Ouvi falar deste pintor pela primeira vez quando frequentava a Paleta, o atelier onde aprendi a pintar. A senhora que dirigia o espaço era ela própria pintora de aguarelas, embora sem qualquer espécie de curso, pintava por intuição e sabia manejar o óleo com grande arte, tendo inúmeras obras espalhadas pelo atelier, à venda ou só para serem vistas e decorar as salas. Foi uma pessoa que muito me influenciou e incentivou a pintar. Inclusivé, ofereceu-me uma aguarela de que gosto muito.
Perdia-a de vista quando o marido faleceu e ela resolveu fechar a Paleta para grande desgosto meu. Encontrei-a no outro dia, aqui na rua, por acaso e soube que está a frequentar a Universidade Católica, o que considero um acto de coragem para uma pessoa já de certa idade. O seu talento bem merece qualquer apoio.
Hoje, depois de almoçar com o meu ex-, passei num alfarrabista que estava a saldar livros vários. Apontei para um livro do centenário de António Cruz, um aguarelista fabuloso, desconhecido de muitos connaisseurs de Arte, filho do Porto e um artista excepcional, reconhecido já tarde. A capa era indescritível, uma aguarela em tons de azuis sugerindo o Douro e a cidade.
O livro era caro, mas estava com 50% e o meu ex- ofereceu-mo. Sâo prendas destas, inesperadas que eu adoro!Tenho estado a ler e a folhear a obra de A. Cruz e pasmo como é que pintores como este passam quase despercebidos em vida. Têm de lutar muito para seguir a sua veia artística e nem sempre lhes reconhecem talento.São muitas as vozes sonoras que falam dele neste livro, mas não muitos os que verdadeiramente o apoiaram, organizando exposições ou convidando-o para concursos de pintura.Era uma pessoa modesta, singular, introvertida, com uma enorme família ( cinco filhos), que hoje nos surpreende com a sua capacidade para captar e pintar a cidade do Porto, aquilo que se vê e sobretudo, o que nos escapa.. Estas aguarelas falam por si.
Diz António Cruz:
Adoro o nevoeiro. Das quatro estações do ano, a que me fala,a que me dá vida interior, um entusiasmo enorme pela vida
é o Inverno!
E agora como se explica isto? Os indivíduos que são de
temperamento nórdico só se querem ver dentro do nevoeiro,
só querem e adoram
a chuva, a chuva miudinha ou a bruma. O Inverno é a minha estação.
É no Inverno que eu sinto a minha felicidade.
A humidade nos rebocos das construções exacerba as cores.
Esse rosa-venise, o ocre dourado e todas as cores, até o branco,
ganham esta patine, está aqui, está a ver esta parede, isto é uma
pintura, é um quadro, nem precisa de moldura...
Sabe que o Porto é uma cidade para pintores.
Manoel de Oliveira dedicou-lhe um pequeno documentário em 1956: O Pintor e a Cidade, que vos deixo aqui:
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Jogos de luz
que se podem chamar também sortilégios de imagens...
Foi hoje a inauguração da minha exposição e ainda estou comovida com tudo o que se passou: a presença de pessoas que não me conhecem e que aplaudem o que faço, quer seja pintura, quer fotografia...a apresentação da minha Amiga Adelaide Pereira, alma da Vivacidade, as palavras simples e simpáticas do designer Abílio Vieira, que só me conheceu há dias e através do blogue e site do Woophy, a actuação dos meus netos que tocaram tres peças lindas, o Porto sentido com o bolo-rei da época, são momentos como estes que nos fazem sentir vivos e com vontade de criar e realizar cada vez mais. É um bálsamo para o nosso ego, muitas vezes em baixo.
A fotografia é realmente o imortalizar de um momento, aquele em que a camara disparou, um momento que para nós encerra muito mais do que uma paisagem ou umas silhuetas dispersas no meio da rua. Um momento que foi único, naquele dia, naquela hora e que nunca mais será igual.
Fotografo como vivo. Espontaneamente.
Umas fotos tiradas antes da inauguração:
Foi hoje a inauguração da minha exposição e ainda estou comovida com tudo o que se passou: a presença de pessoas que não me conhecem e que aplaudem o que faço, quer seja pintura, quer fotografia...a apresentação da minha Amiga Adelaide Pereira, alma da Vivacidade, as palavras simples e simpáticas do designer Abílio Vieira, que só me conheceu há dias e através do blogue e site do Woophy, a actuação dos meus netos que tocaram tres peças lindas, o Porto sentido com o bolo-rei da época, são momentos como estes que nos fazem sentir vivos e com vontade de criar e realizar cada vez mais. É um bálsamo para o nosso ego, muitas vezes em baixo.
A fotografia é realmente o imortalizar de um momento, aquele em que a camara disparou, um momento que para nós encerra muito mais do que uma paisagem ou umas silhuetas dispersas no meio da rua. Um momento que foi único, naquele dia, naquela hora e que nunca mais será igual.
Fotografo como vivo. Espontaneamente.
Umas fotos tiradas antes da inauguração:
terça-feira, 22 de novembro de 2011
A minha cidade
No Domingo fui almoçar com a família a Gaia para festejar a conclusão do doutoramento da minha nora. Estava uma tarde linda, daquelas que fazem realçar a maravilha que é o granito e a harmonia desta cidade, sobretudo quando que se vê do outro lado do rio. Puxei da minha Leica,o céu de chumbo prometia chuva,mas o sol esbranquiçado que tornava o cenário absolutamente deslumbrante, manteve-se fiel durante aquelas horas, permitindo-nos um café cá fora, admirando um cenário que nunca cansa.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Porto a preto e branco - II
A cidade do Porto é uma joia, mesmo quando o tempo está cinzento, atraem-me os odores a maresia aqui na minha varanda, parece que estamos no alto mar e não foram os carros e autocarros que passam vertiginosamente no Campo Alegre, teria as janelas abertas todo todo o dia. A casa Andresen continua vermelha, escura e triste, só quando lhe dá o sol se anima um pouco, mas não posso deixar de reparar nela,
Hoje está um dia parado no tempo. As árvores não bulem, o carvalho aqui em frente, que ainda mês passado ostentava folhas laranja e vermelhas, parece uma estátua de encontro ao céu de chumbo. Lindo!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Casario do Porto - Foto de Pedro Freire de Almeida. Pintura minha

A fotografia que consta deste conjunto é mais uma obra de arte do meu amigo Pedro, que escreveu um texto a acompanhá-la. Penso que é possível lê-lo clicando na foto. Espero que sim, porque é este o processo narrativo das PortoGrafia, exposição donde foi extraída esta fotografia.
A tentação foi grande e ontem resolvi pintar o casario, convencida de que não ia dar muito trabalho. Já uma vez, afinal, tinha pintado um quadro muito maior do casario da Ribeira a pastel de óleo, quadro esse que ofereci à minha nora que é tripeira. Enganei-me, deu-me mais trabalho do que parece, talvez por ter sido desenhado à vista e sem qualquer cópia por cima, como fazem no atelier. As proporções têm de ser bem estudadas, de modo a que fiquem esteticamente bem.
Esta é aúltima versão, um pouco diferente da anterior
Não desgosto. Espero que o Pedro ache graça....
Bom fim de semana!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
NADIR AFONSO


Completa este ano 90 anos, um dos maiores pintores portugueses, que tive o prazer de conhecer pessoalmente quando vivi em Chaves, em 1977-79.
A sua biografia é concludente, a sua obra inimitável. Este ano comprei um livro sobre o Porto só com pinturas feitas por Nadir e encantam-me.

Vai aqui uma pequena homenagem a este pintor de Chaves, que se formou na ESBAP - Escola Superior de Belas Artes do Porto, se internacionalizou em Paris e no Brasil, sendo conhecido mundialmente tanto na arquitectura como na pintura.
Da Wikipédia:
Nadir Afonso (Chaves, 1920) é um arquitecto e pintor português.
Diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

Realiza as primeiras exposições como aluno da Escola de Belas-Artes participando em todas as exposições do Grupo dos Independentes até 1946.

Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts em Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês e até 1948 e em 1951 foi colaborador do arquitecto Le Corbusier, tendo se servido por algum tempo do atelier Ferdinand Léger.
De 1952 a 1954, trabalhou no Brasil com o arquitecto Oscar Niemeyer.
Nesse ano, regressou a Paris, retomando contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina "Espacillimité".

Na vanguarda da arte mundial, expõe, em 1958, no Salon des Réalités Nouvelles, o trabalho "espacillimités", animado de movimento.
Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitectura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicado à criação da sua obra.
Em Janeiro de 2009 foi apresentado em Chaves o projecto da autoria de Siza Vieira da sede da Fundação Nadir Afonso, um empreendimento orçado em 8,5 milhões de euros e que deverá abrir ao público em 2011.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Chuva de bétulas

A moda pegou e agora no atelier até se discutem os direitos de autor das bétulas....:)))
Hoje houve uma pequena conversa do professor e alunas sobre o que se deve ou não fazer em relação a copiar ou servir-se de ideias de outrem, por vontade de aprender mais ou de produzir algo de que se gosta. Havia quem achasse que não se deve pedir aos outros licença para fazer igual ou tirar os modelos, havia quem pusesse tudo à disposição dos colegas, no sentido de ajudar, de fornecer ideias, de partilhar experiências. A minha opinião é a de que há limites quer de "aproveitamnto" das oportunidades, quer de "generosidade" de quem oferece. Se não houvesse expos em que estamos todos a participar, cada um guardava em casa as suas obras e os outros até podiam não as ver. Havendo expos, gostamos todos de ver o que todos fazemos e , portanto, torna-se aborrecido surgirem 3 obras muito parecidas ou iguais.
Penso que o estilo de cada um é diferente e nunca uma será igual a outra. Embora me baseie em fotos, modifico-as sempre e às vezes até coloco a pintura no Woophy dedicada ao fotografo que "copiei". Muitos ficaram meus amigis e acharam que era uma honra. Mas uma coisa é copiar de uma foto inspiradora, outra é imitar um quadro, usar as mesmas cores, os mesmos desenhos ou o estilo igual.
Com isto tudo, várias colegas trouxeram fotos de betulas e eu aproveitei para fazer este quadro, que está bastante diferente da foto, mas que ficou colorido e bonito.
Porto - o início do Caminho de Santiago
Como sabem a nossa exposição do Xacobeo vai percorrer várias cidades até Santiago de Compostela. De momento está em Ponte do Lima, onde pode ser vista na Cadeia Velha, um local muito interessante para este tipo de exposição.
No sábado haverá uma pequena apresentação e Porto de Honra no local. A Porto Canal realizou entrevistas que constam dum video. Este já se pode ver em no blog do site da Utopia ( ver site à direita). É bastante completo.
Entretanto encontrei no Youtube uma filme sobre a Ribeira, início do Caminho, que é simples e muito bonito. Fica aqui para os amantes desta cidade.
No sábado haverá uma pequena apresentação e Porto de Honra no local. A Porto Canal realizou entrevistas que constam dum video. Este já se pode ver em no blog do site da Utopia ( ver site à direita). É bastante completo.Entretanto encontrei no Youtube uma filme sobre a Ribeira, início do Caminho, que é simples e muito bonito. Fica aqui para os amantes desta cidade.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A minha cidade

( Foto minha tirada do cais de Gaia)
Não é aquela onde nasci, Lisboa, a capital, o centro do Universo português. A minha cidade é o Porto - Home is where you are happy - e desejo viver aqui até ao fim dos meus dias. Amo esta cidade, sinto-a como minha, e por isso resolvi hoje prestar-lhe homenagem, usando um poema lindíssimo que encontrei num blogue e que vai devidamente identificado. Ele diz quase tudo o que me vai na alma.
"A minha cidade"
A minha cidade não se chama Lisboa,
não tem cheiro a sul
e nem por ela passa o Tejo,
mas como ela, tem Nascentes
leitosos e marmóreos...
Na minha cidade os Poentes são de ouro
sobre o Douro e o mar
e só ela tem a luz do entardecer
a enfeitar o granito...
Na minha cidade, tal como em Lisboa
há gaivotas e maresia
mas não há cacilheiros no rio
há rabelos
transportando nectar e almas...
Da minha cidade nasce o Norte
alcantilado, insubmisso
e o sol, quando chega, penetra-a
delicadamente, carinhosamente,
depois de vencido o nevoeiro...
Na minha cidade também há pregões,
gatos, pombas, castanhas assadas e iscas
e fado pelas vielas, pendurado com molas,
como roupa a secar nos arames...
A minha cidade tem também tardes languescentes,
coretos nas praças
velhos jogando cartas em mesas de jardim
e o revivalismo de viuvas e solteironas
passeando de eléctrico...
É bem verdade que na minha cidade
a luz, não é como a de Lisboa
mas a luz da minha cidade
é um frémito de amor do astro-rei
a beijá-la na fronte, cada manhã!...
Maria Mamede
site http://mulher50a60.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/a_minha_cidade.html
Obrigada, Maria!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Revista BOMBART

Vi a revista em questão pela primeira vez há uns meses, quando ia a passear na Rua Miguel Bombarda - uma das rua com mais galerias de arte e lojas "in" aqui no Porto - precisamente numa dessas galerias em que se encontrava aberta uma exposição interessante.
Folheei as duas revistas que já tinham saído - a 01 e a 02 e gostei do toque.
Sou adepta do papel lustroso ( como o da National Geographic, que é a minha revista de eleição), aquele papel que se torna macio ao toque.

Já na editora para a qual trabalho, fiz grande pressão para que os manuais dos alunos oferecessem o mesmo papel que os dos professores, dado que os daqueles eram bastante inferiores aos dos últimos. Explicaram-me que os alunos têm de tirar notas nas margens e que o papel lustroso não é fácilmente aderente ao lápis. Acredito. Mas continuo a gostar de passar a mão pelo papel e sentir que ele é user friendly, macio e bonito.
A revista Bombart é bela, traz fotografias das exposições várias que se vão inaugurando no primeiro sábado do mês ( em princípio), divulgação de artistas velhos e novos, eventos em Lisboa e no resto do país, lista de sítios onde se dá à cultura um valor especial. Não é facilmente digerível, os textos são um pouco maçudos, a letra é pequena ( tenho de usar os óculos que detesto) e por vezes confusa. Não se percebe onde começa o artigo e onde acaba, mas a arte é mesmo assim, não pode obedecer aos canones formais. Aceito o aparente desalinho da revista, considero que o preço é acessível - 5 Euros - tendo em vista as magníficas fotos a cores e o design na sua generalidade, que são a mais valia do produto.
É uma revista que apetece comprar, não é um jornal, nem um catálogo. Apetece ter em cima da mesa de cabeceira e ir folheando. Ajuda a gostar de artes plásticas, o que é um valor em si mesmo.
O título é sui generis: Bomb+art ( arte explosiva?). Ou é a adaptação do apelido do médico Miguel Bombarda, que deu o nome à rua? Nome apelativo - como a revista.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Há coisas belas no nosso pequeno mundo
Hoje foi dia de atelier. Estive a olhar para os quadros expostos, embora já os tivesse visto muitas vezes, e enamorei-me deste. Já o tinha contemplado longamente na 3ª feira e havia algo que me atraía enormemente naqueles traços aparentemente abstractos.

Foi pintado pela pintora/artista que montou a "Utopia", Teresa Vieira. Ela e o marido são os promotores da iniciativa e o seu entusiasmo é contagiante. Cada vez há mais pessoas interessadas em aprender a trabalhar com as mãos e a fazer Arte.
É fantástico entrar num local onde só se vêem quadros, uns melhores que outros, uns mais apelativos, outros mais berrantes, alguns muito vistosos ( para meu gosto), outros extremamente originais. Todos temos o nosso espaço, conversa-se de tudo, comentam-se os quadros dos outros, faz-se "porcaria" com as tintas, pinceis, paletas, cavaletes, frascos, etc. E ouve-se música.
Achei este quadro fabuloso. Não só porque é uma "biblioteca" no seu conjunto, mas também porque cada quadrado de estante encerra uma série de figuras, riscos, números e cores infindáveis. Tudo numa toada quente, luminosa e atraente. Nem sei onde vou pôr o quadro, mas não resisti.
A autora explicou-me que se tinha baseado numa fotografia que ela própria tirou na Biblioteca de Hannover pois tinha ficado impressionada com a riqueza e beleza dos livros antigos ali expostos. Depois a Arte e o talento dela fizeram o resto ( comentário meu).

Foi pintado pela pintora/artista que montou a "Utopia", Teresa Vieira. Ela e o marido são os promotores da iniciativa e o seu entusiasmo é contagiante. Cada vez há mais pessoas interessadas em aprender a trabalhar com as mãos e a fazer Arte.
É fantástico entrar num local onde só se vêem quadros, uns melhores que outros, uns mais apelativos, outros mais berrantes, alguns muito vistosos ( para meu gosto), outros extremamente originais. Todos temos o nosso espaço, conversa-se de tudo, comentam-se os quadros dos outros, faz-se "porcaria" com as tintas, pinceis, paletas, cavaletes, frascos, etc. E ouve-se música.
Achei este quadro fabuloso. Não só porque é uma "biblioteca" no seu conjunto, mas também porque cada quadrado de estante encerra uma série de figuras, riscos, números e cores infindáveis. Tudo numa toada quente, luminosa e atraente. Nem sei onde vou pôr o quadro, mas não resisti.
A autora explicou-me que se tinha baseado numa fotografia que ela própria tirou na Biblioteca de Hannover pois tinha ficado impressionada com a riqueza e beleza dos livros antigos ali expostos. Depois a Arte e o talento dela fizeram o resto ( comentário meu).
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Exposição colectiva no atelier UTOPIA
A inauguração foi na sexta , dia 13, com magusto e famílias a confraternizar e a aplaudir. Infelizmente não pude ir, mas hoje tirei fotografias, não só das fotos expostas como do ambiente que se respira em dias de aulas. É um local agradável e as pessoas são simpáticas e prestáveis. Há-as de todas as idades, embora predominem as +50, dada a hora que escolhi.
Mesmo sem lá estar, podem ver que há qualidade em muitos quadros, cada aluno tem um quadro seu. O catálogo traz as fotos das pinturas e os nomes dos alunos, assim como um texto muito sentido dos professores, do qual extraí este parágrafo:
" Nós , como professores, temos imenso orgulho em apresentar estes objectos de emoção e salientar que a cada estação do ano que passa, aumenta a ansiedade para saber o que a próxima nos trará, porque estamos sinceramente satisfeitos com os resultados que cada artista nos apresenta e pela capacidade que observamos em cada um de se satisfazer com a pintura, transformando sonhos em matéria."
Parabéns. E obrigada.
Continuem a navegar na UTOPIA e a deixar-nos sonhar a cores!
pintura no atelier

Tenho dedicado algumas entradas a pinturas feitas em casa, em geral, produto da minha imaginação, mas sem grande direcção, mais instintivas do que trabalhadas.
Estas duas foram produzidas no atelier, com conselhos avulsos dados pelo professor Domingos Loureiro - muito sumários pois ele tem muitos alunos com que se entreter - mas sempre interessantes.
Submeto aqui as pinturas ao vosso critério. Podem criticar livremente. Não há censura e gosto de ler as vossas opiniões.

Os dois quadros são em acrílico sobre tela.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
À minha amiga Regina ...e com ela também


Reencontrei a Regina após uns três anos de ausência. Está igual a si própria, continua a falar muito depressa como se fosse já atrasada para apanhar o comboio,mas mantém a mesma serenidade e simplicidade que me fizeram admirá-la mais do que a muitas outras colegas da minha escola.
Andamos no atelier "Utopia" - que felizmente é uma realidade às 3ª e 5ª - convivemos e aprendemos a pintar. Hoje foi pastel, há dias acrílico, para mim é tudo encantamento e quanto mais sei disto, mais me apetece saber. Acho que perdi anos da minha vida a fazer malha, quando poderia ter estado a criar algo mais belo.
Há dias fiz estes dois abstractos. A Regina pediu-me numa entrada abaixo que vos mostrasse aqui o trabalho feito. Decidi fazê-lo, mas não sem colocar dois poemas dela - um deles ainda não publicado - a acompanhar a "obra". Esta entrada é das duas. E oxalá signifique o retorno a uma amizade forever.
Cores outonais
O muro de xisto é já uma ruína mas a vinha,
velha e tão cansada,
exibe de novo os seus tons outonais.
Numa subtil gradação de frequências
a folhagem é agora amarelada, acobreada,
cor de vinho, acastanhada.
Ostentam cores outonais também, mais além,
a pereira e o marmeleiro.
Enquanto transferências de electrões
desencadeiam oxidações e reduções,
carotenos e antocianinas
conjugam-se em paisagens quase surreais.
Sentada numa fraga, ao lado de um sobreiro,
quero perpetuar estes instantes,
transformar em eterno este momento,
mas o agora de há pouco já é antes,
nesta implacável corrida do tempo.
Magnetismo Terrestre - 2006
Poalha etérea
No labirinto da memória
uma imagem perdida.
Uma imagem fugaz, discreta.
No bastidor, esticado, o alvo linho
de onde em onde maculado
por um bordado azul,
o azul do mar de Creta.
Não sei se era lençol, se era toalha
Na memória, apenas o bordado azul
e a brancura do linho.
Tudo o mais se esfumou
numa poalha etérea,
não sei se onda se matéria,
que o tempo dispersou.
Regina
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