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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Optimus Alive - Crisis Dead


Tenho andado em picardias no Facebook por causa deste festival que vai durar até Sábado no Passeio Marítimo de Algés e que ontem esgotou com 50.000 pessoas a ouvir música, a dançar, cantar e vibrar durante horas a um dia de semana, pagando a módica quantia de 50 euros por bilhete.
No mesmo dia, o PM levou "um murro o estômago" ao ver a agência Moody's cortar ainda mais o valor da nossa economia, que já está na categoria de LIXO e ainda pode ir parar a uma incineradora, se continuarmos a ignorar a situação, cantando e bailando ao som das bandas pops, que agora fazem de Portugal um paraíso acolhedor.
Ainda me lembro de Frank Sinatra e Júlio Iglésias terem sido impedidos de cá vir por serem proibitivos os cachets que pediam. Havia uma qualquer lei que não permitia excessos desse cariz.
Agora não. Lisboa apresenta um palmarés de concertos exorbitantes, quase todos esgotados, com bandas dejá vus (ou entendus)dos anos 60 - Pink Floyd, por exemplo - e festivais que duram dias. Para assistir, pagam-se uns 129 euros, quase o montante da reforma de algumas pessoas que trabalharam uma vida inteira em Portugal.

Isto não pretende ser demagógico nem político, mas acho que é imoral gastar-se tanto para pura diversão, quando há pessoas que neste momento estão a sofrer e a pagar com os seus impostos a sobrevivência deste país.
Mas não, os pais acham que os seus jovens têm de esquecer as agruras dos estudos ( pagos por eles), a ausência de perpsectivas de futuro ( já a contar com a herança dos progenitores), o drama do desemprego ( fazer trabalhos com esfregona em casa é que não, dizia uma mãe no telejornal acerca da filha calona), a emigração (com bolsas de estudo que duram uma eternidade), etc.


Sempre adorei música. Oiço-a todos os dias. Quando posso vou a alguns concertos, mas desde que o bilhete não exceda os 20 euros. Não acho que se deva proibir eventos, mas fomentá-los deste modo não é contribuir para o enriquecimento da cultura, mas para o empobrecimento moral - ainda mais - do país, que já está na bancarrota.
Basta de manifs no Rossio, basta de protestos bacocos contra o regime, é a altura desta gente nova compreender que entre a felicidade conseguida a pulso pelos Pais e aquela que eles recebem ou querem de mão beijada, vai um mundo. Um mundo de valores, de princípios, de trabalho, empenhamento e esforço, que não pode nem deve ser ignorado nem branqueado pelos nossos filhos e netos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Natal?



Este ano não estou nada imbuída do espírito natalício, embora a Tv nos impinja cem vezes ao dia os anuncios das obras de caridade camufladas pelo consumo garantido; já não posso ver as Leopoldinas, as Barbies, as donas dos jetsets, que gastam balúrdios numa malinha Louis Vuitton, a demagogia de toda esta fantochada; é os arredondamentos, é os bancos alimentares, as missões sorrisos, as ajudas de berço, tudo nesta altura, como se só nesta altura do ano, existissem razões para se pedir a colaboração dos menos pobres, dos que já contam os tostões, dos funcionários publicos sem aumentos, dos trabalhadores e até dos desempregados. Há os ricos que dizem renunciar às prendas e pedem o dinheiro aos irmãos para instituições, o que acho bonito como gesto, mas não como imposição.
Muitas vezes as prendas são feitas por nós, não implicam dinheiro, são lembranças, quadros, caixinhas, desenhos feitos pelos netos, nunca na vida gastei fortunas a dar prendas e tenho tres afilhadas sobrinhas, sete irmãos e a minha família nuclear. Lembro-me sempre de vésperas de Natal a acabar tricots e ainda agora os estou a fazer. Porque será que a generosidade para com os pobrezinhos só chega no Natal e se choca brutalmente com o espavento das galas, das festas, das Olás e das Flash?

Está um dia lindo de sol...nem sequer está frio. Fui ali ao Lordelo comprar uma malinha para poder levar dentro do avião da Ryanair, sem ser preciso esperar depois pela bagagem. Havia lá coisas por 10 euros que facilmente se fazem em casa.

Vou a Leeds por tres dias. Significa um pouco de sacrifício, mas é uma prenda de Natal para a minha filha, que não vejo há dois meses. Vou buscá-la, passar com ela tres dias, e inspirar-me nos Kindermarkt da Millenium Square - uma praça enorme cheia de stands, vinho quente- o Gluhwein - e mil e umas peças de artesanato
enfeites, bolinhos, Platzchen ( boliachinhas), tortas, troncos de Natal, pinhas e Christmas Carols, música por todo o lado. Lá as ruas enchem-se de gente, não há centros comerciais gigantescos, só galerias lindíssimas ao estilo vitoriano, os jovens riem, cantam, tocam, o ambiente é bom. Todos estão, aparentemente, felizes.

E há neve....pelo caminho todo, irei contemplar a paisagem...de inverno puro e duro. É o meu Natal.