Tenho estado muito por casa e de vez em quando oiço noticiários das 13 ou das 20, sempre com um olho noutras coisas que vou fazendo.
Cada vez me choca mais a selecção de notícias que vão sendo dadas com uma ligeireza e uma
leviandade a todos os títulos reprováveis. Penso nalgumas crianças que possam estar junto aos pais - já nem falo das que estão sozinhas porque essas provavelmente estão a jogar jogos no computador ou a brincar na rua - e assistam ao verdadeiro lavar de roupa suja que são os nossos telejornais.
Crime, crime e mais crime, com comentários duvidosos de senhores que se julgam donos da verdade ( já não posso ver a cara do bastonário da O. dos Advogados,ouvir as suas diatribes contra os juizes, o homem deve ter um trauma qualquer pelo facto de o não ser), entrevistas com o mulherio à volta dos tribunais, os berros histéricos das multidões, justiça feita pelo povo sem qualquer espécie de racionalidade; a política, enfatizada ouenxovalhada, agoniante e sempre repetitiva, com as mesmas imagens transmitidas até à exaustão, comentários de personalidades que não têm mais nada que fazer senão falar por falar ; o futebol, esmiuçado até ao tutano com mil e uns pormenores dos bastidores da bola, miséria intelectual, tricas e baldrocas, corrupção, uma vergonha no écran. É isto que nos dão todos os dias....em cinco canais noticiosos.
O que me choca mais é que há maravilhas e milagres da Natureza e da Ciênciaque se estão a desenrolar todos os dias, há jovens a inventar, a criar, e ainda a tentar vencer neste país que os repele. Há cientistas excelentes a realizar milagres, médicos a trabalhar em condições péssimas, voluntários a dar tudo o que têm, escolas com projectos fabulosos, artistas a pintar, a tocar, a interpretar, a dançar...e tudo isto é ignorado por esses senhores dos media, estúpidos demais para ver que numa hora e meia destroem quase tudo o que se tenta construir
neste miserável ( mas belo) país.
É demais!
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Revista BOMBART

Vi a revista em questão pela primeira vez há uns meses, quando ia a passear na Rua Miguel Bombarda - uma das rua com mais galerias de arte e lojas "in" aqui no Porto - precisamente numa dessas galerias em que se encontrava aberta uma exposição interessante.
Folheei as duas revistas que já tinham saído - a 01 e a 02 e gostei do toque.
Sou adepta do papel lustroso ( como o da National Geographic, que é a minha revista de eleição), aquele papel que se torna macio ao toque.

Já na editora para a qual trabalho, fiz grande pressão para que os manuais dos alunos oferecessem o mesmo papel que os dos professores, dado que os daqueles eram bastante inferiores aos dos últimos. Explicaram-me que os alunos têm de tirar notas nas margens e que o papel lustroso não é fácilmente aderente ao lápis. Acredito. Mas continuo a gostar de passar a mão pelo papel e sentir que ele é user friendly, macio e bonito.
A revista Bombart é bela, traz fotografias das exposições várias que se vão inaugurando no primeiro sábado do mês ( em princípio), divulgação de artistas velhos e novos, eventos em Lisboa e no resto do país, lista de sítios onde se dá à cultura um valor especial. Não é facilmente digerível, os textos são um pouco maçudos, a letra é pequena ( tenho de usar os óculos que detesto) e por vezes confusa. Não se percebe onde começa o artigo e onde acaba, mas a arte é mesmo assim, não pode obedecer aos canones formais. Aceito o aparente desalinho da revista, considero que o preço é acessível - 5 Euros - tendo em vista as magníficas fotos a cores e o design na sua generalidade, que são a mais valia do produto.
É uma revista que apetece comprar, não é um jornal, nem um catálogo. Apetece ter em cima da mesa de cabeceira e ir folheando. Ajuda a gostar de artes plásticas, o que é um valor em si mesmo.
O título é sui generis: Bomb+art ( arte explosiva?). Ou é a adaptação do apelido do médico Miguel Bombarda, que deu o nome à rua? Nome apelativo - como a revista.
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