Era uma tarde religiosa. Muito mais importante do que a 6ª ou o sábado. Nela se celebrava a Ultima Ceia e a Paixão de Cristo. Assisti a muitas celebrações na igreja dos Jerónimos, a minha paróquia, cantei no coro lá em cima e cá em baixo, ouvia ler as Escrituras, emocionava-me com as palavras de Jesus e sobretudo com o seu sofrimento. Vibrava com a liturgia como se eu própria vivesse nesse tempo. Fui sempre sensível à doutrina de Jesus e na faculdade segui a cadeira de História do Cristianismo, apaixonante e muito bem dirigida pelo P. Honorato Rosa, uma pessoa que me marcou e que infelizmente, faleceu ainda eu andava na faculdade. Ao ver os Manuscritos do Mar Morto em Jerusalém, lembrei-me do entusiasmo com que ele falava de tudo isso e como nos empolgava a nós também. Fiquei a conhecer muito melhor as raízes do Cristianismo e o background em que tudo se desenrolou.
Paradoxalmente estar em Jerusalem, no Jardim das oliveiras, em Nazaré, na Galileia, onde tomei banho de mar, no Mar Morto, ver o deserto e os Montes Golan não me entusiasmou tanto como esperava.
Gostei mais de Petra na Jordânia, que nada tem a ver com os cristãos.
Hoje choca-me um pouco a indiferença das pessoas pela Semana Santa. Parece que só serve para a diversão, férias, e futilidades como as amêndoas e o desgraçado pão de ló. Não sou praticante, mas a tradição é bela.
Fica aqui parte do Requiem de Mozart, uma das mais tristes árias que ele à beira da morte, ditou ao seu escrivão, segundo conta o filme Amadeus.
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Em vésperas de viagem
Amanhã parto para uma viagem maior do que as que habitualmente faço.
São dez dias de aventura e abre-olhos, como se diz agora. Vou em boa companhia e, se Deus quiser, aguentarei bem as dez horas de avião, talvez aquilo que mais me assusta...vou levar música, um bom livro e uma enorme ansiedade em relação ao nosso país irmão, ao Rio, que nunca pisei, onde nasceu e viveu sete anos a minha Avó materna e vários primos que nunca conheci, mas talvez vá conhecer agora.
Também estarei em Paraty, estância de luxo, segundo li, onde se realiza o Congresso de Telecomunicações, em que participam milhares de cientistas de todo o mundo, entre os quais o meu filho.
Foi uma decisão repentina, ideia dele e empatia minha imediata. Já poderia ter ido noutras viagens que ele fez, pagando tudo do meu bolso, é claro, mas não me apeteceu na altura, ou ele não me convidou para tal.
O Verão vai continuar....aqui e lá, este ano vamos ter clima tropical durante meses...o que é bom quando se está em férias e se tem dinheiro.
Não sei se terei muita ocasião para escrever no blogue, penso que sim, pois o meu filho leva o seu Apple. De qualquer modo, estarei sempre em contacto convosco e desejo que tudo corra bem nestes dez dias. Até à vista!
São dez dias de aventura e abre-olhos, como se diz agora. Vou em boa companhia e, se Deus quiser, aguentarei bem as dez horas de avião, talvez aquilo que mais me assusta...vou levar música, um bom livro e uma enorme ansiedade em relação ao nosso país irmão, ao Rio, que nunca pisei, onde nasceu e viveu sete anos a minha Avó materna e vários primos que nunca conheci, mas talvez vá conhecer agora.
Também estarei em Paraty, estância de luxo, segundo li, onde se realiza o Congresso de Telecomunicações, em que participam milhares de cientistas de todo o mundo, entre os quais o meu filho.
Foi uma decisão repentina, ideia dele e empatia minha imediata. Já poderia ter ido noutras viagens que ele fez, pagando tudo do meu bolso, é claro, mas não me apeteceu na altura, ou ele não me convidou para tal.
O Verão vai continuar....aqui e lá, este ano vamos ter clima tropical durante meses...o que é bom quando se está em férias e se tem dinheiro.
Não sei se terei muita ocasião para escrever no blogue, penso que sim, pois o meu filho leva o seu Apple. De qualquer modo, estarei sempre em contacto convosco e desejo que tudo corra bem nestes dez dias. Até à vista!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Tempo de estio
Finalmente chegou o calor a sério...as rochas escaldam, a água está morna, o ar é quente e quase abafante. Nada como estar na água nestes dias assim. É repousante, é lindo, é libertador.
Uma vez perguntei a uma amiga que já faleceu em que estilo gostava mais de nadar - ela nadava bem - e respondeu-me candidamente: Boiar. Como a compreendo. Olhar o céu, flutuando no cimo da água, deixar-se levar pela corrente ou pelas ondinhas, é um prazer enorme.
A prainha está cheia de miudos loiros, tipo nórdico e hoje estive a observá-los. Falam baixo, brincam com muito juizo, sem discussões, nem choros. Constroem coisa giras, castelos, carros, fossos por onde entra a água.
A praia é um espaço imenso, o único lugar do mundo onde se pode fazer tudo o que se quer, desde que não se moleste outros. Ninguém se preocupa ao ver-me de óculos e tubo a ver os peixes nas rochas, a minha filha e o sobrinho a jogarem ping-pong na água, usando duas pranchas coladas, a minha vizinha com 71 anos a dar braçadas - 150 - freneticamente ao fim da tarde, todos sorriem ao ver um pai desvelado a dar banho à sua filhinha de meses, com touquinha e braçadeiras...há parzinhos que se sentam as cavalitas e mergulham, miudos com seringas gigantes a metralhar os outros com água, um homem com um lenço enrolado na cabeça, sentado numa cadeira, quase fauteil, a mandar vir com o filho por causa duns calções comprados no Corte Inglês, uma senhora a falar ao telemóvel ininterruptamente como se estivesse no escritório e eu a observar tudo isto deliciada...é melhor que um filme, é a vida real e é bom enquanto durar...
Ontem passei pela Igreja da Luz, tão falada na altura
terça-feira, 26 de julho de 2011
Férias IV
Ter um neto connosco, sozinho, sem os irmãos nem os Pais, mesmo , mesmo só para nós, é uma benção.
A ternura, a paciência, o enternecimento e a minha curiosidade perante as suas perguntas, sugestões ou conselhos vêm à tona, quando já os julgávamos perdidos...
Ontem e hoje tenho andado quase sempre com ele, quer seja na praia, em casa, nos passeios a noite, nas idas ao supermercado, às refeições...e descubro nesta criança uma inteligência, alegria e inocência comoventes, a par do sentido de responsabilidade de neto mais velho, preocupado com o bem estar da sua Vóvó ( como ele me trata), sincero, sem ser demasiado paternalista.
Ainda bem que ele ficou cá comigo, há muito que queria testar a sua capacidade de estar longe dos Pais e irmãos por uns dias e também a minha convivência com ele, os seus interesses, as suas conversas, etc.
Hoje fomos comprar guaches e logo vamos fazer umas pinturas. Para já, ele foi para a praia coma tia, pois está um dia radioso e eu tenho de fazer uma sopa, lavar o terraço, varre-lo e pôr a casa OK.
Também me faz mal estar demasiado tempo ao sol e esta prainha não tem sombras, é mesmo uma baía com rochas por todos os lados, mas sem qualquer espaço à sombra.
Ainda me surpreendo com o encanto desta casa...a sua localização, a paz que aqui se respira...vejo pessoas conhecidas, fazemos sorrisos, conversamos esporadicamente à beira-mar ou na fila dos gelados(!), mas é mesmo conversa de verão, sem profundidade.
É uma vida feliz....como diz Esteves Cardoso, quando os nossos problemas maiores são entre escolher uma t-shirt azul ou verde mar para vestir....
sábado, 23 de julho de 2011
Férias III
Hoje estou um pouco desanimada, não sei porquê, creio que é puro cansaço. Já não tenho idade para tanta aventura e a água gelada - 18º - dá-me cabo dos ossos, daí, sentir permanente dor nas articulações. Parece que cada dia a água arrefece mais, os ingleses estão todos alapardados na areia e nas rochas, comentando que a água aqui é quase tão fria como nas terras de Sua Majestade.
Os meus netos felizmente, aguentam-se bem, o mais pequenito parece impermeável ao frio...hoje só dizia : mamma mia, que este frigorífico é frio:))), mas mergulhava milhentas vezes e saía com a mesma cara de riso, feliz e contente. É um miudo muito pandego, mesmo engraçado, mas cansativo, porque nunca se cala, parece que lhe pagaram para matar o silêncio. Até o irmão se enerva com ele, embora o espicace para o fazer falar e levar um ralhete. Hoje comprei uns óculos e tubo para o mais velho - já tinha prometido - pois ele já consegue manejar as duas coisas e ver o que se passa lá em baixo, como eu. O problema é a água gelada, não se aguenta muito tempo a fazer snorkelling....a testa começa a doer e temos de sair.
O vento é quente e o sol fortíssimo, neste momento estou a escrever no jardim e os meus pés estão a queixar-se e em risco de virar torresmos....
O meu filho deve estar a chegar de Munique - foi ida e volta, de modo que dispensei a sesta habitual, só os meninos dormem que nem anjos, depois do banho gelado da manhã....é agradável ter silêncio, mas ao mesmo tempo, hoje sinto que já parte da família vai embora amanhã e ficarei só com tres...é a vida, não podemos estar sempre juntos e nem seria bom, pois há sempre o cansaço inerente.
Os homens pouco fazem cá em casa, são as mulheres - a minha filha e eu - que dão conta da lide caseira, compras, inclusivé...eles estão estafados do trabalho deste ano, de que ainda não s desligaram sequer.
Tenho saudades de pintar, mas as tintas acabaram por ficar em casa do meu filho e só tenho aqui os pincéis e as telas...acho que vou comprar umas aguarelas e finalmente dedicar-me a essa técnica....
A vida é bela...e as férias ainda vão a meio.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Another day...in Paradise
É o nome duma canção de Phil Collins, que nada tem a ver com a bela vida que aqui disfruto. O título é irónico...e refere-se à pobreza na América.
Hoje devem chegar os meus 4 homens, dois filhos e dois netos, à tarde. Vai ser a revolução total, pois cada um deles tem uma personalidade distinta e nem sempre se entendem, mas espero que tudo corra bem. Vai ser engraçado ter cá os meus netos sem a Mãe, pela primeira vez. Quando ela está presente, respeito todas as suas decisões e não quero de modo nenhum impor-me ou quebrar os bons hábitos, mas estando sozinha com eles, posso propor-lhes algumas passeatas e banhos de mar ao meu gosto. Não os quero é a ver TV, embora aqui tb haja cabo e Panda....mas eles não sabem e eu não lhe vou dizer.
Quero que aproveitem esta maravilha com os olhos limpos de imagens e que façam coisas que não fariam no Porto...é para isso que servem as férias...e daí ficam as recordações que nunca mais se esquecem. Já sei que vão ter outros meninos aqui ao lado para brincar, o que tb será bom.
Quanto aos filhos, já sei o que a casa gasta. O mais velho vem com o laptop e vai trabalhar, mais do que tomar banhos ( é friorento, q.b.), e o mais novo dormirá a manhã toda e lá pra tarde vai comprar o jornal, beber o café e apanhar sol no jardim. Deita-se ao raiar do sol:)))
É giro estar com a família...sobretudo com os meus tres filhos e netos.
A minha nora ficou no Porto a acabar a tese de doutoramente, que é urgente. Espero que tudo lhe esteja a correr bem, é uma grande mulher e uma mãe desvelada....que tenha todo o sossego e inspiração nestes dias para poder terminar o seu trabalho, que já dura há cinco anos.
domingo, 17 de julho de 2011
Paz e calmaria
4 da tarde.
Sentada na sala, só oiço o tique taque do relógio da cozinha, os chutos das crianças numa bola lá longe, o vento a assobiar pelas frestas das janelas. Corri as cortinas brancas da sala, só vejo a boganvília repleta de flores roxas e parece que estamos no céu; passam-me pela cabeça
Lembro-me de repente desta casa cheia quando o meu Pai resolveu alugar uma TV para vermos os jogos Olímpicos de 1972 (?)...os vizinhos vinham para cá ver as provas mais excitantes, depois ia-se jogar volei no campo do vizinho, que tinha uma rede e muita paciência para aturar o barulho que o despique despoletava, e por fim, tomar banho às 8 da noite, quando já suados, nem sentíamos o frio da água...éramos tão jovens e não havia grande preocupação com o futuro...eu já tinha acabado o meu estágio, no ano seguinte tinha lugar certo no M. Amália, o meu liceu, adorava Lisboa, ensinar inglês e alemão...e nem sabia que um ano depois estaria casada, viria o 25 de Abril...partiria para o nowhere atrás do marido...para acabar no Porto.
Também me lembro de festejar aqui os anos dos meus filhos em Agosto por diversas vezes, com família e amigos, aqui no pátio. Acabavam as festas em cantorias à guitarra e sangria da boa com amigos estrangeiros a aproveitar o nosso sol e a hospitalidade.
Hoje tomei um banho sozinha lá em baixo, com a água bastante fria - 20º, segundo diz o jornal - e uma temperatura de 24º cá fora.
A minha fiha já foi para a praia grande depois de almoço, com o seu Ipod e livro...encontrámos um casal amigo e conversámos, mas ela não precisa de companhia e eu tb gosto de estar sozinha...sobretudo neste silêncio, neste santuário, onde estão tantas relíquias e sonhos da minha famíla. Lá fora está azul e sol, mas aqui há silencio absoluto...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Férias II
Admiro muito aquelas pessoas que se metem num safari ou num cruzeiro ou mesmo numa viagem organizada, sem levar amigos, nem marido, nem filhos...vão mesmo à aventura, abertos ao desconhecido, cientes de que não terão o apoio de ninguém de família para os proteger em caso de doença ou de acidente. É bom e é mau. Mas deve ser completamente diferente.Nunca experimentei.
Já viajei sozinha, mas apenas para me deslocar daqui para ali, para a Inglaterra e Alemanha ou mesmo para os E.Unidos. Sempre gostei de aeroportos, de observar tudo com os meus olhos, de ocupar o tempo sem preocupações. Levar outras pessoas é sempre stressante, sobretudo quando se vai em grupo.
Fiz várias viagens de pacote com o meu ex-, fomos a países exóticos fabulosos, que nunca esquecerei, mas cada uma das viagens teve as suas peripécias e muito cansaço. Levantávamo-nos pelas 6 da manhã, tínhamos de fazer malas todos os dias, andar de camioneta durante horas, saltitar de lugar em lugar, demorar o minimo de tempo a ver cada monumento, seguir para a camioneta, ouvir os guias e dormitar, se possível. Mesmo assim, lembro-me da maravilha que foi para mim ver o deserto na Tunísia, os oásis, as miragens, o Coliseu ao fim da tarde e a cidade de Tunes com os seus mercados.
Também adorei a Turquia, a Capadócia e Pamukale, o Egipto - o cruzeiro do Nilo é maravilhoso
- a Jordânia ( Petra), Jerusalém, cidade única, Praga e Budapeste, etc.Quando tinha 47 anos fui num curso de férias a Nottingham em Inglaterra, com uma bolsa, sozinha com duas colegas. Tive, pela primeira vez depois de vinte anos de sufoco, uma sensação maravilhosa de liberdade. Estar sem os filhos e marido durante 20 dias, com pessoas mais novas, professores de todo o mundo, num ambiente universitário, fez-me sentir anos mais nova e gozei todos os momentos dessa aventura como se fossem os últimos dias de vida. Ainda tenho um caderno onde os 57 participantes e professores me escreveram dedicatórias. Hoje tenho saudades desses dias, das actividades criativas que fizémos durante o curso, dos colegas inteligentes e simpaticos que lá encontrei, da minha auto-estima que estava em zero e subiu bastante...dos passeios, da paisagem inglesa que adoro e até da chuvinha que as vezes caía, antes do sol aparecer e inundar tudo de uma luz branca, muito pura.
Também passei férias adoráveis nos EU, primeiro só com o meu filho em Ítaca, local espectacular no inverno, com 15 abaixo de zero e toda a paisagem branca e gelada ou quando os meus queridos netos foram para Boston por oito meses. Boston é uma cidade muito interessante e estar com eles
foi uma experiência divertida e diferente. Não gostei muito foi das horas de avião que são compridas e cansativas...mas NY é inexplicavel. Os musicais e o teatro são únicos.Time Square, o passeio de barco até a Staten Island, a Brooklyn Bridge ao pôr do sol,
estar ali com o meu filho mais velho foi talvez dos momentos mais felizes da minha vida. Também com ele fui a Veneza..
.e nunca mais esquecerei aquela surpresa no Carnaval de 2000, antes de ele se casar.Ficaria aqui a escrever horas e horas sobre locais e sensações...mas isto é apenas um "para mais tarde recordar"...como diz o anuncio da Kodak. Mais tarde recordamos...
recordaremos ate morrer...esquecendo o que foi mau, não correu bem, os pequenos problemas, e lembrando as grandes surpresas, os momentos encantados, os olhares, os sorrisos, o carinho....tudo o que deve fazer parte dumas férias bem passadas.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Férias
A ideia de férias vem sempre com uma auréola, algo de místico, de prazer incontornável, de alegria e liberdade.
Sempre gostei de férias, não me lembro de alguma vez ter chegado ao tempo delas com remorsos por não ir trabalhar :), com preocupação de nada ter para fazer :), de não saber como ocupar o tempo livre :) ou com medo do terrível vácuo que se abria no meu panorama a partir dali.
Houve momentos em que não notava grande diferença entre os dias de aulas na universidade e as horas a estudar em casa para os exames; mas a esses, não chamo férias, apenas dias de estudo, bem duros muitas vezes, com calor insuportável, livros e cadernos cheios de notas, a cabeça pesada , a memória assoberbada de conhecimento pouco útil. Muitas horas passei a ler, a estudar, a fixar factos, ideias, a analisar textos, autores,poemas ou peças de teatro. Li 13 peças de Shakespeare para um exame de Lit Inglesa, anotando-as no meu livro de obras completas, que tinha comprado por tuta e meia na Feira do Livro, em Inglês, mas que tinha uma letra que nem com lupa se lia bem :).E afinal, para quê, se nunca ensinei Shakespeare aos alunos???
As verdadeiras férias começavam quando acabava o estudo...quando acabavam as aulas nas escolas e vinham alguns dias de sossego. Férias eram aqueles dias quentes de verão, passados na praia da Carcavelos ou em Sintra ou em Cascais ou no Guincho com os irmãos e amigos, numa maré de displicência juvenil, felicidade descontraída, ilusão de que tudo era o paraíso.
Férias devia significar a ausência de programas fixos, liberdade total naquilo que se faz, se veste, se come, se sonha e se dorme.
Penso que cada um de nós devia fazer férias sozinho.
Venham as férias...com apensos ou sem eles...quando se está aposentado, a vida parece ser uma vivência de férias ininterrupta. A diferença não é notória.
O melhor das férias, dizia um dos meus filhos é o ANTES....e eu acrescento e, por vezes, o DEPOIS, quando olhamos para as fotografias, filmes ou vídeos e temos saudades...daquilo que já não volta.
E aqui fica uma canção que, de tão cândida, me faz sorrir.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Evasão
Eu bem digo que ando em maré de evasão....ontem sentei-me com esta tela à frente e em meia hora pintei este quadrinho que diz tudo o que me vai na alma. É uma paisagem bucólica, luminosa, um céu mais britânico que português, campos amarelos.... 
Ando um pouco inquieta, ansiosa por estar com os meus filhos e netos noutro lado qualquer, a respirar oxigénio, a correr, a brincar, a apanhar sol. O meu filho mais novo acabou o CEJ com notas brilhantes s escereve no FB que só vê uma palavra à frente: praia, praia, praia,,,,,estou como ele.
Sei que a nossa Praia da Luz nos espera, o mar imenso e transparente, a água fria, o jardim já sem a palmeira, mas com a vista ainda mais alargada...há momentos que se têm de repetir todos os anos para que sintamos continuidade e segurança, agora que os anos passam e que já não há muito mais a esperar. Sempre adorei o mar e fui das mais entusiastas aquando da compra daquela casa pelos meus pais nos anos 60. Lá passei muitos fins de semana com eles sozinha e férias sem fim que se prolongavam até Outubro por vezes. Tomava banhos todos os dias, quer a água estivesse a 18º como a 23º e até mergulhava das rochas directamente para aquela "piscina", que se formava por entre as rochas. Os meus filhos gravaram em vídeo as peripécias que por lá passámos e até fizeram uma telenovela mafiosa com amigos. Eram noites de serenatas, música, amizade com estrangeiros, churrascos e alegria. Aquele foi sempre o meu escape do Porto, o Paraíso e afinal, o único legado dos meus Pais. Nem os meus rmãos compreendem o meu apego aquele local, onde gostaria que as minhas cinzas fossem espalhadas.
Ontem fiz um vídeo de algumas pinturas minhas a pedido do meu irmão. Só foca o mar...foram pinturas feitas em ocasiões muito diferentes, algumas toscas nos meus primórdios, mas todas elas se centram neste tema. Escolhi uma sonata para violoncelo e piano de Beethoven a acompanhar.
Ando um pouco inquieta, ansiosa por estar com os meus filhos e netos noutro lado qualquer, a respirar oxigénio, a correr, a brincar, a apanhar sol. O meu filho mais novo acabou o CEJ com notas brilhantes s escereve no FB que só vê uma palavra à frente: praia, praia, praia,,,,,estou como ele.
Sei que a nossa Praia da Luz nos espera, o mar imenso e transparente, a água fria, o jardim já sem a palmeira, mas com a vista ainda mais alargada...há momentos que se têm de repetir todos os anos para que sintamos continuidade e segurança, agora que os anos passam e que já não há muito mais a esperar. Sempre adorei o mar e fui das mais entusiastas aquando da compra daquela casa pelos meus pais nos anos 60. Lá passei muitos fins de semana com eles sozinha e férias sem fim que se prolongavam até Outubro por vezes. Tomava banhos todos os dias, quer a água estivesse a 18º como a 23º e até mergulhava das rochas directamente para aquela "piscina", que se formava por entre as rochas. Os meus filhos gravaram em vídeo as peripécias que por lá passámos e até fizeram uma telenovela mafiosa com amigos. Eram noites de serenatas, música, amizade com estrangeiros, churrascos e alegria. Aquele foi sempre o meu escape do Porto, o Paraíso e afinal, o único legado dos meus Pais. Nem os meus rmãos compreendem o meu apego aquele local, onde gostaria que as minhas cinzas fossem espalhadas.
Ontem fiz um vídeo de algumas pinturas minhas a pedido do meu irmão. Só foca o mar...foram pinturas feitas em ocasiões muito diferentes, algumas toscas nos meus primórdios, mas todas elas se centram neste tema. Escolhi uma sonata para violoncelo e piano de Beethoven a acompanhar.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Filmes franceses

São diferentes dos americanos e dos ingleses. Têm um "je ne sais quoi" que me atrai e é raro não gostar de algum ou sair a meio, como já me aconteceu com filmes americanos.
Vou já com a predisposição de que não há grande suspense, nem muito ritmo, música estrondosa ou paisagens de sonho. Vou para encontrar alguém, viver a sua vida por alguns momentos...pessoas anónimas ou estranhamente dejá vus, que contém alguma densidade e falam bastante, actores na sua maioria desconhecidos do grande público - à excepção de um ou outro - mas muito credíveis e duma naturalidade surpreendente.
Em tempos vi muito teatro francês no cinema Tivoli, em Lisboa, do 2º Balcão, que era o único que podia pagar. Adorava a comédia e não só, a verve, a aparente simplicidade dos decors, mas principalmente a naturalidade dos actores.
Ainda me lembro de Daniel Gélin em La P. Respectueuse e Huis Clos de Sartre, que tinha lido na lingua original na FLUL.
Vi muitos filmes franceses na minha juventude. Praticamente todos os que passavam em Lisboa e não eram censurados.
O que vi hoje " Les Petits Mouchoirs", mal traduzido por Pequenas Mentiras, não seria admitido no tempo de Salazar...nem pensar. A tradução deveria ser " Lágrimas de crocodilo" na minha modesta opinião, mas não ma pediram.
Não gosto de ser spoiler e de contar os filmes que aconselho ver,
, mas adoro criticá-los e analisar ou reflectir sobre eles.Este filme é tão real que por vezes, dei comigo a pensar em situações semelhantes que se passaram comigo ou com a família e amigos, ambientes em que a tensão se avoluma até explodir ou alguém faz rir subitamente todo um grupo de pessoas sérias.
Passei férias na Praia da Luz com os meus filhos já adolescentes e amigos deles estrangeiros ou portugueses ( chegavam a acampar na parte inferior do nosso jardim). Hoje vieram-me à memória muitos momentos similares,daqueles que só acontecem nas férias quando as pessoas são mais genuínas, estão mais relaxadas ou estranham negativamente o facto de se verem a toda a hora e momento.

É um filme que dá que pensar. Sobre a amizade e as relações modernas.Um filme sobre pessoas, com paisagem e música excelentes. Do melhor que tenho visto...e este ano já vi alguns excepcionais.
Fica aqui o trailer para aguçar o apetite:
terça-feira, 14 de junho de 2011
REGRESSO A CASA
Fui cedo para o aeroporto. Cheguei com tres horas de antecedência, é o que dá aproveitar as boleias...sou pobre e mal agradecida, diriam os mais exigentes,
mas não me aborreci, nem um minuto. É giro poder usar o laptop num espaço tão grande e ver tudo o que se passa...tirar fotos coloridas,
gozar daquela lufa-lufa calma, num aeroporto pequeno e simpático, que existe para proporcionar férias a muitos cidadãos estrangeiros, mais que a portugueses.Oiço o altifalante chamar os passageiros para um voo que segue para Leeds. Apetece-me loucamente meter-me nele e ir ver a minha querida filha, mas não dá. Durante uma hora, oito aviões despejam turistas no nosso cantinho
paradisíaco, vê-se gente bronzeada,
com mochilas, sacos, malas, bébés, pastas ( poucas), mas sobretudo com um sorriso feliz nos lábios. A vida é bela, parecem dizer. Lá se esquece a crise por uns dias, o sol é meigo, o mar amigo. Nestes dias, nem ondas havia, a água parecia quase parada tal era a calmaria. 
A praia da Luz foi sempre um local amigo das famílias e com a Ryanair,
mais e mais virão. O caso Maddie já passou, nada na Luz nos fala dela, a igreja está aberta quase todo o dia, vêem-se muitos ingleses a entrar, talvez a rezar pela menina,
mas é assunto encerrado, a vida continua.
A vila evolue, vão-se abrindo novos locais, restaurantes passam de gerencia em gerencia, por vezes é pena pois há recordações perenes de sabores tradicionais que não podemos voltar a ter.
Uma semana nesta praia chega para revitalizar qualquer um,
mesmo com crianças cansativas, tempo menos quente ou menos dinheiro. A areia voltou este ano, a praia e prainha estão enormes, os caminhos estão limpos e tratados, vê-se que há vida para lá das férias...

A praia da Luz foi sempre um local amigo das famílias e com a Ryanair,
mas é assunto encerrado, a vida continua.A vila evolue, vão-se abrindo novos locais, restaurantes passam de gerencia em gerencia, por vezes é pena pois há recordações perenes de sabores tradicionais que não podemos voltar a ter.
Uma semana nesta praia chega para revitalizar qualquer um,
mesmo com crianças cansativas, tempo menos quente ou menos dinheiro. A areia voltou este ano, a praia e prainha estão enormes, os caminhos estão limpos e tratados, vê-se que há vida para lá das férias...
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O doce fluir do tempo
É espantoso como nos habituamos ao tempo das férias, que é tão diferente do ritmo normal da vida. Aqui tudo é lento, tudo é sussurrado, os ruídos são outros, neste momento com a janela aberta
Hoje entretive-me a tomar banho de mar na passagem
Não se ouve música aqui na Casa, a não ser às refeições, piano ao vivo, tipo Richard Clayderman, mas só jantámos cá no primeiro dia, temos variado todos os dias.
O tempo flui ao nosso gosto, não há qualquer pressão, tudo é belo e calmo. Pergunto-me se não tenho sorte demais...companhia maravilhosa que são estes dois meus filhos, nada de discussões, harmonia perfeita...logo vamos ao Jardim Botânico, depois ao teleférico. Por fim veremos o jogo do FCP-Genf na TV minuscula dos nossos quartos, comendo uns amendoins ou chocolate....é isto a que chamo férias, mesmo que seja só por seis dias, é eterno.
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