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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cisnes em movimento


Já aqui há tempos escrevi um post sobre o Lago dos Cisnes de Tchaikowsky e a influência que a sua música exerceu em mim quando criança. Vi várias vezes partes do bailado, em especial o Acto II, que é o mais lírico e romântico, aquele em que o Principe dança o Pas de Deux com a bela princesa Odete transformada em cisne por maldição dum feiticeiro.
Hoje fui ver " Cisne Negro" sozinha, como gosto, no Norte shopping, onde me fazem desconto do cartão ZON. Estavam umas dez pessoas na sala e do princípio ao fim, sentia-se o peso do silêncio , do suspense, do espanto e talvez algum horror. O filme é tudo menos aquilo que a música do compositor russo nos faria crer, é uma mistura de thriller e romance com uma enorme carga ou tensão psicológica e física. Natalie Portman desempenha um papel difícil - candidato a òscar de Melhor Actriz - e consegue passar duma beleza pura e ingénua à fealdade de alguém que se quer libertar dessa pureza para melhor poder interpretar o mal incarnado em Odile, a sensual irmã gémea de Odete e seduzir o Principe.

Há alturas em que sentimos na pele um certo mal estar, pois alucinação e realidade misturam-se no filme, deixando-nos numa penumbra inquietante e incerta. Sabemos que este não é filme americano, com happy end. Prevemos um fim trágico, como no bailado...mas não sabemos o que vai acontecer desde a primeira à última cena.

Há muito que não via um filme assim. Tem a intensidade que falta ao de Clint Eastwood, que fui ver há tempos. Tem o defeito talvez de se concentrar demasiado numa só personagem, mas como ela sofre evoluções constantes, não há monotonia nem pausas.

Vale a pena ver!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Swan Lake- vivências infantis

Quando eu tinha dez anos, os meus Pais resolveram ir numa viagem a França, Inglaterra e Escócia (ao Festival de Edimburgo) e escolheram os meus irmãos mais velhos para os acompanharem. os cinco mais novos ficaram todos em casa com os meus Avós. Os meus Pais foram de carro e só cabiam tres filhos, era uma longa viagem. É claro que fiquei triste, durante dias chorei com saudades da minha Mãe e com um sentimento de injustiça, que nunca foi inteiramente sanado.
Passei os dias à espera que voltassem e, ao menos, trouxessem algumas coisas giras que não houvesse em Portugal - como as bics, gabardinas, livros ou pastas para o colégio.
Quando chegaram, as minhas irmãs vinham excitadíssimas. Mostraram as prendas de que já nem me lembro. Mas houve uma que me ficou na memória: dois discos -albuns em vinil do bailado : O Lago dos Cisnes - Swan Lake de Tchaikovsky - lindíssimos com fundo azul escuro e as figuras do par principal em branco. Parece que os estou a ver. As minhas irmãs tinham ido ver o ballet em Edimburgo e contaram-me a história toda, com pormenores, á medida que íamos ouvindo o disco.
Fiquei completamente "apanhada". Vi o conto na minha cabeça dezenas de vezes como se tivesse lido a história em livro ou visto o filme, não conseguia pensar noutra coisa, passei horas a ouvir e ouvir os discos, sentada no chão ao pé do móvel radio-gira discos. Não sei se chorei com a morte dos dois amantes no fim,mas aquela música arrebatava-me e fazia-me sonhar como se eu própria estivesse envolvida num conto de fadas, de bruxos e de princesas enfeitiçadas. A minha imaginação criava o resto, não havia filmes, nem vídeos, nem TV, nem suportes visuais. A minha mente encheu-se de imagens inventadas, que ainda hoje vejo. Nenhum espectáculo ao vivo do Lago dos Cisnes, que mais tarde pude ver, me impressionou tanto como aqueles momentos vividos junto ao aparelho de som.

Ainda hoje a música de Tchaikowsky me impressiona, sobretudo o leitmotiv principal dessa suite e o fim trágico dos dois príncipes, que desaparecem dentro do mar.

Ontem, recebi da minha amiga Maria do Céu uma referencia para o Youtube e resolvi colocá-lo aqui para que todos possam ver a maravilha do circo chinês, interpretando uma coreografia do Swan Lake diferente do clássico, em que o bailado é, em parte substituído por ginástica. A graciosidade dos movimentos acrobáticos é extraordinária.



Obrigada, Maria do Céu!