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sábado, 14 de janeiro de 2012

1ª vida

Costuma-se dizer que o gato tem sete foles ou sete vidas.Sobrevive a tudo, quedas, atropelos, pancadaria, maus tratos, etc.

Não é o meu caso...não sofri nada que se pareça, embora tenha tido a minha quota parte de desilusão e dor em vários momentos cruciais da minha vida. Não os posso , nem devo enunciar aqui, pois isto não é um confessionário. Dessas provações renasci sempre e considero que já vivi umas cinco das vidas que o destino tem reservadas para mim.
Dantes as pessoas viviam só uma vida no mesmo local ou, se variavam, voltavam mais tarde às raízes, casavam uma vez e para toda a vida, mesmo que houvesse traições durante o percurso, a mobilidade era menor, a família mais unida na aparência. Isto é o que nós imaginamos, pois sei que muitas famílias não eram standard ou exactamente assim e que havia muitas quezílias, sobretudo quando se tratava de partilhas ou da morte dos membros mais velhos.


Vivi o que considero a minha 1ª vida dos 5 aos 20, a minha infância e adolescência e é delas que hoje falo. Não considero que tenha sido uma infãncia dourada, mas andou por perto e, se não olho para aqueles anos como os mais felizes da minha vida, é porque o meu feitio e personalidade me não deixaram estagnar na doçura da estabilidade e afectos, cedo demais achei que tinha de me rebelar, mesmo que só aparentemente, para não ficar formatada para todo o sempre, como tantas outras meninas bem da minha idade para as quais olhava com terror, desdenhando a sua vacuidade e pouco interesse.Quis sempre mais.

Os meus pais viviam bem, nunca tivémos problemas económicos; na minha casa tínhamos conforto, espaço ( algo inimaginável nos dias de hoje), uma relativa liberdade e muitas obrigações ou valores como queiramos chamar-lhes. Vivíamos com sobriedade numas coisas, como roupas, comida, materiais escolares ou lúdicos ( nunca tive uma bicicleta, por exemplo), mas com excesso noutros campos, que agora não interessa aqui enumerar. A pouco e pouco, no entanto, as mordomias foram escasseando por força das mudanças sociais e fui-me dando conta de que a vida não era o mar de rosas da minha infância, os meus Pais tinham sofrido bastante para chegar até ali e a cada um de nós cabia realizar algo mais.

Fui uma católica fervorosa nos tempos do liceu e empenhei-me em tudo o que me metia, até fiz jornal de escola quando não havia senão stencis e os desenhos tinham de ser marcados na cera para depois se policopiarem. Foi uma época importante na minha vida, em que viver pressupunha militar em qualquer ideal, lutar por alguma coisa, criticar e ser mais interveniente. Nunca fui de esquerdas, embora na
universidade visse bem os podres do salazarismo. Havia profs banidos, havia os instalados. Havia alunos revoltados e algumas manifs. Não entrava nisso, preferia estudar afincadamente, passava horas na biblioteca a ler Shakespeare ou a estudar Linguística, dava explicações de Alemão e ainda trabalhei nos escritórios das motos Honda e num Lar de 3ª idade para estrangeiros. Fiz tese de licenciatura, que mais nenhuma colega quis fazer pois contava que ia ser abolida em breve e, em 1971, comecei a dar aulas e a estagiar no Liceu Pedro Nunes.

Esta foi a primeira das minhas vidas, sempre em Lisboa, com idas esporádicas a Inglaterra, França e Alemanha e Áustria à minha custa para aperfeiçoar as Línguas e tomar conta de crianças. Numa viagem à Suécia com estudantes do Técnico e de Coimbra conheci o meu futuro marido e a minha 2ª vida começou.

Hoje sonhei com a minha casa de infância, com os meus Pais e irmãos. Parecia um filme...a casa era linda, o jardim imenso.
Foi lá que aprendi a amar a Natureza, as árvores, as estações do ano, o cheiro da relva cortada, as flores. Por isso tudo agradeço hoje e com nostalgia aos meus Pais.

domingo, 13 de novembro de 2011

Aniversário

Hoje faz 31 anos o meu filho mais novo.

Foi um dia muito difícil na minha vida, um do momentos em que a felicidade parece nunca mais chegar...

Tinha dois filhos, um com 4 anos, outra com 14 meses e vivia na minha nova casa há precisamente um mês, depois dum ano terrível passado em casa alheia. Não tinha ninguém no Porto se não o meu marido, a minha sogra tinha partido para a Madeira num congresso, a minha Mãe estava retida em Lisboa com o meu Pai muito doente depois dum AVC que acabou por levá-lo aos 68 anos três semanas mais tarde.

Lembro-me que a médica tinha previsto o nascimento para o dia 13 e eu dissera: Não,espero que não, detesto dias 13s. Mas foi mesmo. Antes de partir para a maternidade, ainda tive de dar de jantar aos dois pequenos e telefonar a uma amiga da minha sogra, pedindo-lhe que viesse a minha casa para ficar com eles, enquanto o meu marido me levava. Foi complicado, a senhora estava com gripe e obriguei-a a sair da cama, o que me custou muitíssimo.
O bébé nasceu as 10.30 da noite. A parteira estava de mau humor, pois fazia anos nesse dia e tinha interrompido o jantar para vir ajudar ao parto (coincidências!).
Fiquei sozinha durante a noite porque o meu marido estava preocupado com os outros meninos, mas percebi que não precisava de ninguém, afinal, a felicidade que eu procurava estava no rosto daquele pequeno ser ao meu lado, de olhos fechados
, angélico, o meu terceiro filho, que viria a ser tão importante na minha vida.

Fica aqui uma das suas músicas preferidas e que ele próprio toca na guitarra:

sábado, 8 de outubro de 2011

A Foz , espaço de solidão e liberdade

Hoje o meu neto dormiu cá. Levantou-se pelas 9 e sem fazer barulho, foi para a sala e pôs-se a ler. Entretanto acordei , arranjei-lhe um pequeno almoço de maçã, flocos e um croissant pequenino, e voltei para a cama, pois tinha-me deitado pelas 2 horas e estava cheia de sono. As 10.30 acordou-me, dizendo que a Mãe o vinha buscar para ir a escola de violino. Fiquei com remorsos de ter dormido tanto.

Ontem tínhamos estado os dois a ver o empolgante Portugal- Islândia ( 5-3) e ele tinha-se abraçado a mim com uma ternura que me fez virem lágrimas aos olhos. Adoro este menino e ele retribui, embora não seja de grandes manifestações com outras pessoas. Não consigo dizer-lhe "Não", dou-lhe tudo o que pede ( é bem pouco), ofereceu-se para me ajudar a pendurar a roupa, é prestável, ternurento, aquilo que se pode chamar a criança ideal. Oxalá não se estrague, mas tenho tanto receio do futuro!

Hoje fui almoçar à Foz. Estava um pouco mais de vento, mas o sol era forte, de modo que estive sempre na varanda e até me bronzeei. As gaivotas andavam alvoroçadas, não sei porquê. Não levei a máquina, tirei as fotos com o Ipod .





O mar sempre belo e sempre bravo fazia um barulho embalador. Mesmo assim ouvi musica, desta vez árias de ópera escolhidas que tenho aqui no meu Ipod. Foi uma tarde linda.

Fica aqui uma das árias mais comoventes que conheço da ópera O Pescador de Pérolas de Bizet e de homenagem a Salvador Dali:

terça-feira, 28 de junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA


Comemora-se hoje. Todos sabemos. É um daqueles dias luminosos em que nos passam pelos olhos imagens de crianças a sorrir, felizes, bibes e chapéus coloridos, o tagarelar e o cantar despreocupados. Comparamo-las aos passarinhos que aqui na minha rua se ouvem a toda a hora. Mas também nos chegam outras imagens bem mais soturnas de crianças soldados, crianças a trabalhar debaixo de sol escaldante ou em fábricas de tapetes com temperaturas impiedosas e olhos do tamanho do mundo.
As crianças são a alegria das famílias, nunca me lembro de não ter crianças por perto, os meus filhos, amigos deles, crianças do infantário da minha escola, sobrinhos, etc. Sempre achei que eram muito especiais, inteligentes, sensíveis, espontâneas e desarmantes.
Os meus netos são muito diferentes e cada um deles tem uma personalidade muito própria. Felizmente podem expressar os seus sentimentos e qualidades em campos tão diversos como a música, os trabalhos manuais, o desporto, o ballet ou o piano. Os pais defendem-nos
de alguns vícios da era actual como a TV ou hábitos perniciosos de deitar tarde ou ver filmes violentos e telenovelas. Mas eles vingam-se, quando vão a casa dos avós, exigem ver o Canal Panda, sem o qual as visitas não são tão saborosas...:)
Vivi numa família cheia de crianças, éramos oito filhos. Lembro-me de ter de partilhar tudo com os meus irmãos, até os bolos ao domingo, livros, vestidos, festas, etc. Nada era muito privado, todos sabíamos tudo acerca dos outros e cada uma das nossas acções assumia importância para o colectivo.
Lembro-me de ir à praia, de andar por Sintra, visitar famílias amigas dos meus pais, ir à Missa aos Jerónimos, rituais que perduraram durante anos. Só na adolescência, começávamos a indagar se os Pais tinham sempre razão e se não haveria outros caminhos a desbravar. Era apenas uma tentativa tímida, pois os tempos eram outros e os adolescentes não tinham tanta liberdade.

Hoje resolvi voltar à poesia da minha amiga Regina, especial para crianças:

Perguntaram à Maria

o que era a poesia

e a Maria respondeu:

É saber olhar o Céu,

ouvir as ondas do mar,

e sentir a maresia,

as aves a chilrear,

desde que o sol se levanta,

deixar a areia escapar

por entre os dedos da mão,

é saber ouvir o vento

que traz sempre uma mensagem

quando chega de viagem.

É acarinhar a terra,

cada animal, cada planta,

cada pedra, cada rio.

É cantar ao desafio com o melro,

o gavião, e também a cotovia,

o pardal , o rouxinol.

É saudar o arco-írisnum dia de chuva e sol

In Ciência para meninos em poemas pequeninos

FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Inquietude



Tenho andado um pouco depressiva....acho que é a ausência dos meus filhos - um nos EU, outra na Inglaterra, o mais novo em Lisboa....sinto-lhes a falta sempre, mas há alturas em que me parece que nada tem cor, o mundo fica a preto e branco, baço, sem sentido. Os netos são amigos, mas são pequenos seres independentes de mim e, ou vêm todos a minha casa...ou não vem nenhum, acabo por não criar uma relação profunda com eles, como desejaria. Tém uma VIda, exigente demais na minha opinião e de que não faço parte por moto próprio. Gosto muito deles, mas nunca quis substituir-me aos Pais, acho que já sacrifiquei muito pelos filhos e não tenho coragem de me sacrificar do mesmo modo pelos netos, mesmo que pague esse preço com uma relativa solidão. Levo tempo a recuperar quando o meu filho mais novo vem ao fim de semana e parte ao domingo à tarde. Ele só vem de tres em tres semanas e o tempo que estamos juntos é escasso.

Hoje fui ao Solinca health club, onde me inscrevi há duas semanas. Aproveitei tudo, ginásio, piscina, jacuzzi, sauna, etc. Saí de lá como se tivesse levado uma tareia, com dores no joelho de bicicletar e até me custou a andar até casa. Estou com sono, mas renitente em dormir a esta hora, vou aguentar-me até à noite. Dói-me o corpo todo, não sei se abusei, se esttive muitos dias sem fazer os exercícios e o corpo agora ressente-se. Não estou confortável comigo própria.

Acabei ontem de ler um livro: Histórias do Fim da Rua de Mário Zambujal . Não escreve mal, observa bem, cria personagens patuscas, revela algum sentido de humor...mas tudo espremido é uma croniqueta sem grande conteúdo, pintando uma sociedade mais que medíocre, onde não me revejo. É deprimente q.b. Como muitos livros de autores portugueses.

Ontem revi o filme O Leitor,, cujo livro já tinha lido. Que diferença"! Personagens com profundidade, com densidade psicológica, com dramas interiores, apaixonantes. Foi um filme que me deixou marcas e que ainda hoje me impressiona por se debruçar sobre o problema da culpa e da responsabilidade em tempos de guerra, aqui durante o nazismo. A actriz , Kate Winslet é colossal, confrangedora na sua sinceridade quase pueril. Ralph Fiennes, sempre o mesmo perfil, belo e generoso. Em 2008 gostei muito do filme. Li o livro e adorei a história, ficção ou não, tem muito de verídico.

Está uma tarde lindíssima, céu azul...algum vento, o barulho dos carros na minha rua...a empregada saiu há pouco e deixou tudo limpinho, é só uma vez por semana, mas sabe bem. Tenho tudo para ser feliz....

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um serão com Chopin



É espantoso como a Música nos leva a recuar por vezes anos e anos, fazendo-nos regressar à infância e às doces recordações familiares...

O MEZZO ( mais uma vez) brindou-nos com duas horas de Chopin....piano tocado por dedos que mais parecem duendes dançando sobre as teclas,
numa alternância entre o tímido, o furibundo, o plangente, o revoltado, o romântico, o persistente, o entrelaçado e o suave...

Chopin é tudo, são teclas a falar.



Recordo a minha Mãe, a sala da nossa casa, a janela com as cortinas a esvoaçar, o piano encostado à parede, os seus dedos a dançar sobre as teclas. Era muito pequena, mas adorava sentar-me ao pé e ouvi-la tocar. Não o fazia todos os dias, só de vez em quando e por isso era tão saboroso.

Ouvi agora os Estudos, as Mazurkas, os Prelúdios, as Valsas, só faltam os Nocturnos para o serão ser completo. E feliz, embora nostálgico.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ser feliz



A Felicidade é algo tão complexo que não consigo defini-la, nem sequer tento. Limito-me a abraçá-la quando por vezes bate a porta.
Esta foto da minha Luisa de braços abertos junto à sua nova morada H ( de Heaven ( céu) , Haven ( porto de abrigo), quiça de Hope ( esperança), seja lá do que for, dá a medida da sua alegria por estar de novo em Leeds, numa nova vida, com outros voos.

A Felicidade são momentos, sorrisos, actos de amor, palavras, gestos,contemplação, lágrimas e risos, amizade concretizada e sem, duvida, a sensação de dever cumprido.

É o que sinto neste momento, em que o vazio é grande quando me sento aqui no sofá da minha sala e olho em volta. A guitarra do meu filho está silenciosa e a madeira não se ouve. Aqui e acolá os livros, algumas revistas sobre temas esotéricos tão do seu agrado, os earplugs do Ipod, DVDs que ficaram por aqui e acolá, na estante, a foto da minha filha a imitar a do Titanic, de braços abertos na Foz. Nenhum deles está cá. E fazem-me tanta falta!

Mas tudo está bem, como podem ver nas foto já tiradas em Leeds. Filhos felizes é caminho andado para as mães serem felizes. E logo vem os netos....:)

Hoje em dia as comunicações são transmissoras fieis de sentimentos e ajudam muito a matar as saudades.
Os blogues também, enquanto escrevemos, libertamos os nossos fantasmas e estamos convosco.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Paraíso terrestre



Hoje descobrimos a parte mais aliciante e não menos bonita desta quinta. Desce-se uma rampinha que é uma ruela, passa-se por uma capela muito bonita, abre-se um portão e depara.se com uma ponte muito sui generis que liga a uma torre com elevador, donde se vê a grande piscina em cima do mar. Tudo isto pertence à mesma Quinta da Penha de França, que não me canso aqui de publicitar. Desce-se de elevador e lá em baixo esperam-nos as espreguiçadeiras com toalhas ao sol ou a sombra , em cima das rochas e do mar ou mais afastadas. A vista é soberba sobre o oceano e tb sobre os hoteis, entre os quais se destaca o velho REID'S onde é suposto terem estado alojados personalidades famosas como Churchill.
Pode-se ir tomar banho directamente ao mar, passando uma pontezinha e descendo umas escadas de pedra que entram na baiazinha ( sem pé), onde se mergulha, aproveitando a água salina e refrescante do verdadeiro oceano. A água da piscina está mais fria, mas tb vem de lá e é salgada...

A felicidade deve ser isto....estar aqui, em boa companhia...e lembrar-nos que foi aqui que há muitos anos estive enamorada do pai dos meus filhos, por isso eles existem, criados num sonho que era belo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

From Madeira with love



É impossível não gostar desta ilha...chegámos há tres horas e já estou de novo apaixonada por tudo...pelas vistas, pelo mar azul, tão azul que até parece irreal, pelas casas antigas - das quais o hotel que escolhi é um exemplo imperdível - pelas flores que nascem nos locais mais reconditos a nossos pés, pela comida bem cozinhada e servida, as piscinas que nunca faltam em redor...enfim, privilégios de quem se pode dar a estes luxos uma vez por ano.

Há 37 anos passei aqui a minha lua-de-mel e fui feliz.
Quis voltar com os meus dois filhos para lhes mostrar o sítio, tão diferente dos hoteis típicos do Funchal. Eis aqui umas fotos que tirei, levam muito tempo a descarregar, e a que dei um jeito mais romântico. Há 37 anos não havia fotos digitais, as minhas da lua de mel são a preto e branco e estão num album a lembrar os dias felizes.

Mas hoje estou feliz...apesar de tudo há muita coisa que o tempo não apaga...

domingo, 1 de agosto de 2010

Faz hoje um ano nasceu este blogue



Claude Monet - Nympheas


Na altura escrevi estas palavras:

Quero que este blogue seja um espaço de reflexão sobre ARTE - música, pintura e fotografia, em especial. Quero que através dele se descubram trilhos e caminhos novos, recordando os já conhecidos e amados. Espero que haja leitores conhecedores e interessados, penso que os temas são ilimitados e eu "só sei que nada sei".
O meu lema foi sempre " HAPPINESS IS LOOKING FORWARD TO" - ou seja, a felicidade reside no anseio por alguma coisa.
Este blogue é, ainda, apenas o anseio, a expectativa. E o gosto pela Arte.


De anseio e expectativa, este blogue passou a realidade. De utopia a palavras e actos palpáveis. De sonhos a concretizações. No plano humano e no plano virtual. Este blogue aproximou pessoas, fê-las interagir, deu-lhes "food for thought" ( alimento para a alma)e tem razão para continuar. Posso afirmá-lo sem ponta de vaidade porque não fui eu que produzi este blogue, mas todos os quase 38.000 visitantes que aqui passaram ou por aqui ficaram. A eles devo um agradecimento caloroso.

Ninguém pode imaginar a felicidade que este blogue me proporcionou neste 12 meses, todos os dias, estes bocadinhos passados aqui são uma luz na minha vida...

Falaremos sobre isto daqui a um ano. OBRIGADA!

domingo, 27 de junho de 2010

Adeus Luz-sob o signo do AMOR



Hoje foi o meu último dia de férias nesta linda praia...

Confesso que sinto já a nostalgia do regresso, antevejo o fechar-se da janela para o azul imenso, céu e mar em simbiose perfeita, jardim e flores, árvores, areia, rochas, água salgada, danças dentro de água com a minha filha, waffles com chantilly na esplanada dos ingleses, jogos de futebol em TVs gigantes, vida selvagem, sem horários nem planos , ao sabor do imprevisto...

Dantes, sempre que voltava para o meu apartamento da Ramada Alta, sentia que me fechavam numa caixa com menos espaço para respirar e durante dias tinha uma saudade enorme deste lugar. Por isso desejei sempre que a minhas cinzas fossem espalhadas por aqui, é o local do mundo que é mais meu, que me foi dado pelos meus Pais e que vai ser dos meus netos e bisnetos, se Deus quiser. É-me difícl encontrar outro lugar onde tantos elos da minha família se tenham encontrado, onde tantos tenham sido felizes em plenitude, cada um à sua maneira, mas com momentos de verdadeira VIDA.

Hoje tirei tres fotos que são momentos de AMOR. Por acaso.








Oxalá sejam tão felizes quanto eu fui nestes dias de férias!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Down memory lane


Torre de Belém - colagem. Autoria Stewart Scott- 23 Novembro de 2004 - 11 de Março de 2010

A expressão inglesa no título significa recordar, relembrar factos ou memórias passadas...algo que se faz muito na velhice ou depois dos 50 quando uma metade da vida já se foi e o resto já não surge tão glamoroso ou prometedor.

Nunca fui nostálgica da infância....tive muito, posso dizer que a minha infância foi relativamente calma e despreocupada, mas não uma infância feliz com recordações inesquecíveis. Talvez por ter muitos irmãos - somos oito irmãos - senti-me sempre um pouco só no meio de muita gente. E sempre achei que se vivia numa família etiquetada de feliz, como muitas desse tempo, pois não sofríamos de apertos financeiros, vivíamos numa casa linda e com espaço para todos. Na adolescência, quando comecei a querer ser eu, e não apenas um elo da correia, a vida só era agradável a 100% fora de casa, na escola onde tive uma vida activa para alem das aulas, compromissos na Jecf e amigas q.b.etc.
Em casa só me sentia bem sozinha,no jardim grande da minha casa no Restelo - eram tempos de outra senhora, lembro - ou a ler de fio a pavio os romances que a minha Mãe escolhia para nós. Eram livros muito bons para meninas - colecção das Raparigas-e eticamente recomendáveis. Estar com as minhas irmãs significava ter de dar conta de tudo o que pensava, fazia, decidia ou sonhava. Tudo era muito controlado pelas minhas irmãs mais velhas, pelos meus pais, até os filmes que víamos, namoriscos ou as amizades. Daí não me terem ficado grandes saudades da vida familiar desses tempos. Havia festas, jovens, danças e aniversários, mas nem sempre muito felizes para mim, pessoalmente.

Tudo isto para explicar que me afastei progressivamente da família, entrei numa de introspecção a partir dos 14 anos, passei pela fase da religiosidade, era beata e vanguardista simultaneamente, como a minha amiga Helena, que agora é política notável.Andava pela capela do Rato, como muitos jovens da minha idade e meio social.

Muito passeei pelo Restelo, bastante desertico nessa altura, adorava ir até aos Jerónimos, sentar-me no escuro da Igreja, ler os Evangelhos, que têm partes lindíssimas , meditar, ir até à Torre de Belém - era só atravessar a linha e estava do outro lado, junto ao rio. Na Torre podia-se entrar sem pagar e aqueles muros davam-me a sensação de estar a viver uma aventura dos Cinco.
A Torre de Belém faz parte da minha infancia e juventude assim como o Mosteiro dos Jerónimos, onde casaram os meus irmãos.

Esta foto que o meu amigo Stewart me enviou hoje e que levou horas de trabalho e pesquisa nos seus arquivos fotográficos é um espelho do que foi a minha juventude, planos vários, parecidos, quiçá paralelos, mais felizes, menos felizes, belos porque já passados...

Obrigada, Stewart. Como vês, as tuas fotos contam uma história: a minha.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

E a Foz aqui tão perto



É inacreditável. Em que parte do mundo é que se tem o mar assim tão perto duma segunda cidade do país, fazendo parte integrante da cidade, banhando-a de águas bem salgadas e tornando os nosso passeios em fulgorantes contactos com a Natureza?

Hoje resolvi ir fazer o meu passeio "dos tristes" ( não sei porque o apelidaram assim, pois todas as pessoas que vi estavam felizes e em paz).

O dia estava um pouco instável, com vento de sudoeste a prometer viragem, mas o céu tinha longas manchas azuladas,não chovia e a paisagem tornava-se animada, vigorosa e até encapelada.


Estive fora enquanto aguentei a aragem, depois fui para dentro, sentei-me nos belos pouufs do café dos Ingleses - o melhor café da Foz. Lá dentro parece que se está num barco, pois a varanda debruça-se sobre o mar e nem se vê a areia.





Mais tarde fui até à areia que estava limpinha como na época balnear- dizem que o molhe impede as destroços de virem para as praias, ainda bem. Não se via uma garrafa, uns sapatos, peixes mortos, nada se não seixinhos lindos, conchinhas e a espuma enorme, lindissima espraiando-se pelo areal.
Quando dei por ela, estava toda molhada até aos joelhos. Veio uma onda grande com que não contava e lá se foram as minhas novas sapatilhas do Lidl ( 4 euros) , e as calças de malha, meias, etc. Tudo a cheirar a mar....:))

O autocarro leva 10 minutos da minha casa a R. Do Farol, a 2 minutos da praia. Sei o horário e não espero nunca. É o ideal para não ter de arrumar carros, nem pagar um balúrdio por um taxi. Sou uma privilegiada por andar de autocarro, sem o minimo problema. Fazia-o em Lisboa, fi-lo em Londres, na Alemanha, em todo o lado, porque não aqui no Porto?

Por favor, cliquem nas fotos. Vale a pena!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A dança ( dedicado à minha amiga Catarina)



Em tempo de Carnaval, a única coisa que me atrai verdadeiramente e muito mais que as máscaras, corsos e outros eventos, é a dança, a possibilidade de as pessoas dançarem em qualquer lugar - sambarem em liberdade, mesmo semi-nuas, alegres, felizes, deixando para trás as suas desgraças e infortúnios. Fico espantada com os brasileiros que anos após anos, surgem sempre nos nossos ecrans, cheios de garra e folia, como se o mundo acabasse amanhã. É uma postura que alio à dança, sem regras, aquela que gosto mais. Nada de clássico, de sapatinhos de ballet ou, tutus enfileirados. Gosto de roupa leve, diáfana, esvoaçando pelos ares, ao som do ritmo e da melodia.

Hoje ao procurar o meu blogue no google, encontrei duas fotos com cor e movimento, assim apelidadas pela autora,Helena Duarte, num site português de fotografia, que muito aprecio, embora a ele não me tenha associado por fidelidade ao Woophy. Vão aqui as duas dedicadas à minha amiga Catarina, que tanto ama esta forma de expressão corporal.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

It's a glorious day


Está sol, um sol de inverno que se torna tanto mais glorioso ( não confundir com gíria futebolística), quanto é raro estarem dias assim, neste inverno do nosso descontentamento. Quando acordo , abro a janela e vejo esta maravilha de azul, agradeço à Mãe Natureza, a capacidade de se transformar, de reinventar e oferecer-nos esta dádiva.

Consegui recuperar algumas fotos perdidas que ainda estavam na camara - 500 - outras em CDs e numa pen onde tinha gravado muitas. Lentamente vou recuperar todas.






Deixo-vos aqui umas colagens e uma das minhas canções preferidas do Joe Dassin, jovem promissor que faleceu antes de tempo. Esta música lembra-me tempos felizes passados em família, nos anos 70.