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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Porto visto do autocarro e do Metro




Antes de partir para Leeds, resolvi hoje fazer uma pequena viagem de metro e autocarro até à Baixa onde tinha de ir falar com a minha contabilista que trabalha num quiosque muito giro no CC Plaza, local muito agradável no coração da Baixa e que me faz lembrar os centros comerciais de Leeds por coincidência.

No caminho para lá no autocarro 200, que só levou 15 até ao Bolhão, tirei algumas fotos com o meu IPOD - não ando sempre de Leica - e ponho aqui algumas engraçadas, ainda que tecnicamente muito inferiores.

À vinda de metro, tirei outras diferentes,que revelam uma cidade mais moderna e simpática.



Foi uma espécie de despedida e consolo por ontem ter estado a acusar este cantinho de menos apetecível...:))

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Downtown





Como vos contei andei uma manhã a visitar uma parte da Baixa de Leeds que conhecia pior. Há casas lindas do tipo vitoriano e georgiano, que fazem lembrar Londres, South Kensington e Knightsbridge, em tijolo com janelas lindissimas. Leeds tem construído muito, torres e arranha céus muito arquitectonicos e arrojados, a universidade tem alguns departamentos mesmo interessantes. No entanto as ruas sem carros, como a Briggate, onde ficava a saudosa Borders, agora substituída por uma loja de roupas tipo outlet sem graça nenhuma, a Headrow, onde fica o Museu, o Instituto Henry Moore e o Town Hall continuam a ser os locais mais populosos sobretudo ao fim de semana em que meio mundo sai à rua.

Ir a Baixa aqui no Porto é ver ou ouvir os velhos a falar das suas doenças e sacrifícios, pedintes e ceguinhos, uma tristeza.

Lá sinto alegria, vida, mesmo solidariedade no meio dos imigrantes, mulheres com saris ou véus na cara, chauffeurs de taxi paquistaneses, indianos, kashmerianos, jamaicanos, mães com carrinhos de bébés nos autocarros, e jovens, muitos jovens, com roupas estapafurdias, minis a deixar ver tudo, decotes ousados a tiritar com os 10º de temperatura. Lá é a alegria de estar vivo, aqui é o medo de morrer....

Ficam aqui algumas fotos do Corn Exchange, local onde se faziam trocas comerciais, um edificio lindo com uma abobada alucinante.

Por favor, cliquem nas imagens porque vale a pena:)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Capital e a Invicta


Lisboa - vista do rio
Ontem chorei em Lisboa....a cidade da minha infância e juventude, a capital dos meus sonhos de adolescente, o lugar onde fui educada debaixo da protecção solar e estrelar dos meus pais e irmãos, privilegiada desde que nasci até que parti.
Nunca mais voltarei para esse lugar "estranho", onde me sinto agora lost in translation. Mixed feelings quando nela penso, doi-me ver escorrer tanto dinheiro para uma cidade que segundo os michelins deste mundo já tem tudo o que é preciso e ainda quer mais. A minha cidade-berço é preguiçosa, presunçosa e ambiciosa até dizer basta.
Ler uma Mª João Seixas afirmar com a sua soberba inata que o Porto não necessita duma Cinemateca - quem é que ela pensa que é? - ou que os comboios chegam e sobram ( vê-se...), que os portuenses têm complexos - chamar-lhe-ia raiva contida - porque são incapazes de atrair os turistas, blablabla enche-me de revolta.

Quando namorava o meu marido, a minha sogra dizia-me muitas vezes sem grande jeito: "Lisboa é grande demais, não gosto da Baixa lisboeta, as lojas são todas muito dispersas, uma pessoa perde-se. Gosto muito mais da Baixa do Porto, onde tudo é mais aconchegado e as lojas têm tudo o que há de melhor, assim houvesse dinheiro para gastar....:). E depois, o rio de Lisboa ´é tão largo, não é espelhado, não dá curvas, nem é azul, como o Douro, a vista quando se chega de comboio ao Porto ( pela D. Maria...) é lindíssima, a de Lisboa, mesmo a da ponte, não se compara, é tudo feio junto à estação de S. Apolónia.Não gosto mesmo nada dessa cidade."Ela tinha as suas razões de queixa.

Irritavam-me aquelas observações ainda por cima ditas em sotaque tripeiro....mas são em parte verdadeiras. Basta mudar...de cidade e de vida.


Monumento aos pescadores, vulgo Anémona - Matosinhos

Ainda me lembro duma conversa que tive com o meu marido-to-be no PACO, um restaurante junto à Gulbenkian, em que fiquei furiosa de ele dizer que os portuenses trabalhavam a sério e os lisboetas só corriam dum lado para o outro todo o dia , queixando-se nos cafés da lufa-lufa da sua vida complicada. Achei a ofensa máxima e perdi o apetite....mas realmente quando penso na minha vida em Lx - verifico que 2/3 da minha adolescência foi passada em autocarros a percorrer a cidade...autocarros onde até fazia tricot para entreter o tempo e aguentar as viagens até ao Restelo ou à faculdade e liceu. Poderia ter tido uma média bem superior na FLUP ( só tive 15) se não perdesse metade do tempo nos transportes e se me dessem tempo para estudar mais e melhor.
A rua onde morei durante vinte anos - 1951-1971

Depois deste fim de semana, em que passeei no Porto como uma turista com os meus amigos woophians, mais uma vez tive a certeza de que esta é a melhor cidade do pais para se viver.
Bom sucesso no coração do Porto
A rua António Cardoso, aqui junto à do Campo Alegre, onde vivo - é mais bonita que todas as ruas do Restelo onde vivi, cheia de árvores centenárias e com um jardim histórico a 5m a pé de minha casa. Em dez minutos estou junto ao Oceano Atlântico
a cheirar a maresia e a ver as regatas a sublinhar o horizonte. As gaivotas trazem-me todos os dias novas do estado do tempo , pousando no candeeiro aqui junto à minha varanda. Os meus netos vivem aqui pertinho, tem o colégio alemão para onde vão a pé; e, se quiser respirar ar puro, posso voar para o Parque da Cidade onde espraio a minha vista até ao mar. Que posso querer mais?

Todas as fotos foram tiradas por mim este ano. As fotos de Lx são do Google!! Clicar!