sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Na cidade

Tenho andado arredada do blogue.

Sem inspiração, com uma certa angústia, cansada de ouvir dizer mal de tudo, sem vontade de me pronunciar sobre o que se passa, pois iria certamente chocar muita boa gente de esquerda que me lê, e este blogue foi feito para dar alegrias e não depressões ou achaques:)

Fiz um quadrinho por estes dias, mais para descansar a cabeça do computador, ao qual estou amarrada quase todo o dia por necessidade de trabalhar no meu projecto e de adiantar serviço. Nunca se sabe, posso ter algum problema de saúde...

Hoje já está um belo dia de outono, sem chuva, nuvens brancas e algum calor. Bom tempo para estar na varanda a ouvir música no meu Ipod.

Um poema para acompanhar o quadrinho.

Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.

Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Albano Martins, in "Castália e Outros Poemas"

Uma cidade pode ser um candeeiro no final da tarde....

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Homeland

Homeland é o nome duma série americana que conquistou este ano nada mais, nada menos que três Emmys, melhor série dramática, melhor actriz e actor principal.

Vi-a toda em inglês, mas já deram a primeira temporada na Fox e agora estão a dar a 2ª temporada, que promete ser tão excitante como a primeira.
O ambiente é tipicamente americano , nos bastidores da CIA , no Iraque e outros países exóticos, com muito suspense um ritmo infernal, como todas as séries do género. Gosto bastante e não me assustam, pois, embora bastante violentos, sobretudo a nível psicológico, trazem-nos interpretações magníficas e um suspense, que poucas séries inglesas e muito menos as portuguesas, contém.

Já vi muitas parecidas, mas a actriz principal, Claire Danes ( lembram-se da loirinha Juliet do Romeo  &...) interpreta agora o papel de agente da CIA, com doença bipolar controlada, e uma naturalidade e tensão absolutamente devastadoras. Adoro-a. O actor principal, inglês, que faz de Brody, veterano do Iraque condecorado, e mais tarde, membro do congresso, também é excepcional, mais contido, mas não menos enigmático.

Vale a pena ver- de preferencia no original....


Fica aqui um trailer para quem não conhece.

domingo, 14 de outubro de 2012

Anne-Sophie Mutter


Quando esta menina tinha 15 anos, li um artigo sobre ela numa revista especializada para o ensino do alemão. Contava que a adolescente fazia todas as semanas uma viagem da Alemanha à Suiça para ter aulas com a sua professora para além do horário normal de aulas do secundário. Já prometia vir a ser um prodígio a que se aliava a beleza física. Aos 13 anos tocou pela primeira vez em publico com a Filarmónica de Berlim.

Levei o texto aos meus alunos de alemão, que ficaram muito interessados na pequena. Não havia Internet, nem sequer vídeo, de modo que o que leram foi a única informação que tiveram.


Passados anos o nome desta violinista veio para as bocas do mundo, algumas vezes por ser considerada a teacher's pet  - aluna querida - do grande Karajan, que preteriu outros violinistas em favor dela.

Não sei se isso é verdade, mas Anne-Sopphie gravou para a Deutsche Gramophon  e EMI tudo o que há de obras para violino e tornou-se um ícon deste instrumento.

Hoje em dia já há muitos mais, mas ela continua a tocar com perfeição, como posso constatar neste programa do MEZZO, em que interpreta o concerto de Beethoven, o primeiro que ouvi em toda a minha vida, aos dez anos, pelo maravilhoso David Oistrach no Coliseu de Lisboa.

Também foi o meu primeiro disco vinil de música clássica, que ainda está em casa do meu ex- com muitos outros. Beethoven, sempre ele.








sábado, 13 de outubro de 2012

As cores do Outono


Pintar em MDF é um convite  a entrar no Outono não só em espírito, mas também usando os materiais que melhor se adequam à estação bela que vivemos.

Tem chovido, tem feito sol, está calor, o verão parece não querer despegar, mas elas aí estão as cores quentes, as folhas a morrer ou a tremelicar nos ramitos, a erva pejada de castanhos, doirados, amarelos e vermelhos.
Basta sair à rua e ver as mulheres cansadas a varrer os passeios,  num trabalho semelhante ao de Sísifo...acabam de varrer e uma rabanada de vento atira de novo mais um monte de folhas mortas precisamente para o local onde elas acabaram de limpar.
Lembro-me de que, em Munique, tinham uma espécie de tratores que sugavam as folhas todas duma vez....era outro país, outra civilização. Cá tem de haver emprego estúpido para toda a gente. E há-os piores.

Pintei este quadro em MDF, que já é madeira e castanho em si mesmo. Bastou colocar-lhe impasto para os relevos e depois deliciar-me com as mãos, pinceis, palha de aço ( sim...), papel e bisnagas de cores diversas...

E eis que surge o OUTONO!

Um poema para os meus netos

Encontrei uma folha,

uma folha amarela,

que a cair veio,

pousar na janela.

Ela brincou comigo

e eu brinquei com ela.

Encontrou um amigo,

esta folha amarela.

Raquel Henrique

Fica aqui com um concerto barroco de Telemann a condizer. Oboe, um dos meus instrumentos preferidos....nostálgico como o Outono.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Para festejar

os 150.000...que agora já são mais...visitantes resolvi pintar um quadro a pastel de óleo, o que não fazia há mais dum ano. Fui buscar os meus velhos sennelier, na sua caixa de madeira tão tradicional e querida, papel próprio e sentei-me no atelier a desenhar.
Tinha impresso algumas fotos, que achava inspiradoras e estive hesitante sobre qual delas me seria mais acessível e daria um quadro capaz. Estava e estou já bastante enferrujada no que ao pastel de óleo diz respeito e tinha receio de desistir a meio , dado que dá muito mais trabalho do que o acrílico, que se pinta em duas penadas ( salvo seja).

Optei por uma fotografia que me foi enviada pelo meu querido Amigo Paulo, quando andei a pintar papoilas há tempos. A foto é linda, muito fresca, a cheirar a campo no verão.

A minha versão ficou mais pesada, mais densa, menos foto e mais pintura.

Os meus netos gostaram muito, o mais pequenino foi dizer em casa que "tinha visto a Vóvó a pintar as suas flores" ( sic, com 3 anos e 1/2, não está mal).

Mas "minhas" é que as flores não são....


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

150.000 visitas!

Atingimos neste momento a marca importante de 150.000.

Com uma média de 200 visitas por dia, este blogue tornou-se um foco de interesse, que ultrapassa tudo o que eu podia imaginar naquele dia em que o meu irmão Mário mo ofereceu, só com a capa e as páginas todas em branco.

Naquele dia, 2 de Agosto de 2009, escrevi:

A nossa vida é 90% preenchida com a realidade. O que se passa à nossa volta e, sobretudo, o que nos toca mais profundamente e aos nossos, domina-nos praticamente durante todo o percurso desde que nascemos, crescemos até ao momento em que paramos de trabalhar.

É essa paragem que quero celebrar aqui, neste blogue; quero celebrar aquele momento em que recebemos uma carta, declarando que, a partir dali, somos senhores da nossa vida. Para sempre.

O que fazer, então? Há quem se inquiete, quem se deprima, quem pense "isto é o fim", quem morra todos os dias mais um bocadinho. Há outros, todavia, como eu que dão um suspiro de alívio, que enchem as baterias, que olham o mar e o luar de outra maneira e partem, felizes, sem saber bem para onde.

Quero que este blogue seja um espaço de reflexão sobre ARTE - música, pintura e fotografia, em especial. Quero que através dele se descubram trilhos e caminhos novos, recordando os já conhecidos e amados. Espero que haja leitores conhecedores e interessados, penso que os temas são ilimitados e eu "só sei que nada sei".

O meu lema foi sempre " HAPPINESS IS LOOKING FORWARD TO" - ou seja, a felicidade reside no anseio por alguma coisa.

Este blogue é, ainda, apenas  anseio,  expectativa. E o gosto pela arte.


Acho que conseguimos atingir um patamar de equilíbrio muito razoável e sei que não vou conseguir parar...sonhar é tão tentador...e o ciberespaço tão imenso...

Como diz St Exupery: Si tu m'apprivoises, ma vie sera comme ensoleillée....

A minha Vida tem mais sol, desde que vos conheço!

Downton Abbey


 
Já vai na 3ª temporada e mantém a excelência desde o primeiro episódio da 1ª série. Inacreditável como os ingleses continuam a produzir estas maravilhas, onde desde o Master of the House até à mais humilde servente têm um papel a desempenhar e uma vida plena na estratificação da sociedade dos anos 20. Fico extasiada a ver os episódios em inglês no meu laptop, esqueço tudo à volta e vivo os dramas daquela família como se fosse parte dela.
Os aspectos mais maravilhosos são o acompanhamento musical, os silêncios, os olhares, as paisagens e ainda a solidariedade entre as pessoas...é impossível não amar séries como estas!






J

Outra que me está a entusiasmar também é Homeland ( Segurança Nacional),
vencedora de três Emmys, entre os quais os de melhor actor e actriz e melhor série dramática de TV. Já vi a primeira temporada e agora estou a ver a segunda. É passada nos nossos tempos, mas a interpretação e o drama são igualmente de primeira água.

É tão bom passar os serões assim....

sábado, 6 de outubro de 2012

As Artes e a Música- lado a lado


Conheci o nome de Vieira da Silva pelos anos 60, quando andava na universidade de Lisboa.

 Tive uma aulas de conversação de alemão com um professor velhote muito culto e fascinante, Herr Pfluger, de quem nunca me esquecerei. Ele morava na Travessa da Légua da Póvoa, junto ao jardim das Amoreiras, um dos locais mais românticos de Lisboa. Sentava-me muitas vezes com os meus livros debaixo daquelas enormes amoreiras, 331 árvores mandadas plantar pelo Marquês de Pombal, para alimentar os bichinhos da Fábrica das Sedas, que ali ficava.

Mais tarde abriu a Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva, que nunca visitei.

Aprecio a obra de Vieira da Silva com orgulho por ela ser portuguesa, ainda que lhe tenham negado a nacionalidade no tempo de Salazar.
Mais do que sentir um enorme apelo pelos quadros, sinto fascínio por aquela mulher - uma espécie da Marie Curie, franzina e com olhos prescrutantes - que conseguiu vencer no mundo da Arte, maioritariamente masculino numa Europa em crise profunda.

Gostei de alguns quadros - dois ou três que me seduzem pela cor e emaranhado de linhas, que hipnotizam o visitante. Sentei-me na grande sala vazia - num feriado não havia vivalma - e procurei viver aquela Vida, retratada na primeira sala, com fotos, que me fizeram tanto lembrar a minha Avó, os vestidos, as poses com a família, as touquinhas...que até me vieram as lágrimas aos olhos; mais tarde, as fotos em que se vê o seu perfil adunco, junto ao seu amado esposo, uma colecção de fotos que enternece qualquer um.

Ficam aqui os quadros de que mais gostei embora as fotos não sejam minhas, é proibido fotografar....






Desforrei-me depois e tirei fotos da Casa da Música por fora com o meu Ipod, já que não levara a máquina. É um edifício espectacular, sem dúvida, quer de dia, quer de noite.



O outono já chegou, mas a Boavista ainda não está como eu gosto.....:)







sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Há dias

que são poemas... verdadeiros hinos ao Criador... os aleluias todos do mundo não chegariam para demonstrar como é bom estar vivo e como, sem gastar quase nada, se pode estar feliz...





Chega de lamúrias, chega de queixumes....cortam-nos tudo, mas sobra-nos a Vida, esta com letra grande, que se desfruta aqui na Foz, junto ao mar, pés no areal, nas rochas ou no cimo da esplanada onde se pode beber um café e ficar toda a tarde a contemplar o horizonte. Poucas pessoas desfrutam deste paraíso a minutos de casa...onde estarão, pergunto-me eu.

Sejamos justos. Há  muita maravilha para além do drama, do défice, das politiquices, das falcatruas, das promessas não cumpridas....há coisas que este país oferece, como este inacreditável clima, que nenhum outro tem igual.

Porque é que os jovens vão para as discotecas gastar dinheiro quando nas praias poderiam conviver sem gastar um tostão? Só se vêem estrangeiros, os jovens portugueses dormem de dia e queixam-se de noite. Ou a toda a hora.

Porque é que os pais não levam as crianças para a areia, para o mar, para a costa em vez de as levar ao cinema, aos shoppings, aos salões de jogos ou ao futebol? Eles seriam tão mais felizes...e não quereriam comprar nada, se não o direito de chapinhar.

Porque é que se anda de carro aos feriados, quando os autocarros nos transportam para o mesmo local com ar condicionado e por 90 cêntimos? A espera na paragem é menor do que o tempo que se gasta à procura dum lugar para arrumar o bólide. As crianças sentam-se à vontade, não vão pregadas ao banco sem se poder mexer! Não há discussões entre maridos e mulheres....não há música aos berros....a viagem é curta e rápida.

A Vida pode ser simples, se se quiser....mas há tanta gente que não quer mesmo ser feliz......

Fica aqui uma canção dos Beach House, que se chama WISHES, desejo a todos um óptimo fim de semana longo.











terça-feira, 2 de outubro de 2012