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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A brutalidade dos media

Tenho estado muito por casa e de vez em quando oiço noticiários das 13 ou das 20, sempre com um olho noutras coisas que vou fazendo.

Cada vez me choca mais a selecção de notícias que vão sendo dadas com uma ligeireza e uma
leviandade a todos os títulos reprováveis. Penso nalgumas crianças que possam estar junto aos pais - já nem falo das que estão sozinhas porque essas provavelmente estão a jogar jogos no computador ou a brincar na rua - e assistam ao verdadeiro lavar de roupa suja que são os nossos telejornais.
Crime, crime e mais crime, com comentários duvidosos de senhores que se julgam donos da verdade ( já não posso ver a cara do bastonário da O. dos Advogados,
ouvir as suas diatribes contra os juizes, o homem deve ter um trauma qualquer pelo facto de o não ser), entrevistas com o mulherio à volta dos tribunais, os berros histéricos das multidões, justiça feita pelo povo sem qualquer espécie de racionalidade; a política, enfatizada ou
enxovalhada, agoniante e sempre repetitiva, com as mesmas imagens transmitidas até à exaustão, comentários de personalidades que não têm mais nada que fazer senão falar por falar ; o futebol, esmiuçado até ao tutano com mil e uns pormenores dos bastidores da bola, miséria intelectual, tricas e baldrocas, corrupção, uma vergonha no écran. É isto que nos dão todos os dias....em cinco canais noticiosos.

O que me choca mais é que há maravilhas e milagres da Natureza e da Ciência
que se estão a desenrolar todos os dias, há jovens a inventar, a criar, e ainda a tentar vencer neste país que os repele. Há cientistas excelentes a realizar milagres, médicos a trabalhar em condições péssimas, voluntários a dar tudo o que têm, escolas com projectos fabulosos, artistas a pintar, a tocar, a interpretar, a dançar...e tudo isto é ignorado por esses senhores dos media, estúpidos demais para ver que numa hora e meia destroem quase tudo o que se tenta construir
neste miserável ( mas belo) país.

É demais!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Requiem para uma árvore




“…Era uma vez um jardim maravilhoso, cheio de grandes tílias, bétulas, carvalhos, magnólias e plátanos. Havia nele roseirais, jardins de buxo e pomares…”, Sophia de Mello Breyner in “O Rapaz de Bronze”

É assim que começa o conto de Sophia.

Hoje uma parte deste jardim - será uma ínfima parte, mas era tão bela - foi decepada duma vez só. Cortaram a grande tília que se erguia mesmo junto à entrada e ao portão. Era linda, ainda nem sequer tinham caído as folhas doiradas, a sua abóbada via-se quase desde a Av. da Boavista, quando se vai pela Rua António Cardoso em direcção ao Campo Alegre. Enamorada que sou por árvores, disse muitas vezes aos meus filhos: Olhem para esta maravilha, parece desenhada no céu por um pintor, tal é a simetria da sua abóbada. Gostava daquela tília como se fosse da minha família. No chão ficou um cepo de um metro ou mais, sobre o qual brincava um miudita toda feliz. Nem sequer quis ver melhor, a entrada parece vazia e triste.


Fui à procura de referências a este belo exemplar arbóreo online e emcontrei este extracto interessante:

Não é, por isso, de estranhar que, logo nos bosquetes de entrada seja possível ler extractos de obras de Sophia e Ruben que descrevem a quinta, um dos quais refere as tílias existentes na frente da casa. Da mesma forma, é possível admirar a árvore de papel, cuja casca - que se desprende como folhas de papel - era utilizada pelas crianças para construir o que diziam ser as casas dos anões, no local onde hoje existe o Jardim dos Anões.


“Este jardim tinha um grande carvalho e um conjunto de faias, que estão descritos nas histórias de Sophia. Sabemos que era o local onde as crianças brincavam e faziam as casas dos anões, sendo o cenário do conto ‘A Floresta’, escrito por Sophia”, salientou Teresa Andresen. A poucos metros de distância encontra-se o Jardim do Rapaz de Bronze, outra referência importante na obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, dominado por um pequeno lago com uma estátua de onde jorra água.


“O ‘Rapaz de Bronze’, outra história de Sofia, também cá está, só que nunca foi um rapaz, sempre foi uma senhora, que ela ficcionou como sendo um rapaz”, frisou a directora do Jardim Botânico. “Num lugar sombrio, solitário e verde, havia um pequeno jardim rodeado de árvores altíssimas. No meio desse jardim havia um lago redondo sempre cheio de folhas. No centro do lago havia uma ilha muito pequena onde cresciam fetos e no centro estava uma estátua que era um rapaz de bronze”, pode-se ler numa placa junto ao lago, que cita um trecho da obra ‘O Rapaz de Bronze’. Os denominados jardins literários, pela sua ligação com as vivências de Sophia e Ruben, estão situados em volta da casa principal, sendo possível ao visitante sentar-se no banco de azulejos descrito pela escritora,observar a glicínia de que fala na sua obra e mesmo o bucho que entra num dos seus contos. “A opção de manter as vivências de Sophia foi uma coincidência.





( in Porto XXI)



(Fotos minhas tiradas em várias estações do ano)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Aqui deste lugar



onde desapareceu esta miudinha linda, continuo a olhar para o mar, para as rochas, para a Igreja, para as casas do resort por onde passei agora mesmo, e pergunto-me como foi possível que este caso ocorresse nesta praia e vila tão acolhedora para onde venho há 44 anos... uma vida.
Há mistérios insondáveis....e humanos que mais parecem lunares ( não quero ofender os animais).