Um quadro acabado ontem e intitulado : Sexta Feira Santa
Um poema de Manuel António PIna:
A Poesia Vai Acabar
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
e o Agnus Dei da Missa em B-minor de Bach pelo maravilhoso contratenor Andreas Scholl:
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
sábado, 3 de dezembro de 2011
O FOGO
Hoje acendi a lareira pela primeira vez este ano. Já me tinha esquecido da beleza que é ver as pinhas entrar lentamente em combustão, brilhantes, vermelhas, passando depois o seu calor aos tarolos de lenha, que se resguardam, receosos de iniciar o seu processo de destruição.
Durante minutos sem fim, ouve-se como que uma música em surdina, um sopro de vento e os
estalos da madeira renitente à chama. Subitamente, um bailado initerrupto, enorme, espantoso, tremeluzente irrompe no meio do nada e uma sensação de bem estar
invade o ar.
Pouco faço...se não ouvir música de Bach baixinho...e olhar as chamas como que hipnotizada por tamanho milagre natural.
Durante minutos sem fim, ouve-se como que uma música em surdina, um sopro de vento e os
estalos da madeira renitente à chama. Subitamente, um bailado initerrupto, enorme, espantoso, tremeluzente irrompe no meio do nada e uma sensação de bem estar
invade o ar.
Pouco faço...se não ouvir música de Bach baixinho...e olhar as chamas como que hipnotizada por tamanho milagre natural.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
A paz da Chaconne de Bach
Encontrei o texto abaixo num blogue chamado Mus 303 Form and analysis, que vem ao encontro da minha experiência de hoje.
Fui ao ginásio como de costume. Estive lá duas horas e meia, estava sol, a piscina inundada de luz, com reflexos azuis e prateados lá no fundo...onde estão as "pérolas", que em tempos o meu querido neto ia buscar para dar à Avó. Ainda tenho um "colar" oferecido por ele e guardado no coração!:).
Não encontrei vivalma, a não ser as meninas simpáticas da recepção que me perguntaram se não trazia o meu neto. Ainda se lembram de conversas com ele há dois ou tres anos.
Andar na passadeira e na bicicleta durante 30+30 minutos não me custou minimamente, pois levei o Ipod e ouvi música variada do princípio ao fim. Depois de comer uma sopa de grelos na "chafarica" da esquina e de comprar uma flor chamada brótea,
que é linda, e duas telas pequeninas no chinês, subi o Campo Alegre a ouvir a Chaconne de Bach,
uma das peças mais místicas que jamais ouvi. Houve tempos em que a ouvia todos os dias, numa espécie de catarse espiritual. Tenho-a gravada em violino, piano ( duas) e em guitarra. Foi o meu filho que mas ofereceu. Todas as versões são maravilhosas.
Chaconne
If NASA had asked me what music to send with Voyager II, I would have chosen the Chaconne from Bach's D-Minor Partita for solo violin. Here's why. First, the chaconne represents economy of means out of which humans have an incredible capacity for elaboration and variation. If, after four years of college, you can speak on a topic for fifteen minutes without running out of ideas, you will have succeeded in your education.
Bach's chaconne also succeeds. Its "topic" is a chord progression roughly equivalent to: i viio6 i VI iv V. He expounds upon this for nearly fifteen minutes without repeating himself and without losing our attention! Second, this chaconne is a technical piece illustrating not only the ingenuity and perfection of tools (violin), but the capacity of the human body to use them in skillful ways. This work is the most difficult piece of music of all time and on any instrument...it requires incredible musicianship as well as technical mastery of the violin. Third, and most important, the chaconne is a feelingful work that explores the full range of human emotions. It is as if, in spite of economical means and technical wizardry, Bach still gets under our skins and into our hearts.
Peço muita desculpa de não traduzir o texto, mas ele é belo em inglês. Traduzo apenas um pedacinho:
Se a Nasa me tivesse pedido para escolher o trecho musical para levar no Voyager II, eu teria escolhido a Chaconne da Partita para violino solo de Bach(...) em terceiro lugar, e mais importante, a chaconne é uma obra cheia de sentimento que explora toda a paleta de emoções humanas...Bach ainda nos faz vibrar ao máximo na pele e no coração.
Aqui fica uma das versões, tocada pelo violinista que me encantou no Coliseu de Lisboa, quando ainda era uma jovem adolescente, Nathan Milstein. Deleitem-se pois isto é... divino.
Fui ao ginásio como de costume. Estive lá duas horas e meia, estava sol, a piscina inundada de luz, com reflexos azuis e prateados lá no fundo...onde estão as "pérolas", que em tempos o meu querido neto ia buscar para dar à Avó. Ainda tenho um "colar" oferecido por ele e guardado no coração!:).
Não encontrei vivalma, a não ser as meninas simpáticas da recepção que me perguntaram se não trazia o meu neto. Ainda se lembram de conversas com ele há dois ou tres anos.
Andar na passadeira e na bicicleta durante 30+30 minutos não me custou minimamente, pois levei o Ipod e ouvi música variada do princípio ao fim. Depois de comer uma sopa de grelos na "chafarica" da esquina e de comprar uma flor chamada brótea,
que é linda, e duas telas pequeninas no chinês, subi o Campo Alegre a ouvir a Chaconne de Bach,
uma das peças mais místicas que jamais ouvi. Houve tempos em que a ouvia todos os dias, numa espécie de catarse espiritual. Tenho-a gravada em violino, piano ( duas) e em guitarra. Foi o meu filho que mas ofereceu. Todas as versões são maravilhosas.Chaconne
If NASA had asked me what music to send with Voyager II, I would have chosen the Chaconne from Bach's D-Minor Partita for solo violin. Here's why. First, the chaconne represents economy of means out of which humans have an incredible capacity for elaboration and variation. If, after four years of college, you can speak on a topic for fifteen minutes without running out of ideas, you will have succeeded in your education.
Bach's chaconne also succeeds. Its "topic" is a chord progression roughly equivalent to: i viio6 i VI iv V. He expounds upon this for nearly fifteen minutes without repeating himself and without losing our attention! Second, this chaconne is a technical piece illustrating not only the ingenuity and perfection of tools (violin), but the capacity of the human body to use them in skillful ways. This work is the most difficult piece of music of all time and on any instrument...it requires incredible musicianship as well as technical mastery of the violin. Third, and most important, the chaconne is a feelingful work that explores the full range of human emotions. It is as if, in spite of economical means and technical wizardry, Bach still gets under our skins and into our hearts.Peço muita desculpa de não traduzir o texto, mas ele é belo em inglês. Traduzo apenas um pedacinho:
Se a Nasa me tivesse pedido para escolher o trecho musical para levar no Voyager II, eu teria escolhido a Chaconne da Partita para violino solo de Bach(...) em terceiro lugar, e mais importante, a chaconne é uma obra cheia de sentimento que explora toda a paleta de emoções humanas...Bach ainda nos faz vibrar ao máximo na pele e no coração.
Aqui fica uma das versões, tocada pelo violinista que me encantou no Coliseu de Lisboa, quando ainda era uma jovem adolescente, Nathan Milstein. Deleitem-se pois isto é... divino.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Bach - Concertos Brandeburgueses

Hoje o Mezzo dedicou parte da tarde à transmissão dos seis Concertos Brandeburgueses tocados por vários ensembles de música barroca com instrumentos da época. Um esplendor do barroco. O ritmo, a melodia, a harmonia e o gosto com que tocam encantaram-me. Gosto em especial dos Concertos 2 e 4, que têm mais intervenções dos sopros- flautas barrocas e de bisel. O ambiente da sala é simples, verde clara e beige, o que transmite verdadeira paz.
Hoje não fui ao atelier, não me sentia inspirada nem para pintar, nem para conviver; tenho tido fisioterapia todos os dias e ando com imensas dores nos braços e costas devido ao tratamento em si e tb à artrose que me aflige. Estar aqui a ouvir esta música tocada só para mim é um privilégio.
Vai aqui um dos meus andamentos preferidos do Concerto nº 4:
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Hoje pintei
terça-feira, 18 de maio de 2010
Cardigan Road - avenida da nostalgia
Cansada da TV e da cara do PM.
Inspirada pela sessão no atelier, onde estive a fazer um quadro que me encheu as medidas, embora ainda não esteja pronto, resolvi brincar um pouco aos fotógrafos manipuladores...pegar numa foto da Cardigan Road, avenida lindíssima onde a minha filha viveu em Leeds durante tres longos anos e modificá-la, de modo a torná-la mais artística, menos real e sobretudo mais inspiradora.
Ficou assim. Ao olhar para ela vêm-me à mente múltiplas sensações e uma vontade irresistível de pintar.Cliquem nela e verão como é belo manipular!

Para acompanhar esta nostalgia que me invade....tres anos a passear naquelas ruas de Leeds, a respirar o ar puro dos parques e das árvores num tempo que não volta mais, deixo-vos com o Adagio do Concerto Brandeburguês de Bach, uma melodia triste, mas redentora, como todas as peças do compositor.
Inspirada pela sessão no atelier, onde estive a fazer um quadro que me encheu as medidas, embora ainda não esteja pronto, resolvi brincar um pouco aos fotógrafos manipuladores...pegar numa foto da Cardigan Road, avenida lindíssima onde a minha filha viveu em Leeds durante tres longos anos e modificá-la, de modo a torná-la mais artística, menos real e sobretudo mais inspiradora.
Ficou assim. Ao olhar para ela vêm-me à mente múltiplas sensações e uma vontade irresistível de pintar.Cliquem nela e verão como é belo manipular!

Para acompanhar esta nostalgia que me invade....tres anos a passear naquelas ruas de Leeds, a respirar o ar puro dos parques e das árvores num tempo que não volta mais, deixo-vos com o Adagio do Concerto Brandeburguês de Bach, uma melodia triste, mas redentora, como todas as peças do compositor.
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