segunda-feira, 16 de julho de 2012

Maré baixa

Tenho andado numa maré muito baixa....mesmo à beira da tristeza.

Isso deve-se a factores incontroláveis na minha vida e às vezes a atitudes dos filhos para com os Pais de que eles nem se apercebem. A nossa vida depois duma certa idade é insignificante para os jovens adultos, que se acham no topo do mundo e pouco valor dão a quem já passou por isso tudo com as mesmas dificuldades - ou mais - com o mesmo desejo de independência e ambição de conseguir atingir metas altas. Já passámos à História.

Hoje o dia está de sueste....como se diz no Algarve,  o vento de leste sopra forte de manhã e depois fica um calor abrasador e insuportável, bom para que vai para a praia  - é o caso da minha filha - mas terrível para quem anda na cidade. Na Praia da Luz é o Levante com o mar a ondular e a turvar....que saudades tenho da praia....




Fui ao Froiz, o meu supermercado predilecto e às 4.30, terei tudo aqui na minha cozinha. É uma maravilha. Só andar uns metros cansou-me muito, ando com dores a sério no joelho e nas costas. Não sei a que se deve, pois não fiz grande esforço.
O Cidade do Porto estava vazio, as lojas com saldos de 50%, não devem fazer grande lucro. Livros nada de novo...são sempre as mesmas capas, os mesmos autores, os mesmos temas....

Da janela só vejo verde....verde...raiado pelo sol...e lá em cima as telhas avermelhadas da Casa Andersen que no Verão mal se vê.  O céu demasiado azul para meu gosto.



Amanhã é novo dia....a maré subirá...

domingo, 15 de julho de 2012

Domingo sem história

Ainda estou a viver os momentos que ontem passei no Palácio de Cristal...as fotos falam por si e confirmam a beleza desta cidade, que pode ter muitos defeitos e carências, mas não deixa de me encantar pela facilidade com que nos oferece cantos e recantos magníficos para a nossa imaginação e também para nos evadirmos do quotidiano que às vezes é tão deprimente.

Hoje dediquei-me a arrumar roupa...descobri alguma que já deve ter mais de 20 anos e que todo os anos guardo, ou porque me relembra aquele casamento ou aquela festa, ou porque gosto do material e da cor ...ou porque nos meus sonhos espero um dia voltar a vestir.
Tudo pura ilusão. Há roupas que se usam uma vez e que nunca mais temos ocasião de repetir. Fiz um molho de roupa para dar. Felizmente tenho quem a queira sempre e fico contente com isso, mesmo que não saiba para que fim se destina. O que não quero é ter o armário cheio de tralha que não me serve para nada, mesmo que esteja repleta de recordações.

Tem estado um tempo magnífico com um céu azul sem nuvens....hoje nem sequer há vento. Adoro este ar lavado dos Domingos, quase sem carros, com uma avenida muito mais silenciosa do que é habitual.
Sinto-me bem...sem stress...


Fica aqui um quadro que fiz em 2009 a pastel de óleo e a que chamei _ Palácio de Cristal.

E mais uma canção dos Beach House, que me encantam neste momento e se coadunam totalmente com o meu estado de espírito.




MYTH


Drifting in and out
See the road you’re on
You came rolling down the cheek
You say just what you need
And in between
It’s never as it seems
Help me to make it
Help me to make it
If you built yourself a myth
You'd know just what to give
What comes after this
Momentary bliss
The consequence
Of what you do to me
Help me to make it
Help me to make it
Found yourself in a new direction
Aeons far from the sun
Can you come?
Would they come to breach you?
Let you know you’re not the only one
You can’t keep hangin' on
To all that’s dead and gone
If you built yourself a myth

Boa semana!

sábado, 14 de julho de 2012

Turismo romântico no Porto

É maravilhoso ser turista nesta cidade, numa bela tarde de sol e com a companhia da minha filha.

Saímos pelas 13 e apanhámos um autocarro para o Palácio de Cristal. De cristal nada tem, parece mais a carapaça duma tartaruga ao sol, verde e lânguida....mas o jardim à volta é cristalino e lindíssimo, cada recanto encerra um mistério, anos e anos de gente , novos e velhos que por ali passaram, ali sonharam, ali descansaram, escreveram, namoraram e envelheceram.

Fui lá pela primeira vez em 1968, ainda durante o namoro com o meu ex-, numa breve estadia minha aqui no Porto. Fomos lá até ao fundo do jardim e lembro-me do beijo que ele me deu em dada altura....via-se o rio muito azul e o arvoredo abraçava-nos e aplaudia. Não era muito habitual termos demonstrações em público, éramos muito discretos, mas o local pedia romantismo...

O jardim é rebuscado, com zonas de flores muito bem cuidadas, muros de granito cheios de líquenes e amarelecidos pelo tempo e de repente, se descermos umas escadinhas, descortinamos o rio azul, a jogar às escondidinhas connosco, aparecendo e desaparecendo por entre o arvoredo. Fez.me lembrar Heidelberg, o Philosophenweg, onde se vê o rio por entre a neblina e o castelo envolto em mistério.

As pessoas são felizes ali. É impossível não o ser. As crianças brincam com a água dos lagos ou nos parques, os pais sentam-se a descansar, a vida parece que parou no tempo, num século que não conhecia a internet, nem os telemóveis ( milagre, não vi ninguém a telefonar)...

No restaurante - que é mauzito q.b. - há um self-service, mas já esgotaram os pratos todos e levam horas a produzir algo que se coma....mas a sopa está boa e a sala (protegida dos pavões e gaivotas esfomeadas) é muito agradável.
Como é possível num sítio destes não haver um restaurante decente? O catering é do pior que tenho visto e segundo dizem, serve mais outros tantos locais que nem ouso mencionar aqui. O que vale é que a beleza e a paz do local compensam isso tudo.

Ao sair do Palácio, dou com uma Galeria - a Vantag -  que há muito queria visitar, já em tempos tive-a aqui anunciada e hoje vou voltar a pô-la. Quem me falou nela foi o meu amigo Miguel do Woophy quando ela abriu e publicou um livro de fotografias muito bom.

A visita foi a cereja no topo do bolo. O local é cosy, a rapariga foi uma simpatia, estive a ver fotografias  e sobretudo a conversar de tudo e de nada, tomando um café pelo meio. É bom encontrar assim pessoas com nível e que sabem receber. Vou lá voltar. Parece que tem uma segunda galeria em Miguel Bombarda, onde irei ver uma exposição mais completa.

Fica aqui um vídeo promocional que encontrei no seu site.



Tarde bela de verão. Ainda há muitos locais onde se pode estar no Porto. Não há multidões, há paz , serenidade, desejo de solidão e de verde, muito verde, que estará ali até ao próximo século para alegria dos vindouros.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mudança de visual

Ando numa fase criativa e aborrece-me olhar sempre para o mesmo cabeçalho do blogue....:)

Este acima é um excerto dum quadro grande - 80x90 - de que gosto muito.

 Já não faço um quadro destes há muito, já que tenho uns seis e nunca os vendi.
Em conversa com um Amigo , ele disse-me que os meus quadros no blogue pareciam grandes...mas respondi que são pequeninos, muitos deles só medem 15x15cm. Gosto deles na mesma. E há quem prefira ter um pequenino na parede.


Ando com saudades de fazer algo grande , mas precisava de ter um atelier gigante onde pudesse espalhar tudo sem risco de sujar alguma parede ou móvel. No quarto que destinei para isso falta-me espaço, até porque muitos deles são pintados com acrílico muito diluído e não posso pô-lo num cavalete, tem de ser no chão ou numa mesa grande.


Invejo os artistas que têm uma garagem enorme a dar para um jardim...sou modesta, só queria poder criar algumas obras como vejo os grandes pintores - o David Hockney e o Monet - a fazê-lo!!

Mas cada vez mais a Arte é só privilégio de alguns...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Num cinema proximo de si

Não é tão próximo assim...mas nestas tardes de verão que se alongam até ao infinito, às vezes sabe bem estar umas horas no escuro mágico duma sala de cinema quase vazia a ver um filme francês. Por sete euros, a minha filha e eu mergulhámos na fábrica dos sonhos.

Os filmes franceses são tão diferentes dos americanos que a história que vi hoje teria sido completamente diferente se o filme tivesse sido produzido nos states.

Personagens , caras , diálogos , perspectivas , mentalidades , paisagens , sensibilidade diferente., ritmo diferente...tudo diferente!

La Delicatesse não é uma obra prima, mas são duas horas bem passadas num outro mundo , onde a história é outra e onde os sentimentos se espreitam, se sugerem e se escapam sem fazer grande alarde.
Vidas plausíveis, atitudes verosímeis, evolução lógica das pessoas normais do nosso quotidiano. Não há dramas, nem conflitos, nem grandes cenas. Mas convence-nos e atrai-nos na sua simplicidade.



Gostei muito. E nem sequer sou fã da Audrey Tatou!

Que bom é variar do xarope americano e beber um belo tinto francês!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

NÂO à Política

Mais uma vez uma desilusão enorme com este debate : Estado da Nação.



Decidi ver o programa de fio a pavio, mas a meio desliguei porque a repetição se torna cansativa. Dum lado é sempre a agressão, do outro as desculpas.
Nada de novo.

Ninguém é capaz de ceder, de dar o benefício da dúvida, de revelar sentido de estado, a oposição parece ter engulido um vídeo e debitar sempre o mesmo. Queria saber como solucionariam os problemas  - alguns já sabemos de gingeira - sem cortar nas despesas do estado. Já há anos que o desperdício com a saúde, a educação e outros tem sido enorme. Basta ver o que gastaram em escolas, que hoje em dia, são ainda mais difíceis de gerir, dadas as despesas incomportáveis a que estão sujeitas. Como é que os anteriores governantes têm lata para vir atacar?

Gostava de saber se estes deputados estariam dispostos a sacrificar as suas férias para contribuir em alguma coisa para os que não as têm....

Nunca se fala de coisas concretas , é só blablabla.

Que tristeza!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Tarde de verão

Não faz muito calor, embora o sol seja estival. A nortadazinha sopra moderada, trazendo alguma sensação de frio no pescoço e nos ombros.

Na Foz está-se bem, mesmo cá fora. A empregada sul americana traz-me uma mantinha para me abrigar do vento e poder sentar-me na cadeira de deck.








Dali o mar é meu...e da minha câmara de voyeuse, Vejo tudo, registo cenas engraçadas a kms de distãncia: o petroleiro na bruma, o catamaran, as crianças a subir pelas rochas , os adolescentes agrupados aparte,  os adultos sedentos de sol, o velho pescador sentado de costas para o mar, as mil rochas de cores variegadas , as gaivotas em voo rasante, a areia cheia de espuma, o farol e o molhe novo. Tudo se avista daquela varanda, como se estivéssemos no camarote dum belo navio.




Três horas a ouvir música e a ler o meu livro sobre viagens, a minha filha ao lado ouvindo o seu discman, paz e  aparente felicidade de todos os que me rodeiam.








A praia é um lugar mágico, nunca estranho. Sozinho ou acompanhado, todos se sentem bem...mesmo com a água gelada....e o ventinho a levantar os paraventos.

Não sei fazer poemas, mas hoje a minha tarde merecia um poema...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

The Four Seasons


É uma obra de Vivaldi que tem tanto de deja entendu/vu como de sublime e bucólico.

Nunca me canso de a ouvir ao vivo, no meu Ipod ou mesmo ao telefone da Porto Editora:)

O violino é tão expressivo, os instrumentos tão sincronizados, o ritmo tão sugestivo que só consigo ouvir, ouvir, ouvir....

Hoje fiz um quadro a que chamei Four seasons porque as cores evocam as da Natureza nas suas 4 fases, o verde, os amarelos, os castanhos e o branco da neve à mistura. É um quadro abstracto , mas que não recusa ser apelidado de figurativo, dada a sua identificação com uma floresta, bosque, árvores densas, onde nos perdemos numa multitude de cambiantes quentes.

O quadro tem 30x30 e foi pintado em acrílico, sem impasto nem verniz.

Aqui vai acompanhado dum excerto da bela criação de Vivaldi.



The four Seasons

É uma obra de Vivaldi que tem tanto de deja entendu/vu como de sublime e bucólico. Nunca me canso de a ouvir ao vivo, no meu Ipod ou mesmo ao telefone da Porto editora. O violino é tão expressivo, as flautas tão sincronizadas, os sopros todos tão harmoniosos que só consigo ouvir, ouvir, ouvir....

Hoje fiz um quadro a que chamei Four seasons porque as cores evocam as da Natureza nas suas 4 fases, o verde, os amarelos, os castanhos e o branco da neve à mistura. è uma quadro abstracto , mas que não recusa ser apelidado de figurativo, dada a sua identificação com uma floresta, bosque, árvores densas, onde nos perdemos numa multitude de cambiantes quentes.

O quadro tem 30x30 e foi pintado em acrílico, sem impasto nem verniz.

Aqui vai acompanhado dum excerto da bela criação de Vivaldi.


domingo, 8 de julho de 2012

Moonrise Kingdom

Há filmes que me desiludem quando os estou a ver e que só consigo apreciar verdadeiramente quando, depois de algumas horas, os digiro e compreendo. Há outros que me empolgam no escuro do cinema e, depois de algum tempo na real, me parecem vulgares e menos atraentes, mais estereotipados e americanizados.

Este filme é dos segundos. Gostei muito da temática, do ritmo, dos diálogos, dos actores e das paisagens, mas tudo medido e contado, depois de algumas horas,  acaba por não me deixar grande recordação, talvez pela falta de profundidade na abordagem do tema e pelo desejo de transformar numa comédia o que é uma tragédia. Por outro lado, a abordagem enviosada dum drama parece ser mais original e absorvente, feel good e até caricato. Mas não convence totalmente e. agora que estou aqui no sofá, penso objectivamente que não é dos melhores filmes que vi este ano.
Não conto a história para não estragar o suspense de quem possa querer vê-lo e vale a pena vê-lo, apesar de não ser *****, nem ****, sequer.
Serviu para desanuviar, para me tirar a pressão de cima, distrair. O shopping estava às moscas, todo o mundo deve ter ido à praia, mas o ambiente era mesmo simpático.

Comprei um livro na Almedina que estou ansiosa por ler: Chama-se a Arte da Viagem e é de Paul Theroux.

Algumas citações que vem na contracapa:

A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito - Mark Twain

Viajar é um dos prazeres mais tristes da vida - Madame de Stael

Viajar é um paraíso de loucos - Ralph Waldo Emerson

A saudade de casa é uma sensação que muitos conhecem e de que muitos sofrem; eu , por outro lado, sinto uma dor menos conhecida, e o seu nome é "saudade de estar fora". Quando a neve derrete, quando chegam as cegonhas e partem os primeiros vapores, sinto a dolorosa agitação de viajar - Hans Christian Andersen




Como os compreendo....