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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Férias



A ideia de férias vem sempre com uma auréola, algo de místico, de prazer incontornável, de alegria e liberdade.

Sempre gostei de férias, não me lembro de alguma vez ter chegado ao tempo delas com remorsos por não ir trabalhar :), com preocupação de nada ter para fazer :), de não saber como ocupar o tempo livre :) ou com medo do terrível vácuo que se abria no meu panorama a partir dali.

Houve momentos em que não notava grande diferença entre os dias de aulas na universidade e as horas a estudar em casa para os exames; mas a esses, não chamo férias, apenas dias de estudo, bem duros muitas vezes, com calor insuportável, livros e cadernos cheios de notas, a cabeça pesada , a memória assoberbada de conhecimento pouco útil. Muitas horas passei a ler, a estudar, a fixar factos, ideias, a analisar textos, autores,poemas ou peças de teatro. Li 13 peças de Shakespeare para um exame de Lit Inglesa, anotando-as no meu livro de obras completas, que tinha comprado por tuta e meia na Feira do Livro, em Inglês, mas que tinha uma letra que nem com lupa se lia bem :).E afinal, para quê, se nunca ensinei Shakespeare aos alunos???

As verdadeiras férias começavam quando acabava o estudo...quando acabavam as aulas nas escolas e vinham alguns dias de sossego. Férias eram aqueles dias quentes de verão, passados na praia da Carcavelos ou em Sintra ou em Cascais ou no Guincho com os irmãos e amigos, numa maré de displicência juvenil, felicidade descontraída, ilusão de que tudo era o paraíso.

Férias devia significar a ausência de programas fixos, liberdade total naquilo que se faz, se veste, se come, se sonha e se dorme. Poucos, porém, podem usufruir dessa sensação, porque todos nós temos a mania de programar tudo e até de nos irmos em viagens, onde cada minuto é monitorizado por um guia, pela família ou até pelos amigos com quem estamos.

Penso que cada um de nós devia fazer férias sozinho. Pelo menos por uns dias. Mas o nosso instinto gregário e as cordas que nos prendem aos demais figurantes desta novela é sempre mais forte e acabamos por passar férias a pensar nos outros, nos filhos, nos netos, nos amigos dos filhos, nos nossos amigos, ou até em desconhecidos!

Venham as férias...com apensos ou sem eles...quando se está aposentado, a vida parece ser uma vivência de férias ininterrupta. A diferença não é notória.

O melhor das férias, dizia um dos meus filhos é o ANTES....e eu acrescento e, por vezes, o DEPOIS, quando olhamos para as fotografias, filmes ou vídeos e temos saudades...daquilo que já não volta.

E aqui fica uma canção que, de tão cândida, me faz sorrir.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Optimus Alive - Crisis Dead


Tenho andado em picardias no Facebook por causa deste festival que vai durar até Sábado no Passeio Marítimo de Algés e que ontem esgotou com 50.000 pessoas a ouvir música, a dançar, cantar e vibrar durante horas a um dia de semana, pagando a módica quantia de 50 euros por bilhete.
No mesmo dia, o PM levou "um murro o estômago" ao ver a agência Moody's cortar ainda mais o valor da nossa economia, que já está na categoria de LIXO e ainda pode ir parar a uma incineradora, se continuarmos a ignorar a situação, cantando e bailando ao som das bandas pops, que agora fazem de Portugal um paraíso acolhedor.
Ainda me lembro de Frank Sinatra e Júlio Iglésias terem sido impedidos de cá vir por serem proibitivos os cachets que pediam. Havia uma qualquer lei que não permitia excessos desse cariz.
Agora não. Lisboa apresenta um palmarés de concertos exorbitantes, quase todos esgotados, com bandas dejá vus (ou entendus)dos anos 60 - Pink Floyd, por exemplo - e festivais que duram dias. Para assistir, pagam-se uns 129 euros, quase o montante da reforma de algumas pessoas que trabalharam uma vida inteira em Portugal.

Isto não pretende ser demagógico nem político, mas acho que é imoral gastar-se tanto para pura diversão, quando há pessoas que neste momento estão a sofrer e a pagar com os seus impostos a sobrevivência deste país.
Mas não, os pais acham que os seus jovens têm de esquecer as agruras dos estudos ( pagos por eles), a ausência de perpsectivas de futuro ( já a contar com a herança dos progenitores), o drama do desemprego ( fazer trabalhos com esfregona em casa é que não, dizia uma mãe no telejornal acerca da filha calona), a emigração (com bolsas de estudo que duram uma eternidade), etc.


Sempre adorei música. Oiço-a todos os dias. Quando posso vou a alguns concertos, mas desde que o bilhete não exceda os 20 euros. Não acho que se deva proibir eventos, mas fomentá-los deste modo não é contribuir para o enriquecimento da cultura, mas para o empobrecimento moral - ainda mais - do país, que já está na bancarrota.
Basta de manifs no Rossio, basta de protestos bacocos contra o regime, é a altura desta gente nova compreender que entre a felicidade conseguida a pulso pelos Pais e aquela que eles recebem ou querem de mão beijada, vai um mundo. Um mundo de valores, de princípios, de trabalho, empenhamento e esforço, que não pode nem deve ser ignorado nem branqueado pelos nossos filhos e netos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA


Comemora-se hoje. Todos sabemos. É um daqueles dias luminosos em que nos passam pelos olhos imagens de crianças a sorrir, felizes, bibes e chapéus coloridos, o tagarelar e o cantar despreocupados. Comparamo-las aos passarinhos que aqui na minha rua se ouvem a toda a hora. Mas também nos chegam outras imagens bem mais soturnas de crianças soldados, crianças a trabalhar debaixo de sol escaldante ou em fábricas de tapetes com temperaturas impiedosas e olhos do tamanho do mundo.
As crianças são a alegria das famílias, nunca me lembro de não ter crianças por perto, os meus filhos, amigos deles, crianças do infantário da minha escola, sobrinhos, etc. Sempre achei que eram muito especiais, inteligentes, sensíveis, espontâneas e desarmantes.
Os meus netos são muito diferentes e cada um deles tem uma personalidade muito própria. Felizmente podem expressar os seus sentimentos e qualidades em campos tão diversos como a música, os trabalhos manuais, o desporto, o ballet ou o piano. Os pais defendem-nos
de alguns vícios da era actual como a TV ou hábitos perniciosos de deitar tarde ou ver filmes violentos e telenovelas. Mas eles vingam-se, quando vão a casa dos avós, exigem ver o Canal Panda, sem o qual as visitas não são tão saborosas...:)
Vivi numa família cheia de crianças, éramos oito filhos. Lembro-me de ter de partilhar tudo com os meus irmãos, até os bolos ao domingo, livros, vestidos, festas, etc. Nada era muito privado, todos sabíamos tudo acerca dos outros e cada uma das nossas acções assumia importância para o colectivo.
Lembro-me de ir à praia, de andar por Sintra, visitar famílias amigas dos meus pais, ir à Missa aos Jerónimos, rituais que perduraram durante anos. Só na adolescência, começávamos a indagar se os Pais tinham sempre razão e se não haveria outros caminhos a desbravar. Era apenas uma tentativa tímida, pois os tempos eram outros e os adolescentes não tinham tanta liberdade.

Hoje resolvi voltar à poesia da minha amiga Regina, especial para crianças:

Perguntaram à Maria

o que era a poesia

e a Maria respondeu:

É saber olhar o Céu,

ouvir as ondas do mar,

e sentir a maresia,

as aves a chilrear,

desde que o sol se levanta,

deixar a areia escapar

por entre os dedos da mão,

é saber ouvir o vento

que traz sempre uma mensagem

quando chega de viagem.

É acarinhar a terra,

cada animal, cada planta,

cada pedra, cada rio.

É cantar ao desafio com o melro,

o gavião, e também a cotovia,

o pardal , o rouxinol.

É saudar o arco-írisnum dia de chuva e sol

In Ciência para meninos em poemas pequeninos

FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO!

domingo, 24 de abril de 2011

Slideshow


Hoje Domingo de Páscoa fui almoçar fora com os meus filhos mais novos, os meus netos estão fora com os Avós maternos. Foi um dia muito calmo com trovoada para variar. Gosto imenso de trovoadas, mas esta foi muito curta, nem deu para assustar, O céu ficou de chumbo e até pensei que ia cair uma saraivada, mas não , as árvores estão estáticas e é impressionante olhar para as copas lá em cima, onde nem uma agulha bole...como diria Augusto Gil. Ouvem-se foguetes ao longe, a lembrar que hoje é dia de festa. Comprei um pão de ló de Ovar, daqueles húmidos, que adoro com um chazinho. Ao almoço comi cabrito, como é já tradicional, mas desta feita no restaurante, já lá vai o tempo em que passava a manhã a roda do forno, cabritinho com as batatinhas novas, os grelos, o arroz de forno, os folares, etc. Não tenho muitas saudades desse tempo, era uma canseira e sempre em minha casa. Nunca gostei de amêndoas e passo bem sem as comer nesta época, mas gosto de doces de ovos e lambarices de outro género.

Hoje dedique parte da tarde a passar a ferro, camisas do meu filho que vai já amanhã para Lisboa, pintura e a fazer um video, tipo slideshow com as fotos do encontro de Faro para colocar no Facebook, pois agora temos um Woophy Club, onde todos os memebros podem colocar fotos e outras coisas só para os seus amigos comuns. O vídeo está no Youtube, de modo que ponho-o aqui para quem quiser rever o que foram estes dias no Algarve. Pena ter sido tão curto...
A música é dos MUSE, a tal banda que me leva aos céus :)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os sem abrigo

Hoje resolvi sair um pouco do âmbito da cultura para me debruçar sobre o social.

Vejo no Telejornal da hora de almoço os últimos números da adesão à greve - abaixo das expectativas, pois claro, quem é que pode perder o vencimento dum dia de trabalho, mesmo que ele seja baixo e oferecer ao Estado uma percentagem daquilo que ele lhe paga quase por favor?
Enquanto professora só fiz greve uma vez e por solidariedade pois nem sequer estava convocada para os exames desses dias. Mesmo assim tiraram-me cerca de 200 euros no vencimento ao fim do mês. E greves de professores não têm consequências nenhumas, só servem para os alunos se divertirem e andarem pelos shoppings a passear...

Outra notícia que despertou a minha atenção, foi a de que muitos sem-abrigo pernoitam na gare do Oriente, aquele monstro de betão com espaço que daria para fazer dez casas ou mais onde abrigar estas pessoas que o azar atirou para as ruas.
Não é só cá. Lembro-me de ver sem abrigos em Londres, em NY, em Paris, com climas gélidos. Passei duas noites em gares, por viajar de noite em grupo e sei quanto custa não termos onde encostar a cabeça e esticar as pernas. E eu tinha 19 anos.
Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver os jovens a entregar refeições na estação, o modo como abraçavam os necessitados, o carinho com que os tratavam. Ainda bem que há gente generosa. Um dos homens que ali estava, com bom aspecto físico e sapatos engraxados, explicou que é epilético e que não há patrões que o admitam. Ou seja, despedem-no mal sabem que ele sofre de epilepsia. Tive uma estagiária que sofria dessa doença e sempre deu aulas, embora, pessoalmente tenha tido muitas complicações durante a vida. As doenças mentais são a maior razão de ostracismo e de miséria. Não há qualquer protecção social para quem sofre destas doenças, nem sequer podem fazer seguros de doença. Sei-o bem.

Este país não é para velhos, nem para deficientes, nem doentes, nem sequer para jovens licenciados, casais novos com crianças, este país não é para quase ninguém....

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DIA mundial contra o TRABALHO INFANTIL


Quando dava aulas de Inglês no 11º Ano, nas décadas após o 25 de Abril, os programas eram muito virados para os problemas sociais e extremamente limitados em termos culturais. Basta dizer que os 4 temas principais a tratar nesse ano eram: a Revolução Industrial na GB; condições de trabalho; desemprego; imigração. No fundo tudo se resumia ao mesmo tema : trabalho; trabalho; trabalho.
Fiz muitas pesquisas nesse campo, comprei livros e livros sobre os temas principais - romances como os de Alan Sillitoe, que faleceu recentemente, vi filmes que pudessem interessar aos meus alunos, como o Brassed Off ( não me lembro do nome em português, desculpem), um filme muito interessante sobre as minas do Yorkshire e uma banda de mineiros que toca na penúria até ficarem desempregados por ordem de Margaret Thatcher. Também lia a TIME, que trazia artigos actuais sobre as crianças dos países asiáticos e africanos que trabalhavam de sol a sol. Lembro-me de levar para as aulas fotos de crianças das fábricas de tecelagem, limpa-chaminés de seis e sete anos, meninos que acartavam tijolos debaixo de sol tórrido, umas carinhas lindas e olhos expressivos...
Os meus alunos eram jovens bem nutridos, despreocupados e felizes, com os problemas fúteis da adolescência, o desgosto de não terem jeans de marca ou ténis NIKE ou arrufos de namorados.
Devo acrescentar a este meu texto de hoje que sempre achei que os jovens de 14 a 16 anos deviam trabalhar nos tempos livres, mesmo que não ganhassem nada, pois o trabalho é uma experiência e às vezes torna-se mais útil do que muito estudo e leitura. No Reino Unido e nos EUA, todos os alunos têm part-time jobs, holiday jobs, weekend jobs e isso entra no seu currículo.Eu própria monitorizei um grupo de alunos num Work Experience em Northampton e eles gostaram muito. Aqui em Portugal, grande parte dos jovens acha-se com direito a tudo, bolsas do Estado, livros de graça, universidade à borla, tudo pago pelos Pais. Nunca sentiram na pele a necessidade de custear as suas despesas de educação.Não são todos, graças a Deus.
Para essas aulas a minha filha gravou em tempos um poema lindíssimo de William Blake: The chimney sweeper. Fê-lo para uma cassete e não em CD, de modo que não o posso colocar aqui. Em fundo pôs música de Ennio Morricone. Cada vez que os meus alunos ouviam aquela gravação, ficavam petrificados e comovidos. Eu também.

Oiçam esta versão maravilhosa que encontrei no You Tube:


When my mother died I was very young,
And my father sold me while yet my tongue
Could scarcely cry 'weep! 'weep! 'weep! 'weep!
So your chimneys I sweep, and in soot I sleep.

There's little Tom Dacre, who cried when his head,
That curled like a lamb's back, was shaved: so I said,
"Hush, Tom! never mind it, for when your head's bare,
You know that the soot cannot spoil your white hair."

And so he was quiet; and that very night,
As Tom was a-sleeping, he had such a sight, -
That thousands of sweepers, Dick, Joe, Ned, and Jack,
Were all of them locked up in coffins of black.

And by came an angel who had a bright key,
And he opened the coffins and set them all free;
Then down a green plain leaping, laughing, they run,
And wash in a river, and shine in the sun.

Then naked and white, all their bags left behind,
They rise upon clouds and sport in the wind;
And the angel told Tom, if he'd be a good boy,
He'd have God for his father, and never want joy.

And so Tom awoke; and we rose in the dark,
And got with our bags and our brushes to work.
Though the morning was cold, Tom was happy and warm;
So if all do their duty they need not fear harm.



William Blake » Songs of Innocence-The Chimney Sweeper

Tradução:

O LIMPADOR DE CHAMINÉS

Tradução ( brasileira) de Renatta Suttana



Eu era bem novo, e minha mãe morria; e meu pai vendeu-me quando eu mal sabia balbuciar, chorando: “’dor! ‘dor! ‘dor! ‘dor! ‘dor!” Assim, sujo e escuro, sou o limpador.
Aquele é Tom Dracre, que chorou na vez em que lhe rasparam a cabeça: “Vês – consolei-o – Tom, que é bom não ter cabelo, pois assim fuligem não te suja o pêlo.”
Assim se acalmou, e numa noite escura Tom, dormindo, teve esta visão futura: que mil limpadores – josés e joões – foram confinados em negros caixões.
E então veio um Anjo, com uma chave branca, e os tirou do escuro, destravando a tranca; e então, entre risos, ao campo saíram, no rio lavaram-se, e ao sol reluziram.
Sem sacos às costas, despida a camisa, voaram nas nuvens, brincaram na brisa; disse o Anjo a Tom que, se fosse bonzinho, Deus feliz tomava-o como seu filhinho.
E, após, despertando, foi na escuridão apanhar seu saco mais seu esfregão, e saiu alegre na manhã gelada. Quem seu dever cumpre não receia nada.


Não gosto de ser demagógica, mas tinha de fazer sentir o problema aos meus alunos, embora a minha missão fosse ensinar-lhes inglês, afinal....e somente.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

À minha amiga Regina ...e com ela também




Reencontrei a Regina após uns três anos de ausência. Está igual a si própria, continua a falar muito depressa como se fosse já atrasada para apanhar o comboio,mas mantém a mesma serenidade e simplicidade que me fizeram admirá-la mais do que a muitas outras colegas da minha escola.

Andamos no atelier "Utopia" - que felizmente é uma realidade às 3ª e 5ª - convivemos e aprendemos a pintar. Hoje foi pastel, há dias acrílico, para mim é tudo encantamento e quanto mais sei disto, mais me apetece saber. Acho que perdi anos da minha vida a fazer malha, quando poderia ter estado a criar algo mais belo.

Há dias fiz estes dois abstractos. A Regina pediu-me numa entrada abaixo que vos mostrasse aqui o trabalho feito. Decidi fazê-lo, mas não sem colocar dois poemas dela - um deles ainda não publicado - a acompanhar a "obra". Esta entrada é das duas. E oxalá signifique o retorno a uma amizade forever.

Cores outonais
O muro de xisto é já uma ruína mas a vinha,
velha e tão cansada,
exibe de novo os seus tons outonais.
Numa subtil gradação de frequências
a folhagem é agora amarelada, acobreada,
cor de vinho, acastanhada.
Ostentam cores outonais também, mais além,
a pereira e o marmeleiro.
Enquanto transferências de electrões
desencadeiam oxidações e reduções,
carotenos e antocianinas
conjugam-se em paisagens quase surreais.
Sentada numa fraga, ao lado de um sobreiro,
quero perpetuar estes instantes,
transformar em eterno este momento,
mas o agora de há pouco já é antes,
nesta implacável corrida do tempo.

Magnetismo Terrestre - 2006



Poalha etérea

No labirinto da memória
uma imagem perdida.
Uma imagem fugaz, discreta.
No bastidor, esticado, o alvo linho
de onde em onde maculado
por um bordado azul,
o azul do mar de Creta.
Não sei se era lençol, se era toalha
Na memória, apenas o bordado azul
e a brancura do linho.
Tudo o mais se esfumou
numa poalha etérea,
não sei se onda se matéria,
que o tempo dispersou.

Regina