Mostrar mensagens com a etiqueta 30 anos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 30 anos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de julho de 2011

Maré de inspiração e saudade



Gosto deste termo "maré"...que se usa mais para maré de azar ou de sorte do que para outros estados de alma...
A verdade é que , talvez porque no sábado vôo daqui para outro lado, em férias, tenho sentido uma enorme liberdade nestes dias, assim como um enorme desejo de expressar alguma coisa através dos pincéis, das mãos ou mesmo das teclas.

No dia 8, teria feito a minha Mãe anos e nada escrevi sobre isso. Já faleceu há quase dez anos e embora nunca me tenha recomposto completamente - pois ela faz-me falta todos os dias - a verdade é que as datas deixam de ter significado numa eternidade que existe para além da Vida. Comprei-lhe uma rosa, , pu-la numa jarra ao pé do seu retrato jovem e sorridente e a rosa está linda, como ela o foi. Nâo seria especialmente bonita no físico, mas era-o como pessoa inteira. Tinha uma personalidade muito forte e eu admrava-a imenso, até certa idade, achava que ela tinha sempre razão e sabia tudo. Depois percebi que, como em todas as pessoas da sua geração, havia tabus e ela não falava de certos temas com os filhos. Nunca teve conversas como as que já tive com os meus filhos, a proximidade não era assim tão grande e o à-vontade também não.
Mas aparentemente, esse tipo de conversas só me fez falta mais tarde, quando estava para casar e mesmo depois, pois não havia ninguém que me pudesse dar conselhos como ela.
Culturalmente, a minha Mãe era superior, nunca tinha andado na escola secundária, mas recebera o ensino todo em casa, com professores excelentes, de modo que sabia muto mais do que se aprende na escola, sobretudo na área das línguas, música, arte e humanidades. Lia tudo e a sua memória permitia-lhe recordar passagens inteiras de livros já lidos há muito tempo. Nunca me lembro da minha Mãe sem um livro ao pé, sobretudo antes de haver Tv na nossa casa, o que aconteceu só em 1969, quando o Homem foi à Lua. A minha Mãe coleccionava os suplementos literários de todas as revistas, Marie Claire, Elle, Femmes d'Aujourd'hui, assim como instruções para trabalhos de mãos, catalogadas por assunto. Muitos desenhos de bordados tinha e adorava arrumar tudo em caixinhas feitas por ela e enfeitadas com papeis colados.Aprendi a fazer quase tudo de mãos com a minha Mãe e ainda hoje quando tricoto, penso nela e nas tardes de paz que passávamos na saleta a conversar, ouvir música e a tricotar.

Não sei o que ela diria dos meus quadros, infelizmente só comecei a pintar há pouco tempo, mas ela apreciava o que fazíamos e dava valor à nossa imaginação...quer fosse a escrever, quer a bordar, quer a tocar piano.
Tenho muitas saudades de ir com ela à Baixa de Lisboa, comprar as linhas na retrosaria da Rua da Conceição ou à papelaria Fernandes, onde o Sr. Barrelas nos vendia os lápis e papéis. O passeio terminava com um lanchinho na Ferrari ( ai os batidos de morango que lá faziam!!) ou no Expresso no Rossio ( aí eram batidos de iogurte e banana deliciosos), antes de irmos apanhar o autocarro 43 à Praça da Figueira. Ainda tenho peças de enxoval comprados nos Grandes Armazens do Chiado, que hoje é um shopping todo renovado.

Há dias fiz este quadrinho do fundo do mar. Acho que ela ia gostar, porque nunca vi ninguém gostar tanto de mar como ela...assim como havia de se deliciar com o meu filho a tocar esta peça de Debussy, que não consigo ouvir sem me virem as lágrimas aos olhos...

sábado, 13 de novembro de 2010

Hoje

Faz o meu filho mais novo 30 anos.

É só mais um dia do calendário, mas para mim significa muito mais do que isso. É um envelhecer maior, é o fim duma etapa, é o realizar duma tarefa iniciada quando tive o meu primeiro rebento. Ter filhos é a missão mais difícil que se pode exercer por vontade própria, por que se quer muito, porque nos enche, porque a vida parece não ter significado sem esse desafio. Educar é uma tarefa inacabada e nunca totalmente conseguida.

É claro que se pode viver sem filhos e realizar muitas tarefas nobres, não estou aqui a desmerecer as mulheres que decidem não os ter ou não os podem ter. Estão no seu direito.

Mas ter filhos é uma enorme responsabilidade. Ao olhar para os meus, custa-me a acreditar que já se passaram tantos anos e que tanto da minha vida teve a ver com eles e com a busca da sua felicidade. Ainda não acabou, não acabará nunca, mas completar trinta anos pressupôe a entrada numa fase ainda mais adulta, em que as mães já não são tão necessárias e devem mesmo afastar-se.
O que tenho em mente é viver a minha vida, cada vez mais independente de cada um dos meus filhos, para que eles possam respirar, voar, ser livres.

Não é, afinal, para isso que os educamos?

Fica aqui uma das canções preferidas do meu filho: