Hoje está um dia sufocante, muito raro aqui no Porto, onde, como já disse, corre sempre uma brisa marítima e se sente a humidade do mar. Lá fora na varanda devem estar uns 30º e não apetece sequer sentar a ler um romance. Refugiei-me na sala, donde se vêem as árvores na mesma, mas que, com vidros duplos, me protegem do barulho dos carros e sobretudo, do bafo intenso do asfalto.
Continuo em distress ( como o tradutor deste blogue me descreve na tradução online:)). Pintei mais um pouco, sem grandes resultados, tenho a companhia dos meus filhos, mas não sinto paz, apenas inquietação, um desejo enorme de sair. É o que vou fazer. Ate logo!
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Após duas horas de espairecimento, sinto-me melhor, ainda que este céu plúmbeo pese sobre a nossa cabeça. Não chove nada, antes chovesse, pois o Jardim Botanico , onde fui por uma hora está à mºingua de água, seco, descuidado, com pouca gente e sobretudo sem ninguém para cuidar das plantas. É criminoso doar um jardim deste ao Estado e depois permitir que esse dito cujo não lhe dê a m´nima atenção. As plantas não são aqrqueologia, não são ruinas romanas, nem montes ou rios, são seres vivos que estiolam no verão, numa cidade onde há água para piscinas particulares, fontes e fontinhas, repuxos, etc. Revolta-me ver as flores que estavam lindas na Primavera, completamente secas e murchas...até as gaivotas pousam nelas como se foram lixo.
Tirei algumas fotos do que resta da gloriosa época da expo Darwin... a cultura cá em Portugal é assim, existe a espaços e depois morre, como se não tivesse existido.
O que me v
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sábado, 20 de agosto de 2011
sábado, 3 de julho de 2010
EVENTOS

Portugal é um país pobre, com poucos recursos - segundo dizem - poucas verbas, vencimentos baixos e vida cultural pouco atractiva. Isto é o que dizem as cabeças pensantes, a inteligentsia cultural deste país. Segundo eles , em Portugal, não há nada para ver, para onde ir aos fins de semana, onde levar as criancinhas nas férias, a não ser á praia. No estrangeiro é que é bom. Nada de mais falso.
O Porto - e já nem falo de Lisboa, que considero acima da média em oferta cultural - oferece todos os dias - seja fim de semana ou dia útil - inúmeros eventos musicais, teatrais, workshops de tudo quanto há, expos de pintura e escultura, inaugurações, instalações, fotografia, bibliotecas,feiras do Livro, sem mencionar sequer os museus que estão abertos para serem visitados a toda a hora.

Só não vai quem não quer, pois em geral estas actividades são de entrada livre ou exigem um bilhete simbólico. Tenho procurado divulgar neste blogue muitas actividades em vários domínios, pois nem sempre os encontramos nos jornais diários, sendo mais visíveis na net no site Porto Lazer, por exemplo.
Não sou muito de encontros sociais,hoje em dia, não vou a muitos eventos, nem gosto de sair a toda a hora. Cada vez mais gosto de estar em casa.
Fui a muitos eventos em Lisboa, nos anos 60s e 70s, fiquei um pouco blasée de óperas, teatros ( o teatro francês no Tivoli era excelente), concertos ( Coliseu,Gulbenkian, Aula Magna, etc)cinemas ( todos filmes franceses, suecos, italianos que apareciam no CCC ( Cineclube Católico) ou nas salas lindas do Monumental, S. Jorge, Império, S. Luis, Estúdio e até no Restelo, salas que já morreram sem deixar rasto. Arranjava bilhetes para tudo através do meu Pai ou de amigas (até consegui ouvir o Charles Aznavour sem pagar bilhete, pois a filha do dono do Monumental era minha colega), da FLUL.Tive uma juventude "intelectual" até dizer basta. Lisboa era um paraíso.

Na província nada havia. Em Chaves ainda se comemorou um 10 de Junho com alguma expressão artística, exposição de Nadir Afonso, artesanato, etc., mas duma maneira geral foram anos perdidos em termos culturais. Ouvia música clássica pela ´radio ou em discos de vinil - que ainda possuo - e estive quase sete anos sem ir ao cinema. TV só um canal a preto e branco. Lia muito. Foi mesmo um deserto total em matéria de eventos sociais. Durante anos, enquanto os filhos cresciam, só via programas infantis na TV e já estava desfazada de tudo o que passava acima de um certo nível cultural. Perdi o hábito de sair à noite e só os concertos da Regie Symphonie - mais tarde Orquestra Nacional do Porto - em S. Bento da Vitória me animavam e relembravam a minha juventude; dava aulas numa Escola Profissional de Música e conhecia bem muitos dos intérpretes dessa orquestra.

Hoje em dia, gosto muito de ver exposições, sobretudo quando não há ninguém...sento-me nas cadeiras e olho para os quadros o tempo que quero. Não há barulho, nem interferencias. Ir a um local às tantas horas, ouvir apresentações de artistas, elogios às obras, beber um Porto, falar , falar, não é comigo.

Prefiro vivenciar a cultura à minha maneira e de preferência a sós comigo própria.Mesmo pintar é uma tarefa solitária. Não sou bicho de mato, mas não me acho compatível com uma agenda cheia de festas, encontros, inaugurações, cursos, vernissages ou outros. Devo perder milhares de oportunidades de conhecer pessoas, de me fazer conhecer ou de entrar na alta roda intelectual. Mas isso não me preocupa nada.
Estou contente com a aposentação, pois libertou-me de horários. Cada vez mais gosto de liberdade e de um pouco de solidão. Enquanto posso usufruir dela.
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