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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Em tons castanhos

Hoje fiz este quadro já para o fim da tarde. Já tinha um nesta tela, mas não gostava dela. Puz bastante impasto e textura e usei cores quentes - excepto o verde, que se confunde com o amarelo -. Há uma sugestão de árvore, ainda que pálida. Foi feito em MDF - madeira - fino. É o material em que mais gosto de pintar, parece que as cores ficam mais brilhantes e a água não é absorvida pelo fundo.

Vai aqui um poema de Pablo Neruda que me parece identificar-se com este abstracto sem legendas.

“Eu pertenço à fecundidade
e crescerei enquanto crescem as vidas:
sou jovem com a juventude da água,
sou lento com a lentidão do tempo,
sou puro com a pureza do ar,
escuro com o vinho da noite
e só estarei imóvel quando seja
tão mineral que não veja nem escute,
nem participe do que nasce e cresce.

Quando escolhi a selva
para aprender a ser,
folha por folha,
estendi as minhas lições
e aprendi a ser raiz, barro profundo,
terra calada, noite cristalina,
e pouco a pouco mais, toda a selva.”

(NERUDA, Pablo. O Caçador de raízes. Antologia Poética, José Olympio, 1994, p. 232.)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tamanho XL

Ontem e hoje dediquei-me a pintar um quadro grande abstracto, a tela já tinha sido pintada, mas não gostava do quadro. Levou-me algum tempo e deu trabalho, mas acho que ficou algo bonito e inspirador. As cores sairam surepreendentes e o fundo é dum roxo e azul que ligam bem.
De vez em quando gosto de fazer quadros maiores e mais arrojados, embora sejam muito difíceis de colocar, as casas são pequenas. Já sei quem gostaria muito de o ter, o meu irmão....a casa dele é grande e tem um corredor que é quase uma galeria!

Aqui vai com uma moldura que consegui através do Piknik ( nova faceta do Picasa):



bom fim de semana para todos!

sábado, 4 de dezembro de 2010

O mar...de novo



Ontem e hoje dediquei-me este quadro. Não é grande, mas tem algo que me surpreende. É diferente de todos os outros que já fiz,o colorido atrai-me. Será que o fundo do mar é assim? Continuo a especular criativamente.

Alguma música a acompanhar....

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mensagem do mar



Hoje fui visitar o SEALIFE no Porto, local que já há muito queria ver. A minha filha faz hoje anos, de modo que juntámos o útil ao agradável e fomos ver o fundo do mar.
Entretanto, depois de passar vários momentos soberbos a admirar algumas espécies verdadeiramente fascinantes, cujos nomes infelizmente não apontei, crendo que os encontraria no catálogo que comprei à entrada, estivémos na varanda da cafetaria a gozar a brisa fresca das praias, que se desdobravam na nossa frente, ondas altas e propícias para o surf.
Realmente, este museu não podia estar melhor situado, vemos o mar dum lado e do outro. É como se estivéssemos a ver as duas faces da Lua.

As fotos foram todas tiradas por mim, sem flash, pois é proibido usá-lo. Fiz um pequeno vídeo, que tb podem ver. Penso que dão uma ideia do mundo maravilhoso que é o reino aquático.

Transcrevo, a propósito, um texto que fui buscar a um blogue brasileiro e que é bastante sugestivo sobre o tema. E um poema conhecido que já transcrevi em tempos.

O MAR COMO INSPIRAÇÃO

Você gosta de poesia? Eu gosto. E tenho lido os poetas brasileiros, contemporâneos e antigos, mas admiro, também, a poesia de outras paragens, como a portuguesa, notadamente Fernando Pessoa, sem dúvida um dos maiores poetas da língua portuguesa.
Pois foi em Portugal, onde estive há pouco tempo, que descobri uma poeta com uma temática muito interessante, o mar. E essa descoberta se deu por um acaso, em uma visita ao Oceanário, um prédio futurista onde a vida marinha é mostrada ao vivo. Nele, percebi que em algumas áreas havia versos, sempre sobre o mar. Fiquei curioso, mas não havia nenhuma informação sobre quem os havia escrito. No final, já próximo da saída, deparei-me, então, com um poema inteiro, o Fundo do Mar. E acabei, também, descobrindo o nome da poeta, Sophia de Mello Breyner Andersen. Anotei o nome e decidi que iria procurar alguma coisa por ela publicado.
Se gosto de poesia, também sou aficcionado por livros. E estando no berço onde o português e parte de nossa cultura nasceu, não poderia deixar de ir a mais do que uma, olhar, ver o que estava sendo publicado, comparando com o que temos aqui. E foi em uma dessas visitas – um descanso para as caminhadas por Lisboa – que acabei descobrindo uma antologia da Sophia. Advinhem sobre o que ela é? Exatamente sobre o mar. E nela, o poema que havia sido reproduzido no Oceanário. Um ótimo poema, no meu entender. E é por isso que o deixo, aqui, para a sua apreciação:


FUNDO DO MAR

No fundo do mar há brancos pavores,

Onde as plantas são animais

E os animais são flores

Mundo silencioso que não atinge

A agitação das ondas.

Abrem-se rindo conchas redondas,

Baloiça o cavalo-marinho.

Um polvo avança

No desalinho.

Dos seus mil braços,

Uma flor dança.

Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa

Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa

Tem um monstro em si suspenso.


Esta e outras poesias sobre o mar estão em Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen. A antologia foi organizada pela filha dela, Maria Andersen de Souza Tavares, está na sétima edição e foi publicada pela Editorial Caminho, de Portugal. Se você gosta de poesia, é uma ótima leitura. Recomendo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Custa a acreditar


como é que esta ilha tão bela e misteriosa, simultaneamente, se mantém ainda aberta e grata aos visitantes como se fosse um presente à nossa espera, algo que nos deixa de olhos abertos de espanto, tal é o espectáculo à nossa frente.
Descem-se uns rochedos e os picos abrem-se de par em par acima do nevoeiro que paira pelos cumes, sobem-se uns degraus ou uns penhascos e deparamos com um declive de paisagem verdejante e vertiginosa a descer pela encosta, flores em cada ranhura de rocha...passa-se um túnel longo e escuro das dezenas que atravessam os montes e o quadro que se abre ao fundo é todo verde dos mais variados tons, como se nascesse ou tivesse sido plantado ali naturalmente à boca do túnel...e entre todos estes pedacinhos de paisagem, surge o azul, o imanso mar, que nos rodeia a toda a volta.

Não me canso de descobrir o encanto destes pedacinhos de Natureza ainda virgem nestas ilhas que são nossas. O mar é dum azul profundo, não há areias, a não ser as de lava, a água é transparente e cálida.

Gostava de ter conhecido a ilha no tempo do Zarco, aos marinheiros ela deve ter aparecido como se fosse o Paraíso, doce como o açucar que aqui se produziu durante seculos e cheirosa como a madressilva silvestre, que abunda nestes montes. Não havia Reid's, nem Pestanas, nem casinos, nem comércio, nem carros, nem túneis, mas já havia o mar, a floresta e os rochedos abruptos e gigantes, as árvores majestosas e as de pequeno porte.A fauna devia ser imensa, os pássaros cantavam sem medo. Havia Paz.Esta imitação de veleiro passou por aqui, junto à costa agora mesmo.Seriam assim os barcos nessa altura? E quando o mar se encapelava?


Puz aqui algumas fotos,todas minhas e pequenas pois levam séculos a descarregar. Cliquem nelas que vale a pena.

Há quem pinte aos 84 anos

Hoje no passeio que démos ao lado leste da ilha, parámos num miradouro donde se vê a ponta de S. Lourenço a extremidade mais longa da ilha, conhecida pelos seus rochedos alongados e de cores estranhas, que formam baiazinhas de azul.
Contou-nos o motorista que há uns tempos trouxera uma senhora americana de 84 anos a esse mesmo local escarpado e que ela lhe dissera para esperar por ela, se possível, até terminar a sua obra. O homem esperou quatro horas. Durante essas horas, a senhora que trouxera um cavalete, uma tela grande, bisnagas e pinceis pintou, pintou sem se cansar, nem parar. Todos os mirones que por ali passavam estavam embasbacados com a arte da obra, que , segundo o motorista, era uma cópia da paisagem maravilhosa que tinha em frente. Infelizmente, não sei quem é a pintora, nem vi a obra....mas posso mostrar-vos o que ela pintou. E deve ter valido mesmo a pena...

Quem me dera saber e poder pintar aos 84 anos!!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O sortilégio do mar


A piscina do hotel onde estou instalada fica em cima do mar, tem água salgada, muito pura e límpida como se pode ver nas fotos que ontem aqui coloquei. Depois dum banho em água a 22º, sentimo-nos refrescados e rejuvenescidos, sobretudo porque a enorme piscina está quase sempre vazia, muitos estrangeiros deitam-se nas espreguiçadeiras a ler ou a beber um drink, mas não tomam banho, não sei porquê. Devem achar a água fria ou não querem estragar o cabelo !!

A dez metros há a possibilidade de mergulhar no mar,




que aqui é escuro, pois há mais rochas que areia no fundo, mas cuja transparência é igualmente sedutora.

A temperatura tem estado a 23º. Hoje tirei fotos do mar...para se comparar com as da piscina. A gaivota da foto acima não tem dúvidas sobre a sua preferência. Eu tb não!Não há nada como um mergulho no mar para nos tirar toda a ansiedade cá de dentro. O cheiro da maresia é único e a sensação de espaço também.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Paraíso terrestre



Hoje descobrimos a parte mais aliciante e não menos bonita desta quinta. Desce-se uma rampinha que é uma ruela, passa-se por uma capela muito bonita, abre-se um portão e depara.se com uma ponte muito sui generis que liga a uma torre com elevador, donde se vê a grande piscina em cima do mar. Tudo isto pertence à mesma Quinta da Penha de França, que não me canso aqui de publicitar. Desce-se de elevador e lá em baixo esperam-nos as espreguiçadeiras com toalhas ao sol ou a sombra , em cima das rochas e do mar ou mais afastadas. A vista é soberba sobre o oceano e tb sobre os hoteis, entre os quais se destaca o velho REID'S onde é suposto terem estado alojados personalidades famosas como Churchill.
Pode-se ir tomar banho directamente ao mar, passando uma pontezinha e descendo umas escadas de pedra que entram na baiazinha ( sem pé), onde se mergulha, aproveitando a água salina e refrescante do verdadeiro oceano. A água da piscina está mais fria, mas tb vem de lá e é salgada...

A felicidade deve ser isto....estar aqui, em boa companhia...e lembrar-nos que foi aqui que há muitos anos estive enamorada do pai dos meus filhos, por isso eles existem, criados num sonho que era belo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

From Madeira with love



É impossível não gostar desta ilha...chegámos há tres horas e já estou de novo apaixonada por tudo...pelas vistas, pelo mar azul, tão azul que até parece irreal, pelas casas antigas - das quais o hotel que escolhi é um exemplo imperdível - pelas flores que nascem nos locais mais reconditos a nossos pés, pela comida bem cozinhada e servida, as piscinas que nunca faltam em redor...enfim, privilégios de quem se pode dar a estes luxos uma vez por ano.

Há 37 anos passei aqui a minha lua-de-mel e fui feliz.
Quis voltar com os meus dois filhos para lhes mostrar o sítio, tão diferente dos hoteis típicos do Funchal. Eis aqui umas fotos que tirei, levam muito tempo a descarregar, e a que dei um jeito mais romântico. Há 37 anos não havia fotos digitais, as minhas da lua de mel são a preto e branco e estão num album a lembrar os dias felizes.

Mas hoje estou feliz...apesar de tudo há muita coisa que o tempo não apaga...

domingo, 4 de julho de 2010

A praia dos "pobres"



A Foz é zona de ricos, de gente abastada, que se orgulha de ter nascido no Porto, na zona mais "queque" da cidade, onde o mar e o rio se abraçam e as vistas se alargam até ao horizonte quase até às Américas, tivéramos nós olhos telescópicos. A Foz sempre foi a zona mais cara por metro quadrado, está hoje repleta de condomínios fechados, que se amontoam sem grande beleza de modo a proporcionar aos habitantes mais mar das suas varandas. E continua cara, apesar de haver outras zonas chiques como Matosinhos sul.

Simultaneamente,a Foz continua a ser e será sempre o local de veraneio dos mais pobres,os velhotes da 3ª idade, aqueles que vão no autocarro 200 ou no 204 ( como eu) para ver o mar e apanhar sol aos Domingos.
Gosto de me misturar com esta gente do povo, fico feliz de os ver ter uns momentos de lazer entre dias difíceis de trabalho árduo fora e em casa, saúde precária e falta de dinheiro para o essencial. Falam das suas vidas, dos hospitais, dos medicamentos cada vez mais caros, dos patrões ( que os não ouvem, pois não andam de autocarro), das rendas, enfim, de temas banais do seu dia a dia.
Rui Rio disse ontem que em 2011 todas as praias da Foz teriam bandeiras azuis. E Acrescentou que a Praia dos Ingleses ( a minha :))) tinha poluição zero neste ano.Que isto era bom para que as pessoas mais pobres da cidade pudessem usufruir de férias junto às suas casas. Diria mesmo, quase à soleira da porta.

Fui lá confirmar. A bandeira azul, como o algodão, não engana...estava hasteada com orgulho junto ao muro de betão. Este ano, vêem-se mais pessoas a gozar da areia, do sol e do mar. Acolhem-se do vento - que hoje quase não soprava, deitando-se junto às rochas protectoras. A água está fria, mas límpida e a vista continua soberba com o novo molhe a servir de barra. Não enxameiam as praias como na Costa da Caparica ou em Cascais, são em número muito sustentável e não fazem barulho.
O Café do Ingleses pôs uma nova veste para o Mundial, vermelha e verde a cobrir uma parte da sala onde ficam os pufs e a TV. Cá fora está-se bem e ainda melhor na areia junto ao mar.


À vinda vou para a paragem, onde já umas sete pessoas aguardam o autocarro, que já lá está postado, sai pontualmente de vinte em vinte minutos e passa em frente da minha casa. Irmano-me com os mais pobres, sem qualquer preconceito, não tenho carro, também gosto de mar e de sol e não me importo nada de conviver com gente anónima para mais um "evento" estival.Que a sorte e a saúde me permitam ter muitas tardes assim. Gente rica e gente pobre reunidas no local mais democrático que conheço: a praia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Escrito na pedra



Não tencionava escrever mais nada no blogue hoje.

Ao fim da tarde dei uma volta a pé pelas rochas aqui em frente de casa e a luz estava belíssima,tão diferente do habitual, que tirei umas vinte fotos.
Acabei por descobrir inúmeras inscrições e desenhos, assim como dezenas de fósseis, que são muito interessantes e falam de histórias e aventuras de animais ou de pessoas que por aqui passaram há muitoa anos.


Um amigo meu, que costuma comentar aqui, diz que escreveu o seu nome nestas rochas nos seus tempos de juventude, mas não encontrei nenhum vestígio dele...:)



Aqui vão algumas fotos desta bela tarde e uma homenagem a estas rochas que já viu quatro gerações...

Uma destas rochas, a que podem ver em baixo era apelidada de rocha da Tia Bicas, nome por que sou conhecida na família, pois era a minha preferida para mergulhos de cabeça na maré cheia. Custa a acreditar....mas é verdade.

À minha filha

Hoje acordei com os passarinhos, que aqui cantam a qualquer hora. Na casa ao lado há um grande pinheiro manso, que por sinal, tem sido motivo de desavenças por nos roubar bastante sol da parte da tarde. O pinheiro agora cresceu e está acima dos telhados, dá um tom florestal ao jardim e abriga estes seres maravilhosos - não sei como se chamam - que cantam desalmadamente, em uníssono com o mar e com o vento simultaneamente.

Gravei-os em vídeo.Vai levar algum tempo a descarregar. Oxalá consigam ouvi-los:



E embora este poema de Sophia nada tenha a ver com os pássaros do meu filme, resolvi transcrevê-lo, pois tem muito a ver comigo e aquilo que estou a viver neste momento. Dedico-o à minha filha Luisa, cuja expressão de felicidade aqui na Luz me encanta.



O POEMA

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo



Sophia Mello Breyner: De Livro Sexto (1962)

Em vez de poema....leia-se blogue...e adapta-se a mim, que não sei fazer poemas.

sábado, 24 de abril de 2010

Scarborough





Já aqui falei desta maravilhosa praia do atlantico norte, mesmo lá no finzinho da Inglaterra. É uma beleza. Vila piscatória com importância turística, cheia de hoteis de charme, memorias da Belle Époque e tradições, como as dos passeios de burrinho pela praia. Em cima, ergue-se um castelo meio arruinado que nos faz lembrar as aventuras dos cinco que líamos quando crianças. As lojinhas são tradicionais, embora haja um centro comercial bem bonito no meio da main street. Vale a pena fazer uma hora de comboio de Leeds para lá, se se quiser, passa-se por York, uma cidade historica com uma catedral de antologia, e depois almoçar num restaurantezinho todo decorado com motivos náuticos, junto ao porto, onde não falta o peixe espada e o célebre fish and chips..
A imensidão da praia, o mar calmo sem ondas, os espelhos das nuvens reflectidas na areia, a paz e harmonia dos verdes e cinzentos, a vila cheia de cor, as pessoas simpáticas já de certa idade que lá vivem, as pequenas galerias, fazem de Scarborough um local privilegiado.

Vão aqui fotos tiradas este ano.



O hotel mais antigo da estancia de verão



A ponte que liga a estrada por cima da praia

Os burrinhos numa pausa para o almoço

A praia

A vila junto à praia



Vista das casas junto ao porto

Vai aqui também a célebre canção tradicional, adaptada pelos saudosos Simon and Garfunkel numa versão histórica também:

segunda-feira, 12 de abril de 2010

La noche en la Isla - Pablo Neruda

Toda la noche he dormido contigo
junto al mar, en la isla.
Salvaje y dulce eras entre el placer y el sueño,
entre el fuego y el agua.

Tal vez muy tarde
nuestros sueños se unieron
en lo alto o en el fondo,
arriba como ramas que un mismo viento mueve,
abajo como rojas raíces que se tocan.

Tal vez tu sueño
se separó del mío
y por el mar oscuro
me buscaba
como antes
cuando aún no existías,
cuando sin divisarte
navegué por tu lado,
y tus ojos buscaban
lo que ahora
—pan, vino, amor y cólera—
te doy a manos llenas
porque tú eres la copa
que esperaba los dones de mi vida.

.


He dormido contigo
toda la noche mientras
la oscura tierra gira
con vivos y con muertos,
y al despertar de pronto
en medio de la sombra
mi brazo rodeaba tu cintura.
Ni la noche, ni el sueño
pudieron separarnos.

He dormido contigo
y al despertar tu boca
salida de tu sueño
me dio el sabor de tierra,
de agua marina, de algas,
del fondo de tu vida,
y recibí tu beso
mojado por la aurora
como si me llegara
del mar que nos rodea.



Pablo Neruda