quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Aula de pintura


Hoje dei uma " aula" de pintura aos meus sobrinhos abaixo dos 5. São dois gémeos muito queridos.

Só durou uma hora pois os pais tinham combinado qualquer coisa e eles estavam com pressa. Mesmo assim, escolheram acrílico que é o mais difícil de pintar.

Tinha aqui duas telazinhas que trouxe de casa e deixei-os dar asas à sua inpiração. Uma irmã e uma prima mais velhas vieram dar conselhos, pois já andam em aulas de arte e achavam que sabiam tudo.

Divertiram-se com os meus materiais - os mais leves que pude trazer no avião - e ficaram satisfeitos com as obras primas:))). Cliquem para ver melhor!

Aqui estão elas:




As crianças felizes




A praia é o espaço que conheço onde vejo mais crianças felizes. Já tenho reparado em grupos de miudos na Foz e agora aqui na Luz, em que reina a paz , a harmonia, uma certa tolerância que desaparece nos quartos de dormir ou de brinquedos dos apartamentos das grandes cidades. 
A praia é o espaço mais feliz que conheço, onde pobres e ricos, os meninos todos têm lugar na equipa de futebol, nas proezas marítimas, nas descobertas pessoais, no encontro com a fauna e flora aquáticas, com a areia doirada, com a água fria, a espuma, as ondas e até o temor e respeito pelo mar imenso.

O espaço é enorme, as descobertas são muitas, a liberdade é total, daí a ausência de conflito,  a necessidade de isolamento,  a fuga às quezílias.



A criança só pode ser feliz na praia...não há lugar para desgostos, perdeu-se uma conchinha, vai-se buscar outra, o mar entrou pela cova adentro, faz-se outro túnel mais acima, a bola fugiu para o mar, há sempre quem a apanhe, deu-se uma topada numa rocha escondida, a própria água do mar fria e salgada se encarregará de fazer esquecer as dores.

É uma felicidade ter praia....na nossa infância. As recordações dos momentos felizes ficarão gravadas no nosso ADN para sempre...e quarenta, cinquenta anos mais tarde, voltaremos a ser crianças com os nossos netos, nos mesmos locais onde ainda está o nosso nome gravado.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ao fim da tarde


O fim da tarde aqui na praia da Luz faz lembrar os filmes franceses da belle époque, aqueles que retratavam cenas familiares, fins de férias, amores fortuitos, crianças loirinhas à solta, miúdos risonhos, futebol de praia, nadadores salvadores, barcos de todos os tamanhos e feitios, boias, cadeiras de riscas e sem elas, chapéus de sol espetados na areia ou nas rochas, variegados e resistentes, vozes indistintas...e lá longe a Rocha Negra a lembrar que o mar é de respeito e que nem tudo é rosa, como o resto da falésia com as suas cores estratificadas que se tornam douradas ao pôr do sol.

A Rocha Negra tem uma história, uma lenda, como todos ex-libris dum local, mas não sei exacatamente qual é. Prometo procurar na net...a ver se a encontro.
Dantes ia lá todos os verões e adorava aquele ambiente selvagem, limoso e perigoso, depois de se passar a zona de pedras que nos davam cabo dos pés, mesmo com sapatilhas. O mar ali é mais negro e tem um je ne sais quoi de tenebroso, mas o passeio vale a pena na maré vazia, quanto mais não seja só para ver as tonalidades de cores nas pedras, que têm caído da falésia nos invernos mais rigorosos. Neste, só veio areia, a praia está cheia de areia, que cobre muitas das rochas habitualmente à vista.

Vai-se jantar às 7 , ainda se arranja mesa vaga no Paraíso da Luz, o café que ficou célebre aquando do caso Maddy. Depois disso só ingleses enchem todas as mesas reservadas com os seus miudos rosados do sol, malcriadinhos q.b., que pedem sempre hamburgers e deixam metade no prato. É impossível não pensar nas crianças que não tem dinheiro para um pão, mesmo em Portugal. Os pais não se ralam, querem é divertir-se, estão aqui para torrar ao sol, tomar uns banhos e beber uns vinhos baratos ou beras como o Mateus Rosé, popularíssimo entre estrangeiros.





Hoje fui à Peixaria Baptista que abriu há uns tres anos onde havia uma papelaria. Fiquei de boca aberta, o ar condicionado mantinha o local fresco e apetecível. um aquário enorme dava um toque japonês à loja. Música clássica - Vivaldi - enchia o ambiente, onde uma nova secção de doçaria francesa acompanhava os chernes, os robalos, o salmão e até as sardinhas. Elogiei tudo ao empregado francês, que me disse que já algumas pessoas tinham gostado da selecção musical. Apoio-os incondicionalmente e fico fã de peixe e de doces franceses. Para todo o sempre.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cenas do verão

Sou muito cusca....quando estou com a Lumix na mão.

Só me apetece tirar fotos lá longe onde as pessoas mal sonham que as estou a fotografar. Será pecado....é com certeza, mas partilho este pecado com todos os que me lêem...e não são assim tão poucos. ;-)

Hoje tirei fotos da varanda, que é um pouco superior ao jardim e donde se tem uma panorâmica ainda mais larga. Um sonho.

Lembro-me que, quando ainda era casada e vinha passar 15 dias aqui à Luz com os miudos e o meu ex-, sentia sempre uma depressão enorme ao voltar, tal era a claustrofobia que sentia no centro do Porto, sem grandes horizontes, a não ser as vistas do Carolina Michaelis e da tutoria....para não falar da total ausência de família do meu lado que aqui na Luz sempre encontrava.



Muitas vezes pensei que gostaria que as minhas cinzas fossem deitadas ao mar aqui, pois é com certeza o local onde sou e fui mais feliz em toda a minha vida, desde os 20 anos até agora...




Na ponta das rochas que formam a baía fazem fila os Tarzans da Luz, que querem impressionar o povo, mergulhando do alto das rochas...o que é um perigo, pois há outras cá em baixo e nunca se sabe muito bem onde não as há.

As estrangeiras estão estendidas ao sol durante horas, sem medo dos cancros.

As crianças andam às lapas na maré vazia, de modo a apanhar as maiores e fazer um petisco.

Tudo se sabe, tudo se ama...é assim, a nossa Calheta na nossa Luz...Deus a guarde.

Um churrasco familiar





Hoje esteve um dia de sonho...mar completamente liso, transparente e a água mais quente...Tomei quatro banhos maravilhosos, sobretudo os da tarde com o sol a dar na água límpida e tão apetecível que nenhuma piscina do mundo me seria mais convidativa. O sal nos lábios, a cabeça dentro de água,  nadar, rodeada de rochas amarelas , amigáveis e quentinhas, é isto o meu ideal de férias e nem por um momento me arrependo de vir para cá, em vez de andar a viajar por outros lados.

Hoje a minha irmã organizou um churrasco na casa dela, que é uma das que ficam aqui ao lado e estivémos todos a comer aquelas coisas que nenhuma dieta inclui nos seus alimentos permitidos: entrecosto, entremeada, salsichas, linguiças, chouriços, banana frita, arroz e feijão preto....e por fim gelado caseiro de morango.
Tudo hidratos de carbono que metemos cá para dentro às 10 da noite, hora a que todos estavam já com duches tomados, depois da tarde fenomenal de praia que desfrutámos.

Éramos umas doze pessoas, com crianças à mistura e três gerações felizes. Os miudinhos estavam radiantes e travessos, são meus sobrinhos netos e pouco os vejo pois vivem em Coimbra, mas estou a conhecê-los aos poucos. É claro que senti a falta dos meus queridinhos, mas já só faltam dez dias para estarmos juntos. Passou depressa este mês e meio.

Pelo meio ainda fomos ao Paraíso, café onde se pode ver a SportTV para ver o jogo do Porto - pelas 6 horas - mas o jogo foi mauzote, o FCP empatou e tivémos de comer um hamburger para podermos lá estar sentados....calorias e mais calorias....o que vale é que dispendemos mais energias aqui que em casa!!


sábado, 18 de agosto de 2012

Gente da terra

Hoje estive em grande conversa com o Baltazar, sujeito da terra, que conheço desde os seus vinte e tal anos , filho de pescador, que sempre foi o jardineiro e zelador destas casas, ganhando o seu vencimento pago por todos nós a meias, e fazendo vida bem melhor do que a dos seus antepassados.

Enamorou-se de uma empregada da minha irmã, que veio com ela de Coimbra em meados dos 70 e acabou por casar com ela. Juntos fizeram muito dinheiro, ela tratando das limpezas das casas e lavagem de roupas - com várias assalariadas a seu cargo,- ele tratando de todos os jardins que na altura começaram a surgir por aqui e mais além. Tiveram dois filhos, já têm seis netos, vivem as suas vidas sempre com aquela filosofia algarvia dolente e do seja o que Deus quiser. Eles próprios fizeram grandes negócios com alugueres de casas, ficando com uma percentagem generosa para si.

Sempre achei graça ao Baltazar, tinha aquela pronúncia daqui e frases muito típicas -" Os seus filhos são umas cabeças, menina Virgininha!"..." coitadinho do Sr. Dr. ( meu Pai) que gostava tanto disto e foi tão cedo embora!"....fico sempre comovida como se lembram de todos. Nós somos oito filhos!!! E só netos são 21. É bom ser-se tratado por menina.....:)

Os meus sobrinhos começam agora a conhecer-me, visto que praticamente não me vêem e são pequenitos para se lembrarem de mim. Já descobriram que a casa aqui tem iogurtes e bolachas e uma tia e dois primos. Andam felizes da vida....embora morem noutras casas.

 A Calheta - pequena baía aqui em frente - está cheia de veraneantes que fogem da praia grande, demasiado cheia de gente e gostam de se espraiar nas rochas junto ao mar. Ouvem-se todas as línguas, uma autêntica algaraviada. A água continua límpida e fria, como eu gosto...hoje já tomei dois longos banhos que me souberam pela vida.

Isto continua a ser um paraíso com muita animaçao - demais - em Agosto - para meu desgosto - mas lindo de morrer.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há horas felizes


Acabei de tomar um banho na água gelada da calheta, que me soube pela vida.
Não há melhor para começar o dia - e as férias propriamente ditas do que mergulharmos numa água semi-hostil, mas que nos enche de stamina e adrenalina para o dia inteiro. Só depois deste mergulho me sinto plenamente integrada na paisagem maravilhosa que se desfruta aqui de casa e me reconcilio com a natureza total.

O mar trouxe muita areia, encheu por completo as rochas donde em tempos costumávamos mergulhar na maré cheia.....está tudo coberto de areia e descer é como ir pelo parque, sem escolhos, lisinho, lisinho até á água.

Depois, lá dentro é desfrutar da vista das rochas e das pessoas conhecidas, que nos acenam , com quem falamos, relembramos histórias passadas, rimos, mantemo-nos informados sobre quem  nasceu e quem morreu....é uma espécie de rewind do ano inteiro, em slow motion....

Estou do Porto e todos estes meus amigos são de Lisboa e vivem lá...




Estar aqui é voltar às origens e também é bom para poder descansar da casa, dos horizontes limitados que vejo da minha varanda. Aqui o olhar espraia-se até ao possível....


Ouvem-se vozes de crianças, às vezes zaragatas, mães a dar ordens, discussões sobre idas à praia, comentários á água fria, barulho de pratos e talheres, mas nada que incomode, fazem companhia...e se queremos dormir usamos o Ipod ou os tampões nas orelhas:)))


As buganvílias continuam lindas. É a altura de estrear a minha nova lumix aqui neste local....

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Another day in paradise



Cá estou na minha "cadeira de sonho" ( por acaso é de bambú, mas isso agora não interessa nada) na casa que os meus Pai mandaram construir há mais de 45 anos , nos fabulosos anos 60, que para mim além de ser uma década de liberdade, foi a de uma juventude de trabalho e sonho.

Lembro-me dos serões aqui sem TV... com guitarradas ," stand-up shows" dos amigos da geração dos meus pais, qual deles mais interessante, mais afectuoso e sobretudo mais amigo dos jovens da nossa geração. Foi com um deles que aprendi a fazer ski aquático, com outros a velejar numa prancha, a mergulhar e até a nadar. Os filhos eram todos nossos amigos de longa data ( desde os meus dez anos pelo menos) e  os pais resolveram fazer casas contíguas à nossa no tempo em que a Luz era uma aldeia onde só havia pescadores e algumas casas nobres de ingleses ou portugueses, sendo este complexo quase um condomínio, mas não fechado... totalmente aberto a nós e aos outros. Ainda hoje se pode entrar pelo jardim em cima das rochas, não há portão, apenas um muro baixinho. A chave ficava pendurada na porta de entrada para quem quisesse entrar.

Na relva onde dantes estava a palmeira da minha Avó, há agora um enorme campo de futebol e ainda há pouco pensei como seria bom ter aqui o meu neto, que adora jogar com outros miudos.

Agosto é um mês de ingleses, 80% dos habitantes são-nos, vieram de Ryanair hospedam-se nos resorts e saem às sete da tarde todos aperaltados para jantar nos vários restaurantes da vila. Hoje fizémos como eles. Às sete estávamos a jantar num indiano de nome Pashmina ( xaile indú) por detrás da igreja.

A viagem de avião durou 45m precisamente desde Sá Carneiro até Faro- vim a olhar para o nosso Portugal tão lindo no norte, verde e frondoso... e tão desértico no sul, castanho sequioso, apesar dos Alquevas e Guadiana que, por milagre, ainda têm água. Depois ao chegar aqui a Faro, é o mar imenso e a ria Formosa, um autêntico oásis, uma das panorâmicas mais lindas que jamais vi dum avião, azuis turquesas e verdes em vários tons, um milagre da natureza....

Hoje fico por aqui...amanhã conto o resto das peripécias da viagem. Infelizmente não posso colocar aqui mais de uma fotografia pois leva séculos a descarregar....

Agora vou gozar da nooooooite....que aqui não é de discoteca nem de bares, mas sim de estrelas.....

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Dia de mudanças

Hoje fui para a casa do meu filho ajudar na decoração, ainda que seja difícil pensar em futuro no caso dele. Aquela casa é passageira, como a estadia dele pela cidade. Um dia, mais tarde ou mais cedo vai ter de partir para as "berças" e andar de terra em terra a tapar buracos nos tribunais agora cada vez mais atafulhados de papel, apesar de vivermos na era dos computadores.

Comprou um sofá para a sala - o que lá tinha era rudimentar e tinha sido adquirido aquando do aluguer do apartamento a uns alunos Erasmus que me suplicaram lhes arranjasse mesa e sofás para a sala, pois só tinham dinheiro para a renda. Eram três, mas recebiam amigos, famílias e o diabo a quatro, até puseram colchões no chão para acampar:)).
O meu filho queria um sofá decente pois gosta de ver televisão e usar o computador naquela sala enorme onde passei anos da minha vida depois da minha separação, onde fui muito feliz por algum tempo, quando o meu neto mais velho passava algumas horas comigo depois de vir do infantário do meu liceu. Ele achava que eu "vivia no céu" ( sic), pois via-me lá no alto. e da rua era uma distância enormíssima.

Sempre gostei daquele apartamento e no verão com o sol a entrar pelas grandes janelas da sala é um dos lugares mais luminosos que conheço. A vista é imensa desde a Afurada até ao Cabo do Mundo, com um binóculo, consegue-se  distinguir todas as referências do lado poente da cidade.

Foi lá que vi pores do sol no mar todos os dias....e, à noitinha, a cidade a encher-se de luzinhas...os barcos a pairar no escuro....as casinhas de bonecas, da rua em baixo...os telhados bem portugueses do complexo arquitectónico a que pertence.


Hoje estive a fazer o meu papel de mãe com um enorme gosto e até saudade. Os filhos estão criados, mas precisam sempre de nós e é tão bom saber que os podemos ajudar a montar um candeeiro, a fazer um batido na nova máquina, a arrumar a roupa nas gavetas como antigamente...

Desta vez fiz as pazes com a Conforama, pois os homens que foram montar o sofá eram duma simpatia extraordinária, ainda me mudaram umas coisas dum lado para o outro, sempre muito solícitos e sem se queixarem de nada. É tão bom ver pessoas educadas e capazes a entrarem-nos pela casa dentro! Respeito muito quem faz trabalho manual, sempre tive um enorme fascínio por montar coisas, trabalhar com máquinas, chaves de parafusos, tintas, etc.
 E adoro decorar casas...mesmo quando o dinheiro é pouco e a decoração é por pouco tempo.:)


domingo, 12 de agosto de 2012

Agosto em contra-luz

Que bom que é viver junto ao mar....

Hoje reconciliei-me com o mês de Agosto numa tarde inesquecível junto à praia de Matosinhos, onde fica o célebre edifício transparente que durante anos só foi isso mesmo, mas agora está cheio de cafés com esplanadas mesmo à beira da praia, com vista para o Castelo do Queijo dum lado e para o farol da Boa Nova no outro.






Á tardinha tudo é magnífico , as silhuetas em contra-luz parecem actores e figurantes numa montagem e cenografia quase mágica, com o mar em pano de fundo: mães com carrinhos de bébé, miúdos a jogar à bola, surfistas a enfrentar as ondas, famílias a levantar os paraventos, namorados a aproveitar as últimas résteas de sol,  bicicletas encostadas nos passeios e gaivotas, gaivotas cruzando os céus. Uma tarde de sonho sem pinga de vento e nuvens lindas acasteladas lá em cima.


O castelo do Queijo parece parte do cenário e imagino no meu sonho que Mario  Cavaradossi terá cantado  "E lucevan le stelle" ali naquele pátio e  Tosca se terá atirado do alto das muralhas  quando soube que o seu amado tinha sido fuzilado...

Lá longe acendem-se as luzes do porto de Leixões e os guindastes dançam em contra-luz com os mastros dos veleiros da marina.


A pouco e pouco tudo entra na penumbra e o sol morre lá ao longe por detrás do farol. Amanhã será outro dia de verão para alegria dos jovens em férias e dos amantes do que é lindo, sempre e em qualquer parte do mundo.

Come-se razoavelmente por pouco dinheiro....só a vista valeria o preço dum bilhete de ópera no mais caro teatro da capital. Que lindo é o Porto....e que bom é viver aqui.