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quarta-feira, 28 de março de 2012

Saudades do antigamente

Dantes ia ao cinema aqui no Porto. Na cidade.
Ou melhor no Cidade, shopping center construído com polémica, mas que se tornou rapidamente um local de convívio no coração da cidade, junto à Rotunda da Boavista, onde vão jovens e velhos, turistas, estudantes,mães de família como eu outrora, executivos, toda a espécie de "povo".



É um local bonito, em tons de azul ( tinha de ser) e que dantes - não há muito tempo - oferecia 4 filmes de tarde e à noite, todos independentes, em cinemas acolhedores, confortáveis e seguros. Não havia pipocas, mas à volta, a Praça da Alimentação estava sempre cheia, com gastronomia da mais variada. A comida manteve-se, os cinemas fecharam. Sintomático.
Não precisamos de encher a cabeça de ideias, nem de nos evadirmos para o país dos sonhos, mas é necessário continuar a encher o estômago de hamburgers, massa chinesa ou sopa de Pedra.Em breve esta cidade só terá lojas de alimentos, mercearias, supermercados, restaurantes, cafés e.....telemóveis e bancos, claro.
Cinemas, não.

Vi filmes fantásticos nesses 4 cinemas. Ainda lá estão os restos, pois o espaço não serviu para mais nada, nem sequer aproveitaram a sala maior que poderia ser um teatro ou sala de concertos. Um desperdício.
Passei a ir comer à Arcádia dentro da Livraria Leitura, onde se pode sentar e folhear os livros da moda , centenas de exemplares que todo o bicho-careta hoje consegue publicar, não sei com que fim e para que público-alvo. Ficção, não ficção, poesia, infanto-juvenil, jurídicos, bricolage, saúde, alguns de Arte, o diabo a 4. Não falta que ler...e não faltarão os leitores?
As lojas de CDs estão todas a fechar. Já não se vende música, pirateia-se o que se quer ou compra-se pela net. Lojas como a Melody sempre com uma escolha maravilhosa de música clássica, onde comprei raridades para flauta, um dos instrumentos que o meu filho e nora tocam. Já não resta nada. Lojas de roupa cada vez mais caras como a Throttleman e a Mango sobrevivem não sei como. É o franchise!:))

Vim um pouco nostálgica. Deve ser da idade, as boas memórias do passado são muitas e as más apagam-se.

Em casa oiço no Mezzo a Madama Butterfly, com Placido Domingo e Mirella Freni, que me faz sempre chorar...contava o meu Avô que tinha pedido namoro à minha Avó durante uma récita desta ópera no Coliseu de Lisboa.Que a música o tinha inspirado. Ela era linda e 17 anos mais nova, ainda prima afastada dele. Puccini acompanhou-os toda a vida. A música e o sofrimento expresso nesta ópera transcende-me. Plangente.

Ironica e dramaticamente, não consigo deixar de associar a morte dalguns locais desta cidade ao hara-kiri da minha querida Butterfly, que tudo perde no final trágico da sua curta vida.

terça-feira, 13 de março de 2012

Será que é hoje

que ganho o Euromilhões??

Hesitei bastante em deslocar-me à Baixa hoje porque está calor e ando cansada, sem saber bem porquê. O calor assusta-me na cidade, adoro o sol junto ao mar, mas a poluição, os escapes, a sujidade e a poeira são-me hostis, sinto-me mal e só quero voltar para casa.

Mas fui, por duas horas, só passeei na Sá da Bandeira e vi umas montras em lojas já com saldos há meses e que nada têm para oferecer. No meio delas uma daquelas lojas de perfumaria, cheias de produtos chiques, que nunca comprei, nem conheço, nem uso. Impressiona-me como é que sobrevivem com frascos e frasquinhos, bisnagas e bisnaguinhas, aparentemente sem clientes, limpas, lindas e vazias...ao passar na Casa da Sorte, joguei no Euromilhões, será que é hoje que vou ganhar???

Depois o "abismo" das cores...ou seja a minha loja preferida da Baixa do Porto: M.Sousa Ribeiro, o mundo das artes em dois pisos ,

qual deles mais aliciante...adorava trabalhar numa loja destas, mesmo sem ganhar nada, estar lá umas horas a ver o movimento, os materiais, saber mais sobre o seu uso, mas nunca gasto mais do que uma meia hora lá dentro. Têm uma mesa onde nos podemos sentar e experimentar materiais...mas nunca me sentei. A colecção de telas é enorme, há-as de todos os feitios ( até redondas) e de materiais. Tintas acrílicas de marcas desconhecidas, pasteis de óleo , caixas e caixinhas, penso que qualquer pessoa que fosse criada no meio destes materiais, ficava artista.
Comprei 3 telas de MDF - 50x45 - são quase quadradas e cabem muito bem nas molduras do IKEA, como já experimentei nos quadros da exposição do Vivacidade, que "abrilhantam" agora a sala do meu filho por cima do piano.
Vim de autocarro com o saco bem pesado, mas havia lugar sentado e gosto de me misturar com o povo, sentir-me mais uma na multidão, ajudar quem tropeça ou se segura mal, sair aqui no Campo Alegre e respirar...a Primavera chegou, as árvores estão cheia de brotos e , embora não chova, parece que o ar de mar purifica tudo.

Agora em casa, oiço o Mezzo, excertos magníficos, como esta peça de Massenet aqui tocada pelo célebre flautista Zamfir:

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ver o Porto a definhar

Não gosto de me lamuriar ou de fazer deste blogue um rol de queixas, mas ontem foi demais. Resolvi ir à Baixa - nós chamamos Baixa na realidade a uma área que fica bastante alta na cidade. A Rua de Santa Catarina, a Praça da Batalha, as ruas de Passos Manuel e 31 de Janeiro ( que em tempos conhecia do Monopólio, apenas:) são ruas de sobe e desce, como o é quase toda a zona histórica do Porto. Em tempos estas rua regurgitavam de gente, ostentavam lojas caras e com pergaminhos, conhecidas de todas as senhoras elegantes, que não adquiriam as suas roupas num qualquer chinês ( não existiam ainda), nem sequer em armazéns no estrangeiro. Ainda me lembro de a minha sogra só comprar sapatos na Gentil e de o meu ex- ter os seus fatos manufacturados na Piloto. Nenhuma das lojas sobreviveu à fúria dos shoppings, que assolou os arredores do Porto nos anos 90.
Ontem constatei a morte de mais de dez lojas daquelas que eu frequentava, a Casa Forte, onde comprei muitos artigos para os meus filhos, a Tamegão, onde se encontravam artigos para a casa de todo o género, as mercearias finas junto à Casa Chinesa, a única loja que vendia chás de todo o género avulsos e artigos asiáticos extremamente difíceis de encontrar na cidade.
Tapumes e tapumes, carregados de posters a anunciar eventos artísticos, grafittis de mau gosto, lixo, jornais e desperdícios...encimados por árvores lindíssimas nos tons outonais. Quase chorei, ao subir Sá da Bandeira, uma das ruas mais comerciais do Porto. Será que não haveria mesmo maneira de manter estas lojas tradicionais abertas? Elas eram símbolos do comércio nortenho, davam um colorido e
uma patine a estas ruas, as pessoas sentiam-se bem melhor percorrendo estes passeios do que metidos em shoppings onde todos os estabelecimentos são iguais, não têm história, nem caché.
Que histórias encontramos numa Zara, num Cortefiel, num Body Shop ou num Modelo-Continente? Que vendedores nos ficam na memória? São armazens de produtos, cheios de luz, música péssima, kms de corredores pejados de latas, frascos, frutas, roupas, livros e CDs, plantas, mobílias, cuja intenção é apenas vender, vender, vender....não criar laços entre vendedores e clientes, uma semana trabalham uns,noutras trabalham outros, não se fixam caras e muito menos corações.
Não sou sentimentalista, mas sou sentimental. Tenho saudades das lojas da Baixa de Lisboa, onde ia com a minha Mãe, nos anos 60. E agora já tenho saudades do Bolhão ou da Bruxelas , ou... das papelarias...
Outono tristonho...uma cidade que adormeceu, como no conto da Bela Adormecida. O problema é que já
não há príncipes Encantados e a esperança destes locais já morreu. Não há reparação possível.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cidade do Porto

Basta sair e andar uns dois kms para chegar à zona mais cosmopolita do Porto, a Rotunda da Boavista, com as suas árvores centenárias e belas,
que, nesta altura, ostentam um manto dourado numa das áreas mais poluídas do centro. Perguntamo-nos como é que sobreviveram a tanto despautério, às lufadas de dióxido de carbono que os milhares de automóveis deixam escapar a toda a hora. Aqueles troncos e aquelas raízes devem estar em pior estado do que os pulmões de fumadores de longa data. Mas todos os anos, elas renascem, murcham e estiolam para renascer outra vez... há mais de cem anos. Hoje andei por lá e pela Rua Júlio Diniz,
uma das artérias que , em tempos áureos, se orgulhava de ter as lojas mais chiques da cidade, sapatarias finas, confeitarias, cafés, etc. Hoje quase só se vêem bancos ou lojas de chineses, e umas tantas - bastantes - estão fechadas ou à venda. Faz dó. O mesmo acontece no shopping Cidade do Porto,
onde vou sempre com gosto; loja sim, loja não, vão fechando, abrem outras de quinquilharia, bijuteria barata, sapatarias desportivas e pouco mais. Felizmente a Livraria Leitura mantém-se estável com o café Arcádia, onde se podem ainda saborear os chocolates mais conhecidos doPorto, antes dos Ferrero Rocher e os Milka terem invadido os supermercados. O meu Pai levava sempre bonbons da Arcádia
quando vinha ao Porto, cidade de que ele gostava muito e onde comprava grande parte da sua roupa. Pergunto-me o que vai ser destes locais carismáticos, quando a recessão der cabo de tudo....e o que vai ser de nós, que nos habituámos a passar por ali e a sentir o calor das coisas antigas, menos comerciais, familiares e próprias das gentes que aqui vivem.

Vai ser como o bacalhau...
já ninguém se lembra da maravilha que era comer uma posta assada na brasa com cebola e alho, antes de acabarem com o nosso fiel amigo. Já nem sei a que sabe o bacalhau, parece tudo menos aquilo que era...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Memórias

Hoje fui "a toque de caixa" para o apartamento da Ramada Alta pelas 12.30 pois os homens da Conforama, que tinham ficado de lá ir  à tarde - telefonaram-me pelas 12.30 a ver se podiam colocar os moveis e máquinas antes do almoço. Meti-me num taxi e cheguei lá em dez minutos, os feriados são fantásticos para se andar nesta cidade.
Entretanto, enquanto eles montavam as cadeiras , mesa e estante, enchi de novo as capas dos sofás, que tinha lavado aqui em casa e ficaram um brinquinho. Encontrei na garagem umas almofadas vermelhas bordeaux, que lhes dão alguma cor. A mesa de jantar ficou um espanto, é castanho escura, com tampo em vidro - uma parte - o que lhe dá uma leveza enorme e as cadeiras são muito bonitas e até um pouco clássicas, com tampos de veludo branco sujo....muito bonitas e foram tão baratas.
A estante, então, faz os meus encantos é uma quadrado com dezasseis buracos, sem costas, mas com os livros - mesmo os codigos e quejandos - vai ficar lindissima!
 Os homens eram muito simpáticos e como sempre, disseram: A senhora tem aqui uma vista.....o mar todo de ponta a ponta. Indeed.

Alegro-me com estas pequenas coisas. Limpei tudo na cozinha, coloquei alguns objectos que estavam na garagem e faziam falta na casa e saí para a Serpa Pinto.
Na farmácia, que está aberta 24 h por dia - é uma das melhores do Porto - consegui comprar um medicamento  sem receita médica, pois a Dra conhece-me há 30 anos, desde que fui viver para aqueles lados. Evitou-me ter de marcar uma consulta só para arranjar um medicamento sem o qual não consigo dormir.
O dia está soalheiro, as pessoas com quem me cruzei eram simpáticas e fiquei a pensar na minha vida que decorreu naquele perímetro de ruas de 1977, tinha o meu filho mais velho um ano, até 2006, quase três décadas. Foram os anos mais importantes da minha vida profissional e familiar. Toda a gente me conhecia ou do liceu ou da casa. Fui professora de meio mundo....

Esta colagem reflecte o que vejo na Ramada Alta. Fi-la já há tempos para o blogue. Gostava de ser capaz de a pintar.

Estou bem mais ligada àquela zona que aqui ao Campo Alegre, muito fino, mas muito novo-rico, com casais pseudo-queques, que nos olham de alto a baixo, à saída do elevador.
Estou em crer que um dia voltarei para o meu apartamento, quando os meus netos forem grandes ou se  resolverem mudar de casa. Esta foi muito cara e não vale o que custou. Foi puro amor de Mãe e Avó, o que me levou a vir para aqui...mas penso, muitas vezes, que ali estava melhor, mesmo sozinha, há lojas, gente, comodidades, minimercado, farmácia, multibanco, taxis, metro... ao sair do portão... e aqui só tenho árvores, árvores, árvores,...que não falam comigo e perdem a folha, mal vem o Outono.




sábado, 13 de agosto de 2011

Find de semana n Nooorte


O tempo está inconstante...um nevoeiro cerrado caiu hoje sobre o mar quando o dia prometia ser de verão e os veraneantes ainda estavam no banho em águas frescas, muito frescas para meu gosto, mas convidativas q.b.

Do alto da esplanada, observava-os com uma relativa inveja -  uma das coisas que mais prazer me dava dantes era um banho em Ofir ou em Esposende  com ondas batidas e geladas - e "curtia" eu também mais um bronzeamento tonificante. Entretanto apareceram a minha Amiga Teresa Vieira e o marido, que vinham tomar um café e ali estivémos à conversa durante algum tempo...

Tardes de Agosto = preguiça, autocarros sem ninguém, alguns turistas, muito sossego. Uma saltada ao Chinês da Rua Senhora da Luz ( gosto imenso deste nome, não sei porquê, deve ser da palavra LUZ, que ilumina a rua toda:)) Lojas e lojinhas numa rua estreita com casinhas pitorescas da Foz. Abriu uma nova Boulangerie de Paris por ali. No Chinês comprei mais umas telas pequenas quadradas, gosto muito de pintar quadrinhos pequenos quase como se fossem aguarelas. Também gosto de as ter cá para os meus netos fazerem as suas obras de arte, que penduro na parede da cozinha junto à mesa onde tenho os materiais de pintura, para grande "galo" da minha empregada, que gostaria que aquela mesa fosse imaculada, com toalha de cozinha e um cesto com fruta. Infelizmente, é mesmo uma mesa de trabalho:))

Coemçou a Liga de futebol e o Bnefica empatou. Vi o jogo com o meu filho  e vibrámos com o empate, mauzinhos que somos para o Glorioso, que os meus irmãos tanto amam. Oxalá o FCP ganhe e o campeonato comece já com vencedores do Nooorte!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A igreja e o mundo consumista


O site Woophy organiza este mês o seu challenge ( desafio) habitual, que consiste em se tirar fotos no espaço de 14 dias sobre um determinado tema. É muito interessante e tenho participado quase sempre, embora só uma vez o tenha ganho com uma foto tirada no atelier de pintura.
Este mês o tema é Igrejas.

Fui hoje ao Shopping Cidade do Porto e lembrei-me de levar o Ipod para o caso de se proorcionar tirar fotos. Foi pena não ter levado a máquina, pois acabei por tirar umas tantas, mas a qualidade é sempre inferior.

Tirei umas sete fotos à igrejinha que fica encostada ao shopping e ao restaurante Casa Agrícola. Por coincidência, ao dar a volta à igreja, dei com um grafitti muito giro, pintado na parede contígua com as imagens de Adão e Eva no seu estado natural - com parra, claro - e essa visão provocou-me logo um ataque de riso e uma enorme vontade de tirar uma foto original.
Nunca entrei nesta igreja, pois está sempre fechada, mas vejo muitas pessoas entrarem para o Cidade do Porto, local bem animado à hora do almoço, com lojas simpáticas, entre as quais a Livraria Leitura, restaurantes vários, o super Froiz que me traz tudo a casa uma vez por mês, etc.
A igreja reflecte-se na parte superior do edifício, que é dum azul lindíssimo, e dá a impressão de que foi construída dentro do próprio shopping. O efeito é extraordinário, já tinha visto algo semelhante, embora muito mais belo em Boston, com a Trinity Church que se espelha na torre Hancock, criando um espectáculo de cor e reflexos impressionantes.
Aqui está o resultado do meu passeio de hoje.Foi no mínimo diferente do habitual.:))

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Voltei à Baixa


É sempre um prazer passear pela Baixa do Porto, mesmo que seja só por uma ou duas horas.
Vê-se o pulsar da cidade, as casas tão lindas com as suas varandas de ferro e tabuletas antigas tão degradadas, as pinturas nas paredes, os pobres a pedir no chão, os músicos imigrantes que se insurgem se a gente lhes tira fotos, o cegunho da esquina, ali há mais de trinta anos, tudo um pouco triste e decadente.
Mas também se pode admirar o colorido dos vendedores ambulantes com as suas quinquilharias, carteiras, sacos, pulseiras, colares, objectos de artesanato, os jovens encantados com os stands, os turistas sentados nas esplanadas, o Majestic em todo o seu esplendor, os autocarros amarelos que vão dar a volta à cidade, o electrico 22, que desce a Rua Passos Manuel, a FNAC cheia de objectos sedutores, o C&A, onde se compra roupa por uma pechincha, o relógio de madeira, tocando as horas, os quartos e as meias com os bonequinhos a girar. Gosto de deambular por ali, sentar-me no café da fnac e tomar um sumo caro, folheando os jornais do dia.



As lojas estão vazias, a crise instalou-se, mas a cidade continua a viver, como que indiferente aos políticos, aos rumores, às ameaças de recessão, aos circos e arruadas...ela já assistiu a tanto despautério, a tanta revolução, a tanto protesto, a tanta injustiça, a tantos assaltos e a tantas cenas de amor. A cidade assiste a tudo impávida, deliciando-se com o sol quente de Maio e não exigindo nada de nada.

domingo, 27 de março de 2011

Aeroporto Francisco Sá Carneiro - 2º melhor da Europa


Já foi distinguido várias vezes por ser um dos aeroportos mais user friendly, prático, bonito e eficiente da Europa.

Desta vez ficou em segundo lugar - penso que o primeiro será Munique - na escolha dos passageiros e funcionários de aeroportos.

O nosso aeroporto é realmente uma beleza. Dizia um turista que até a chegada de automóvel à gare é interessante porque o carro parece aterrar na entrada do aeroporto! Lá dentro tudo é extremamente limpo e agradável, os serviços de check-in rápidos, a segurança simpática e os gates rodeados de lojas e restaurantes, onde agora se come bem. Ainda me lembro da miséria que era o antigo aeroporto, com umas sandes mal amanhadas, só um café sempre cheio, pouco espaço e demora em receber as malas. Os corredores de chegada estão decorados com fotografias gigantes da cidade do Porto e da região no chão que pisamos. As linhas arquitectónicas são espantosas e alguns fotografos meus amigos que vieram cá ao encontro no Porto de Abril passado tiraram fotos interessantes de várias perspectivas.

Uso muito este aeroporto e quando chego aos outros , como Stansted, que conheço bem, estranho a confusão, a falta de asseio e orientação das pessoas. Estas fotos foram tiradas no ano passado durante uma das viagens que fiz sozinha.

Ainda bem que nos podemos orgulhar de algo verdadeiramente à escala europeia. Oxalá não nos prejudiquem com a construção do megalómano aeroporto de Lisboa.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

De novo em viagem por terras de Sua Majestade



No sábado de manhã parto para Leeds de novo.
Já tenho saudades da minha filha e da cidade que ela escolheu para viver e estudar.

Este voltar constante a Inglaterra faz com que me sinta quase uma "filha da terra", conheço bastante bem a cidade e movo-me aí como em nenhuma outra cidade que conheço, nem Lisboa. Sei os autocarros, sei os caminhos, conheço os pubs, os restaurantes e cafés, as ruas cheias de gente e as lojas tentadoras, que também cá há , mas com o dobro de oferta e de tamanhos.....:).
A Headrow, rua principal de Leeds, onde fica o Museu da Cidade e a Galeria Henry Moore são sempre palco de encontros de jovens - há-os aos milhares pois a cidade orgulha-se de oferecer os melhores cursos universitários do Reino Unido - e aí se encontra, também, por detrás do Hotel Radisson Blue, antigo, um patio muito pitoresco, com exposições e lojas, vinte cinemas ( The Light) e um sem numero de restaurantes, entre os quais o portuguesíssimo e óptimo Nando's, famoso pelo frango de piri-piri ( ao preço da chuva) e os " Naughty Natas", os nossos pasteis de nata, quentinhos e onde se pode beber coca-cola à descrição. Adoro passear por Headingley, onde a minha filha viveu durante quatro anos, um bairro cheio de árvores e casas antigas.

É óptimo conhecermos cidades estrangeiras assim. Também me sentia bem em Munique quando o meu filho lá vivia, fui lá umas 15 vezes e o bairro onde ficava o seu apartamento T1 numas águas furtadas era o mais cosmopolita e cultural da cidade, mesmo junto a quatro museus principais - as célebres Pinakotheke - e à TUM, Universidade Técnica.

Desta vez quero voltar a York, se fizer bom tempo, é sempre uma cidade acolhedora e muito tradicional o que é uma vantagem, ficando apenas a uma hora de comboio de Leeds, pelo meio duma paisagem maravilhosa do Yorkshire.

Fico sempre nervosa quando vou sozinha - quase sempre - mas depois sinto-me como peixe na água, compreendo a língua bem, o que é uma vantagem e saio do nosso cantinho, que apesar de nos oferecer este tempo lindo, se torna por vezes, um pouco acanhado.
Se não escrever durante estes dias, não fiquem admirados, mas é natural que possa ainda ir contando agumas peripécias, pois o hotel tem Internet e a minha filha um laptop no quarto.

Até à volta, Amigos!

sábado, 1 de janeiro de 2011

NEW YEAR'S BLUES

Este Ano Novo de tão falado nos media já me parece um pouco velho, se não mesmo atacado por uma doença incurável, a depressão contínua.

Ontem, dia 31, não havia um restaurante aberto quando, ingenuamente, decidimos ir jantar fora pelas 7.30 e comprar simultaneamente o espumante e algumas coisas para a ceia de Ano Novo. Dei comigo e meus filhos no meio da Rua do Campo Alegre, a telefonar para restaurantes vários ( tenho uma lista no meu telemóvel), sem obter qualquer resposta.Acabámos por cozinhar um rosbife com batatas fritas e salada em casa, beber Vinho da Madeira em vez de champagne e comer a aletria doce que a minha nora me deixou aqui antes de ir passar o ano com familiares.
A crise não pode ser tão grande assim, se os restaurantes, cafés, esplanadas, shoppings etc. se dão ao luxo de fechar todos na véspera e no dia de Natal + véspera de Ano Novo. Se um desgraçado não tiver comprado nada com antecedência, como foi o meu caso, fica mesmo sem nada nesses dias.
Há muita gente que não tem jantares e almoços de família, que estão sós ou que pura e simplesmente gostariam de não ter de cozinhar. Mas tudo fecha.

Sinto um certo cepticismo quanto à consciência individual da crise - a que os ingleses chamam crisis awareness - ou ao modo como ela está a ser vivida e pintada pelos meios de comunicação social.
Os cinemas estão cheios,sobretudo de filmes para crianças, alguns puramente comerciais e sem interesse, não faltam pipocas e coca-cola para acompanhar, as compras de Natal ultrapassaram as do ano passado, as lojas regurgitam de roupas, víveres, bugigangas, doces, livros e revistas.

Só as lojas de CDs ficaram reduzidas a pó de há uns anos para cá. Hoje já não se encontram CDs de música clássica ou erudita em nenhuma loja do Porto, nem na Fnac, nem na Worten, nem em lado nenhum. A Melodia, que era excelente fechou. Mesmo em Inglaterra a célebre HMV - His Master's Voice- e a Virgin estão nas ruas da amargura. Uma tristeza. Em contrapartida, cada vez se pôem cá fora mais livros de duvidosa categoria ou interesse, os chamados livros de divulgação, sobretudo nesta época natalícia, todo o mundo escreve e alguns escrevem mal e todo o mundo parece ter algo para dizer aos outros ( este blogue é disso exemplo!:)).

O que escrevo hoje é pouco motivador, não estou muito animada neste princípio do ano.
Estou com o New Year's blues, a melancolia pos festas.

Já há meses que ando assim, com uma sensação de crise que não tem nada a ver com aquela de que todo o mundo fala, mas uma minha, interior, que tem a ver com o tempo cinzento, com o Botânico fechado ao público, com a Casa Andersen pintada de vermelho escuro, com as minhas maleitas pessoais que me afligem bastante, o desencanto do atelier e, forçosamente, com o afastamento progressivo e necessário dos meus filhos... enfim toda uma miscelânea de coisas que me trituram e tiram aquele gosto de viver.Até com os netos, sinto esta angústia, que carece de uma explicação.

Neste dia 1, pergunto-me se o mundo, neste momento, está mesmo em crise. Ou se são as pessoas que continuam a viver como se ela não existisse, aproveitando ao máximo o que têm e não têm.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Christmas time

Esta viagem foi cheia de peripécias. Para lá o avião da Ryanair partiu com uma hora de atraso e os passageiros estiveram em pé quase uma hora numa escada que dava acesso a aerogare, mesmo os que tinham prioridade. Felizmente não estavam as temperaturas gélidas da Europa, se não teria sido pior. Chegada a Stansted, onde nevava copiosamente, fui logo para o comboio, sem almoçar, só com um muffin e um sumo para uma viagem de tres horas. Chegada a Peterborough que é onde se muda de comboio, vi um alvoroço e muita gente a gesticular. Felizmente não era comigo, eram os passageiros que iam para Londres e que não cabiam no comboio, pois tinha falhado o anterior. Muitos partiram de pé. Se fosse cá, era uma algazarra, felizmente os ingleses, mesmo quando estão zangados não levantam a voz e são educados. Lá apanhei o meu comboio para Leeds onde havia muito lugar e até podia esticar as pernas. Um senhor à minha frente ouvindo-me falar ao telemovel com a minha filha, perguntou-me se eu falava romeno, disse-lhe que não, que era uma língua melhor:))
A paisagem era indescritível, nem me apetecia dormir , fui a ouvir música todo o tempo a olhar para os campos brancos a escurecerà medida que o dia terminava.
Passei dois dias com a minha filha a passear pela cidade, voltei ao Marks&Spencer, a minha loja de culto em Inglaterra, andámos peloas arcadas lindissimas, todas as ruas iluminadas mais com as lojas, calor humano e gente nas ruas do que com luzes artificiais ou grande espalhafato. Grupos de jovens cantavam Christmas Carols alegremente. Fomos ao cinema ver um musical "Burlesque", que se enquadrava bem nesta época festiva.A casa dela tem uma vista linda sobre os montes cheios de neve.

Para cá é que foi pior. Quando chegámos à estação às 10 horas, disseram-nos que não havia comboios para Londres. Nenhuns. E nós já com bilhetes comprados. O avião sairia daí a 7 horas...
Nem pensei duas vezes. Apanhámos um taxi e fizemos 200 milhas com o conforto máximo. A brincadeira ficou cara, mas o motorista era um paquistanês super atencioso, que tudo fez para que nos sentíssemos bem e ainda recusou a gorgeta que lhe quis dar. Pelo caminho a paisagem vestida de branco era um regalo para a vista pago a peso de ouro

O avião para o Porto partiu com duas horas de atraso, mas no aeroporto estava-se bem...e quentinho.Chegámos cansadas, mas felizes. O Natal agora é cá. Já fiz os enfeites e deixo-vos aqui umas imagens desta minha obra :) FELIZ NATAL!