Hoje choveu. Finalmente.
Não me parece, no entanto, e sem querer ser fatalista, que estas pingas de água venham matar a sede de toda uma região que há muito espera pelas chuvas benfazejas do inverno.
Quando andava na FLUL, em 1964, deram-nos um poema de Florbela Espanca, chamado Árvores do Alentejo para analisar quer quanto à forma, quer quanto ao conteúdo e mensagem, num exame de Teoria da Literatura, uma das minhas cadeiras favoritas e aquela a que obtive a melhor nota em todo o curso. Penso que a análise deste poema me ajudou a conseguir um resultado tão satisfatório.
Fica aqui um pequeno quadro que fiz hoje em memória desse episódio e o poema em questão:
ÁRVORES DO ALENTEJO
Horas mortas… Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca - Charneca Em Flor
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quinta-feira, 1 de março de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os nenúfares
Hoje voltei ao Botânico. Necessitava de ar puro e apetecia-me andar, ver algo bonito como as camélias ainda em botão que se preparam para desabrochar na Primavera.
O jardim está desolado, sem flores de espécie nenhuma, as árvores sequiosas, mesmo sem folhas, nota-se nos ramos esguios a secura que tem assolado o país.
Os lagos de nenúfares pareciam sarcófagos gigantes e redondos. Se não foram os reflexos das árvores e arbustos na água lodosa, até julgaria que estavam vazios. Que desolação...
Sei bem que é inverno. Ainda não há nenufares.Só há raízes que estão no fundo dos lagos. As sementes ainda não germinaram, as folhas estão escondidas e flores virão mais tarde ainda. É assim o ciclo da vida das plantas e se gostamos delas, temos de as respeitar. As estufas permitem outras veleidades, mas gosto de ver as plantas desenvolverem-se naturalmente, sem habitats artificiais.Para "matar saudades" coloco aqui algumas fotos que tireiem diversas épocas do ano e umas pinturas de Monet, o pintor que mais tempo dedicou a esta bela flor.
Já não falta muito para a Primavera, é o que vale. Em breve veremos flores nas camélias japónicas que inundam o jardim...não custa esperar.
O jardim está desolado, sem flores de espécie nenhuma, as árvores sequiosas, mesmo sem folhas, nota-se nos ramos esguios a secura que tem assolado o país.
Os lagos de nenúfares pareciam sarcófagos gigantes e redondos. Se não foram os reflexos das árvores e arbustos na água lodosa, até julgaria que estavam vazios. Que desolação...
Sei bem que é inverno. Ainda não há nenufares.Só há raízes que estão no fundo dos lagos. As sementes ainda não germinaram, as folhas estão escondidas e flores virão mais tarde ainda. É assim o ciclo da vida das plantas e se gostamos delas, temos de as respeitar. As estufas permitem outras veleidades, mas gosto de ver as plantas desenvolverem-se naturalmente, sem habitats artificiais.Para "matar saudades" coloco aqui algumas fotos que tireiem diversas épocas do ano e umas pinturas de Monet, o pintor que mais tempo dedicou a esta bela flor.
Já não falta muito para a Primavera, é o que vale. Em breve veremos flores nas camélias japónicas que inundam o jardim...não custa esperar.
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