sexta-feira, 30 de março de 2012
Lambchop
Há música fantástica neste campo e desde há muito que me habituei a ouvi-la, sem me cansar, passando por fases em que oiço algumas bandas como os Tindersticks,os Divine Comedy ou os Magnetic Fields até à exaustão, outras em que não oiço nada de nada e me volto para os cantores eternos como Nick Cave ou Leonard Cohen ou ainda Andrew Bird.
Poderia enumerar mais de dez bandas que tenho gravadas aqui no I'Tunes e que também " pertencem" ao meu filho mais novo, que me aconselhou sempre bem neste capítulo, visto que é grande conhecedor do género.
Saiu agora um CD desta banda Lambchop, americanos do Tennessee, que me lembro de ouvir na praia de Ofir, no meu discman, ao passear à volta da língua de areia que forma aquela maravilhosa oferta natural.
Foram duas horas a ouvir Lambchop, os seus primeiros discos, com acompanhamento quase jazzístico e a voz inconfundível do vocalista Kurt Wagner.
Lambchop has consisted of a large and fluid collective of musicians focused around its creative centre, frontman Kurt Wagner. Initially indebted to traditional country, the music has subsequently moved through a range of influences including post-rock, soul and lounge music.
O novo album Mr M
é excelente , na minha humilde opinião. Deixo aqui um vídeo só de instrumental, que deve ter sido inspirado na música brasileira e outro cantado que se entranha em nós.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Inspiração melancólica
Acabei por pintar 3 quadrinhos, no estilo transparente...quase só com águas de lavar pinceis (!!), muito ténues, quase aguarelas...
Gosto muito deles...dizem bem com a minha disposição actual ( os meus blues).
terça-feira, 12 de julho de 2011
Maré de inspiração e saudade
Gosto deste termo "maré"...que se usa mais para maré de azar ou de sorte do que para outros estados de alma...
A verdade é que , talvez porque no sábado vôo daqui para outro lado, em férias, tenho sentido uma enorme liberdade nestes dias, assim como um enorme desejo de expressar alguma coisa através dos pincéis, das mãos ou mesmo das teclas.
No dia 8, teria feito a minha Mãe anos e nada escrevi sobre isso. Já faleceu há quase dez anos e embora nunca me tenha recomposto completamente - pois ela faz-me falta todos os dias - a verdade é que as datas deixam de ter significado numa eternidade que existe para além da Vida. Comprei-lhe uma rosa, , pu-la numa jarra ao pé do seu retrato jovem e sorridente e a rosa está linda, como ela o foi. Nâo seria especialmente bonita no físico, mas era-o como pessoa inteira. Tinha uma personalidade muito forte e eu admrava-a imenso, até certa idade, achava que ela tinha sempre razão e sabia tudo. Depois percebi que, como em todas as pessoas da sua geração, havia tabus e ela não falava de certos temas com os filhos. Nunca teve conversas como as que já tive com os meus filhos, a proximidade não era assim tão grande e o à-vontade também não.
Mas aparentemente, esse tipo de conversas só me fez falta mais tarde, quando estava para casar e mesmo depois, pois não havia ninguém que me pudesse dar conselhos como ela.
Culturalmente, a minha Mãe era superior, nunca tinha andado na escola secundária, mas recebera o ensino todo em casa, com professores excelentes, de modo que sabia muto mais do que se aprende na escola, sobretudo na área das línguas, música, arte e humanidades. Lia tudo e a sua memória permitia-lhe recordar passagens inteiras de livros já lidos há muito tempo. Nunca me lembro da minha Mãe sem um livro ao pé, sobretudo antes de haver Tv na nossa casa, o que aconteceu só em 1969, quando o Homem foi à Lua. A minha Mãe coleccionava os suplementos literários de todas as revistas, Marie Claire, Elle, Femmes d'Aujourd'hui, assim como instruções para trabalhos de mãos, catalogadas por assunto. Muitos desenhos de bordados tinha e adorava arrumar tudo em caixinhas feitas por ela e enfeitadas com papeis colados.Aprendi a fazer quase tudo de mãos com a minha Mãe e ainda hoje quando tricoto, penso nela e nas tardes de paz que passávamos na saleta a conversar, ouvir música e a tricotar.
Não sei o que ela diria dos meus quadros, infelizmente só comecei a pintar há pouco tempo, mas ela apreciava o que fazíamos e dava valor à nossa imaginação...quer fosse a escrever, quer a bordar, quer a tocar piano.
Tenho muitas saudades de ir com ela à Baixa de Lisboa, comprar as linhas na retrosaria da Rua da Conceição ou à papelaria Fernandes, onde o Sr. Barrelas nos vendia os lápis e papéis. O passeio terminava com um lanchinho na Ferrari ( ai os batidos de morango que lá faziam!!) ou no Expresso no Rossio ( aí eram batidos de iogurte e banana deliciosos), antes de irmos apanhar o autocarro 43 à Praça da Figueira. Ainda tenho peças de enxoval comprados nos Grandes Armazens do Chiado, que hoje é um shopping todo renovado.
Há dias fiz este quadrinho do fundo do mar. Acho que ela ia gostar, porque nunca vi ninguém gostar tanto de mar como ela...assim como havia de se deliciar com o meu filho a tocar esta peça de Debussy, que não consigo ouvir sem me virem as lágrimas aos olhos...
quarta-feira, 18 de maio de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Pelos montes e vales
Ás vezes, a pintura leva-nos por caminhos diferentes. Muitos pintores saíam para o campo para pintar, os impressionistas escolhiam os locais para se inspirarem. Não saio de casa para pintar, mas procuro evadir-me virtualmente e consigo fazer algo diferente daquilo que vejo da minha janela.
Hoje fiz estes dois quadrinhos com telas compradas numa loja de chineses. São quase aguarelas....
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Mais uma fotografa de génio

Por vezes gosto de fazer pesquisas nos sites de fotografia para me inspirar nas minhas pinturas. Ultimamente não ando muito inspirada e detesto copiar quadros já feitos - mesmo dos mestres insignes - hábito que é muito vulgar nos ateliers, nas famílias, para ofertas, etc. Era incapaz de dar um quadro que não fosse inteiramente concebido por mim a outra pessoa. Mesmo mau, é meu.


Fotografia é outra coisa. Já fiz vários quadros inspirados em fotos artísticas e algumas são elas próprias verdadeiras obra-primas.

Encontrei estas, por exemplo, duma fotógrafa suiça Ursula Abrecht no site Onexposure, o tal site que se orgulha de apresentar as fotografias mais lindas do mundo, fazendo uma escolha cerrada do que publica e promove.
domingo, 26 de setembro de 2010
Waves
Hoje não fui à Foz.
O meu filho veio passar o fim de semana bem curtinho a casa e soam de novo os acordes da guitarra; o ambiente é leve e quente, o que significa termos um filho ao pé de nós. A ausência aumenta a necessidade destes momentos silenciosos em que nos entendemos....sem palavras, que não as da música e dos olhares.
Pintei e estava inspirada. Não gostava do ultimo quadro de modo que destruí-o e pintei outro por cima. São ondas ou velas...peixes...ou simplesmente a minha imaginação. mas gosto dos tons e sobretudo, gostei de o criar no sossego da minha cozinha, depois dum sabado em que arrumei o quarto da minha filha de alto abaixo, tendo que pôr de parte 80% da tralha que se acumulou durante estes 4 anos e que não lhe serve , nem servirá nunca. Ficou um brinquinho, mas deu-me cabo das costas....
Agora depois dum jantar rápido no BB Gourmet, ele voltará para Lisboa, ciente de que aqui a casa estará sempre aberta.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Hoje pintei
domingo, 18 de julho de 2010
Abstractos: quentes ou frios
Ontem fiz dois quadros em MDF com impasto e acrílico bastante diluído. São completamente abstractos. Um é caloroso, quente, em tons outonais, diria. Outro é em tons de azul e mais frio.
As cores é que ditam a temperatura...segundo o meu professor. É verdade. Se sentirem calor olhem para o azul e sentirão frescura, a do mar, dos rios, do céu, das safiras.
Se sentirem frio, aqueçam-se com os laranjas, os cobres, os vermelhos das rosas, do fogo, do tijolo. Acreditem, as cores transmitem sensações e provocam reacções em nós.
Para acabar, um poema sobre as cores e o amor. Encontrei-o aqui por acaso. Vai substituir, por hoje, a minha falta de inspiração para grandes prosas...:)
DÉGRADÉ
Há múltiplos tons na aquarela do amor:
Quem é que é capaz de tentar expressar?
Uns dizem que é espinho, uns dizem que é flor;
Uns dizem sorrir, uns dizem chorar...
E a tinta incansável tenta compor
Tal quadro maior que o céu e que o mar:
Prazer e martírio, paz e rancor,
Ceder e exigir, partir e ficar...
E embora ninguém consiga pintar
Ao certo o matiz da face do amor,
Ninguém desistiu jamais de o tentar;
Porque sua atração consiste em surgir
Não simples que ao olho possa-se expor,
Mas simples que a alma o possa sentir.
Ederson Peka
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Algo que nunca se esquece

Recebi agora mesmo um e-mail e estou lavada em lágrimas. Por isso quero escrever esta Entrada, exprimindo a minha surpresa=comoção neste momento único, que me transportou sete anos atrás para recordar uma das melhores turmas que tive na Escola Carolina Michaelis e um dos melhores e mais criativos alunos que aí encontrei.
Nunca me tinha ocorrido que o meu blogue pudesse ser lido pelos meus alunos - e tive-os às centenas, aqui e em Lisboa, na Beira Baixa e Chaves - e também nunca imaginei que um deles tivesse vontade ou coragem de me escrever aqui. O blogue foi sempre uma coisa de adultos.
O aluno que me escreveu já é adulto. Deve ter uns 23 anos agora. Era o Diogo, que fazia gato-sapato de alguns professores, muito brincalhão, com uma inteligência espontânea acima da média e uma fluência de Inglês extraordinária. Fazia-me rir, o que não acontecia com muitos alunos de 16 anos.Só falava em inglês, até me esquecia que ele era português. Ainda me lembro do lugar dele, na 2ª fila em frente ao quadro, com o cabelo encaracolado e a tez morena. Tinha a paixão da Moda e nessa altura, daria toda a sua mesada por uns jeans cheios de rasgões, muito "baggy" (largueirões) que chegavam quase ao chão. Uma vez em que o chamei ao quadro, virou-se em pose e perguntou : "Do you like my pants?"( Gosta das minhas calças?) Fez aquilo tão espontaneamente que dei uma gargalhada e tive que dizer que sim, que as adorava...a partir daí, conversávamos de moda muitas vezes, embora fosse tema que eu não dominava de modo nenhum. Por acaso , agora, até vejo os Project Runway, na Sic Mulher, que são apaixonantes e que ele deve adorar.
Esta turma foi uma das maiores que tive- penso que seriam 29 alunos - e que mais recordações me deixou naqueles dois anos em que lhes ensinei inglês. Um outro aluno, chamado José Carlos fez uma apresentação das eleições americanas - do Bush - em transparências que nem um professor da Faculdade o faria tão bem. E havia lá uma rapariga, cujo nome agora me escapa, que era louca pelo Harry Potter, e que ansiava pela saída do novo livro em inglês para o ler...e também uma outra rapariga que era fan fiel do Boavista, contrastando com os restantes, quase todos portistas.
Que saudades...de repente desejei ser outra vez professora, poder inspirar alguém desta maneira.
O email está escrito em inglês, mas não hesito em colocá-lo aqui. Espero que não interpretem isto como um sinal de vaidade ou show off, mas como homenagem sentida aos meus alunos - que porventura andarem por aqui - e a uma das profissões mais belas que existe no mundo.
E se leres isto, Diogo, acredita que os alunos dão muito mais aos professores do que vice-versa. A sua espontaneidade, generosidade e juventude faz-nos rejuvenescer também...e, amiúde, sobreviver para lá dos problemas e imbróglios da Educação em Portugal.
Dear Teacher Virgínia
I do not know whether you remember me, but I was a pupil of yours a few years ago (in 2003, I think) at Carolina. I have accidentally found your blog and could not help but contact you to let you know that I absolutely loved having you as my teacher. Sometimes I still dream back to our classes in those crowded classrooms, with an overcast sky outside partly shielded by the dusty green curtains that made us all suffer from rhinitis; and no matter how despondent I feel it never fails to make me smile.
I have always had a passion for English, both the language and the culture, so it is not remarkable that an English teacher during my adolescence should have made a lasting impression on me. However, you are not remembered as just yet another teacher, but as a person whose inspirational teaching not only helped me improve my fluency but also grow up as a human being.
I hope I am not disturbing you with these ramblings of mine. I also apologize for writing in English. But I wanted to get back to the past, even if just for the span of an email…
Thank you for everything,
Diogo de Melo Lourenço
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Uma fotografia inspiradora

Foto de Mário Cordeiro
Há tempos o meu irmão tirou uma série de fotografias à Fonte Luminosa da Alameda em Lisboa, que, infelizmente, só funciona aos domingos e feriados. As fotografias ficaram muito belas e esta, em especial, penso ter um je ne sais quoi de luz, cor e formas que apela aos nossos instintos estéticos.
Vai aqui também um poema lindo de Rabindranah Tagore que parece ter sido escrito para este tema:
A Mulher Inspiradora
Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões
terça-feira, 18 de maio de 2010
Cardigan Road - avenida da nostalgia
Inspirada pela sessão no atelier, onde estive a fazer um quadro que me encheu as medidas, embora ainda não esteja pronto, resolvi brincar um pouco aos fotógrafos manipuladores...pegar numa foto da Cardigan Road, avenida lindíssima onde a minha filha viveu em Leeds durante tres longos anos e modificá-la, de modo a torná-la mais artística, menos real e sobretudo mais inspiradora.
Ficou assim. Ao olhar para ela vêm-me à mente múltiplas sensações e uma vontade irresistível de pintar.Cliquem nela e verão como é belo manipular!

Para acompanhar esta nostalgia que me invade....tres anos a passear naquelas ruas de Leeds, a respirar o ar puro dos parques e das árvores num tempo que não volta mais, deixo-vos com o Adagio do Concerto Brandeburguês de Bach, uma melodia triste, mas redentora, como todas as peças do compositor.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Tempo criativo

O filme de ontem inspirou-me. Haverá algo mais repousante do que ver um filme da BBC, em que a língua é pronunciada e quase declamada num tom suave, os cenários são a natureza na sua perfeição máxima, há alfazema nos campos e borboletas nos ares, ternura e paixão numa mistura harmoniosa, drama e choro que nos fazem doer, mas que... sabem bem?
Fiz o quadro de cima ainda emocionalmente afectada pela história curta de um dos maiores poetas ingleses: John Keats. A cozinha estava escura e as cores são quase subentendidas, que não escolhidas pela vista.
Hoje voltei á bétulas...e fiz este quadro a partir duma foto muito bonita e manipulada. É diferente, embora parecido com os outros três.

Espero que gostem.
sábado, 14 de novembro de 2009
Pasteis sennelier

Os pasteis sennelier são marca quase desconhecida cá em Portugal. Encontrei-os pela primeira vez em Boston, numa loja perto do Harvard Square, daquelas com dois andares, cheia de tripés, cavaletes, telas e tintas de toda a espécie, até de pintar paredes, trinchas e pinceis, lixas, madeiras, etc., tudo misturado, mas com uma gama infinita de marcas e tipos de materiais.
O senhor que me atendeu achou graça às minhas perguntas e vendeu-me uma caixa dos pasteis que ele considerava os melhores do mundo. Eram caritos, de modo que só comprei 24, embora pelo toque, me apetecesse trazer muitos mais. Como comprei pinceis também, fez uma caixinha ali mesmo para meter os pinceis. Pessoas destas já não existem.
Entretanto já os gastei quase todos.
Como o meu filho tinha de ir a Bruxelas, pedi-lhe que me trouxesse outros, dado que sendo eles franceses, haveria com certeza esta marca. O meu filho ficou surpreendido com a quantidade enorme de caixas e qualidades, telefonou-me e eu aconselhei-o. MAL! devia ter-lhe dito que eram pasteis de óleo e ele trouxe-me pasteis secos, que são de pó e desfazem-se, embora as cores sejam mais brilhantes e apetecíveis. Têm de levar fixativo - ou laca do cabelo - depois de prontos para o pó não cair.
Não fez grande mal, pois trabalhei com eles na mesma , como se fossem pastel de óleo, tendo o cuidado de ir sacudindo o pó à medida que ia pintando. Gostei muito da minha experiência.
Este quadro, que foi feito em papel de bambu coberto de guache azul antes de aplicar o pastel, é abstracto, não pretende ser nada de figurativo, embora cada um possa tirar daqui o que quiser.

Vai aqui também uma das minhas peças clássicas preferidas: Mahler - 5ª sinfonia - 1º andamento.
Tem algo a ver com esta pintura.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
E a inspiração voltou

Estava um pouco deprimida quando voltei das férias e não me apetecia pintar. Passei três dias quase só a ler jornais, a ver TV e a ouvir música, para além das tarefas domésticas, que essas têm sempre de ser feitas. Hoje ao escrever a entrada abaixo, parece que senti um impulso para criar alguma coisa mais bela. E aconteceu...
Vão aqui os dois quadros abstractos que compus em três horas. O guache é um material muito fácil de usar e as cores - só tenho sete cores ao todo - são suaves, em geral.
Não sei se gostarão ou se sentirão alguma coisa ao olhar para eles. Eu sinto.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Hoje comecei bem o dia

Pintei um guache na mesa da cozinha. Tem luz, é espaçosa e nem sempre está a ser usada. Além disso, vêem-se árvores por todo o lado. O Jardim Botânico fica mesmo em frente. É como se estivesse a pintar ao ar livre.
Fiz esta obra. Diferente. O guache permite uma leveza inesperada, efeitos tardios e um resultado que , nem sempre, é o que se pretendia. O papel nem sequer é próprio, é para acrílico, mas gosto dele.
Hoje saiu mais bonito do que esperava. Dedico-o a todos os que têm tido a paciência de visitar o meu blogue e que silenciosamente (?) o vão acompanhando. Obrigada.
Vai aqui um poema a propósito:
Espelho
E eis que do tronco
rompem-se os brotos:
um verde mais novo da relva
que o coração acalma:
o tronco parecia já morto,
vergado no barranco.
E tudo me sabe a milagre;
e eu sou aquela água de nuvens
que hoje reflecte nas poças
mais azul seu pedaço de céu,
aquele verde que se racha da casca
e que tampouco ontem à noite existia.
Salvatore Quasimodo



