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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cidade do Porto

Basta sair e andar uns dois kms para chegar à zona mais cosmopolita do Porto, a Rotunda da Boavista, com as suas árvores centenárias e belas,
que, nesta altura, ostentam um manto dourado numa das áreas mais poluídas do centro. Perguntamo-nos como é que sobreviveram a tanto despautério, às lufadas de dióxido de carbono que os milhares de automóveis deixam escapar a toda a hora. Aqueles troncos e aquelas raízes devem estar em pior estado do que os pulmões de fumadores de longa data. Mas todos os anos, elas renascem, murcham e estiolam para renascer outra vez... há mais de cem anos. Hoje andei por lá e pela Rua Júlio Diniz,
uma das artérias que , em tempos áureos, se orgulhava de ter as lojas mais chiques da cidade, sapatarias finas, confeitarias, cafés, etc. Hoje quase só se vêem bancos ou lojas de chineses, e umas tantas - bastantes - estão fechadas ou à venda. Faz dó. O mesmo acontece no shopping Cidade do Porto,
onde vou sempre com gosto; loja sim, loja não, vão fechando, abrem outras de quinquilharia, bijuteria barata, sapatarias desportivas e pouco mais. Felizmente a Livraria Leitura mantém-se estável com o café Arcádia, onde se podem ainda saborear os chocolates mais conhecidos doPorto, antes dos Ferrero Rocher e os Milka terem invadido os supermercados. O meu Pai levava sempre bonbons da Arcádia
quando vinha ao Porto, cidade de que ele gostava muito e onde comprava grande parte da sua roupa. Pergunto-me o que vai ser destes locais carismáticos, quando a recessão der cabo de tudo....e o que vai ser de nós, que nos habituámos a passar por ali e a sentir o calor das coisas antigas, menos comerciais, familiares e próprias das gentes que aqui vivem.

Vai ser como o bacalhau...
já ninguém se lembra da maravilha que era comer uma posta assada na brasa com cebola e alho, antes de acabarem com o nosso fiel amigo. Já nem sei a que sabe o bacalhau, parece tudo menos aquilo que era...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SEPIA


Há muitos anos, as fotografias eram a preto e branco ou sepia. Em geral atribuímos a sepia ao castanho velho, a fotografias antigas, casas e mansões, retratos de família, filmes feitos em casa, etc.

A cor sepia tem um encanto muito especial e hoje pode-se transformar uma foto cheia de cor num exemplar sepia.
Eis o que encontrei na Wikipedia:

A fotografia em sépia é mais conhecida hoje em dia no mundo como “foto envelhecida”, mas essa expressão só tem fundamento pois muitas fotografias eram armazenadas de maneira inapropriada, e acabavam adquirindo a tonalidade sépia pelo contato com colas a base de PVC, sendo que isto normalmente gera uma cópia manchada, e até mesmo a emulsão se descolando de sua base. O processo de viragem sépia também foi mais popular nas primeiras décadas do século XX.

Atualmente, alguns programas informáticos como o Photoshop transformam uma foto comum em sépia em minutos. Bem diferente do método convencional de revelação, onde é necessário se fazer a revelação primeiramente em preto e branco para depois passar pelo processo de viragem em sépia.

Tenho várias fotos do Porto nessa cor e gosto delas. São diferentes, contam histórias...

terça-feira, 15 de março de 2011

Ainda as camélias...



Hoje fui ao Cidade do Porto fazer as minhas compras da quinzena. Faço-as no Froiz, pois trazem-me tudo a casa daí a umas horas, sem pagar nem mais um tostão e sem se estragar nadinha. Tudo vem tal qual até à minha cozinha e eu venho de mãos vazias, o que é excelente para quem se desloca de autocarro ou anda a pé. Fui a ouvir Música Antiga de que cada vez gosto mais. É repousante, é alegre, é íntima, é nostálgica e lembra-me o tempo das cortes, das belas donzelas apaixonadas e dos amantes sempre prontos para o duelo.

À vinda desci, como sempre na paragem que fica pouco antes do Botânico e atravessei a ruela que liga à Faculdade de Ciências, ao Departamento onde o meu filho dantes trabalhava, antes de se mudar para a FEUP. Gosto muito daquela ruela, que me lembra mesmo as de Sintra, ladeada de muros altos e cheios de musgo e histórias para contar. Quantos jovens já por ali passaram, cheios de esperança, ilusões ou tristezas. As árvores altíssimas olham-nos sobranceiras, com o sorriso de quem já viveu tudo e tudo sonhou.

Ao passar em frente do portão do Jardim botanico que faz esquina com essa ruela, veio-me de relance aos olhos uma imagem rosa, tão cheia de cor e tão forte, que parei instantaneamente para contemplar. Quase não se via o chão. Estava juncado de pétalas lindas, aveludadas, suaves, meigas, que ali cairam esta noite e permaneceram à espera da noiva que um dia por lá há-de passar.

Aqui ficam a foto tirada com o meu I'touch e um excerto magnífico do filme Tous les Matins du Monde, um dos mais belos filmes de época que jamais vi.
Vão dedicados a todas as donzelas românticas, como a que eu fui outrora.