Tenho estado muito por casa e de vez em quando oiço noticiários das 13 ou das 20, sempre com um olho noutras coisas que vou fazendo.
Cada vez me choca mais a selecção de notícias que vão sendo dadas com uma ligeireza e uma
leviandade a todos os títulos reprováveis. Penso nalgumas crianças que possam estar junto aos pais - já nem falo das que estão sozinhas porque essas provavelmente estão a jogar jogos no computador ou a brincar na rua - e assistam ao verdadeiro lavar de roupa suja que são os nossos telejornais.
Crime, crime e mais crime, com comentários duvidosos de senhores que se julgam donos da verdade ( já não posso ver a cara do bastonário da O. dos Advogados,ouvir as suas diatribes contra os juizes, o homem deve ter um trauma qualquer pelo facto de o não ser), entrevistas com o mulherio à volta dos tribunais, os berros histéricos das multidões, justiça feita pelo povo sem qualquer espécie de racionalidade; a política, enfatizada ouenxovalhada, agoniante e sempre repetitiva, com as mesmas imagens transmitidas até à exaustão, comentários de personalidades que não têm mais nada que fazer senão falar por falar ; o futebol, esmiuçado até ao tutano com mil e uns pormenores dos bastidores da bola, miséria intelectual, tricas e baldrocas, corrupção, uma vergonha no écran. É isto que nos dão todos os dias....em cinco canais noticiosos.
O que me choca mais é que há maravilhas e milagres da Natureza e da Ciênciaque se estão a desenrolar todos os dias, há jovens a inventar, a criar, e ainda a tentar vencer neste país que os repele. Há cientistas excelentes a realizar milagres, médicos a trabalhar em condições péssimas, voluntários a dar tudo o que têm, escolas com projectos fabulosos, artistas a pintar, a tocar, a interpretar, a dançar...e tudo isto é ignorado por esses senhores dos media, estúpidos demais para ver que numa hora e meia destroem quase tudo o que se tenta construir
neste miserável ( mas belo) país.
É demais!
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de junho de 2011
Sábado in-between
Hoje é um dia no meio... no meio de eventos, em que se sente um certo vazio depois de tanto frenesim mediático.
Mas para mim é um dia especial, que quero partilhar convosco hoje... os meus netos foram para umas bodas de prata e o meu filho mais velho para Osaka,onde vai receber o Prémio Internacional de Jovem Cientista do Ano no Congresso Anual de Telecomunicações e apresentar o seu primeiro livro,
Physical-Layer Security - From Information Theory to Security Engineering publicado pela Cambridge University Press. Estou muito orgulhosa, mas infelizmente não posso estar presente a não ser através do skype.Nem sequer consegui por aqui a foto da capa do livro pois não consigo gravá-la do site.
Todos os dias são diferentes. Hoje também tenho cá o meu filho mais novo, que dorme depois de duas noites de estudo em Lisboa. Em geral, pouco estamos juntos, mas é grato ouvi-lo dizer: Que bom que é estar aqui no Porto!
E ainda há a net.
Aqui encontra-se um manancial de motivos para nos distrairmos e alegrarmos e até podemos dialogar com a família e os amigos.
No Facebook, abriram agora uma página exclusiva para os fotógrafos amadores do Woophy e ponho lá fotos todos os dias, recebendo mensagens ou "likes" de outros amadores como eu.
É uma troca de momentos únicos, alguns belos, outros neo-realistas, originais, artísticos quase todos
peculiares e criativos. Descobri que duma foto se podem fazer muitas outras, cortando pedacinhos mais interessantes em si mesmos do que a foto inteira.E tenho feito isso com prazer. Este exemplo de alfazema é um deles.
Amanhã teremos outros motivos para estar presos aos media. Oxalá este país descubra um way out, como dizem os ingleses. De tanto nos compararem com a Grécia, já estou com verdadeiro horror aos gregos que não me fizeram mal nenhum....:)
Mas para mim é um dia especial, que quero partilhar convosco hoje... os meus netos foram para umas bodas de prata e o meu filho mais velho para Osaka,onde vai receber o Prémio Internacional de Jovem Cientista do Ano no Congresso Anual de Telecomunicações e apresentar o seu primeiro livro,
Physical-Layer Security - From Information Theory to Security Engineering publicado pela Cambridge University Press. Estou muito orgulhosa, mas infelizmente não posso estar presente a não ser através do skype.Nem sequer consegui por aqui a foto da capa do livro pois não consigo gravá-la do site.Todos os dias são diferentes. Hoje também tenho cá o meu filho mais novo, que dorme depois de duas noites de estudo em Lisboa. Em geral, pouco estamos juntos, mas é grato ouvi-lo dizer: Que bom que é estar aqui no Porto!
E ainda há a net.
Aqui encontra-se um manancial de motivos para nos distrairmos e alegrarmos e até podemos dialogar com a família e os amigos.
No Facebook, abriram agora uma página exclusiva para os fotógrafos amadores do Woophy e ponho lá fotos todos os dias, recebendo mensagens ou "likes" de outros amadores como eu.
É uma troca de momentos únicos, alguns belos, outros neo-realistas, originais, artísticos quase todos
Amanhã teremos outros motivos para estar presos aos media. Oxalá este país descubra um way out, como dizem os ingleses. De tanto nos compararem com a Grécia, já estou com verdadeiro horror aos gregos que não me fizeram mal nenhum....:)
sábado, 20 de fevereiro de 2010
O Observer voltou
O Observer é um semanário - embora pertença ao jornal diário The Guardian - uma relíquia nos media ingleses que só sai uma vez por semana.
Durante anos visitei a bilioteca do British Council donde se podiam trazer para casa praticamente todos os jornais e revistas inglesas das semanas anteriores, sendo a sua leitura agradável e interessante, para não falar só da utilidade que esses artigos tinham para a minha elaboração de manuais escolares e aulas. A revista, então, era fabulosa, com artigos de moda, culinária, entrevistas, educação, anúncios engraçados, cartoons, opiniões, etc. Ainda lá tenho em casa - na antiga - revistas dos anos 80 que comprei em Londres e que não me apetece deitar fora. Estão junto às LIFE enormes, dois anos inteiros em que fiz a assinatura e TIMEs do tempo da 1ª Guerra do Golfo. São fósseis, eu sei, mas uma casa sem exemplares destes, é um pouco vazia, não acham?
Hoje li num blogue que o Observer que já tinha desaparecido há uns anos voltou a ser relançado no mercado. O vídeo que anuncia este evento é espantoso. Vejam-no...e comparem com a pobreza dos nossos semanários, que agora estão tanto em voga.
Durante anos visitei a bilioteca do British Council donde se podiam trazer para casa praticamente todos os jornais e revistas inglesas das semanas anteriores, sendo a sua leitura agradável e interessante, para não falar só da utilidade que esses artigos tinham para a minha elaboração de manuais escolares e aulas. A revista, então, era fabulosa, com artigos de moda, culinária, entrevistas, educação, anúncios engraçados, cartoons, opiniões, etc. Ainda lá tenho em casa - na antiga - revistas dos anos 80 que comprei em Londres e que não me apetece deitar fora. Estão junto às LIFE enormes, dois anos inteiros em que fiz a assinatura e TIMEs do tempo da 1ª Guerra do Golfo. São fósseis, eu sei, mas uma casa sem exemplares destes, é um pouco vazia, não acham?
Hoje li num blogue que o Observer que já tinha desaparecido há uns anos voltou a ser relançado no mercado. O vídeo que anuncia este evento é espantoso. Vejam-no...e comparem com a pobreza dos nossos semanários, que agora estão tanto em voga.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Lisboa e a "paisagem"

Sou de Lisboa, nasci mesmo no centro e lá vivi, trabalhei e casei... até Outubro de 1975, ano em que deixei a capital e que considero ter sido uma viragem total na minha vida.
Não fugi por causa do ano quente, mas porque o meu marido tinha sido colocado na Beira Baixa como juiz e era suposto ir com ele se houvesse vaga na Escola Técnica da Sertã, que só leccionava até ao 5º(9) ano e cujos alunos só tinham Inglês no 3º ciclo. Na altura eu estava "colocada" na Figueira da Foz como professora efectiva, apesar de só ter 29 anos; os tempos eram outros.
Até à véspera de fazer a mudança, não sabia qual seria o meu destino e estava angustiada de deixar o meu marido e ir para 200 kms de distãncia, numa altura em que as estradas eram mais que ruins e não havia quaisquer autoestradas a não ser a de Vila Franca de Xira e a de Lisboa a Algés.
Felizmente as coisas compuseram-se com uma ida ao Min. da Educação, onde uma "luminária" descobriu que eu podia ensinar Português na Sertã, dado que tinha licenciatura ( com tese) e a cadeira de Literatura Portuguesa I, II e III , feitas como opção. Não me fizeram nenhum favor, mas fiquei aliviada por terem descoberto a pólvora.

Estive na Sertã dois anos. A vila era constiuida por uma rua grande, onde ficava a "minha" casa e um largo, onde ficava o Tribunal. A Escola, antigo colégio de freiras erguia-se no topo dum monte, com vista para o vale, onde passava uma ribeira e onde se podia admirar uma pontezinha romana, muito bonita e bem conservada.
A Sertã era o faroeste, embora ficasse no coração do país. Não me deram telefone em casa, enquanto lá estive, as comunicações com Lisboa eram nulas - só por carta à antiga -, o frio era tremendo no inverno e o quadro de electricidade vinha abaixo cada vez que se ligava um aquecedor. Não havia água quente na cozinha, era preciso aquecer água para lavar a loiça e fazer os biberons do meu bébé. Tinha de lhe dar banho no meu quarto, pois na casa de banho a temperatura era de 4º no inverno. As roupas penduradas lá fora viravam blocos de gelo no inverno ( sem exagero) e as poças de água no pátio que tinhamos de atravessar para dar as aulas eram espelhos gelados e escorregadios. Usava botas, casaco maxi, calças e mesmo assim tinha frio, habituada ao calor de Lisboa.
No Verão, era o contrário, mas como a casa tinha um pátio virado a Norte, estava-se lá bem. Com 30 anos aguentava tudo, até gostava do cheiro do campo, das faces vermelhas dos meus alunos depois de andarem kms para vir à escola, dos tricots que se faziam na sala de professores, das castanhas assadas em latas furadas na lareira da casa de uma colega. E do meu bébé rosado, a comer pétalas de rosa e a rir descaradamente por saber que era malandrice.
Lembro-me do meu deslumbramento quando me vieram buscar uma vez para ver a neve num lugar chamado Alto do Cavalo, onde os pinheiros - havia milhares por ali - estavam cobertos de um manto branco e a paz era total.
Lisboa estava a milhas de distância e só soube do 25 de Novembro por acaso, pois a TV a preto e branco com um único canal estava a dar o acontecimento em imagens muito distorcidas.
Acho que nunca estive tão só como na Sertã, embora Chaves , onde vivi noutros dois anos ficasse a 500kms de Lisboa. Nesses anos, cresci, vivi e reflecti sobre o nosso país de contrastes.
Pensei nos privilégios que tinha tido na infância e juventude e na imagem tão errada que os meus pais, escola inglesa, liceu e meio envolvente me tinham incutido do país em que se vivia. A minha vida até então não tinha nada a ver com o país, era uma falsidade total, um reino de privilégios, um paraíso colonial, como aqueles que se viam na India, em séries inglesas, como a "Joia da Coroa".
Nunca mais consegui pensar em Lisboa como dantes - a minha cidade, a maravilha luminosa à beira Tejo, os turistas prósperos, o bairro do Restelo cheio de família cristãs com uma mente limitadíssima e numerosos filhos a dar esmolas aos mais necessitados para aliviar a consciência, as missas dos Jerónimos, os pasteis de Belém quentinhos, a Gulbenkian, a vila de Cascais, a Linha, tudo aquilo parecia irreal ao pé do resto do país que acabei por conhecer bem.
Hoje vivo no Porto e a vida mudou, o país também. No entanto, quando oiço os media, leio os jornais ou falo com a minha família, continuo a ver flashbacks do antigamente, a macrocefalia da capital, o sorvedouro de dinheiro que ela absorve em detrimento de outros locais, a importância que se lhe dá na TV, as entrevistas sobre pormenores que não interessam a 3/4 do país, a euforia dos eventos a toda a hora, o enfatuamento e empolamento de questões de lana caprina que se tornam eventos nacionais. Que seca, diriam os jovens. E é.
Estas eleições trouxeram ao de cima muitas destas minhas memórias....e , embora, não queira discutir política aqui, senti-me na obrigação de exprimir o que sinto. Para memória futura.
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