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domingo, 18 de setembro de 2011

No terceiro dia


Resolvemos dedicar-nos à Arte.


Há quarenta anos , quando estive em Londres a estudar para a minha tese de licenciatura e a passar o Natal com a minha irmã que trabalhava na cidade, visitei uma pequena galeria, em Russell Square, com a maior colecção de impressionistas que tinha visto até então. Hoje é uma Galeria importante, situada numa ala da Somerset House, um edifício majestoso nas margens do Tamisa. Apanhámos o metro e num instante chegámos lá. Foi giro vermos os comboios debaixo do chão, o célebre TUBE, mas não é "my cup of tea"...prefiro andar de autocarro double decker vermelho e ver tudo de cima. A Courtauld apresenta dois andares de pintura, desde o Renascimento atè ao sec XX. Vi alguns quadros célebres, como o Dejeuner sur l'Herbe de Manet, El nino e la paloma de Picasso ou Les Joueurs de Cézanne. Este tem uma sala especial. Vimos ainda uma exposição especialmente dedicada a Toulouse-Lautrec e a sua musa Jane Avril.

A galeria vê-se bem e não cansa, pois não é grande. Saímos pela Strand, uma avenida enorme que vai dar ao Trafalgar Square e andámos a pé a gozar o bom tempo que se fazia sentir. Aproveitámos paa comprar os bilhetes para o concerto de St. Martin-in-the Fieldsuma das igrejas mais conhecidas de Londres, onde todos os dias há concertos ao fim da tarde com música clássica, barroca e jazz à noite. Na cripta, fizeram um café muito engraçado e uma loja, onde se vendem discos e recordações.


Almoçámos um pequeno almoço à inglesa, que é saboroso quando se tem fome!



À tardinha, resolvemos ir à aventura procurar um pub onde houvesse transmissão da Champions League para ver o Manchester e o Benfica num ambiente emocionante. Mesmo ao pé do hotel havia o Prince Edward, um pub com dois televisores, num deles transmitiam o Man United-Benfica , no outro o Man City- Nápoles. Os dois Manchesters odeiam-se, um pouco como o Benfica e o Sporting, de modo que havia aplausos e apupos dos dois lados. Muito divertido. Quando o Benfica marcou um golo, não me contive e bati palmas. Um senhor virou-se para trás e disse : Quem é que bateu palmas??? Portem-se bem, se não vão para o canto." Rimo-nos imenso e passámos ali duas horas deliciosas. A cerveja era excelente e os pratos tipicamente ingleses. Estávamos optimamente instaladas em fauteils. Vibrámos pelo Benfica, que afinal nem é o meu clube....mas é português.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

À espera do pior

As perspectivas financeiras nos próximos anos são catastróficas, sobretudo para a função pública. Sei, por experiência, que depois do 25/4, se conseguiram muitos benefícios, alguns deles mais do que justos, outras que não se justificavam, sobretudo porque não havia qualquer avaliação do trabalho dos trabalhadores e sabemos que muitos trabalhavam pouco, mal e sem eficiência de espécie nenhuma.
Bastava ir aos serviços, quaiquer que fossem, para verificar a ignorância e a ineficácia total. Ainda me lembro de estar em filas durante tres horas para pagar o imposto profissional numa escada que era um buraco em Cedofeita....e ainda há pouco tempo, verifiquei quase o mesmo na Loja do Cidadão. Gostaria que os funcionários fossem bem pagos e eficientes, mas cá há muitos trabalhadores que são maus e nunca vão para rua, como devia ser.
O mesmo acontecia na secretaria da minha escola, quando lá trabalhava, quase nunca estavam as funcionárias todas a trabalhar, havia os cafezinhos e os pequenos almoços a toda a hora, as baixas constantes, faltas, saídas mais cedo, etc. O mesmo acontecia com professores, que tinham horários zero, ou reduzidos e podiam acumular outras funçoes noutras escolas, dar explicações, sempre a pretexto de terem ordenados baixos. Muitos de nós pedimos reformas antecipadas com receio do que estava para vir e ainda porque não aguentámos o regime imposto por MLR, com exigências de horário muito mais apertado do que os anteriores.

Assusta-me muito esta redução drástica nos nossos proventos - a que chamam solidariedade - será justo que todos fiquem pobres porque uns enriqueceram ilicitamente ou adquiriram bens por empréstimos? Sempre consegui viver bem porque trabalhei trinta anos nos manuais escolares, trabalho que fazia com gosto e bastante exito, tendo conseguido fazer parte de equipas excelentes. A editora também ajudou com a sua eficiência e nome.

Nunca fiz vida de luxos, não frequento clubes, nem discotecas, não tenho carro, ando de transportes publicos ou a pé, não gasto em artigos de beleza, a não ser no essencial, nem em roupas ou joias caras. A minha loucura dantes eram os elecrodomesticos, as tecnologias, etc., mas mesmo isso já  faz parte do passado. Gasto bastante em restaurantes, onde vou regularmente com os meus filhos....mas nunca exorbitamos e eles estão habituados a moderar-se. 

Porquê esta inquietação? É mais por eles, pelo futuro dos que começam agora, pela minha filha, que ainda não encontrou um lugar certo, pelos meus netos que vão ter de sair muito provavelmente, como os meus sairam...é toda esta incerteza que me faz ir para o Botânico e não levar música, andar dum lado para o outro, a pensar....

Ontem estava um dia cinzento, mas mesmo assim consegui tirar algumas fotos bonitas...


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sistema de caracol

Perdi a minha tarde hoje.

Embrulhada na burocracia que é este país e compreendendo - melhor do que a Troika, se calhar, - por que é que ele não avança, nem pode vislumbrar a luz ao fundo do túnel.E ainda há quem seja contra as privatizações, Deus meu!Venham elas!!!

Fui à Loja do Cidadão, que foi construida num local onde 2/3 dos utentes do Porto têm de se deslocar de transporte público, pois não é central, nem perto de coisa nenhuma. Fica longe de tudo. Não contentes com isso, levaram anos a desenhar o projecto do Metro do Porto
para a zona do Estádio do Dragão - o EURO 2004 era super importante e durou um mês, se tanto!- pois os milhões de turistas adeptos de futebol iam precisar duma estação à porta do estádio, coitados, para ver um ou dois jogos que lá se realizaram naquele fatídico mês de Junho. Fatídico porque lá perdemos com a Grécia.
A estação de Metro foi construída a mais dum kilometro da Loja do Cidadão - os milhares de pessoas que lá se deslocam não são adeptas de nada, coitadas, a não ser da necessidade de resolverem os seus problemas com mais celeridade. Antes disso, se ousam ir de Metro, sobem uma rampa com 1km e picos, à torreira do sol. É castigo para não irem chatear a função pública.
Celeridade? É palavra desconhecida dos nossos funcionários públicos, em geral. Dantes eram filas de pessoas que tiravam o seu ticket e esperavam horas infindas nas repartições, agora são as mesmas pessoas, sentadas em bancos, quando os há, a tirar o ticket e a esperar horas infindas na L do C....Diferença? Nenhuma....

Fui com o meu filho fazer contratos de água, gaz e electricidade.

A EDP é privada,
fomos atendidos mal chegámos, a funcionária, toda ela sorrisos para o meu filho que é jovem e cortês, q.b., tratou dos papeis sem grandes demoras, desculpando-se de "qualquer coisinha"...andou no "sistema", descobriu que o meu filho já tinha tido um contrato com a EDP em 1998 ( descoberta brilhante!!! E para que serve saber isso?), tudo contribuiu para conversar mais um pouco e amenizar o encontro. Acabou por marcar as idas dos funcionários lá a casa , cada uma em seu dia diferente, o que obriga a ir para lá e esperar mais duas horas de cada vez, se eles forem pomtuais...

Passámos então para as Águas,
que ainda não foram privatizadas. Tirámos a senha 131, precisamente às 3.45 e lá informavam-nos de que seríamos atendido pelas 16.25. Errado! O nº 124 esteve meia hora a ser atendido, depois o 125 outra meia hora, entretanto uma outra funcionária despachava o 126 e o 127, mas saía do guichet no fim dessa tarefa ( para buscar a criança à ama, provavelmente). Finalmente soou o nº 130, o indivíduo/utente não apareceu ( tinha-se cansado, o coitado, quem é que levará a mal?) e eu disse ao meu filho: que bom, agora somos nós! Errado, outra vez! O funcionário começou a tratar de papeladas várias, com o 130 escarrapachado no ecran, como se estivesse a atender o Homem Invisível. Regressa entretanto a funcionária que se tinha ausentado e toca o nosso número. Até parecia que tinha tocado uma trombone aos meus ouvidos. Nem queria acreditar.
O meu filho já estava com medo que eu tivesse um ataque e disse-me: Eu vou dizer-lhe no fim que isto não pode ser assim:). A menina fez tudo e deu uns papeis ao meu filho para assinar. Certo? Não, errado! O email estava errado e a factura electronica iria esbarrar com esse problema! Toca a fazer tudo de novo, a pedir ajuda ao colega, pois aquilo emperrava, mais impressora, mais fotocópias, mais tempo, menos paciência. Quando tudo terminou, levantei-me, sem um sorriso, nem um obrigada. O meu filho comentou: Sabe quanto tempo aqui estivémos?
Devíamos ter sido atendidos há uma hora....ao que a menina retorquiu com um ar seráfico de quem tem todo o tempo do mundo: Sabe, é o sistema...está lento! 
E ainda bem que não foi de férias, pensei eu.