Faleceu faz hoje vinte e cinco anos.
As suas canções abalaram este país durante o período da Revolução, o Povo identificou-se com elas, com a revolta expressa em melodias harmoniosas e numa voz de timbre inegualável.
Vi-o actuar antes do 25/4 na Figueira da Foz e comprei todos os seus albuns que foram minha companhia durante os anos de estudo universitários. O meu namorado - depois marido - estudava em Coimbra e o seu ídolo era Adriano Correia de Oliveira, mas eu mantive-me sempre fiel a Zeca Afonso. O seu album Traz outro Amigo Também , que me foi oferecido, deve ter sido ouvido mais de uma centena de vezes.A conotação de Zeca Afonso com o partido comunista, a apropriação deste do espólio do cantor fizeram com que a magia se perdesse em parte. Compreende-se a politização dum ícone cultural, arauto da liberdade para fins revolucionários, mas, na minha opinião, Zeca Afonso foi e será sempre universal, português, uma Voz que compôe melodias populares oriundas das raízes mais profundas da nossa terra.
Ficam aqui as minhas preferidas entre tantas que gosto:
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
terça-feira, 10 de maio de 2011
Clara Ferrand

Conheci a Clara em 1975 quando vivia na Sertã e passava fins de semana em Coimbra.
Num desses fins de semana, descobri pelo meu médico que teria de ficar em Coimbra durante uns meses, dado que a minha gravidez - que já era a 4ª em dois anos - estava em risco, tendo que ser controlada num local onde houvesse hospital, o que não acontecia na Sertã. Passei dois meses em Coimbra, nas casas das minhas irmãs, estando em repouso relativo.
Foi uma época de stand-by, não pude dar aulas e tinha de estar deitada durante parte do tempo. Fazia muitos trabalhos de mãos para as minhas sobrinhas, que eram tres de 3, 5 e 7 anos e gostavam muito de bonecas, como a Nancy e a Barbie. Fiz muitos vestidinhos , camisolas , chapéus, etc para estas bonequinhas a quem chamávamos as Nancinhas
, assim como tricots para os nossos filhos.A Clara era muito amiga da minha irmã que ficara viúva em 1974. Pertenciam ao mesmo grupo de casais e davam muito apoio uns aos outros. Passei alguns Domingos em casa dela, nesse periodo em que estive na Sertã e a proximidade com pessoas como ela fizeram-me muito bem à moral e preencheram os vazios que a saída de Lisboa para a Beira Baixa tinha provocado.

Sempre tive uma admiração enorme por esta rapariga,
- que considero como família, uma prima, uma tia dos meus sobrinhos - cheia de alegria, criatividade, animada e amiga nas horas difíceis. Os lanchinhos ajantarados em sua casa eram uma alegria, contribuindo nós com alguma comida feita em casa - ainda me lembro de fazer croquetes com restos do cozido - acompanhados da algaraviada dos pequeninos que se juntavam lá todos, nove ao todo. A Clara entretinha-se a fazer bonecos - ofereceu dois aos meus filhos que anda estão guardados na minha casa anterior - com tecidos, plásticos, couros, rendas, crochets, sedas, lãs e fios
etc, que ela guardava em caixas e caixinhas, um verdadeiro tesouro para quem gosta de artesanato. Também fazia patchwork que eu admirava profundamente pois exigia muita paciência e faziam um efeito espectacular na parede.
. Sei que entretanto lhe encomendaram vários murais para a Universidade e edifícios de Coimbra.Ontem descobri este site dedicado à minha amiga Clara Ferrand http://www.claraferrand.com/galeria.html e não resisti a falar dela no meu blogue, pois, embora só a veja em festas da família em Coimbra, continuo a recordar os momentos maravilhosos que passei em sua casa naqueles anos difíceis da minha vida de casada. O meu filho nasceu em Coimbra em Agosto e no ano seguinte, fomos várias vezes a sua casa passar os domingos à tarde, sendo o João mais um dos pequeninos a encher de alegria aquelas casa.
O site contém a sua biografia, trabalhos nas áreas da escultura, artesanato e tapeçaria.
. No Facebook também poderão encontrar mais pormenores sobre a artista.Obrigada, Clara, pela tua Amizade que já tem mais de trinta e cinco anos. Parabéns pelo site e trabalhos lindos que continuas a fazer. Há recordações que nunca se apagam na nossa memória e que mais valor adquirem à medida que os anos passam.
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