Fui ao cinema hoje à tarde. Maravilha. Bilhete a 3 euros porque sou senior, sala com dez ou doze pessoas, shopping pouco cheio mas com vida, ambiente de neve a lembrar que estamos no inverno, sentia-me bem.
Os meus filhos e netos não estão cá hoje, de modo que é aproveitar a liberdade (?) e vencer qualquer resquício de depressão.
Fui ver " O Deus da Carnificina", tradução à letra do título da peça de Yasmina Reza, Le Dieu du Carnage, peça de que já falei aqui,creio eu, quando esteve em cartaz no Teatro Carlos Alberto no Porto, uma experiência que valeu a pena, pois os actores eram incontestavelmente bons, o ritmo excelente, interpretação a nível superior, quanto a mim equivalente a muitas peças de Teatro Francês que vi em tempos em Lisboa. Até Paulo Pires estava óptimo no papel dum advogado corrupto.. A história é simples, mas o desenrolar da situação duma densidade estrondosa.
O filme não me empolgou, embora tenha gostado, sobretudo do diálogo - Yasmina Reza é admirável na maneira como pôe os sentimentos a nú e passa dum registo banal para o sarcasmo ou ironia e destes para a violência verbal.
Já tinha ficado extasiada com Art, que vi em Inglaterracom os célebres Tom Courtenay e Albert Finney, tendo lido a peça depois duas vezes. Reza é teatro e daí o filme me ter passado um pouco à margem e demasiado rapidamente.
Os actores são óptimos, mas paradoxalmente, achei a nossa Joana Seixas muito melhor do que Jodie Foster, que produz overacting desnecessário naquela personagem. Melhor está Kate Winslet e os dois actores masculinos.A densidade da situação no filme é menos palpável do que no palco.
Talvez o filme pareça melhor para quem não viu a peça ou a leu. Como conhecia o desenvolvimento do enredo, perdi um pouco do suspense.
Fica aqui o trailer para quem quiser o aperitivo:
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sábado, 14 de janeiro de 2012
domingo, 31 de janeiro de 2010
Música - AMOR - 1
Gosto muito de canções que exprimem o Amor, seja ele platónico, apaixonado, efémero, erótico, mera lembrança ou uma eternidade. Colecciono várias canções que são para mim de culto e que adoraria ouvir com alguém de quem gostasse a sério. Ouvi-as muitas vezes com os filhos e um amigo em especial que me ensinou sobre musica alternativa tudo o que sei hoje....e é bastante. Aqui vai uma das que gosto mais: Nick Cave, cantor australiano e o seu Into my arms. Aqui só em acústico, mas muito belo. A letra é um maravilhoso poema de amor espiritual. E a dicção do cantor ainda melhor.
INTO MY ARMS
I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did, I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did, I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candle burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
INTO MY ARMS
I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did, I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did, I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candle burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
domingo, 18 de outubro de 2009
Laus Deo

(Foto tirada por mim aqui da minha varanda ao fim do dia)
Não acredito em Deus.
Ou seja acredito num ser sobrenatural que existe na Natureza e está acima da nossa existência humana, mas não naquele Deus da religião cristã e católica, que castiga - não se sabe porquê - e dá a uns muito mais do que a outros e permite que uns bons e jovens morram, quando os outros andam por cá anos e anos a dar cabo disto tudo. Desculpem a franqueza. Isto deve-se a ter lido muito Sartre e Camus na FLUL, ter feito a cadeira de História do Cristianismo - dada magistralmente pelo P. Honorato Rosa, que um dia subitamente morreu quando estava a tomar um duche e nos deixou sem aulas e sem a sua sapiência. Ainda hoje pergunto a Deus como foi aquilo acontecer!
Não acredito no Deus de barbas brancas e custa-me ver as crianças aterrorizadas a pensar que fizeram asneiras e vão ser castigadas pelo tal Deus que elas não vêem , mas que as vê a elas. Deve ser terrível. Lembro-me que uma vez me fui confessar e disse ao Padre que tinha ficado com uma borracha que não era minha e ele disse: Isso não é pecado, filha. Fui absolvida e não a devolvi!
Isto tudo para dizer que hoje quase acreditei em Deus, enquanto olhava para o mar na Foz e o sol banhava tudo de uma luz tipica de Outono, suave e quente, limpida e quase mágica. Estive a pintar a pastel durante uma hora - uma alameda de jacarandás - , a ouvir música de Leonard Cohen ( é quase um Deus para mim), a vibrar com o estrondo das ondas contra a rocha masoquista da Praia dos Ingleses e a confraternizar em silêncio com a minha filha, rochas, gaivotas, areia, turistas, navios, petroleiros, jactos e tudo o que a vista alcança.
Fui feliz naquela hora e perguntei-me se morresse naquele instante, se não era bem melhor do que ficar velha um dia e só ter e dar chatices aos outros. Pode parecer mórbido, mas não é, vem-me isto muitas vezes à mente quando estou no auge da felicidade. E só não morro porque os outros iriam ficar tristes, muito tristes sem mim. Faço imensa falta, acho eu.
Um jacto a atravessar o sol :))

A Foz, local divino
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