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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Do Brasil já com fotos


Estou noutro mundo, meio- familiar, mais colorido, mais pausado,
delicioso e brincalhao, maravilha tropical que nos, Portugueses, achamos por acaso.

Ontem passei o dia mais feliz da estadia, com sol radioso, temperaturas altas e um cruzeiro de sonho durante cinco horas a volta de Paraty, uma cidade turistica, pictorica, fotogenica ate mais nao, sossegada e segura.
Posso andar aqui sozinha a qualquer hora e so as pedras da calcada trazidas de Portugal em troca de ouro (!) me assustam, pois sao enormes e escorregadias...nao ha passeios dos lados, os carros com cavalos percorrem as ruas, deixando rasto mal-cheiroso.

Parece que estamos parados no tempo e nao fossem os membros da sociedade de informacao, todos super inteligentes, que aqui se reuniram en congresso, a animacao seria nula.Assim ha sempre com quem conversar na Pousada onde nos encontramos , que e de sonho tambem.
Ontem vi a verdadeira natureza tropical, completamente virgem...um Lake District cem vezes maior e com especies diversas, mas igualmente verdes. A agua e transparente...as fotos
-mais de 200 - que levo vao ficar aqui muito bem.

Ontem de manha tive uma experiencia fantastica. Encontrei um pintor no seu atelier e estivemos a conversar longamente sobre as culturas brasileira e portuguesa, literatura e pintura. Ele tem pagina no Facebook e o seu nome e Luiz Murce, facilmente se encontra. Pinta quadros muito coloridos e sugestivos. Nao comprei ainda nenhum porque nao tenho cash e ele nao tem maquina visa...e muito dificil trocar dinheiro ou levanta-lo!!

Hoje fico por aqui, tenho dormido so cinco horas por noite, uma insonia enorme e constante, acordo as 5 am e levanto-me as 6, ficando com a manha toda so para mim, o que e fantastico. Mas a minha tensao tem andado alta por causa da comida muito salgada e as vezes nao me sinto a 100%.

Mas estou FELIZ.

No Domingo estarei de volta com a beleza das fotos ao vivo. Ate ja!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Em vésperas de viagem

Amanhã parto para uma viagem maior do que as que habitualmente faço.
São dez dias de aventura e abre-olhos, como se diz agora. Vou em boa companhia e, se Deus quiser, aguentarei bem as dez horas de avião, talvez aquilo que mais me assusta...vou levar música, um bom livro e uma enorme ansiedade em relação ao nosso país irmão, ao Rio, que nunca pisei, onde nasceu e viveu sete anos a minha Avó materna e vários primos que nunca conheci, mas talvez vá conhecer agora.
Também estarei em Paraty, estância de luxo, segundo li, onde se realiza o Congresso de Telecomunicações, em que participam milhares de cientistas de todo o mundo, entre os quais o meu filho.




Foi uma decisão repentina, ideia dele e empatia minha imediata. Já poderia ter ido noutras viagens que ele fez, pagando tudo do meu bolso, é claro, mas não me apeteceu na altura, ou ele não me convidou para tal.
O Verão vai continuar....aqui e lá, este ano vamos ter clima tropical durante meses...o que é bom quando se está em férias e se tem dinheiro.

Não sei se terei muita ocasião para escrever no blogue, penso que sim, pois o meu filho leva o seu Apple. De qualquer modo, estarei sempre em contacto convosco e desejo que tudo corra bem nestes dez dias. Até à vista!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Looking forward

Adoro fazer planos e ansiar por alguma coisa.
Ontem estava numa de evasão, hoje evadi-me em corpo e em alma.
Fui ao Solinca onde estive três horas, uma a perder calorias na bicicleta e na passadeira, outra a almoçar ligeiramente, no jacuzzi onde se está bem e outra a nadar, a fazer exercícios de hidroginastica a minha maneira. Finda a sessão senti-me melhor ainda que enferrujada, pois há 3 semanas que não ia lá e, embora andasse bastante, não é a mesma coisa. O espaço estava desertico, as pessoas simpáticas, não há VIPs, nem dondocas, é um local fantástico para uma pessoa da minha idade se sentir bem.

A Rua António Cardoso continua frondosa, cheia de árvores agora mais frescas depois desta chuvinha recente...cheira bem, há menos carros. È Agosto.

Desisti da minha viagem a Paris, pois me pareceu que ia ficar muito cara e optei por ir a Londres,
onde não vou desde 2003, salvo erro. Fui com a minha filha quando ela estava a fazer o mestrado em Leeds, ela veio ter comigo e passámos lá quatro dias. Desta feita sou eu que a vou levar a Stansted, ficamos em Londres durante 4 dias e depois ela segue para Leeds e eu volto para o Porto. É fácil fazer tudo isto porque o aeroporto tem um shuttle de 15 em 15 minutos para o centro de Londres. Consegui marcar um hotelzinho
que fica mais barato do que os hoteis em Lisboa para meu espanto. É de tres *** e situado num local excelente perto dos Kensington Gardens, onde viveu a malograda Diana e vive William agora.
Estou feliz por poder ir viajar para um sítio culturalmente rico, quero aproveitar para ver novas galerias que não conheço, ir ao teatro, ver um musical, etc. Já sei que vou gastar algumas libras nestas andanças, mas acho que preciso dum banho cultural...no Porto, a oferta é pequena e às vezes fico triste porque Lx tem muito mais que ver.
A minha filha tb ficou contente, pois vai ter companhia em parte da viagem e vai ver a sua querida Inglaterra mais uma vez.




sábado, 16 de julho de 2011

Do Porto à Luz

O nosso país é tão pequenino que se faz em 50 minutos. Incredible!!

E como é que ainda falam em regionalização?

Saímos do Porto as 2.20 e ao bater das 3.10 estávamos em Faro....a sair do avião e a ser bafejados com um vento quente, o cheiro a estevas, o ar de verão, a sensação de que já conhecemos a rota....há 45 anos que a fazemos quase todos os anos, de comboio, de carro, de camioneta, de avião...só não fui de barco nem de mota.
Este ano ja estive três vezes no Algarve, o que é um verdadeiro recorde. Não fosse a bendita Ryanair ( assim continue, mais as suas cornetas a festejar um vôo on time) e nunca o poderia concretizar. A viagem de comboio ou mesmo de carro é por demais fastidiosa e cansativa....o avião não vinha cheio, mas as pessoas tinham todas um ar feliz, vinham muitas crianças; uma delas perguntava à mãe ,curiosa, se ainda estávamos no nosso planeta!

Tirei fotos com o meu IPOD desde o Porto até Faro e nelas se vê como o nosso país é tão dispar, duma paisagem verdejante, que aqui não se vê bem por causa das nuvens, até ao Alentejo seco, castanho e amarelo, com a barragem do Alqueva, azul e luminosa, mas sem vivalma, por fim a ria Formosa, que é um rendilhado de verdes e azuis, que nenhum pintor sera capaz de igualar...e o mar azul, verde, imenso a perder-se nas neblina.

A minha filha já foi tomar um banho aqui em frente de casa, sopra um ventinho cálido, que não chega a arrefecer, daqui a nada vamos jantar à hora britânica no chamado Paraíso da Luz, o primeiro café que aqui apareceu, primeiro uma cabana de madeira tímida, onde tomávamos uns drinks ao fim da tarde, depois um mamarracho enorme com umas varandas colossais sobre a praia onde se estava bem, agora de novo uma casa simpática de madeira, com arquitectura bonita e com a vista magnífica da Rocha Negra ao fim do dia...

É bom voltar sempre....ao que é nosso e já foi dos nossos pais. Tudo aqui tem uma história desde as cadeiras de verga compradas em Loulé até aos ajulejos de Alcabideche ( salvo erro), um lenço trazido de Paris transformado em quadro , uma carapaça de caranguejo de Angola ou Moçambique, umas tenazes do fogão em ferro forjado da casa de Lisboa, um velho barómetro que o meu Pai consultava todos os dias e comentava a propósito....(sempre teve a mania da metereologia, como eu)...a caixinha de costura da minha mãe, a garrafa de champagne gigante transformada em candeeiro ( prenda do meu Padrinho ao meu Pai no dia do seu acesso a Professor Extraordinário, após o concurso), um quadrinho com barcos à vela que trouxeram de Itália, a estante cheia de livros antigos que eu própria escureci com viochene, os cadeirões de bambú com almofadas vermelho vivo, as almofadas que vieram da índia, lá fora a buganvília carregada de flores roxas e amarelas, enfim....um mundo de memórias, que ainda durarão mais uns 50 anos...assim a Família o queira e Deus tb.

Acabo esta entrada agora depois do jantar. O sol morre lá longe. Está-se bem aqui, sem TV, a ouvir o vento, vozes de crianças e risos de ingleses no bar atrás, já um pouco alegres...há um novo stand de gelados aqui junto à Fortaleza, vai ter sucesso com os gulosos dos meus netos. O vento á está mais fresco....mas amanhã é um novo dia do começo das nossas férias.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

WORKSHOP DE FOTOGRAFIA - PARIS

Dado que a notícia deste evento me parece do maior interesse e muitas pessoas que lêem este blogue gostam de fotografia, pedi licença para divulgá-lo aqui. Conto ir, mas gostaria muito de ter companhia, se alguém amigo estiver interessado por favor, comunique-me.


Workshop Fotografia em Paris


Viagem a Paris - 14 a 17 de Maio

A Universidade do Porto vai organizar, em colaboração com a agência Abreu, uma viagem a Paris, com intuito de realizar um workshop de fotografia na mesma Cidade, sob orientação do formador Pedro Brum.

Itinerário da Viagem:

14 de Maio - PORTO / Paris
Comparência no aeroporto Francisco Sá Carneiro às 08h20. Assistência nas formalidades de embarque da nossa Organização e partida às 10h10 . Chegada às 13h15. Recepção pelos nossos representantes locais e transporte privativo para o HOTEL Abrial Paris (***). Instalação e alojamento.
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15 de Maio - Paris
Inicio do workshop de Fotografia

Arquitectura
Panorâmicas de forma simples

Hora ideal para fotografar

O uso do diafragma para poder isolar planos

Uso do obturador para congelar ou arrastar o movimento de pessoas, carros, etc.

Uso de pessoas para humanização da paisagem e noção de escala.

Uso dos EV do flash para controlar a luz de enchimento

Importância dos pormenores e texturas

16 de Maio


Enquadramentos

Regra dos Terços

Fotografia Nocturna

Fotografias com exposições longas e curtas

Fotografias com grupos


Ângulos fora do normal

Pormenores e texturas

17 de Maio - Paris / PORTO
Pequeno-almoço no hotel. Em hora a determinar localmente, transporte privativo para o aeroporto.
Formalidades de embarque e partida às 16h40 Chegada ao aeroporto Francisco Sá Carneiro às 17h45.
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Aguardamos as vossas inscrições!
Informações e inscrições: Ana Martins:anamartins@reit.up.pt
pt;220408193
PREÇO POR PESSOA (Mínimo de 15 participantes):

. Em quarto duplo € 499,00 (*)( por participante)

Suplemento para quarto individual: 126,00

(*) Inclui taxas de aeroporto, segurança e combustível
(Sujeitas a alteração até à data de emissão dos bilhetes)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Workshop de pintura na Toscânia


Barry John é o editor da newsletter, que se encontra abaixo, versando técnicas de pintura, informando sobre acontecimentos importantes no mundo das artes. A sua newsletter - Virtual Academy - vem-me por e-mail todos os meses e leio-a sempre com interesse, lamentando não seguir os conselhos que nos são dados por falta de persistência e talvez excesso de confiança nos meus métodos espontâneos.

Barry John é norte-americano. O seu trabalho e espantoso currículo encontra-se no seu site:

http://www.bjrgallery.com/about.html

Eis o que diz de si mesmo com uma simplicidade extraordinária:
I am a painter, working mostly in oils and from time-to-time, other media such as watercolors, pastels and charcoal. I hope you enjoy the work, and for those of you who are artists, I hope you find the learning resources on this site useful.
E o que pensa da pintura:
"A painting is an image charged with emotion. A painting is shapes, lines, colors and values rhythmically organized. A painting is its own complete small universe, it exists separately. Any painting that is/has worth expresses the whole life of the artist. It gives a view of what the artist is."

Há anos que Barry organiza workshops para pintores amadores na Toscânia e noutros lugares dos EUA.. Os depoimentos doa participantes são entusiásticos.

Inscrevi-me para um este ano ( Maio, Junho ou Setembro) embora ainda não tenha a certeza de me sentir com saúde e coragem para me deslocar até lá. Gostaria de ter companhia de algum/a colega ou amigo que quisesse ir comigo e partilhar a experiência. O custo engloba estadia e alojamento: 1400 euros por uma semana. As viagens são pagas aparte.Quem não quiser tomar parte no workshop , mas quiser aproveitar a ida com amigos, também o pode fazer.

Ficam aqui todas as referências para quem estiver interessado:

www.VirtualArtAcademy.com

http://tuscany-painting-workshop.blogspot.com

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Back from Britain



Sim, já regressei. Uma viagem curta e um pouco atribulada, mas com momentos de oiro, que já previa.
É demasiado tarde para vos contar algumas peripécias, mas quero apenas deixar-vos algumas imagens tiradas do comboio para lá e do taxi (!!!) para cá, que só pecam por ser demasiado pequenas ao pé da vastidão dos campos cobertos de branco...lindo, lindo, lindo.
Nunca tinha visto a Inglaterra assim mergulhada em branco, andei mais de 600 km e não havia pedacinhos que não estivessem gelados. Fiz um desenho num muro ao pé do hotel e dois dias depois ainda lá estava tal qual. Impressionante.


Hoje fico por aqui....amanhã conto mais. Prometo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Swan Lake- vivências infantis

Quando eu tinha dez anos, os meus Pais resolveram ir numa viagem a França, Inglaterra e Escócia (ao Festival de Edimburgo) e escolheram os meus irmãos mais velhos para os acompanharem. os cinco mais novos ficaram todos em casa com os meus Avós. Os meus Pais foram de carro e só cabiam tres filhos, era uma longa viagem. É claro que fiquei triste, durante dias chorei com saudades da minha Mãe e com um sentimento de injustiça, que nunca foi inteiramente sanado.
Passei os dias à espera que voltassem e, ao menos, trouxessem algumas coisas giras que não houvesse em Portugal - como as bics, gabardinas, livros ou pastas para o colégio.
Quando chegaram, as minhas irmãs vinham excitadíssimas. Mostraram as prendas de que já nem me lembro. Mas houve uma que me ficou na memória: dois discos -albuns em vinil do bailado : O Lago dos Cisnes - Swan Lake de Tchaikovsky - lindíssimos com fundo azul escuro e as figuras do par principal em branco. Parece que os estou a ver. As minhas irmãs tinham ido ver o ballet em Edimburgo e contaram-me a história toda, com pormenores, á medida que íamos ouvindo o disco.
Fiquei completamente "apanhada". Vi o conto na minha cabeça dezenas de vezes como se tivesse lido a história em livro ou visto o filme, não conseguia pensar noutra coisa, passei horas a ouvir e ouvir os discos, sentada no chão ao pé do móvel radio-gira discos. Não sei se chorei com a morte dos dois amantes no fim,mas aquela música arrebatava-me e fazia-me sonhar como se eu própria estivesse envolvida num conto de fadas, de bruxos e de princesas enfeitiçadas. A minha imaginação criava o resto, não havia filmes, nem vídeos, nem TV, nem suportes visuais. A minha mente encheu-se de imagens inventadas, que ainda hoje vejo. Nenhum espectáculo ao vivo do Lago dos Cisnes, que mais tarde pude ver, me impressionou tanto como aqueles momentos vividos junto ao aparelho de som.

Ainda hoje a música de Tchaikowsky me impressiona, sobretudo o leitmotiv principal dessa suite e o fim trágico dos dois príncipes, que desaparecem dentro do mar.

Ontem, recebi da minha amiga Maria do Céu uma referencia para o Youtube e resolvi colocá-lo aqui para que todos possam ver a maravilha do circo chinês, interpretando uma coreografia do Swan Lake diferente do clássico, em que o bailado é, em parte substituído por ginástica. A graciosidade dos movimentos acrobáticos é extraordinária.



Obrigada, Maria do Céu!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

De novo em viagem a Lisboa ( com F. Pessoa como epílogo)

Muito curta....só à capital e mesmo ao coração da dita.

O meu filho vai mudar de casa e a nova morada fica na Mouraria, terra do Fado nas Escadinhas da Achada. O nome diz tudo. Nunca vi tantas escadinhas na vida. Não pude tirar fotos porque chovia, estas são do google, mas voltarei lá mais vezes.
A casa dele é um T0, num beco com vista para o Largo do Caldas. Um candeeiro típico de Lisboa em forma de lanterna ilumina-lhe a cozinha à noite, quase não é preciso acender a luz. Tudo muito típico, mas frio...:)), sem aquecimento, com um esquentador diabólico ( Já me tinha esquecido destes hábitos lisboetas, mil vezes o cilindro do Porto!!
Como ele tinha exame amanhã, vim à noite no comboio das 8. A viagem foi linda, para lá e para cá, sempre a ouvir música e sossegada. Adoro viajar de comboio, sinto-me leve, independente, só, no bom sentido. Não preciso de companhia para viajar, adorava fazer uma viagem grande sozinha...um dia.

Tirei algumas fotos no caminho.

Portugal depois da chuva é mesmo lindo...os campos competem com os que vejo em Inglaterra, que neste momento devem estar brancos de neve. A minha filha diz que tem nevado todos os dias em Leeds e ela está feliz. Do quarto dela vê-se tudo coberto. Daqui a 15 dias estarei lá. Viajar agora é comigo.

E dado que ontem se celebraram os 75 anos da morte de FERNANDO PESSOA, fica aqui um poema a Lisboa do seu heterónimo, ÁLVARO DE CAMPOS:

Lisboa

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Viajando pela nossa terra


Hoje tive de me deslocar a Lisboa. Fui e vim no espaço de 7 horas, o que é quase incrível.
Mas deu para contemplar e ouvir música, momentos inegualáveis de prazer que não dispenso.



As fotos falam por si....e a música que escolhi também.

Esta é uma das peças que ouvi no comboio e que me levou ao passado, aos dias em que o meu filho tocava esta peça na sua flauta, em concertos, acompanhado duma amiga de longa data...a Dança dos Espíritos de Gluck.. É uma música duma tristeza infinita mas de uma beleza ímpar. As duas meninas prometem.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Back to England



Estou de novo em Inglaterra.
Vim ca para uma consulta da minha filha e aproveitei para matar saudades ( ja tinha) desta cidade. Desta vez de avioes, nao de comboio, e mais caro e nao sei se vale a pena. O que se anda hoje em dia nos aeroportos de Herodes para Pilatos. nos scannings, nos check-ins etc. cansa mais do que andar tres horas no comboio a ver a paisagem ou a dormitar. O aviao de Londres para Leeds parecia ter sido fretado por uma familia de ingleses, eram pouquissimos e todos bifes. Eu parecia uma extraterrestre no meio delas e talvez por isso tiraram-me uma foto nos passaportes!!! Devo ter cara de terrorista :))).href
Mas continuo a adorar esta gente e sobretudo o ambiente dos locais. No aeroporto de Gatwick estive uma hora sentada num fauteil do cafe a ler A Insustentavel Leveza do Ser, sem que ninguem me chateasse ou quisesse o lugar. O aeroporto e cheio de lojinhas, super agradavel e calmo. Estamos em Outubro. As arvores aqui ja respiram outono, amanha vou dar uma volta pelo parque se estiver bom tempo.
Sinto-me em casa e curiosamente, nao sinto tanto a falta dos meus filhos e netos.
Nao irei ao atelier esta semana - mais uma. Sorry. O oleo fica para depois. Amanha vou-me inspirar nos quadros do Museu toda a manha....enquanto a minha filha estuda.
Beijinhos e ate a volta!