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sábado, 26 de março de 2011

Dá Deus nozes


Frequento já há uns quatro anos a piscina do Hotel Ipanema Park, que fica aqui perto de minha casa - uns dez minutos a pé - e oferece preços acessíveis para utilização do ginásio e piscina. Até agora a piscina era frequentada pelos utentes do hotel e também por inúmeros sócios que vinham de fora e aí passavam algumas horas. Nunca houve aulas de espécie nenhuma, nem sessões de ioga ou outra actividade, não há personal trainers, cada um vai à hora que quer, sábado e domingo incluídos e usufrui do sauna, chuveiros, piscina, ginásio, balneários como quer e lhe apetece. Inclusive deixam as crianças até aos dez anos entrar sem pagar nada e eu levei o meu neto durante um ano e ensinei-o a nadar, embora ele não tivesse pé em lugar nenhum.

Para mim isto era o paraíso ....e ainda o é.

Há um mês , a água que costumava estar à temperatura de 30º baixou drasticamente para 26º. Houve logo uma pequena revolução, muitos sócios desistiram das suas mensalidades, outros pediram-nas de volta. Queixámo-nos também na recepção e directamente à entidade que regula a parte em questão, mas foi-me dito pessoalmente que, por ordem do Ministério da Saúde, a água das piscinas interiores não pode exceder os 27º. Isso, porém não acontece noutras aqui da zona, como a Solinca no Hotel Porto Palácio, a não ser que a Sonae pague multa para poder gozar dessa mordomia.

Nos primeiros dias nem fui à piscina, mas sentia-me frustrada depois de fazer os exercícios no ginásio e precisava de relaxar na água, nadando e praticando hidroginástica à minha maneira. Resolvi então, teimar e continuar a ir, mesmo com a água mais fria. Rapidamente me habituei à temperatura menos quente, tomando um duche quase frio à saída do ginásio e indo ao sauna no fim da natação para aquecer. Disseram-me que neste momento só duas pessoas usufruem da piscina, eu e um outro senhor.


Maravilha, sinto-me bem quando saio daquela sessão de quase 3 horas. Enquanto estou, ali oiço música da minha, penso, descanso do barulho de vozes, sinto-me privilegiada num hotel de cinco estrelas - cujo lobby tb está à disposição - e aproveito bem o que me resta da minha vida. Se lá tivesse um pequeno atelier de pintura, era oiro sobre azul:)))

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tempo de crise


Há quanto tempo andamos nós em crise?
Dantes a minha Avó, quando uma das netas se mostrava especialmente irritável ou tinha comportamentos menos recomendáveis, - desculpava-a dizendo. Coitadinha da .., está a atravessar uma crise. Todas nós, éramos seis, tivémos periodos desses nas nossas vidas e por vezes, é difícil perceber o que se passa, encontrar soluções, abrir caminhos e confiar nos outros que nos podem ajudar. Passei por várias crises em adolescente, e depois na minha vida de casada, parece que saltitava de crise em crise. Aguento mal a discussão, a intimidação, o clima que se gera, fico nervosa, não durmo, a tensão sobe-me logo.

Hoje fui ao ginásio e senti que ai encontrava a paz tão necessária nestes momentos. Não havia ninguém , lá fiz a minha bicicleta, 30 minutos a pedalar e a ouvir música, imaginando-me numa longa estrada à beira mar. Fecho sempre os olhos, deixo-me impregnar pela música e parece que os membros inferiores não fazem parte de mim, giram, giram, automaticamente sem parar. O mesmo acontece quando estou a andar na passadeira. Meia hora a 4km /h, o que não é muito , mas chega para queimar 100 calorias ou mais. As vezes o suor cai-me por todos os poros e fico com a T-shirt encharcada, mas parece que vejo a minha silhueta a adelgaçar-se no espelho que rodeia o ginásio.Também tenho feito remo, que era um dos meus desportos favoritos quando era jovem. Tínhamos uma barco grande de borracha Pirelli, com dois remos e eu adorava remar e afastar-me um pouco da costa , sentir aquela brisa marítima e ver o fundo do mar, mesmo já ao longe. Foram férias felizes, as dos meus vinte anos, numa praia que era praticamente nossa, pois ficava em frente das nossas casas e ainda não tinha sido descoberta pelos turistas.

Tudo isto para dizer que sempre procurei evadir-me das crises, mas elas aí estão, e já não consigo ouvir os media, na sua melopeia repetitiva: FMI, PEC, medidas de austeridade, defice, sacrifícios, povo, pais....para onde foi a esperança?

Gostava de viver naqueles países onde a democracia é vivida com civismo e os politicos são controlados pelo povo e pelos valores com que todos são educados. Não acredito muito na nossa, nem nos nossos políticos, não por falta de competência, mas porque os seus objectivos estão longe de favorecer o país e são cada vez mais em proveito próprio.

Vamos a ver o que vai acontecer agora que o governo caiu....por enquanto, tento emagrecer eu, já que os gastos públicos, pelos vistos, não emagrecem e Portugal está à beira do abismo...

sábado, 22 de janeiro de 2011

O vento e a música



O vento - Van Gogh


Se há coisa que detesto, é o vento...sobretudo este de leste, gelado no inverno e quentíssimo no verão, mas arrastei-me contra ele e fui ao ginásio fazer o meu programa. Como sempre, nem vivalma, fiz os meus exercícios ao som dos Muse - começo a estar viciada nesta banda, que me apaixona e dá asas de adolescente.
Às vezes apetecia-me ir para um lugar, onde as pessoas pudessem dançar , correr, rebolar-se pelo chão, deitar-se, sentar-se, mexer os braços, menear a cabeça , sacudir o capacete ao som da música, como fazem os jovens (?) nas discotecas hoje em dia. Sem ninguém a mandar fazer isto ou aquilo. Liberdade total de movimentos.
Sempre adorei bater os compassos da música e quando vou à Casa da Música, faço um esforço para não estar sempre a mexer com as mãos ou com a cabeça. Não compreendo como é que alguns intérpretes conseguem tocar os instrumentos sem se mexer. A expressividade da música também deriva das posições do corpo, das atitudes físicas perante ela.
No outro dia vi uma cantora no Mezzo que toda ela era melodia e ritmo, desde o sorriso com que cantava até ao modo como agradecia ao jovem maestro Dudamel que corava de cada vez que ela lhe dava um beijo entre árias. Uma cena engraçada.
Hoje na piscina não se aguentava mais do que meia hora, o vento fazia tremer a abóbada de vidro e apesar da água estar a 30º, fora tiritava-se de frio. O que me valeu foi o sauna a 60º. Maravilha!
Acabei um quadrinho que tinha começado ontem, ainda da colecção mini-paisagens.
Ficam muito mimosos e nas molduras do Ikea podem fazer um vistaço (?).Não o ponho aqui já porque não tenho bateria na máquina fotografica.

Aqui vai uma das minhas canções preferidas dos Muse: Sing for Absolution. Não gostam deles?! São amazing!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O silêncio

Há quem esteja preocupado com a minha situação de solitária empedernida, insistindo em que devo sair mais, conviver, dar-me com pessoas, ser mais social, ir a eventos, a vernissages, a exposições, a conferencias, juntar-me a grupos Zen, Pilates, Ioga, eu sei lá...há quem não compreenda que não somos todos iguais e que há momentos em que nos sabe bem o silêncio.

Hoje senti-o bem debaixo de água na piscina. Percorri a piscina dum lado ao outro por baixo. Não se ouve mesmo nada,a não ser o motor a bombar a água quente, os ruídos de fora desaparecem...uma calma fantástica invade-nos, uma sensação de libertação da poluição sonora que nos rodeia e asfixia tantas vezes. Se as pessoas só falassem quando é mesmo útil dizer alguma coisa...mas não: debitam-se opiniões, discutem-se banalidades, diz-se mal, critica-se sem se saber, 50% do diálogo poderia ser omitido sem prejuizo para ninguém....e há pessoas que não permitem nem admitem o silêncio.

Resolvi inscrever-me de novo no ginásio do Ipanema Park,

David Hockney - Water

um local quase privativo para quem vai de tarde, à hora a que vou. Não havia vivalma nem no ginásio, nem na piscina, nem na sauna....sendo perto da minha casa, é o local ideal para fazer exercício. experimentei a passadeira, onde andei durante 15 minutos e a bicicleta, que consegui pedalar durante outros 15m. Findos estes fui para a piscina onde fiz hidro-ginastica sozinha, durante meia hora e nadei outro tanto. Um bálsamo para o corpo, acredito na terapia da água, é melhor maneira de afastar as artroses e reumatismos que nos afligem. Senti-me outra.

Passei o resto da tarde com os meus netos em casa deles e jantei lá, contei-lhes a história antes de adormecerem e ainda deu para ouvir o meu filho tocar piano. A minha vida realmente pode apelidar-se de paradisíaca. Não preciso de muito mais para ser feliz. E só quero este silêncio!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Paraíso terrestre



Hoje descobrimos a parte mais aliciante e não menos bonita desta quinta. Desce-se uma rampinha que é uma ruela, passa-se por uma capela muito bonita, abre-se um portão e depara.se com uma ponte muito sui generis que liga a uma torre com elevador, donde se vê a grande piscina em cima do mar. Tudo isto pertence à mesma Quinta da Penha de França, que não me canso aqui de publicitar. Desce-se de elevador e lá em baixo esperam-nos as espreguiçadeiras com toalhas ao sol ou a sombra , em cima das rochas e do mar ou mais afastadas. A vista é soberba sobre o oceano e tb sobre os hoteis, entre os quais se destaca o velho REID'S onde é suposto terem estado alojados personalidades famosas como Churchill.
Pode-se ir tomar banho directamente ao mar, passando uma pontezinha e descendo umas escadas de pedra que entram na baiazinha ( sem pé), onde se mergulha, aproveitando a água salina e refrescante do verdadeiro oceano. A água da piscina está mais fria, mas tb vem de lá e é salgada...

A felicidade deve ser isto....estar aqui, em boa companhia...e lembrar-nos que foi aqui que há muitos anos estive enamorada do pai dos meus filhos, por isso eles existem, criados num sonho que era belo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tardes serenas

Hoje passei quase todo o dia com os meus dois netos mais velhos. Não levei máquina fotográfica para não atrapalhar, dado que tomar conta de dois mafarricos de 4 e 6 anos parece fácil, mas não é. Ainda levei a minha filha para me ajudar na piscina, dado que o mais novo ainda não sabe nadar e a piscina do Ipanema Park Hotel ( maravilhosa, aqui fica a publicidade)não tem pé , a altura minima é 1,50. Em princípio é para adultos, hóspedes do hotel, mas podem-se comprar cadernetas e por 8 euros ir lá quando se quer, mesmo ao fim de semana. Além de ter sol durante todo o dia, a água é quentinha e não há aulas, nada-se à vontade, sem ninguém quase.
Os meus netos não pagam nada, o que é ainda uma vantagem suplementar. Estar na água com crianças rejuvenesce-nos extraordinariamente. Nunca levamos bola, mas jogamos com uma chinela que não vai ao fundo, os mergulhos, as danças em círculo, as brincadeiras são infinitas. Lembro-me que o meu neto, quando era mais novinho, dizia que ia ao fundo do mar apanhar pérolas para mim...e eu quase acreditava nessa história.
Depois da piscina, pelas 2 fomos almoçar ao self-service do Palácio de Cristal. Muito acessível e agradável, pode-se levar o tabuleiro para fora junto ao lago, onde passeiam pavões arrastando as suas caudas imponentes e grasnando desalmadamente. Porque é que Deus que criou uma ave tão bela, lhe deu voz de vuvuzela?? Nenhum se dignou abrir o seu leque, embora o meu neto tentasse tudo, só faltou pôr-se de joelhos para ele fazer o favor.
O parque de diversões está muito desmazelado, alguns escorregas desmantelados e é pena pois era um dos parques melhores da cidade, com aparelhos muito originais e desafiadores. Mesmo assim, é um local magnífico para se estar sentado, olhando pelos meninos e conversando com outros avós ou pais. Falta-nos a alegria dos parques americanos - que oferecem esguichos de água nos grandes dias de calor - mas tem arvoredo lindissimo e uma vista para o rio ímpar.
Finda a aventura dos baloiços, começou a aventura na biblioteca. Até a exposição vimos, o meu neto gosta muito de exposições, sobretudo de pintura. Esta era de fotografia, muito boa. Não viémos embora sem experimentar um jogo do Harry Potter, que o meu neto descobriu. Era complicado. O mais pequeno quase adormecia em frente ao DVD do Tom &Jerry, mas ia dizendo: o ratinho é muito esperto, Avó!

Foi uma tarde em beleza...assim fossem todos os dias da minha vida...apesar da artrose que me aflige e da ansiedade que por vezes me assola.

( As fotos são do "Google Images" e do "Olhares")

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Juliette Binoche


Foi e é ainda uma das minhas actrizes de culto.

Um rosto único, uma expressão de beleza quase etérea, intérprete excelente nos mais variados papeis, vi-a praticamente em todos os filmes que passaram por cá.

Hoje fui à piscina com o meu neto mais velho, meu companheiro de proezas natatórias, cada vez mais lesto debaixo de água, no jogo do apanha com uma chinela à falta de bola :), fazer bolhinhas debaixo de água em uníssono, cambalhotas da borda da piscina, mergulhos de cabeça ( que a Avó já não pode executar), pérolas no fundo do mar,o primeiro a tomar o chuveiro é Rei, etc.
Foi uma tarde em beleza, como muitas que já passei com ele, desde que comecei a frequentar a piscina do Ipanema Park - onde ele não paga nada até aos 10 anos.Ensinei-o a nadar e ele foi um aluno exímio.

Qual a semelhança entre esta ida à piscina e Juliette? Uma: a piscina, a cor azul, o silêncio debaixo de água, a paz que se encontra lá dentro...

(in designika net)

No filme AZUL, decerto um dos mais conhecidos da Trilogia Cores de Kieslowski, Juliette representa uma mulher que perde o marido, compositor, num desastre de automóvel e que passa por um sofrimento indescritível até conseguir a redenção pela obra musical, que ela própria consegue acabar e levar até ao palco da sala de concertos, o Hino à Europa.
No filme Julie vai para uma piscina à noite e mergulha várias vezes para conseguir afastar os seus fantasmas. Só se vê o azul da água e a sua figura tal sereia, emergindo e submergindo da água.

Juliette acabou de ganhar o Prémio para a melhor Actriz no Festival de Cannes. O seu agradecimento ao Juri constituiu num apelo ao governo do Irão para libertar um realizador iraniano, preso político, acusado de realizar filmes contra o regime. O realizador foi libertado ontem, segundo os media. Vivam Juliette e mulheres como ela. Únicas em beleza e em atitudes.

Vai aqui um trailer deste maravilhoso filme : BLEU.