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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Semana Santa - uma peça de música sacra todos os dias

Há quem já esteja a trabalhar...ouvem-se os autocarros para cima e para baixo, sinal de que é 2ª feira, dia de trabalho, numa semana que deveria ser Santa ( dedicada a Deus:)

Há quanto tempo não vivo a Páscoa dum modo cristão, como dantes!

Na minha adolescência, ia todos os dias da semana santa à missa nos Jerónimos, lia a Paixão nos Evangelhos, meu livro de cabeceira, comoviam-me as palavras de Jesus e até a atitude de Pedro, o apóstolo que o renegou. Para mim, tudo o que lia se tornava vivo, como se dum documentário se tratasse.
Sempre acreditei em Cristo e na sua mensagem, considero-o um Homem especial, como Gandhi, Mahomé e outros que deram e continuarão a dar a vida pela Fé.

Há muito que não acredito em Deus, como é representado pela Igreja.
Deve ser bom acreditar e lutar por aquilo em que se acredita.
Só acredito no Homem e na sua capacidade para fazer o Bem e o Mal, muitas vezes escolhendo o caminho mais fácil. Não acredito na Redenção após a morte. Se vier , será uma surpresa. Acredito que podemos lutar por um mundo melhor, criando o Bem à nossa volta, mas também penso em mim e na minha felicidade. Sou egoísta.

Na ausencia de prática religiosa, dedico-me a ouvir a música mais inspiradora desta época sacra.Enche-me de Paz e serenidade.

Fica aqui uma das Árias mais belas da Paixão Segundo S. Mateus de Bach, uma obra que me faria acreditar em Deus, se Ele existisse.

domingo, 13 de março de 2011

Exposição de Camélias- Biblioteca Almeida Garrett- Palácio de Cristal - Porto

Hoje fui ver a Exposição. Fui com o meu ex- depois dum almoço a três numa churrascaria da Rua da Saudade. Estava a chover e não tinha chapéu de chuva, de modo que a boleia soube-me bem:)

Não há muito a dizer da expo, era mesmo só para ver...as fotografias tiradas no local expressam bem a beleza duma amostra destas.
Junto um poema descoberto no blogue Poesia e Paixão e um vídeo ao vivo dum concerto no Royal Albert Hall, em Londres, com a mais célebre ária da ópera "A Dama das Camélias" - Traviata - de Verdi
Brindo como os cantores à Beleza, às Flores e ao Amor!



Quem é essa mulher que passa,

Qual ramalhete de flores vermelhas e aveludadas

Em laçarotes negros de cetim

E a fragrância de sua inebriante existência

Me prende por instantes os sentidos...


Que guerreira é essa,

Que o tempo não lhe rouba o arco,

Não empresta vigor, não vende coragem,

Não barganha contra si própria

A determinação de amar e ser amada,

Como "Carmem", sem temor, nem pudor...

...


Que canção é essa composta

À luz da liberdade de estrelas,

Que faz da força do sol sua melodia

E da beleza da lua, sua harmonia...


Ouço um coro de fadas que,

Neste caminho de celebração à vida,

Espargem pétalas de flores vermelhas e aveludadas

E num rompante festivo e majestoso

As vozes celebram:


"Esta é a Camélia Vermelha,

De todas as fadas,

De todas as flores,

De todas as damas!"

Eloise Barreira

Saí da exposição com os olhos cheios de cor e de luz, mas o cenário mais belo estava cá fora, à chuva, à minha espera....

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mar

A minha paixão pelo mar é ilimitada, como ilimitado é o próprio mar, que, diante de nós, só acaba na linha do horizonte. Nunca tive paixão pelo campo, embora goste de sentir o cheiro e a liberdade dos verdes sem fim. Estive muitas vezes nas montanhas, nos Alpes da Baviera, que me atraem e repelem simultaneamente, a brancura encanta-me mas a proximidade do céu assusta-me. Sinto claustrofobia num espaço imenso, o que é um paradoxo.
Nunca pintei montanhas. Já pintei o mar e os campos ou florestas. Desta vez optei pelo primeiro e gosto da imagem do mar neste quadro em acrílico.



E um poema que exalta o mar como eu nunca saberia descrevê-lo.

Carta ao Mar

Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lyrico, choroso,
E terno visionario, meu amigo!

Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vae ter comtigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e humido jazigo!

Nada é mais triste, tragico e profundo!
Ninguem te vence ou te venceu no mundo!...
Mas tambem, quem te poude consollar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia! -
E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia;
- A Musica é mais triste inda que o Mar!


António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

quinta-feira, 1 de abril de 2010

As Sete últimas Palavras de Cristo na Cruz

Haydn escreveu esta peça por encomenda. Fez um estudo dos Evangelhos, procurando as palavras - melhor, as frases ( Worte em Alemão quer dizer mais frases com sentido do que palavras, que se diz Wörter) - que Cristo teria pronunciado, antes de entregar a alma ao Criador. Essa obra aprece-nos em versões diversas, orquestra de câmara, quintetos, quartetos de cordas, piano solo, orquestra com coro. Hoje vou ouvir a Orquestra Barroca da Casa da Música tocar. Apetece-me estar num local onde se oiça música e se medite na morte de Jesus. A Casa da Música ao fim da tarde tem todos os ingredientes para uma boa reflexão sobre o sofrimento e submissão.

Para quem não conhece a obra ficam aqui dois vídeos, ambos belos e sombrios.



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Tempo de AMOR



Foto minha no casamento duma sobrinha em Coimbra


Nunca me importei muito com o dia de S. Valentim - Valentine's day - em termos de festejos pessoais ou de comemorações a dois.Houve tempos em que recebia um postal do meu namorado e depois marido nesse dia e , em geral, ficava contente, porque não acontecia todos os anos, era uma surpresa.

S. Valentim foi essencial , isso sim, para a minha vida profissional porque é uma data que se celebra com especial carinho no mundo anglo-saxonico e faz parte da cultura inglesa e americana. Havia um dia dedicado ao AMOR e os alunos adoravam escrever poemas, frases, quadras e mete-las numa caixa com o nome do destinatário. Na Escola havia uma caixa de correio especial para este dia. Lembro-me dumas quadras engraçadas em inglês que os alunos liam antes de se inspirarem para escrever as suas. Lembro-me desta:

Roses are red
The sky is blue
Dear....
I love you


Os alunos escreviam por exemplo:

Benfica is red
FCP is blue
Your eyes are mine
Your lips are true.


Havia alguns bonitos!

Ao pensar em filmes de amor que vi e que gostaria de partilhar convosco, há muitos a recordar: Gone with the Wind, Doutor Jivago, West Side Story, Pride and Prejudice, Wuthering Heights" ( Monte dos Vendavais), tudo filmes da minha juventude, que vi vezes sem conta.
Mais recente, há um que permanece na minha memória e que considero uma obra prima em qualquer época da vida: As Pontes de Madison County, um hino ao amor proibido, com uma delicadeza e encanto especial. Tem a marca do grande realizador e actor Clint Eastwood e o talento e expressividade dramática da grande, enorme actriz Meryl Streep. É um filme que me encanta e arrepia nos dias de hoje, em que todos exigimos a felicidade e quase desconhecemos os grandes sacrifícios por amor. Achamos que temos direito a tudo, não respeitamos fidelidades e já não queremos viver em opressão ou sujeição só por hábitos ou exigências conjugais.
Este filme é daqueles que deixa no ar a interrogação: devemos deixar tudo por uma grande paixão?

Vão aqui o trailer e umas cenas deste maravilhoso filme. Se não o viram, vejam e digam-me se concordam com a decisão.