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sábado, 23 de abril de 2011

Faro- o que escapa ao olho nú


Uma cidade tem sempre pontos belos , outros curiosos, alguns originais, pitorescos, muitos insignificantes...quando se passeia por uma cidade nova, descobrem-se pormenores, que no escapam no dia-a-dia nas cidades onde vivemos, de tal modo estamos inertes e indiferentes ao que nos rodeia. Saímos a pé, de carro ou de meio de transporte público, as imagens passam a correr pelos nossos olhos, que não captam mais do que o essencial, os lugares preenchidos nos autocarros, os balanços do veículo, o calor e as janelas fechadas, o cansaço nos rostos das pessoas. Não nos passaria pela cabeça tirar fotografias nesse ambiente.
Quando se está em férias, a paisagem parece diferente, as cores mais nítidas, os pormenores mais visíveis, despertos que estamos para tudo que é interessante, fotografável e mesmo atraente. Os turistas às vezes parecem quase como crianças, de máquina em punho, ávidos de uma foto mais sensacional, que os leve a memorizar aquele décimo de segundo em que a câmara disparou e petrificámos uma cena, uma casa, um rosto, umas roupas a secar ao sol, um campanário, uma cegonha em cima duma torre ou de um candeeiro, uma boneca no parapeito da janela, um cão encostado, uma árvore centenária,
uma bicicleta a passar à beira do mar...
Gostei de ir a Faro como turista, com pessoas que gostam de fotografia - alguns são loucos - e que nos fazem reparar em pormenores, que em geral, nos escapam.
Tirei fotografias muito expressivas da cidade, mas também descobri nessas fotos pormenores que resolvi destacar, por serem especialmente curiosos ou belos.

Ficam aqui alguns pormenores desta cidade luminosa, que descobri no fim de semana passado e que me deixou uma enorme vontade de lá voltar....assim , como turista.

CLiquem nas imagens!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Down memory lane


Torre de Belém - colagem. Autoria Stewart Scott- 23 Novembro de 2004 - 11 de Março de 2010

A expressão inglesa no título significa recordar, relembrar factos ou memórias passadas...algo que se faz muito na velhice ou depois dos 50 quando uma metade da vida já se foi e o resto já não surge tão glamoroso ou prometedor.

Nunca fui nostálgica da infância....tive muito, posso dizer que a minha infância foi relativamente calma e despreocupada, mas não uma infância feliz com recordações inesquecíveis. Talvez por ter muitos irmãos - somos oito irmãos - senti-me sempre um pouco só no meio de muita gente. E sempre achei que se vivia numa família etiquetada de feliz, como muitas desse tempo, pois não sofríamos de apertos financeiros, vivíamos numa casa linda e com espaço para todos. Na adolescência, quando comecei a querer ser eu, e não apenas um elo da correia, a vida só era agradável a 100% fora de casa, na escola onde tive uma vida activa para alem das aulas, compromissos na Jecf e amigas q.b.etc.
Em casa só me sentia bem sozinha,no jardim grande da minha casa no Restelo - eram tempos de outra senhora, lembro - ou a ler de fio a pavio os romances que a minha Mãe escolhia para nós. Eram livros muito bons para meninas - colecção das Raparigas-e eticamente recomendáveis. Estar com as minhas irmãs significava ter de dar conta de tudo o que pensava, fazia, decidia ou sonhava. Tudo era muito controlado pelas minhas irmãs mais velhas, pelos meus pais, até os filmes que víamos, namoriscos ou as amizades. Daí não me terem ficado grandes saudades da vida familiar desses tempos. Havia festas, jovens, danças e aniversários, mas nem sempre muito felizes para mim, pessoalmente.

Tudo isto para explicar que me afastei progressivamente da família, entrei numa de introspecção a partir dos 14 anos, passei pela fase da religiosidade, era beata e vanguardista simultaneamente, como a minha amiga Helena, que agora é política notável.Andava pela capela do Rato, como muitos jovens da minha idade e meio social.

Muito passeei pelo Restelo, bastante desertico nessa altura, adorava ir até aos Jerónimos, sentar-me no escuro da Igreja, ler os Evangelhos, que têm partes lindíssimas , meditar, ir até à Torre de Belém - era só atravessar a linha e estava do outro lado, junto ao rio. Na Torre podia-se entrar sem pagar e aqueles muros davam-me a sensação de estar a viver uma aventura dos Cinco.
A Torre de Belém faz parte da minha infancia e juventude assim como o Mosteiro dos Jerónimos, onde casaram os meus irmãos.

Esta foto que o meu amigo Stewart me enviou hoje e que levou horas de trabalho e pesquisa nos seus arquivos fotográficos é um espelho do que foi a minha juventude, planos vários, parecidos, quiçá paralelos, mais felizes, menos felizes, belos porque já passados...

Obrigada, Stewart. Como vês, as tuas fotos contam uma história: a minha.