Dantes ia ao cinema aqui no Porto. Na cidade. Ou melhor no Cidade, shopping center construído com polémica, mas que se tornou rapidamente um local de convívio no coração da cidade, junto à Rotunda da Boavista, onde vão jovens e velhos, turistas, estudantes,mães de família como eu outrora, executivos, toda a espécie de "povo".
É um local bonito, em tons de azul ( tinha de ser) e que dantes - não há muito tempo - oferecia 4 filmes de tarde e à noite, todos independentes, em cinemas acolhedores, confortáveis e seguros. Não havia pipocas, mas à volta, a Praça da Alimentação estava sempre cheia, com gastronomia da mais variada. A comida manteve-se, os cinemas fecharam. Sintomático. Não precisamos de encher a cabeça de ideias, nem de nos evadirmos para o país dos sonhos, mas é necessário continuar a encher o estômago de hamburgers, massa chinesa ou sopa de Pedra.Em breve esta cidade só terá lojas de alimentos, mercearias, supermercados, restaurantes, cafés e.....telemóveis e bancos, claro.
Cinemas, não.
Vi filmes fantásticos nesses 4 cinemas. Ainda lá estão os restos, pois o espaço não serviu para mais nada, nem sequer aproveitaram a sala maior que poderia ser um teatro ou sala de concertos. Um desperdício.
Passei a ir comer à Arcádia dentro da Livraria Leitura, onde se pode sentar e folhear os livros da moda , centenas de exemplares que todo o bicho-careta hoje consegue publicar, não sei com que fim e para que público-alvo. Ficção, não ficção, poesia, infanto-juvenil, jurídicos, bricolage, saúde, alguns de Arte, o diabo a 4. Não falta que ler...e não faltarão os leitores?
As lojas de CDs estão todas a fechar. Já não se vende música, pirateia-se o que se quer ou compra-se pela net. Lojas como a Melody sempre com uma escolha maravilhosa de música clássica, onde comprei raridades para flauta, um dos instrumentos que o meu filho e nora tocam. Já não resta nada. Lojas de roupa cada vez mais caras como a Throttleman e a Mango sobrevivem não sei como. É o franchise!:))
Vim um pouco nostálgica. Deve ser da idade, as boas memórias do passado são muitas e as más apagam-se.
Em casa oiço no Mezzo a Madama Butterfly, com Placido Domingo e Mirella Freni, que me faz sempre chorar...contava o meu Avô que tinha pedido namoro à minha Avó durante uma récita desta ópera no Coliseu de Lisboa.Que a música o tinha inspirado. Ela era linda e 17 anos mais nova, ainda prima afastada dele. Puccini acompanhou-os toda a vida. A música e o sofrimento expresso nesta ópera transcende-me. Plangente.
Ironica e dramaticamente, não consigo deixar de associar a morte dalguns locais desta cidade ao hara-kiri da minha querida Butterfly, que tudo perde no final trágico da sua curta vida.
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quarta-feira, 28 de março de 2012
sábado, 1 de janeiro de 2011
NEW YEAR'S BLUES
Este Ano Novo de tão falado nos media já me parece um pouco velho, se não mesmo atacado por uma doença incurável, a depressão contínua.
Ontem, dia 31, não havia um restaurante aberto quando, ingenuamente, decidimos ir jantar fora pelas 7.30 e comprar simultaneamente o espumante e algumas coisas para a ceia de Ano Novo. Dei comigo e meus filhos no meio da Rua do Campo Alegre, a telefonar para restaurantes vários ( tenho uma lista no meu telemóvel), sem obter qualquer resposta.Acabámos por cozinhar um rosbife com batatas fritas e salada em casa, beber Vinho da Madeira em vez de champagne e comer a aletria doce que a minha nora me deixou aqui antes de ir passar o ano com familiares.
A crise não pode ser tão grande assim, se os restaurantes, cafés, esplanadas, shoppings etc. se dão ao luxo de fechar todos na véspera e no dia de Natal + véspera de Ano Novo. Se um desgraçado não tiver comprado nada com antecedência, como foi o meu caso, fica mesmo sem nada nesses dias.
Há muita gente que não tem jantares e almoços de família, que estão sós ou que pura e simplesmente gostariam de não ter de cozinhar. Mas tudo fecha.
Sinto um certo cepticismo quanto à consciência individual da crise - a que os ingleses chamam crisis awareness - ou ao modo como ela está a ser vivida e pintada pelos meios de comunicação social.
Os cinemas estão cheios,sobretudo de filmes para crianças, alguns puramente comerciais e sem interesse, não faltam pipocas e coca-cola para acompanhar, as compras de Natal ultrapassaram as do ano passado, as lojas regurgitam de roupas, víveres, bugigangas, doces, livros e revistas.
Só as lojas de CDs ficaram reduzidas a pó de há uns anos para cá. Hoje já não se encontram CDs de música clássica ou erudita em nenhuma loja do Porto, nem na Fnac, nem na Worten, nem em lado nenhum. A Melodia, que era excelente fechou. Mesmo em Inglaterra a célebre HMV - His Master's Voice- e a Virgin estão nas ruas da amargura. Uma tristeza. Em contrapartida, cada vez se pôem cá fora mais livros de duvidosa categoria ou interesse, os chamados livros de divulgação, sobretudo nesta época natalícia, todo o mundo escreve e alguns escrevem mal e todo o mundo parece ter algo para dizer aos outros ( este blogue é disso exemplo!:)).
O que escrevo hoje é pouco motivador, não estou muito animada neste princípio do ano.
Estou com o New Year's blues, a melancolia pos festas.
Já há meses que ando assim, com uma sensação de crise que não tem nada a ver com aquela de que todo o mundo fala, mas uma minha, interior, que tem a ver com o tempo cinzento, com o Botânico fechado ao público, com a Casa Andersen pintada de vermelho escuro, com as minhas maleitas pessoais que me afligem bastante, o desencanto do atelier e, forçosamente, com o afastamento progressivo e necessário dos meus filhos... enfim toda uma miscelânea de coisas que me trituram e tiram aquele gosto de viver.Até com os netos, sinto esta angústia, que carece de uma explicação.
Neste dia 1, pergunto-me se o mundo, neste momento, está mesmo em crise. Ou se são as pessoas que continuam a viver como se ela não existisse, aproveitando ao máximo o que têm e não têm.
Ontem, dia 31, não havia um restaurante aberto quando, ingenuamente, decidimos ir jantar fora pelas 7.30 e comprar simultaneamente o espumante e algumas coisas para a ceia de Ano Novo. Dei comigo e meus filhos no meio da Rua do Campo Alegre, a telefonar para restaurantes vários ( tenho uma lista no meu telemóvel), sem obter qualquer resposta.Acabámos por cozinhar um rosbife com batatas fritas e salada em casa, beber Vinho da Madeira em vez de champagne e comer a aletria doce que a minha nora me deixou aqui antes de ir passar o ano com familiares.

A crise não pode ser tão grande assim, se os restaurantes, cafés, esplanadas, shoppings etc. se dão ao luxo de fechar todos na véspera e no dia de Natal + véspera de Ano Novo. Se um desgraçado não tiver comprado nada com antecedência, como foi o meu caso, fica mesmo sem nada nesses dias.
Há muita gente que não tem jantares e almoços de família, que estão sós ou que pura e simplesmente gostariam de não ter de cozinhar. Mas tudo fecha.
Sinto um certo cepticismo quanto à consciência individual da crise - a que os ingleses chamam crisis awareness - ou ao modo como ela está a ser vivida e pintada pelos meios de comunicação social.
Os cinemas estão cheios,sobretudo de filmes para crianças, alguns puramente comerciais e sem interesse, não faltam pipocas e coca-cola para acompanhar, as compras de Natal ultrapassaram as do ano passado, as lojas regurgitam de roupas, víveres, bugigangas, doces, livros e revistas.
Só as lojas de CDs ficaram reduzidas a pó de há uns anos para cá. Hoje já não se encontram CDs de música clássica ou erudita em nenhuma loja do Porto, nem na Fnac, nem na Worten, nem em lado nenhum. A Melodia, que era excelente fechou. Mesmo em Inglaterra a célebre HMV - His Master's Voice- e a Virgin estão nas ruas da amargura. Uma tristeza. Em contrapartida, cada vez se pôem cá fora mais livros de duvidosa categoria ou interesse, os chamados livros de divulgação, sobretudo nesta época natalícia, todo o mundo escreve e alguns escrevem mal e todo o mundo parece ter algo para dizer aos outros ( este blogue é disso exemplo!:)).
O que escrevo hoje é pouco motivador, não estou muito animada neste princípio do ano.
Estou com o New Year's blues, a melancolia pos festas.
Já há meses que ando assim, com uma sensação de crise que não tem nada a ver com aquela de que todo o mundo fala, mas uma minha, interior, que tem a ver com o tempo cinzento, com o Botânico fechado ao público, com a Casa Andersen pintada de vermelho escuro, com as minhas maleitas pessoais que me afligem bastante, o desencanto do atelier e, forçosamente, com o afastamento progressivo e necessário dos meus filhos... enfim toda uma miscelânea de coisas que me trituram e tiram aquele gosto de viver.Até com os netos, sinto esta angústia, que carece de uma explicação.
Neste dia 1, pergunto-me se o mundo, neste momento, está mesmo em crise. Ou se são as pessoas que continuam a viver como se ela não existisse, aproveitando ao máximo o que têm e não têm.
domingo, 1 de agosto de 2010
Por do sol na Foz
Sempre gostei de jantar ao pé do mar no Verão.
As esplanadas estão um pouco vazias, dado que as tardes nem sempre são muito quentes e o ventinho sopra...
Em contrapartida, dentro dos restaurantes com as grandes vidraças abertas sobre a areia, está-se bem. Não é barato, mas a vista compensa.
Hoje fui jantar com a minha filha ao Bar da Praia da Luz na Foz. Tirei algumas fotos. É um local muito bem cuidado, tem sofás e pufs por todo o lado, uma sala de jantar confortável no inverno com lareira, no verão com uma decoração bonita e fresca. É um pouco caro e demorado...mas enfim.
É bom fazer férias numa cidade como o Porto...nem nos faz falta sair do país. As temperaturas são amenas, as praias são bonitas, há menos carros, está-se bem.
sábado, 24 de julho de 2010
Babá ao rum e outros acepipes
Hoje dediquei-me à cozinha e não me saí mal, embora fizesse outras coisas pelo meio, como é meu costume.
Gosto de cozinhar, mas às vezes, também sinto necessidade de sair para comer, faço-o regularmente com os meus dois filhos para socializar e comer bem. Ontem fomos a um restaurante que muito aprecio, na Foz, onde servem fondue. Já há mais de dez anos que lá vou, conhecem-nos bem e sinto-me em casa. A decoração é excelente, o ambiente também e pelo facto de estar junto à praia, pode-se sempre ver o pôr do sol no mar.
Hoje fiz um rosbife à inglesa
para o jantar com arroz e salada. Comi tanta salada que até estou enfartada de verdes! Para a sobremesa, acedi ao pedido do meu filho e fiz um Babá ao rum,
à maneira francesa. Lembro-me com saudade dos bábás de Lisboa, acho que eram os meus bolos preferidos de sempre. Não usei rum, pois não o tenho, mas vinho da Madeira que faz o mesmo efeito.
Agora vou ver o futebol - Benfica, byekk - só para fazer a digestão de tanto pitéu.:))
Gosto de cozinhar, mas às vezes, também sinto necessidade de sair para comer, faço-o regularmente com os meus dois filhos para socializar e comer bem. Ontem fomos a um restaurante que muito aprecio, na Foz, onde servem fondue. Já há mais de dez anos que lá vou, conhecem-nos bem e sinto-me em casa. A decoração é excelente, o ambiente também e pelo facto de estar junto à praia, pode-se sempre ver o pôr do sol no mar.

Hoje fiz um rosbife à inglesa
para o jantar com arroz e salada. Comi tanta salada que até estou enfartada de verdes! Para a sobremesa, acedi ao pedido do meu filho e fiz um Babá ao rum,
à maneira francesa. Lembro-me com saudade dos bábás de Lisboa, acho que eram os meus bolos preferidos de sempre. Não usei rum, pois não o tenho, mas vinho da Madeira que faz o mesmo efeito.Agora vou ver o futebol - Benfica, byekk - só para fazer a digestão de tanto pitéu.:))
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