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sexta-feira, 29 de julho de 2011

E depois do sueste veio o oeste....e por fim a nortada

Pois foi.

O sueste assustou-se e não durou mais que um dia...com pena minha, que me estava a habituar às noites sem vento, ar cálido, cheiro a mar e barulho das ondas. Hoje parece que nada aconteceu.
De manhã estava sombrio, ameaçava chuva, o céu cinzento de chumbo e aquele je ne sais quoi de fim de férias, nostalgia, a pedir cházinho com scones...
Fui almoçar à praia com o meu neto e filha. Estava-se bem...depois fomos a pé pela praia, mesmo na orla do mar em direcção à Rocha Negra, até onde se podia andar em seco. Estava maré cheia, é impossível passar pelas pedras por baixo das falésias...alem de se poder lá ficar retido até a maré baixar. Mais uma vez me curvei perante a maravilha geológica que está ali escondida e que muitas pessoas desconhecem...

Também observei os turistas que iam nos sofás amarrados aos barcos para mais uma corridinha com ais e uis e splashs divertidos, crianças loiras a andar de baloiço, figurinhas de filme inglês de outros tempos. O meu neto apanhou mais umas conchinhas e pedras para a sua colecção e ansiava por tomar banho, mas não o deixei , dado que tinha acabado de almoçar.
À tarde, o banho estava maravilhoso,já não havia grandes ondas, mas o meu neto andou maluco a fazer carrerinhas com a sua prancha durante uma hora.É inesgotável a energia duma criança, a alegria de conseguir o que é mais difícil, o divertimento de conquistar o mar e o prazer de estar ali comigo (a assistir em flashback à minha própria infância em Carcavelos, usando pneus como boias e deixando-me levar pelas ondas).


As férias estão quase a acabar...hoje resolvi pintar a prainha...

vista por mim...em guache.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

E lá veio o sueste...como eu previa:)



O sueste é a fúria do mar aqui no sul...
O vento vira subitamente de norte para sul ou sueste...ontem já se supeitava pelo cheiro da maresia pouco habitual nestas paragens...e as ondas aparecem do nada com um estrepitar sonoro nas rochas. Há um ambiente diferente no ar, vento quente do norte de áfrica, ondas grandes, furibundas. Dura tres dias e depois vai embora com a chegada triunfal da nortada fresca, que já é benvinda.
Gosto muito dos suestes aqui para variar do mar flat, transparente e límpido como o de ontem. Os banhos são fantásticos, com os fura- ondas deliciados, as pranchas a rolarem até à areia, os gritinhos histéricos dos miudos ou das ladies, as gargalhadas dos "putos", entusiasmados com as aventuras maritimas.Hoje estavam dois parzinhos ingleses em roupa interior, com certeza desceram aqui e resolveram tomar banho sem fatos de banho apropriados....elas estavam mesmo com fio dental e soutien às cavalitas dos mancebos em boxers.:))). Tudo se vê aqui!

De manhã dedicámo-nos à pintura de que resultaram tres quadrinhos em guache - faute de mieux -. Aqui vão eles com a assinatura dos artistas.

domingo, 17 de julho de 2011

Paz e calmaria



4 da tarde.

Sentada na sala, só oiço o tique taque do relógio da cozinha, os chutos das crianças numa bola lá longe, o vento a assobiar pelas frestas das janelas. Corri as cortinas brancas da sala, só vejo a boganvília repleta de flores roxas e parece que estamos no céu; passam-me pela cabeça tantos e tantos momentos bons e maus, que aqui se aconteceram. É o filme da minha vida, dos meus verdes anos, dos anos mais dificeis, dos mais gratificantes, dos mais ricos e também dos mais traumatizantes...

Lembro-me de repente desta casa cheia quando o meu Pai resolveu alugar uma TV para vermos os jogos Olímpicos de 1972 (?)...os vizinhos vinham para cá ver as provas mais excitantes, depois ia-se jogar volei no campo do vizinho, que tinha uma rede e muita paciência para aturar o barulho que o despique despoletava, e por fim, tomar banho às 8 da noite, quando já suados, nem sentíamos o frio da água...éramos tão jovens e não havia grande preocupação com o futuro...eu já tinha acabado o meu estágio, no ano seguinte tinha lugar certo no M. Amália, o meu liceu, adorava Lisboa, ensinar inglês e alemão...e nem sabia que um ano depois estaria casada, viria o 25 de Abril...partiria para o nowhere atrás do marido...para acabar no Porto.

Também me lembro de festejar aqui os anos dos meus filhos em Agosto por diversas vezes, com família e amigos, aqui no pátio. Acabavam as festas em cantorias à guitarra e sangria da boa com amigos estrangeiros a aproveitar o nosso sol e a hospitalidade.

Hoje tomei um banho sozinha lá em baixo, com a água bastante fria - 20º, segundo diz o jornal - e uma temperatura de 24º cá fora. Não é brilhante, mas é das coisas que mais gosto, mergulhar na água gelada e sentir o corpo a reagir...e passado um pouco, um calor que me invade toda num bem estar revigorante, nadar por entre as rochas que circundam a prainha, uma pequena baía quase privativa, excelente para que não quiser andar até à praia grande, onde se apanha demasiado sol e muita gente.

A minha fiha já foi para a praia grande depois de almoço, com o seu Ipod e livro...encontrámos um casal amigo e conversámos, mas ela não precisa de companhia e eu tb gosto de estar sozinha...sobretudo neste silêncio, neste santuário, onde estão tantas relíquias e sonhos da minha famíla. Lá fora está azul e sol, mas aqui há silencio absoluto...

sábado, 22 de janeiro de 2011

O vento e a música



O vento - Van Gogh


Se há coisa que detesto, é o vento...sobretudo este de leste, gelado no inverno e quentíssimo no verão, mas arrastei-me contra ele e fui ao ginásio fazer o meu programa. Como sempre, nem vivalma, fiz os meus exercícios ao som dos Muse - começo a estar viciada nesta banda, que me apaixona e dá asas de adolescente.
Às vezes apetecia-me ir para um lugar, onde as pessoas pudessem dançar , correr, rebolar-se pelo chão, deitar-se, sentar-se, mexer os braços, menear a cabeça , sacudir o capacete ao som da música, como fazem os jovens (?) nas discotecas hoje em dia. Sem ninguém a mandar fazer isto ou aquilo. Liberdade total de movimentos.
Sempre adorei bater os compassos da música e quando vou à Casa da Música, faço um esforço para não estar sempre a mexer com as mãos ou com a cabeça. Não compreendo como é que alguns intérpretes conseguem tocar os instrumentos sem se mexer. A expressividade da música também deriva das posições do corpo, das atitudes físicas perante ela.
No outro dia vi uma cantora no Mezzo que toda ela era melodia e ritmo, desde o sorriso com que cantava até ao modo como agradecia ao jovem maestro Dudamel que corava de cada vez que ela lhe dava um beijo entre árias. Uma cena engraçada.
Hoje na piscina não se aguentava mais do que meia hora, o vento fazia tremer a abóbada de vidro e apesar da água estar a 30º, fora tiritava-se de frio. O que me valeu foi o sauna a 60º. Maravilha!
Acabei um quadrinho que tinha começado ontem, ainda da colecção mini-paisagens.
Ficam muito mimosos e nas molduras do Ikea podem fazer um vistaço (?).Não o ponho aqui já porque não tenho bateria na máquina fotografica.

Aqui vai uma das minhas canções preferidas dos Muse: Sing for Absolution. Não gostam deles?! São amazing!