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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney Houston ( 1963-2012)


Parece que hoje em dia quase só se fala na perda de artistas, pintores, escritores, actores, pessoas que não queríamos que desaparecessem NUNCA.

Deixam-nos a consolação de que enquanto viveram contribuiram para que o mundo fosse mais belo, a sua criatividade e performances encantaram muitos de nós durante anos.
Whitney Houston foi presença constante nas minhas aulas de Inglês, usei várias canções dela nas minhas aulas, fazendo vibrar os alunos que a ouviam atentamente. Tinha uma voz potente, uma presença física muito bonita e um sorriso encantador. Foi uma sucessora de Dionne Warwick, sua prima e Aretha Franklin, sua tia.
. Criou um estilo que seria imitada por muitas outras cantoras de vozes volumosas como ela.

Não se sabe ainda como morreu, nem é importante. O que custa é constatar a perda de uma mulher de 48 anos com talento, família e futuro à sua frente.

Deixo aqui o vídeo duma das suas músicas mais queridas dos meus alunos:

Whitney, we'll always love YOU!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Leonard Cohen - Old Ideas

Penso que nunca nenhum cantor de música não-erudita, alternativa, pop-rock, indie ou folk, me apaixonou , emocionou, comoveu, espantou e inspirou tanto como Leonard Cohen, desde que comecei a ouvi-lo nos anos 60 - lembram-se de Joan of Arc? - até 2012,
em que surge com um novo album, que as críticas têm deitado abaixo injustamente, chamado OLD IDEAS ( ideias antigas ou velhas).
As ideias de Cohen não estão minimamente ultrapassadas - temos aliás um exemplo português que o imita um pouquinho, de seu nome Abrunhosa e que tem um sucesso fantástico - porque as suas letras ou poemas , embrulhados em instrumentais extraordinários e acompanhados de vozes femininas embalatórias, continuam a ser lindíssimos, emotivos e mesmo dilacerantes.
Ouvi Cohen praticamente durante quarenta anos, comprei os seus discos em vinil, depois em CD e agora uso o Ipod , onde possuo um folder especial com o seu nome e mais de cinquenta versões das suas canções, umas ao vivo, outras muito antigas e voz juvenil, sempre bem orquestradas e interessantes. Também tinha um vídeo ou dois com entrevistas e concertos ao vivo, mas agora já não uso vídeo e o Youtube substitui bem esse aparelho anacrónico.
Usei os seus poemas, as suas músicas e até as suas entrevistas nas aulas sempre com bom feedback dos alunos, que se comoviam ou vibravam comigo, mesmo quando, aparentemente, este tipo de música não era aquele que mais apreciavam.

O que é divinal encanta todos. E Leonard Cohen é genial.





Coloco aqui duas canções , uma antiga outra actual. A diferença na voz é incrível, mas comparando as duas, não sei de qual eu gosto mais, como diria o Marco Paulo:)).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FADO, PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Não sou apaixonada pelo FADO, apesar de ter nascido em Lisboa.

Lá, em adolescente, cantávamos muito em festas de jovens e havia quem se arvorasse em fadista, mesmo na minha família. A guitarra era um must nas reuniões da Capela do Rato e ali também se cantava fado do mais castiço.
Nunca fui a uma casa de fados na minha vida ( devo ser a única lisboeta que de tal se orgulha), embora houvesse cantores que me comoviam e ainda me comovem. Penso que o Fado tal como Fátima e o futebol são alienações da nossa Pátria, que não avança nunca mais e prefere o choradinho do passado, o mito das aparições e as glórias de Eusébio nos anos 60.

Posto isto, fico contente de que o Fado seja reconhecido internacionalmente, embora preferisse que fosse outro o alvo de tal honra.

Fui procurar nos arquivos do Youtube, um fadista que sempre adorei. A sua voz é única e incomparável: João Braga. Aqui canta em honra duma cantora portuguesa, que essa é, sem dúvida, a MAIOR de todas.

Fica aqui a minha homenagem à canção da minha terra.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pastoral

Cansada de vozes e de barulho político-financeiro, desanimada com o país e com os media em geral, sintonizo para o MEZZO e como dizem os ingleses, o que lá vejo " is music for my ears"...uma orquestra maravilhosa toca a Pastoral - 6ª Sinfonia - de Beethoven.

Música transcendente, evoca em mim sentimentos de paz, harmonia, beleza, natureza, vontade de viver. Do primeiro ao último acorde, fico suspensa num halo de luz, de bem-estar e felicidade espiritual.

O Homem não foi feito para falar, falar, falar.....mas para ouvir. Ouvir é essencial e se não ouvíssemos, não falaríamos.

Infelizmente a criança ouve, ouve, mas a partir do momento em que fala, deixa de querer ouvir, quer impor a sua fala e a sua vontade. Berra para se fazer ouvir. Verifiquei isto mesmo hoje com o meu neto mais novinho que tem dois anos e que fala pelos cotovelos, embora eu não o compreenda tão bem quanto gostaria...tive de ir experimentando não sei quantos extractos do Youtube até perceber qual dos desenhos animados é que ele queria ver....para além do Noddy que é a sua grande paixão. Felizmente, descobrimos umas canções infantis muito engraçadas e acabámos os dois por nos entender à maraviilha a ouvir a versão soft de Atirei um pau ao gato, que termina com uma quadra memorável em brasileiro: "Não atire o pau ao gato porque o gato é um animal e como animal, ele é seu igual" Concordo a 100%!

Os clarinetes e as flautas continuam a encher esta sala de brilho. Vem aí o terceiro andamento.... que descreve a tempestade no campo. Vejo daqui os campos verdes do Yorkshire, com os céus toldados, roxos, negros, a ameaçar chuva e lá longe a claridade da bonança que se seguirá à tempestade. Os sopros continuam animados, oboés, fagotes, trompas transmitem o dramatismo do temporal. Mas mesmo esse é de tal modo harmónico que não quebra a paz. O flautim expressa a alegria dos camponeses naquela atmosfera rural. E à trovoada, sucede de novo a claridade.

Como será possível não gostar desta música, não sentir nada ao ouvi-la, desconhecê-la?

Será que sou demasiado elitista e que exijo demais? Como é que a Escola ignora a Música nos dias de hoje? Nas minhas aulas ela tinha um papel fundamental porque sendo professora de lingua inglesa, tinha a possibilidade de a ouvir. Ainda me lembro dum episódio de Os Simpsons, em que a música de fundo era esta sinfonia - ela aparecia por oposição à violência dos desenhos animados que os miúdos viam. Usei o episódio para despoletar nos alunos o gosto por Beethoven e eles aderiram.

Bem aventurado MEZZO. Basta de FMIs, de paleio rotativo, de nuvens negras, de ameaças, de futuros apocalíticos. De tempestades sem bonança.

Recuso-me a aceitar tais perspectivas de futuro.

Como dizem os ingleses, e desculpem se os cito de novo: "Every cloud has a silver lining" . Todas as nuvens têm uma fímbria de prata.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Salif Keita




O meu filho mais novo tem andado a ouvir música africana no Youtube e colocou este vídeo na sua página do Facebook. Ao ouvi-lo lembrei-me das aulas da Utopia em que ouvíamos Cesária Évora, a cantora caboverdiana que todos conhecemos. Cantam juntos muitas vezes.

Fica aqui a bio deste cantor, extraída da Wikipedia, assim como duas magníficas canções ao ritmo das mornas e coladeras caboverdianas.


Salif Keïta nascido a 25 de Agosto de 1949 é um músico e cantor de Mali. Ele é único, não só devido a sua reputação de A voz dourada de África como também pelo facto de ser albino e um descendente directo do fundador do Império Mali, Sundiata Keita.
Esta herança significa que Salif Keita nunca deveria ser um cantor, que é uma função desempenhada por Griots.
A sua música é uma mistura de estilos de música tradicional da África Ocidental, Europa e América e no entanto mantendo estilo de música Islâmica. Entre os instrumentos musicais mais utilizados por Salif Keita incluem-se balafons, Djembês, guitarras, koras, órgãos, saxofones, e sintetizadores.
Keita nasceu em Djoliba. Fora ostracizado devido ao seu albinismo que é uma sinal de azar na cultura Mandinka. Abandonou Djoliba e foi viver em Bamako em 1967 para se juntar a banda Super Rail Band de Bamako. Em 1973, Salif Keita juntou-se a banda Les Ambassadeurs. Keita e os Les Ambassadeurs fugiram da instabilidade política em meados de 1970 para Abidjan, Costa do Marfim mudando o nome da banda para Les Ambassadeurs Internationales. Esta banda ganhou reputaçao internacional na década de 70 e em 1977 Keita recebeu o prêmio National Order do presidente da Guiné, Sékou Touré. Keita mudou-se para Paris em 1984 com o objectivo de obter mais fama.




Esta música é nostálgica....mas não fiquem tristes, estes cantores são conhecidos em todo o mundo e têm muito sucesso.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

NINE

Fui ver há dias o filme com o meu filho que é louco por musicais.
Vimo-lo na sala VIP, que é um luxo, mas só pagámos um bilhete, o meu foi de graça por causa dum cartão que tenho.
Bem instalados, o filme soube-nos bem, é leve, tem humor, a música é excelente, o Daniel Day Lewis o que diríamos em gíria adolescente "bué de giro" e actor excepcional, com uma performance irrepreensível, Penelope Cruz e Marion Cotillard acompanham-no bem. O filme tem um toque felliniano, com flashbacks a preto e branco em que o menino Fellini dá os seus primeiros passos na sexualidade e na sua relação com a Mãe, uma Sophia Loren, que parece sempre jovem...apesar das rugas.

Deixo-vos aqui com a canção mais espectacular do filme : Be Italian. Infelizmente não há versão da dança completa no Youtube, só parcial.



SARAGHINA:

Spoken:
So you little Italian devils, you want to know about love?
Saraghina will tell you. If you want to make a woman happy, you lie on what you’re born with, because it is in your blood.

Be Italian
Be Italian
take a chance and try to steal a fiery kiss
be Italian
be Italian
when you hold me don’t just hold me but hold this
please be gentle, sentimental
go ahead and try to give my cheek a pat
but be daring and uncaring
when you pinch me try to pinch me where there’s fat
HA!
be a singer be a lover
pick the flower now before the chance is past
be Italian
be Italian
live today as if it may become your last!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Música para animar- Rufus Wainright

A melhor adaptação do Bolero de Ravel para canção que conheço. E uma interpretação do Halleluja de Leonard Cohen fabulosa.
O cantor é um dos meus preferidos. Oiçam outras canções dele e deixem-se enlevar por esta voz "derrapante".



Men reading fashion magazines
Oh what a world
It seems we live in
Straight man
Oh what a world
We live in

Why am I always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love

Still I think I'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline
Life is
Beautiful on a New York Times

Men reading fashion magazines
Oh what a world
It seems we live in
Straight man
Oh what a world
We live in

Why am I always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love

Still I think I'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline
Life is
Beautiful on a New York Times

Oh what a world
We live in

Why am I always on a plane or a fast train
Oh what a world my parents gave me
Always
Travelin' but not in love

Still I think I'm doin' fine
Wouldn't it be a lovely headline
Life is
Beautiful


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Back ...from the USA!


É curioso como o voltar duma viagem, mesmo curta, é sempre uma experiência diferente. Olhamos para o que nos é familiar, como se fosse pela primeira vez, reparando em pormenores que nos eram indiferentes até aí ou comparamos as nossas "cenas" com as que vimos durante a viagem, emitindo juizos de valor novos e interessantes.

Hoje desaguei no aeroporto da Terceira às 7.30 da manhã ... foi a noite mais curta dos meus ultimos tempos...só durou seis horas. Embarquei as 11.30 da noite em Boston ( onde tinha estado à espera de embarcar sentada numa "rocking chair" à boa maneira americana!) e daí a 4 horas era nascer do sol - que lindo que é vê-lo do avião sobre os Açores! Em duas horas voei da Terceira para o Porto e assisti, então,  a algo completamente novo em pleno aeroporto Sá Carneiro, que está espectacular, deixem passar esta vaidade sobre a minha cidade adoptada.

As malas nunca mais vinham e havia pelo menos uns dez aviões a chegar ao mesmo tempo. As pessoas impacientavam-se, comentando: Maldito subdesenvolvimento. Em Boston, despachámo-nos em 15m.

De repente, começámos a ouvir um grupo de vozes jovens a cantar em unissono, à capella,  canções ritmadas e afinadas, como se estivessem num teatro a sério. Era um grupo grande de rapazes e raparigas nos seus vinte anos, que tinham viajado dos Açores para o Porto. A princípio, as  pessoas, cansadas da viagem extenuante, ficaram surpresas e levemente aborrecidas. Depois, à medida que eles iam cantando com uma convicção exemplar, todos começaram a bater palmas no fim de cada canção. As malas não vinham , nem por nada, mas todos estavam presos àquela música e alguns , como eu, até cantavam baixinho com eles: " In the jungle, the mighty jungle, the Lion sleeps tonight"...

Fica aqui este testemunho porque há coisa belas na vida.