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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Reflexos

Sempre tive uma atracção
muito especial pela água, elemento de que dependo para me sentir feliz. Não conseguiria viver num local sem água - ou à míngua dela - e considero um privilégio poder abrir a torneira e ver o
jorro cristalino a cair.
Do mesmo modo sou sensível a paisagens com água, efeitos que com ela se conjugam para tornar tudo
mais belo e colorido.
Em tempos, pensei em fazer uma exposição de fotografia focada neste tema, mas acabei por optar por outro tema que em breve anunciarei.
No Brasil- em especial em Paraty - consegui encontrar muito "food for thought", como dizem os ingleses. Resolvi hoje dedicar uma entrada à beleza artística dos reflexos na água, seja ela a da chuva ( já reparou na maravilha que é uma árvores outonal mirando-se num lago?), a dos charcos, dos lagos, rios ou do mar.
Aqui ficam algumas de que gosto em especial.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Memórias

Hoje fui "a toque de caixa" para o apartamento da Ramada Alta pelas 12.30 pois os homens da Conforama, que tinham ficado de lá ir  à tarde - telefonaram-me pelas 12.30 a ver se podiam colocar os moveis e máquinas antes do almoço. Meti-me num taxi e cheguei lá em dez minutos, os feriados são fantásticos para se andar nesta cidade.
Entretanto, enquanto eles montavam as cadeiras , mesa e estante, enchi de novo as capas dos sofás, que tinha lavado aqui em casa e ficaram um brinquinho. Encontrei na garagem umas almofadas vermelhas bordeaux, que lhes dão alguma cor. A mesa de jantar ficou um espanto, é castanho escura, com tampo em vidro - uma parte - o que lhe dá uma leveza enorme e as cadeiras são muito bonitas e até um pouco clássicas, com tampos de veludo branco sujo....muito bonitas e foram tão baratas.
A estante, então, faz os meus encantos é uma quadrado com dezasseis buracos, sem costas, mas com os livros - mesmo os codigos e quejandos - vai ficar lindissima!
 Os homens eram muito simpáticos e como sempre, disseram: A senhora tem aqui uma vista.....o mar todo de ponta a ponta. Indeed.

Alegro-me com estas pequenas coisas. Limpei tudo na cozinha, coloquei alguns objectos que estavam na garagem e faziam falta na casa e saí para a Serpa Pinto.
Na farmácia, que está aberta 24 h por dia - é uma das melhores do Porto - consegui comprar um medicamento  sem receita médica, pois a Dra conhece-me há 30 anos, desde que fui viver para aqueles lados. Evitou-me ter de marcar uma consulta só para arranjar um medicamento sem o qual não consigo dormir.
O dia está soalheiro, as pessoas com quem me cruzei eram simpáticas e fiquei a pensar na minha vida que decorreu naquele perímetro de ruas de 1977, tinha o meu filho mais velho um ano, até 2006, quase três décadas. Foram os anos mais importantes da minha vida profissional e familiar. Toda a gente me conhecia ou do liceu ou da casa. Fui professora de meio mundo....

Esta colagem reflecte o que vejo na Ramada Alta. Fi-la já há tempos para o blogue. Gostava de ser capaz de a pintar.

Estou bem mais ligada àquela zona que aqui ao Campo Alegre, muito fino, mas muito novo-rico, com casais pseudo-queques, que nos olham de alto a baixo, à saída do elevador.
Estou em crer que um dia voltarei para o meu apartamento, quando os meus netos forem grandes ou se  resolverem mudar de casa. Esta foi muito cara e não vale o que custou. Foi puro amor de Mãe e Avó, o que me levou a vir para aqui...mas penso, muitas vezes, que ali estava melhor, mesmo sozinha, há lojas, gente, comodidades, minimercado, farmácia, multibanco, taxis, metro... ao sair do portão... e aqui só tenho árvores, árvores, árvores,...que não falam comigo e perdem a folha, mal vem o Outono.




domingo, 17 de julho de 2011

Praia

Uma das coisas que mais aprecio na costa - seja ela portuguesa ou noutro país qualquer, é a capacidade de transformação que possui, desde as falésias que ruem até às dunas que desaparecem, os lagos que se formam, as rochas que surgem num ano e desaparecem no seguinte, não há ano igual, nem paisagem imutável, ano após ano.
No ao passado, as rochas aqui em frente estavam de tal modo altas e lodosas, que se tornava um perigo tentar descer até ao mar. Nunca tomei banho aqui, fui sempre à praia grande, onde as transformações não se notam tanto.
Este ano tive uma surpresa e tanto. Na maré cheia, formaram-se duas piscinas, lagos enormes, que se mantiveram intactos durante a maré vazia, para gáudio dos pequenitos que por ali passavam e até dalguns cães, que brincavam com os donos. Nunca tinha visto a praia dividida em dois, com um espelho de água a reflectir o casario da rua principal.
Foi bom passear já depois do jantar ainda com bastante sol e algum vento. A Luz está no seu esplendor, com ingleses a enxamearem os restaurantes, mesas inteiras de jovenzinhos de 12-13 anos, sozinhos, e crianças a andar de baloiço....aparentemente já se esqueceram da Maddie, que naquele fatídico dia 3 de Maio desapareceu into thin air!
AS falésia continua enfeitiçante com o seu colorido pastel, rosa, verde, beige, um regalo para quem gosta de geologia.
É tão bom gozar estes meomentos sem stress, só com a minha filha calma - mas sempre esfomeada -que gosta tanto disto como eu...
À noite....pelas 11 horas já se via o luar. Tentei tirar uma foto com tripé e consegui esta que é filha única, as outras ficaram mal.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

LAGOS - a cidade azul





Tudo é azul e branco em Lagos...o mar dum azul profundo, lindíssimo, o céu doutro azul mais claro, mas imenso e sem uma nuvem. A baía , extensa e luminosa, com barcos e barquinhos, alguns quase só para uma pessoa, outros enormes, tipo batelões e depois a marina cheia de iates dos ainda ricos que existem em Portugal.

Fui levar o meu filho à estação de camionetas e aproveitei para comer um D. Rodrigo - apenas um, que a dieta não perdoa - e depois passear pela cidade. Encontrei um cabeleireiro, entrei e resolvi cuidar de mim. Todas as empregadas eram ucranianas, pareciam falar português, mas não se percebia nada. Foi bom, não foi barato, mas o penteado favoreceu-me, que bem precisada estava depois destes banhos todos.
Lagos continua cheia de vida, o seu D. Sebastião, estátua de Cutileiro,perdido no meio da praça, pessoas em todo o lado, lojas com preços óptimos. Comprei seis T-shirts de algodão para os netos e sobrinhos e ainda um casaquinho para mim tudo por 60 euros...já lá vai o tempo em que aqui era tudo caro.
Vim para casa de camioneta EVA, com os miudos do liceu todos bronzeados e bonitos, a falar à algarvia. Achei graça ao percurso e tirei fotos da camioneta.

É tão bom andar sozinha, cada vez gosto mais de ter o tempo para mim, poder fazer o que me apetece e não dar satisfações a ninguém.

Em casa festejámos o primeiro ano dos meus sobrinhos, fiz caril de frango e comemos bolo de cenoura feito pelo pai das crianças, que é uma joia. Os meninos apagaram a sua primeira vela e gostaram do bolo. Com papas e bolos....hoje dormem melhor.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Voltei à Baixa


É sempre um prazer passear pela Baixa do Porto, mesmo que seja só por uma ou duas horas.
Vê-se o pulsar da cidade, as casas tão lindas com as suas varandas de ferro e tabuletas antigas tão degradadas, as pinturas nas paredes, os pobres a pedir no chão, os músicos imigrantes que se insurgem se a gente lhes tira fotos, o cegunho da esquina, ali há mais de trinta anos, tudo um pouco triste e decadente.
Mas também se pode admirar o colorido dos vendedores ambulantes com as suas quinquilharias, carteiras, sacos, pulseiras, colares, objectos de artesanato, os jovens encantados com os stands, os turistas sentados nas esplanadas, o Majestic em todo o seu esplendor, os autocarros amarelos que vão dar a volta à cidade, o electrico 22, que desce a Rua Passos Manuel, a FNAC cheia de objectos sedutores, o C&A, onde se compra roupa por uma pechincha, o relógio de madeira, tocando as horas, os quartos e as meias com os bonequinhos a girar. Gosto de deambular por ali, sentar-me no café da fnac e tomar um sumo caro, folheando os jornais do dia.



As lojas estão vazias, a crise instalou-se, mas a cidade continua a viver, como que indiferente aos políticos, aos rumores, às ameaças de recessão, aos circos e arruadas...ela já assistiu a tanto despautério, a tanta revolução, a tanto protesto, a tanta injustiça, a tantos assaltos e a tantas cenas de amor. A cidade assiste a tudo impávida, deliciando-se com o sol quente de Maio e não exigindo nada de nada.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Pela Foz Velha


Hoje resolvi fazer de turista e andei pela Foz Velha a observar as casas lindissimas
que por ai se vêem, no meio de alguns prédios banais. Também se vêem casas abandonadas, com trancas à porta, jardins por cultivar, alguma pobreza e sol, muito sol...
Na praia havia gente de todas as idades, corpos ao sol, crianças a tomar banho, turistas deleitados com a possibilidade de se deitarem na areia em topless.


Do alto da esplanada, a minha câmara adora bisbilhotar...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ainda a Ria Formosa


A Ria Formosa é um tesouro que muitos portugueses desconhecem. fiquei encantada por ver algo de novo no Algarve, onde passei tantas e tantas férias. Desde os anos sessenta que não vou ao Sotavento, ficando quase sempre pelo barlavento, zona de Lagos, que é lindíssima também.Fica aqui alguma informação sobre a Ria Formosa e fotos que tirei agora no safari fotográfico que foi o nosso encontro.
A Ria Formosa é um sapal situado na província do Algarve em Portugal, que se estende pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, abrangendo uma área de cerca de 18.400 hectares ao longo de 60 quilómetros desde o rio Ancão até à praia da Manta Rota. E foi considerado um dos mais belos parques do algarve , tendo uma grande função e um belo habitat. Trata-se de uma área protegida pelo estatuto de Parque Natural, atribuído pelo Decreto-lei 373/87 de 9 de Dezembro de 1987. Anteriormente, a Ria Formosa tinha estatuto de Reserva Natural, instituído em 1978.
A sul é protegida do Oceano Atlântico por um cordão dunar quase paralelo à orla continental, formado por duas penínsulas .
A norte, em toda a extensão, o fim da laguna não tem uma delimitação precisa, uma vez que é recortada por salinas, pequenas praias arenosas, por terra firme, agricultável e por linhas de água doce que nela desaguam .

Tem a sua largura máxima junto à cidade de Faro (cerca de 6 Km) e variações que nos seus extremos, a Oeste e a Este, atingem algumas centenas de metros.

A sua fisionomia é bastante diversificada devido aos canais formados sob a influência das correntes de maré, formando assim, uma rede hidrográfica densa. É uma zona húmida de importância internacional como habitat de aves aquáticas. Está, por este motivo, inscrita na Convenção de Ramsar, pelo que o Governo Português assumiu o compromisso de manter as características ecológicas

quinta-feira, 3 de março de 2011

YORK

York é uma cidadezinha que me lembra um cenário de ópera ou de vaudeville, com ruas muito estreitas, em que as casas quase se tocam, candeeiros do tempo de Shakespeare e uma muralha romana que circunda o centro da cidade. Até a estação é uma preciosidade com a abóbada em ferro forjado e rendilhada.O rio espelha as casas que o circundam e a ponte ostenta os brasões da Casa de York.
A Joia da coroa é a York Minster - a catedral - em estilo gótico, simples e lindíssima em qualquer época do ano. Em geral o largo é frondoso e está cheio de turistas, mas na 2ª feira não havia quase ninguém e as árvores ainda estavam completamente despidas. Fico sempre estática dentro da catedral, o ambiente seria ainda melhor se fosse aberta ao público e não tivesse os balcões de postais e folhetos por todo o lado.

As lojinhas de York são tudo menos o convencional: lojas de bonbons,
caramelos, sabonetes, frasquinhos, antiguidades, comidas exóticas, roupas usadas, boutiques, pintura, etc. Um briqueabraque que nos deleita. Vou sempre a minha preferida a Scottish Mills, que vende as camisolas shetland e cachemira de antigamente, os kilts e os cachecois, as capas e gorros tradicionais. Desta vez comprei duas camisolas shetland por 45 libras as duas, o que é barato, pois são lindas e têm cores diferentes do que encontro cá. A marca Pringle há muito que já desapareceu, pelo menos daqui do Porto.
Ir a York obriga a um chazinho com scones numa tea house, que foi o que fizémos. As loiças, os quados nas paredes, até as casas de banho são tão bonitas que me fazem sonhar com o chá da Alice e do Chapeleiro Maluco!!
Anoitece e as luzinhas acendem-se nas ruas de York. As casas ficam ainda mais mágicas e as pessoas trasnformam-se na minha mente em personagens de Dickens. Por vergonha, não tirei uma foto a um velhote a beber sentado num patiozinho, que ia jurar ser o Sr. Micawber do David Copperfield.
O comboio volta em 20m a Leeds. A minha filha está radiante com a experiência, que já fizémos duas vezes. É bom ter companhia e o afecto filial após quase dois meses de ausencia.