quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tarde com os netos

Hoje com a tarde radiosa que estava, seria um crime ficar com os meus netos metida em casa, resolvi ir ao Botânico ( ou Bonético, como lhe chama o meu neto mais novo) com os dois mais pequenos. Radiantes correram, saltaram , pareciam tão felizes! O mais velho subiu às árvores todas com uma destreza que lhe invejo...sem medo nenhum de cair. O mais pequenino é mais timorato felizmente, adora paus e faz colecção. As árvores cheiravam a musgo e os passos ressoavam no folhedo moribundo. Momentos felizes, que nunca me canso de agradecer.



Está-se bem neste local, onde o outono já aparece um pouco mais visível, ainda que tímido. O chão húmido, pejado de folhas de todas as cores, forma um tapete maravilhoso que não voa, mas nos faz voar.

Pra vós este boucquet de folhas variadas....

Mudança de visual

Não é radical, mas gosto de mudar de visual de vez em quando...

Este quadro que está exposto no Vivacidade neste momento é um dos mais inspiradores que fiz. É abstracto mas consigo ver nele um mundo de coisas....até música.

Por isso, vai aqui um concerto de Vivaldi que o meu neto toca e me comove às lágrimas.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Bucólico

São as cores do Outono, o céu a ameaçar chuva miúda, os campos já dourados, os brotos sobressaindo...é o campo da minha imaginação, num quadro a acrílico, um pouco maior - 60x50 cm, a nascer assim de pé para a mão num Domingo de temporal...

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto...
 

Pablo Neruda

domingo, 23 de setembro de 2012

At last!

Finalmente o Outono e a chuva.

Confesso que não estou nada deprimida, pelo contrário, ontem quando ouvi o ribombar do trovão, senti-me viva; diverti-me a ouvir a chuva a desabar na varanda e a olhar para os pingos em contra-luz.
A minha rua é mais animada à noite quando chove e gosto do cheiro das plantas revigoradas. Devia chover mais....já basta de calor e seca.

Não saí, mas se tivesse carro , ia ver o mar bravo na Foz. Adoro a espuma de encontro ao molhe do farol e as rochas muito negras a lutar contra a fúria do mar.

Ficam aqui algumas fotos tiradas por mim já há tempos - uma delas em Paraty -  e uma aguarela, que nem sei de quem é, peço desculpa, mas não é minha!




Benvindo Outono!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Didactizar filmes


Sempre gostei de trabalhar com audiovisuais, considerando-me mesmo dependente deles em matéria de ensino. Cedo comecei a usar retroprojector, sendo a primeira autora a sugerir à PE a produção de transparências para o ensino do inglês, dado que as que nós usávamos eram feitas por nós, custavam tempo e dinheiro com materiais. Na altura, as pessoas com que falei acharam que era uma maluqueira e ficaria caro, mas uns anos mais tarde, já ninguém punha em dúvida a utilidade das mesmas e eram oferecidas aos professores em conjunto com o manual. O mesmo aconteceu com os CDs, que já desde há muito acompanham os materiais de inglês, considerando-se imprescindíveis para o contacto dos alunos com native speakers, canções, poemas, etc.

Devo ter feito mais de vinte sessões nos mais diversos locais - inclusivé em Dublin - sobre o uso de audiovisuais e em particular de filmes. Cheguei a comprar dois vídeos para poder gravar dum para o outro, cortar cenas, montar um mini-filme que se pudesse usar numa aula.

Didactizei dezenas de séries, filmes e programas de TV. Lembro-me de gravar da TV satélite, pedacinhos de programas ingleses, que os os alunos depois classificavam numa grelha. Todo o trabalho levava tempo , mas era aliciante.

Uma vez diverti-me a preparar uma sessão para professores. Quis motivá-los logo de início, de modo que levei um vídeo dum desenho animado japonês, que representava uma cena na escola. Tapei o televisor com um casaco e puz o vídeo a funcionar. O japonês é uma língua horrível e não se compreende nada....os colegas começaram a rir-se. Pedi-lhes que identificassem a cena. Ninguém conseguiu. Concluí que isto é o que os nossos alunos sentem quando nos ouvem a falar em inglês....:)
Passe o exagero, o que eu queria demonstrar é que muitas vezes a imagem diz tudo, mesmo sem palavras, já que o cartoon mesmo em japonês era compreensível só com as imagens e sem som.


Ontem e hoje estive a didatizar um filme, que descarreguei em poucos minutos e que é muito recente. Encontrei na Internet o screenplay - o guião - com todos os pormenores, o que é muitíssimo interessante para termos uma noção de direcção das personagens e detectarmos pormenores, que nos escapam só com o visionamento do filme.

Vi o filme por partes e ia didactizando cada uma delas com exercícios diversos, acrescentando algumas questões de teor mais profundo, como a análise de comportamentos das personagens. Acabei por sugerir aos alunos encontrarem um outro fim para a história e desenharem uma cena final diferente, o que é perfeitamente plausível com este enredo. O tema é profundo, apela aos valores da família e levanta questões pertinentes. Não o menciono aqui por razões óbvias.

Estive entretida durante horas a escrever estas dez páginas que serão importantes para juntar à leitura de um conto, artigo de revista, etc.
Há coisas que nunca se esquecem....há quatro anos que não dou aulas, mas era capaz de dar uma já amanhã.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Novas facetas do facebook

Já há muito que frequento as redes sociais , sobretudo o FB.

Acho interessante estar em contacto com amigos e família, criam-se laços, distribuem-se amabilidades, trocam-se ideias e pensamentos positivos, dão-se notícias, vêem-se fotos, usa-se a criatividade.

O FB pode trazer-nos muitas alegrias, sem grande esforço, nem fixação. É um polo positivo na minha vida diária.

Pertenço a vários grupos de fotografia como o Woophy Group, o Woophy Gatherings Group que é sobre os meetings nos vários países, o New Color3  com fotos duma só cor em cada dia da semana, o Best Photo of the Day, o I love Porto e o Photo Contest to Theme, do qual vos vou falar hoje.

Este grupo tornou-se especialmente querido para mim porque só aderi há duas semanas e já vi as minhas fotos seleccionadas para o grupo das 15 melhores duas vezes. Eles recebem centenas de fotos durante 24 horas. Todos os dias o tema muda:

monday: NEW: take a seat...(and relax) - 
tuesday: B/W or Sepia - 
this wednesday: letter R from alphabeth backward - 
thursday: SURPRISE theme, every week another theme! - 
friday: NEW: bridges/overcrossings - 
saturday: let's graffiti - 
sunday: STAiRS

No fim do dia ou no dia seguinte aparece uma colagem com os 15 melhores trabalhos e mais tarde os cinco escolhidos como vencedores. É excitante andar todos os dias a colocar fotos sobre temas diferentes e encontram-se muitas hipóteses nos nossos portfolios pessoais. O meu tem mais de 2000 fotos tiradas desde 2009 até agora. Encontro sempre uma possibilidade e diverte-me procurá-la.

Eis aqui alguns exemplos:




É um pouco ridículo ficarmos contentes por uma coisa tão insignificante , mas dou valor a estes pormenores no meu dia-a-dia e gosto de o partilhar com outros.

Aprende-se muito com estes sites, há fotografias indescritíveis , tiradas em locais onde nunca iremos,
mas que ficamos a conhecer através da experiência de outros.

domingo, 16 de setembro de 2012

Um verão tardio

Ando um pouco triste com este blogue, não sei se irei prolongá-lo por muito mais tempo. Todos os dias umas 200 pessoas lêem ou abrem-no, mas o feedback não é quase nenhum e isso desgosta-me um pouco, creio que já não escrevo nada que interesse muito no tempo actual. Daí a falta de resposta de quem me lê.


Pode ser que seja da crise....mas também pode ser que as minhas reflexões estejam desactualizadas, hoje exige-se mais política e intervenção e eu limito-me a contemplar e a descobrir no que me rodeia aquela resposta à pergunta que todos nós fazemos: Vale a pena viver?

Hoje estive no botânico, onde não ia há já algum tempo. Estava triste, as árvores ainda verdes mas com ar ressequido e sedento, as flores murchas, ausência de cor, o outono ainda não chegou e o verão já se quer ir embora.

O único local, que ainda se mantinha viçoso era o labirinto das dálias, onde a presença e o espírito de Sophia  pareciam fornecer àquelas flores o viço que carecia a outras.

Dálias de todas as cores, lindas, profusas, dançando ao sol...






Sentei-me ali naquele banco decorado em Art Nouveau e deixei-me invadir pelo silêncio...


As imagens transbordam


As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
De tudo ser e em cada flor florir 
O impulso que há em nós, interminável?

O Jardim e a casa

Não se perdeu nenhuma coisa em mim. 
Continuam as noites e os poentes 
Que escorreram na casa e no jardim, 
Continuam as vozes diferentes 
Que intactas no meu ser estão suspensas. 
Trago o terror e trago a claridade, 
E através de todas as presenças 
Caminho para a única unidade. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A elite Gulbenkian

Morei perto da Fundação Gulbenkian e frequentei durante anos os concertos e o parque, onde se estudava maravilhosamente junto aos lagos, nas escadarias ou na esplanada. Era um local privilegiado em Lisboa, onde não abundavam os jardins cuidados. Estar ali é como, hoje em dia passear por Serralves ( muito mais amplo), mesmo no centro da capital.


Assistir aos concertos era uma experiência engraçada, pois muitos dos frequentadores - sobretudo as madamas  dos auditórios só lá iam para se mostrar - nessa altura ainda não havia festas do Jet7, nem as piroseiras que hoje abundam pelo nosso país.

Concertos só havia no Coliseu, Tivoli , Aula Magna e pouco mais. Mas a "fauna" da Gulbenkian era muito fineca, gente intelectualmente superior ( ou que se julgava a si mesma como tal), os casacos de pele, os penteados produzidos e a snobeira imperavam. Daí nunca ter gostado muito das temporadas da Gulbenkian em termos sociais e preferir os concertos do povo no Coliseu.

Hoje comprei o Publico, que traz uma páginas dedicadas aos 50 anos da Fundação. O programa musical deste Outono é a créme de la créme. Só pianistas, vêm cá cinco dos mais famosos do sec XXI, desde Sokolov até Kissin , passando por  Luganski e Gabriela Montero, que faz furor neste momento....

Os lisboetas tê-na toda. Os milhões de Calouste Gulbenkian não passam do aeroporto da Portela, o resto do país é paisagem.

Para a CdM poder apresentar artistas deste gabarito é preciso que os mecenas todos do Norte colaborem e sabemos como está a crise e os cortes na cultura. Daí uma programação pobrezinha e que, quando é boa,  se esgota antes de ser anunciado o concerto.

Será justo que só em Lisboa haja cinco ou seis concertos de tôpo só neste Outubro e que o resto do país fique a ver o Mezzo?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O ciberespaço

Tenho andado a fazer pesquisas na Internet para o meu projecto do 10º ano - os alunos recebem um elemento extra manual, que é uma compilação de textos, artigos e filmes  didactizados para que aprendam a ler/ver extensivamente, ou seja, algo com princípio, meio e fim.

Sabemos que muitos adolescentes não lêem nada, mesmo em português, o que torna mais difícil motivá-los a ler numa língua estrangeira.

E, contudo, ela move-se....disse Galileu sobre o movimento de translação da Terra. Poderíamos dizer o mesmo em relação à Internet. Podemos fechar os olhos e nada ver, mas o ciberespaço existe e tudo se move a uma velocidade vertiginosa.

Diria que a Internet é a maior biblioteca do mundo, acessível a todos os que possuem um PC e banda larga em casa ou na escola. Acrescentaria que grande parte do material é escrito em inglês, a língua mais falada no ciberespaço.

Ando, para já,  a fazer buscas nos sites dedicados a revistas online, encontrando as mais diversas publicações para os mais diversos públicos, desde  crianças até adultos, famílias, adolescentes, artistas, fotógrafos, desportistas etc.
Os temas são às centenas e é só clicar para vermos no ecran n artigos de não-ficção, contos e short stories, entrevistas com autores, críticas de filmes e livros, concursos de poemas, apelos à escrita criativa, um nunca acabar de ofertas, que seriam ignoradas se não existisse esta magia na NET.

A minha filha encontrou um conto muito interessante que gostaria de didactizar; escreveu uma mensagem ao seu autor e pediu-lhe permissão de publicação da sua obra, o que seria impensável há anos atrás.
Com o avanço das tecnologias na sala de aula, também se torna possível didactizar filmes diversos sobre os tópicos do programa, tornando-os objecto de estudo e aprendizagem da língua inglesa. E se existir livro+filme, maior é o interesse dos alunos na leitura do livro ou conto.

Sinto-me extremamente feliz por poder trabalhar em algo que gosto com pessoas igualmente motivadas. Há mais de vinte anos que uso a Internet. Sei o que representou para mim fazer um manual para o 12º ano já com acesso a sites que se tornaram preciosos. Fazer um manual tornou-se algo mágico e apelativo.



Bendita teia ( web) em que nos perdemos por vezes...

domingo, 9 de setembro de 2012

melancolia

É o título deste quadro que pintei, ontem e hoje.

Traduz o meu estado de espírito. Tal qual.

Nada a acrescentar.