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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O mar

Há tempos o meu irmão seduziu-me com a ideia de fazermos em conjunto um livro ou album com pinturas minhas e poemas ou textos dele sobre o mar.

É um daqueles temas que nunca recusaria. É-me imperioso ligar a existência do mar à minha própria existência como pessoa criativa.
Adoro o mar, necessito dele quase como de oxigénio, não consigo viver longe dele, sinto-me bem a olhar para as ondas incansáveis, para os navios ao fundo, os surfistas, as crianças na areia, as gaivotas sentadas nas rochas, e adoro contemplar o brilho do sol na superfície azulada, verde ou cinzenta do oceano.

Tenho muitas pinturas sobre o mar - cerca de 40. Foi fácil arranjar um conjunto que se adaptasse aos poemas. Mais difícil foi fazer as fotografias em alta definição, mas consegui realizar isto tudo em dois dias.

A minha Leica entretanto tinha-me pregado um susto, pois não estava a funcionar. Hoje levei-a a uma casa que me aconselharam perto do Rivoli e um senhor muito prestável conseguiu o milagre de desbloquear a lente que tinha encalhado e não abria. Foi um alívio...

Aqui vão três pinturas sobre o mar.
Poemas não ponho pois não sei se o meu irmão gostaria que eu abrisse mais o véu. Mas o livrinho não tarda...só para mais tarde recordar...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Tempo de estio


Finalmente chegou o calor a sério...as rochas escaldam, a água está morna, o ar é quente e quase abafante. Nada como estar na água nestes dias assim. É repousante, é lindo, é libertador.
Uma vez perguntei a uma amiga que já faleceu em que estilo gostava mais de nadar - ela nadava bem - e respondeu-me candidamente: Boiar. Como a compreendo. Olhar o céu, flutuando no cimo da água, deixar-se levar pela corrente ou pelas ondinhas, é um prazer enorme.
A prainha está cheia de miudos loiros, tipo nórdico e hoje estive a observá-los. Falam baixo, brincam com muito juizo, sem discussões, nem choros. Constroem coisa giras, castelos, carros, fossos por onde entra a água. Divertem-se no melhor sítio do mundo para o fazer.
A praia é um espaço imenso, o único lugar do mundo onde se pode fazer tudo o que se quer, desde que não se moleste outros. Ninguém se preocupa ao ver-me de óculos e tubo a ver os peixes nas rochas, a minha filha e o sobrinho a jogarem ping-pong na água, usando duas pranchas coladas, a minha vizinha com 71 anos a dar braçadas - 150 - freneticamente ao fim da tarde, todos sorriem ao ver um pai desvelado a dar banho à sua filhinha de meses, com touquinha e braçadeiras...há parzinhos que se sentam as cavalitas e mergulham, miudos com seringas gigantes a metralhar os outros com água, um homem com um lenço enrolado na cabeça, sentado numa cadeira, quase fauteil, a mandar vir com o filho por causa duns calções comprados no Corte Inglês, uma senhora a falar ao telemóvel ininterruptamente como se estivesse no escritório e eu a observar tudo isto deliciada...é melhor que um filme, é a vida real e é bom enquanto durar...

Ontem passei pela Igreja da Luz, tão falada na altura em que desapareceu a Maddie. Estava aberta, iluminada, pareceu-me um local místico...há coisas muito bonitas em Portugal.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Férias IV


Ter um neto connosco, sozinho, sem os irmãos nem os Pais, mesmo , mesmo só para nós, é uma benção.
A ternura, a paciência, o enternecimento e a minha curiosidade perante as suas perguntas, sugestões ou conselhos vêm à tona, quando já os julgávamos perdidos...
Ontem e hoje tenho andado quase sempre com ele, quer seja na praia, em casa, nos passeios a noite, nas idas ao supermercado, às refeições...e descubro nesta criança uma inteligência, alegria e inocência comoventes, a par do sentido de responsabilidade de neto mais velho, preocupado com o bem estar da sua Vóvó ( como ele me trata), sincero, sem ser demasiado paternalista.
Ainda bem que ele ficou cá comigo, há muito que queria testar a sua capacidade de estar longe dos Pais e irmãos por uns dias e também a minha convivência com ele, os seus interesses, as suas conversas, etc.
Hoje fomos comprar guaches e logo vamos fazer umas pinturas. Para já, ele foi para a praia coma tia, pois está um dia radioso e eu tenho de fazer uma sopa, lavar o terraço, varre-lo e pôr a casa OK.
Também me faz mal estar demasiado tempo ao sol e esta prainha não tem sombras, é mesmo uma baía com rochas por todos os lados, mas sem qualquer espaço à sombra. Há quem leve chapéus de sol...o que não seria difícil...mas sou preguiçosa, prefiro só levar o indispensável: creme, tm, pente e lenços.Até comecei a usar havaianas para serem mais leves e fáceis de manusear.
Ainda me surpreendo com o encanto desta casa...a sua localização, a paz que aqui se respira...vejo pessoas conhecidas, fazemos sorrisos, conversamos esporadicamente à beira-mar ou na fila dos gelados(!), mas é mesmo conversa de verão, sem profundidade.
É uma vida feliz....como diz Esteves Cardoso, quando os nossos problemas maiores são entre escolher uma t-shirt azul ou verde mar para vestir....