda sem verniz que dará o toque final.

Parece Art Nouveau, faz-me lembrar livros que havia em casa da minha Avó cujos inícios de capítulo eram decorados com ilustração muito rebuscada a negro.

Entretanto, pus-me a ouvir um concerto que adoro desde há muito: Concerto para violoncelo de Elgar, que já aqui mencionei a propósito de Jacqueline Du Pré, a violoncelista inglesa que morreu muito nova , mas deixou um legado imortal.

Ficam aqui os dois quadros e o concerto em questão:





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os nenúfares

Hoje voltei ao Botânico. Necessitava de ar puro e apetecia-me andar, ver algo bonito como as camélias ainda em botão que se preparam para desabrochar na Primavera.
O jardim está desolado, sem flores de espécie nenhuma, as árvores sequiosas, mesmo sem folhas, nota-se nos ramos esguios a secura que tem assolado o país.
Os lagos de nenúfares pareciam sarcófagos gigantes e redondos. Se não foram os reflexos das árvores e arbustos na água lodosa, até julgaria que estavam vazios. Que desolação...

Sei bem que é inverno. Ainda não há nenufares.
Só há raízes que estão no fundo dos lagos. As sementes ainda não germinaram, as folhas estão escondidas e flores virão mais tarde ainda. É assim o ciclo da vida das plantas e se gostamos delas, temos de as respeitar. As estufas permitem outras veleidades, mas gosto de ver as plantas desenvolverem-se naturalmente, sem habitats artificiais.
Para "matar saudades" coloco aqui algumas fotos que tirei
em diversas épocas do ano e umas pinturas de Monet, o pintor que mais tempo dedicou a esta bela flor.
Já não falta muito para a Primavera, é o que vale. Em breve veremos flores nas camélias japónicas que inundam o jardim...não custa esperar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Floresta impressionista

Ontem resolvi destruir uma pintura que tinha feito há semanas sem grande sucesso. A textura é espectacular, mas o quadro ficou monótono e desinteressante.
Peguei num pincel e tapei tudo com acrilico branco não muito espesso, só o suficiente para atenuar a cor do fundo.A partir daí, escolhi um dos meus motivos favoritos, bem real, árvores, folhas, floresta, tudo com acrílico aguarelado, em cores pastel, muito líquido, de modo a que as cores se misturaressem entre si. Gosto do resultado. Nunca tinha feito nada assim. A textura é diferente.

É mesmo impressionista...pelo menos aos meus olhos.

Os Descendentes

Não escrevi nada no fim de semana. Não estava para aqui virada.

Fui ver o filme "Os Descendentes".
Interessante. Relações humanas numa família que sofre um desaire súbito quando menos o espera. Surpresa, choque, adaptação à nova situação, fragilidades das relações conjugais, cumplicidade pais-filhos, conflito de gerações, tudo isto aparentemente antagónico tratado com delicadeza, mas sem grande profundidade,
numa toada um pouco cor de rosa, mas não demasiado lamechas.
O meu ex- costumava dizer ironicamente que os americanos sofrem muito, mas sempre com grande conforto!! Foi o meu comentário silencioso no fim do filme.
Fui sozinha e gostei da experiência. Mas não é filme que veja outra vez, não me fez vibrar muito, nem chorar.George Clooney, que interpreta bem o papel, só me lembra o Nespresso, que uso todos os dias. É pena, mas para mim, que tenho uma memória visual quase doentia, ficou mesmo queimado , como aquelas peças musicais lindíssimas que as orquestras de música ligeira tipo James Last ou pianistas como Clayderman transformam em clichés banais, sem falar de "cantoras" como a Ana Faria que ganhou balúrdios cantando leitmotifs de música clássica com letras ridículas para crianças e assassinando muitas peças carismáticas como O Lago dos Cisnes ou a Barcarola de Oberon. Os meus filhos adoravam....mas eu achava um sacrilégio.
A paisagem é a parte mais bonita do filme, o Hawai espectacular e acolhedor, uma mensagem ecológica que passa bem.
Ando um pouco blasée de filmes americanos, tenho visto poucos filmes de que goste muito este ano, ficam sempre aquém do que espero. Devo esperar demais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um sonho tornado realidade

Falei-vos há tempos dum livrinho que o meu irmão mais novo queria mandar fazer. Nele incluiria alguns quadros meus e poemas ou textos dele sobre o tema MAR.

O meu irmão é pior que eu quando tem uma ideia. Meu dito, meu feito.

Já cá tenho o livro, mandado fazer na Fotosport, como se dum album de fotos se
tratasse. O aspecto é o de um livro, as páginas são em papel couché, suave ao tacto, a capa azul escura muito bonita, as letras bem escolhidas, os poemas lindíssimos.
As fotos dos quadros foram todas tiradas por mim e talvez merecessem melhor tratamento, algumas estão um pouco ampliadas demais e daí a desfocagem, outras talvez mal combinadas ( na minha opinião e sou muito exigente em matéria de fotografia), mas duma maneira geral é um livro
que me dá orgulho, sobretudo porque é dos dois, com criação mútua e expressando grande amor fraternal.

Ainda tenho de o folhear melhor....e habituar-me à ideia de que as fotos não são pinturas...quanto aos poemas, eles falam por si, transparentes, simples e sentidos como os olhos cor de mar do meu Irmão.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Hoje chove

E estranhamente o mundo silenciou nas ruas do Porto. Parece que se abateu sobre os transeuntes uma peste qualquer que os impede de falar alto - comme d'habitude - rir, andar despreocupadamente. Só se vêem semblantes carrancudos por baixo dos guarda-chuvas, como se a chuva fosse tóxica ou estivesse carregada de maus presságios. O contraste com a mente soalheira e até chocarreira dos dias anteriores é total. No café, a conversa é sempre a mesma:" O Real não vai lá ... coitado do Mourinho!" Coitado, porquê?

No shopping onde fica o meu cabeleireiro perguntaram-me : "Está a chover???" quando me viram encharcada ( não levara nada para me proteger, nem sequer carapuça ) e depois de ouvirem a confirmação, responderam : "Que seca!" ( o contrasenso mais completo que conheço na nossa língua).

Andei pela lojinhas do shopping, Bulhosa, Carlin papelaria, PRT, etc., mas só comprei uma bisnaga de acrílico, carvão para desenhar e papel vegetal...e um chapéu de chuva minúsculo, mas bonitinho, que fica bem com o meu kispo. Olhei para o meu reflexo na montra e estava engraçada, com o cabelo bem mais curto, botas de estivador, calças metidas nas ditas cujas e um ar diferente. Um ar britânico. Só me faltavam aqueles plásticos de pôr na cabeça que as velhotas usavam dantes.
Bendita chuva...as plantas agradecem e eu tb, quanto mais não seja para mudar de visual....

Ontem pintei este aguarélico ( aguarela+acrílico): Não está nada de especial mas rima bem com a outra do mesmo tamanho. Foi inspirada por uma foto duma revista francesa sobre La Camargue.


Parece que já adivinhava que ia chover....

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mosaicos de tela

Já há uns tempos que ando a fazer mosaios de tela, ou seja, pinturas quadradas do tamanho dum mosaico, a que o meu Amigo Paulo chama decorativo. E é.




Colocadas na parede, mesmo um pouco tortos :), ficam bonitos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sonho em tons de pastel

Hoje tive pela primeira vez a imagem completa dum quadro na cabeça antes de me sentar para pintar. Ia ser tipo aguarela, em tons muito ténues, uma paisagem a perder de vista, verde e amarelada, com árvores tão pequenas que mal se distinguiriam no horizonte. O céu plúmbeo, mas suave.

Foi isto que eu "sonhei":

E música dos Radiohead, cuja letra é um libelo contra a cidade, a tensão e a vida em geral, o contraste perfeito desta paisagem.

Mudança de visual

Ando numa fase criativa....tenho desejo de mudar, de experimentar e de ver; a fotografia ou a pintura satisfazem-me nessa procura.
Mudei de novo o cabeçalho do blogue, colocando a fotografia dum quadro que fiz há meses e que me encanta pois tem qualquer coisa de ilustração para livro infantil e cores muito apelativas.
Para já ficamos com o mar e no mar. Com muita COR e MOVIMENTO.